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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

POR QUE A RÚSSIA TEM SIDO A FONTE DO TOTALITARISMO ?




O psicopata embaixo da cama - Parte II

http://www.midiasemmascara.org/artigos/globalismo/15539-o-psicopata-embaixo-da-cama-parte-ii.html

Escrito por Jeffrey Nyquist | 13 Novembro 2014 Artigos - Globalismo

Com desdém lançarei meu desafio
Bem na face do mundo,
E verei o colapso desse pigmeu gigante
Cuja queda não extinguirá meu ardor.
Então vagarei semelhante a um deus,
Vitorioso, pelas ruínas do mundo
E, dando às minhas palavras uma força dinâmica,
Sentir-me-ei igual ao Criador

Karl Marx



Na última semana a ABC News divulgou uma reportagem em que se diz que hackers conectados ao governo russo são suspeitos de instalar um tipo de malware nos computadores que controlam as usinas de energia e estações de tratamento de água dos Estados Unidos. Esse malware é capaz de debilitar os serviços públicos da América. Um ato de sabotagem tão monstruoso não seria apenas um ato de guerra, mas também um monstruoso crime, pois as vítimas seriam cidadãos comuns que foram alvejados pelo simples fato de possuírem uma determinada nacionalidade. Por que o governo russo faria tal coisa?

Para aqueles que estudaram o caráter do governo russo a resposta é simples. Esse é o tipo de coisa que o governo russo faz, dado que a Rússia é governada por um sistema que não possui freios e contrapesos efetivos e o poder está concentrado em algumas poucas mãos. E onde quer que tal concentração de poder exista, é onde se encontrará uma grande quantidade de crimes e malevolência generalizada. É, portanto, onde se encontram os grandes criminosos, isto é, os psicopatas.

Jacob Burckhardt uma vez escreveu que o “poder é mau” e Lord Acton alertou que o “poder corrompe”. Aqueles que redigiram a Constituição dos Estados Unidos acreditavam que apenas um sistema de freios e contrapesos pode prevenir contra o pior. Da experiência histórica sabemos que esse é o único sistema que produz bons resultados. Eles não são resultados perfeitos, mas são os melhores imaginados pelo homem e são os melhores possíveis — na prática — para salvaguardar a vida e a propriedade. Quando não se tem um sistema funcional de freios e contrapesos a vida e a propriedade não estão a salvo. Eis o caráter do governo russo — e será dos Estados Unidos se nosso sistema de freios e contrapesos continuar a ser sabotado.

Em 1991, quando a União Soviética entrou em colapso, não se estabeleceu um sistema apropriado de freios e contrapesos e o poder continuou concentrado em algumas poucas mãos. O governo não teve de fato que prestar contas a qualquer pessoa. A despeito da realidade subjacente, tudo foi arranjado para que se parecesse que se estava indo em direção a uma democracia capitalista com freios e contrapesos balanceados, mas nada do gênero chegou a acontecer. O objetivo primário de empreender essas mudanças foi enganar o Ocidente. Aliás, essa não é a minha conclusão; é a de Yevgenia Albats, a famosa jornalista russa. Do primeiro ao último integrante, a velha gangue ainda está lá e tudo foi organizado para dar vantagem aos instrumentos escolhidos do Comitê Central (e.g., “ex” integrantes do aparato do Partido Comunista e oficiais da KGB).

O problema da Rússia de hoje já vem desde 1917, quando o país foi tomado por gangsteres que se diziam “comunistas”. Não devemos ser ingênuos acerca dos termos idealistas que os comunistas russos usaram para descrever a “missão” que tinham. Eles assassinaram, roubaram e oprimiram os povos de Rússia, Ucrânia, Ásia Central, Cáucaso, etc. Os comunistas fizeram de si uma nova classe governante sob os auspícios de Stálin e seus sucessores. Esse sistema enquanto tal é um enorme empreendimento criminoso que tirou a vida de dezenas de milhões de pessoas inocentes. Aqueles que obtiveram uma posição nesse sistema e cresceram dentro dele, participaram necessariamente da tradição e do espírito criminoso do todo — mesmo que fossem inocentes em crimes específicos. Além do mais, o estado policial russo não podia deixar de ser um sistema criminoso apenas mudando seu rótulo. É por isso que as novas mentiras estão destinadas a substituir as velhas. Seja lendo a obra Putin’s Kleptocracy de Karen Dawisha (2014) ou The Perestroika Deception de Anatoliy Golitsyn (1995), o fenômeno descrito é o mesmo. O velho objetivo de espoliação nacional e global continua o mesmo. O espírito criminoso do regime bolchevique não morreu. O retorno da NEP de Lênin no governo Gorbachev não significou o fim do governo bolchevique, mas o fim da aparência de governo bolchevique. A liberdade foi introduzida desde cima apenas como expediente temporário, e isso é o que as elites ocidentais se recusaram a entender em 1991-92. Elas aceitaram as mudanças na Rússia pelo valor de face, e agora temos de pagar o preço.

Em 1984, quando a análise de Golitsyn da estratégia soviética foi publicada nos Estados Unidos, o establishment rejeitou essa “nova metodologia” aparentemente sem sequer lê-la, dado que dificilmente pôde se ver alguma reação quando a previsão de uma revolução soviética “desde cima” mostrou-se verdadeira. É surpreendente que William F. Buckley, por exemplo, tenha atacado publicamente a obra de Golitsyn justamente no momento em que as previsões se realizavam. Da esquerda à direita a mensagem foi a mesma: Golitsyn era um enganador maldoso que não merecia a dignidade de ser ouvido. No livro Cold Warrior, Tom Mangold descreveu Golitsyn como um demente paranoico. Buckley foi apenas um pouco mais gentil. Para ambos, os fatos não tinham importância. Ambos os escritores não ficaram constrangidos por estarem jogando no lixo alguém que havia previsto o futuro corretamente. Não apenas eles negaram a precisão das previsões (v. Parte I), como eles difamaram o principal responsável por Golitsyn na CIA, James Angleton. O ataque desavergonhado de Mangold sobre Angleton recebeu alguns anos atrás um contra-ataque apaixonado — embora atrasado — de Pete Bagley, um dos ex-colegas de CIA de Angleton, quando falei com ele. “James Angleton era meu amigo”, disse Bagley com crescente ira e negando que seu colega fosse paranoico ou louco, ou que um alcaguete “danoso” tenha tomado a CIA. As versões, da forma que foram relatadas em histórias que caluniavam Angleton e Golitsyn, não correspondem totalmente à verdade. A falsificação histórica que ocorreu nesse caso não é muito diferente daquela que se deu com o senador Joseph McCarthy. Evidentemente a falsificação da história da CIA tem um significado especial e sugere duas conclusões possíveis: (1) Que a CIA perdeu a Guerra Fria em 1974 quando William Colby tornou-se chefe da inteligência americana e agiu contra os responsáveis pela contraespionagem, ou (2) Que Angleton e Golitsyn foram jogados aos lobos como parte de uma operação maciça de contra-ataque americano orquestrada para esconder o fato de que os EUA estavam perfeitamente cientes da estratégia soviética de longo alcance.

Não penso que a primeira possibilidade esteja de acordo com os fatos históricos. A segunda possibilidade soa prazerosa aos ouvidos, mas é crível apenas a ouvidos de quem não se informou. As instituições políticas americanas nunca foram eficientes o bastante para reagir à infiltração soviética no governo americano. Para os que quiserem mais detalhes sobre isso, o livro American Betrayal de Diana West oferece vários insights sobre a infiltração comunista e como a estratégia americana na Segunda Guerra Mundial subsequentemente tornou-se vulnerável à manipulação de agentes de Stálin. Oh sim, as implicações estratégicas são gigantescas. Como podemos ver claramente, os Estados Unidos foram incapazes de confrontar o problema da subversão comunista desde o começo. Era muito mais fácil difamar aqueles que alertavam contra uma subversão comunista, de maneira que nossa cultura política acabou por ser pautada pelanegação da subversão. E isso é exatamente o que mostram os registros: os anticomunistas foram difamados enquanto os comunistas continuaram a se infiltrar. De que outra forma poderíamos melhor entender a “revolução” da década de 1960 senão em referência à derrota de Joseph McCarthy nos anos 1950? Essa é a verdadeira história da política que subjaz tudo que vemos acontecer hoje. Os Estados Unidos eram um território imaculado nos anos 1930, aberto à infiltração e subversão da versão moscovita do comunismo. Nesse contexto, a CIA era uma agência sujeita a todos os defeitos que afetavam o caráter nacional americano. A ideia de que a CIA era uma organização supremamente poderosa, supremamente sinistra e sinistramente vitoriosa é de rir. A história da CIA é a história de um fracasso após o outro com alguns raros intervalos bem-sucedidos. Com efeito, os fracassos tornaram-se maiores com o passar do tempo, de maneira que até mesmo os sucessos anteriores (Iran, por exemplo) passaram a ser fracassos. Era então natural que a CIA de 1974 marginalizasse Angleton, tomasse Golitsyn como ameaça e também não desse o tratamento adequado ao importante desertor checo Jan Sejna.

Os americanos quiseram ser enganados, pois a alternativa era demasiadamente desagradável. Acreditar na subversão levaria a contramedidas que poderiam levar à diminuição das liberdades, pois estaríamos em um regime de contraespionagem. E conforme fomos nos tornando cada vez mais hedonistas, tudo que precisávamos era uma boa e velha mentira para nos sentirmos melhores. Isso nos leva a algo chamado “a sociologia do conhecimento”, que envolve a relação entre a capacidade de um indivíduo pensar e o contexto social ao qual o pensamento se efetiva. O contexto social dado na América não é de suspeita. Pessoas que expressam indevidas suspeitas sobre a lealdade política alheia são chamados de macarthistas, e todos sabem que macarthismo virou sinónimo de “antiamericano”. Dizer publicamente que você suspeita que alguém seja comunista é cometer um ato de auto-difamação. Sendo assim, é socialmente inapropriado suspeitar que pessoas sejam inimigas num sentido mais generalizado. Neste caso, a “sociologia do conhecimento” de dentro da CIA não é diferente da sociedade como um todo. Desta maneira, a eficácia da CIA após censurarem Joseph McCarthy estava fadada ao declínio, apesar do fato de que a CIA estava provavelmente infectada por agentes soviéticos desde a sua origem (dado que seu precursor, o OSS, estava infectado de agentes).

Quando você chega a 1974, com o escândalo de Watergate tendo acabado de explodir, a maior façanha da CIA era protagonizada pela contraespionagem que era liderada por James Angleton. Era onde estava o repositório de conhecimento e memória que havia gravado do inimigo todos os seus encontros anteriores, suas histórias mais importantes, a observação dos seus métodos, táticas, estratégias e manobras. Era onde estava o cérebro da CIA, que sabia que os soviéticos usavam provocação, oposição controlada, medidas ativas, agentes duplos e falsos desertores. Neste caso, o engodo estratégico soviético não se tratava apenas de espiões enganando espiões. Todo mecanismo soviético foi projetado coordenadamente com gigantescas operações de espionagem com o fim de enganar toda a civilização. Essas operações começaram nos anos 1920 e se seguiram nas décadas seguintes. E como se vê, o cérebro da CIA era importante porque o cérebro é aquele que lembra os truques soviéticos do passado e prevê e organiza o corpo contra truques futuros. Entretanto, o corpo de contraespionagem da forma que existia sob Angleton deixou de existir após 1975 pois William Colby o eliminou. Então os chefões em Moscou sabiam que haviam adquirido o controle efetivo no campo da inteligência. Depois disso, ninguém da área da espionagem americana conseguiu novamente adquirir o conhecimento necessário para interpretar o que os estrategistas em Moscou estavam fazendo.

, Considerando o megacomplexo que era o governo americano, o corpo de contraespionagem comandado por Angleton era o único corpo inteligente de homens nos Estados Unidos que entendia o maior inimigo. Eles eram os únicos homens capazes de fazer uma leitura correta das ações do inimigo. Eles foram os únicos que ouviram Golitsyn e que puderam entender o que ele estava dizendo. Na verdade, ele estava dizendo algo que eles já sabiam. O problema é que o corpo de contraespionagem da CIA era uma ilha de conhecimento num mar de ignorância voluntariosa. Os burocratas da inteligência não queriam admitir que podiam ser enganados (i.e. a negação do engano). Não queriam admitir que poderiam ser (e já haviam sido) infiltrados por agentes inimigos (i.e. a negação da subversão). Não queriam admitir que o senador Joseph McCarthy estava certo. E finalmente, a CIA ver-se-ia envergonhada perante sua própria contraespionagem e o conhecimento que ela possuía. Inevitavelmente, os conhecimentos e discernimentos que a contraespionagem possuía seriam taxados de “pensamento doentio”. Portanto, o que aconteceu a Joseph McCarthy na década de 1950 acabaria por acontecer com James Angleton na década de 1970. A sociologia do conhecimento no contexto americano não permitia o conhecimento dos métodos e estratégias dos soviéticos. Isso era proibido ao pensador individual, que por sua vez passaria a ser marginalizado por pensar um pensamento que era “doentio”.

Agora avancemos no tempo até a análise que Karen Dawisha fez da cleptocracia de Putin. Ainda estou para achar onde ela sugere em seu livro que o Partido Comunista da União Soviética continua no controle dos bastidores da Rússia. Essa, aliás, seria a conclusão natural do corpo de contraespionagem de Angleton. O pessoal de Angleton estaria procurando por agentes da KGB em altos postos que estivessem manipulando processos políticos e econômicos na Rússia em nome de um Comitê Central oculto do Partido Comunista da União Soviética. Eles estariam trabalhando para apresentar uma falsa aparência que enganasse o resto do mundo. Essa aparência envolveria homens da KGB operando bancos comerciais, grandes corporações e instituições governamentais que aparentemente pareciam estar desligadas do controle comunista. O que denunciaria isso seria a presença de agentes que eram, nas circunstâncias anteriores, lacaios do regime soviético. Eles agiriam sob uma nova disciplina sanguinária que incluiria assassinatos daqueles que fracassaram em seguir (ocultamente) ordens e regras (invisíveis). Esses agentes pareceriam ser bilionários legítimos, mas na verdade eles seriam testas de ferro de um poder oculto, que seria o verdadeiro responsável por suas vidas. Não pode ser coincidência que isso é exatamente é o que acontece na Rússia, segundo Dawisha.

Evidentemente a reação da maioria à minha análise (acima) será rotulá-la de “pensamento doentio”. A despeito disso, esse “pensamento doentio” explica tudo que aconteceu na Rússia de 1989 a 1991. Ela explica porquê a balança das forças nucleares tende ao lado inimigo do Ocidente. Ela explica a recente beligerância da Rússia e o fracasso do Estado e da inteligência americana em encontrar uma política efetiva para aplicar. A verdade é que temos nos enganado — e o inimigo tem alimentado esse autoengano. E é claro que nós não nos atrevemos a sair desse ciclo de autoengano, pois mesmo agora não diremos que há comunistas embaixo da cama. Devemos falar apenas em “o psicopata embaixo da cama”, ou o “cleptocrata embaixo da cama”. Você pode até mesmo admitir que essas pessoas são assassinas, mas não traga à tona a palavra “comunismo”. Que o Partido Comunista da União Soviética tenha começado como uma organização clandestina é assunto proibido. Que os partidos comunistas em incontáveis países têm operado clandestinamente também é assunto que não se fala. Dawisha parece não imaginar qual organização existente no Ocidente mais se aproxima em semelhança de funções ao Diretório da Direção Central ou da Direção Central de Supervisão e Inspeções. A importância dessas bizarras aflorações burocráticas reside na semelhança funcional que possuem em relação às funções das organizações do Partido Comunista da União Soviética.

Os americanos não lembram da Nova Política Econômica de Lênin e da Operação Trust dos anos 1920. Não lembramos porque nossa memória foi removida. Nossa memória foi removida porque o senador Joseph McCarthy foi removido. Não lembramos porque Angleton foi removido. Assim fomos enganados nos anos 1990 e continuamos a interpretar mal os sinais de perigo. E aqui estamos, diante dos mesmos capangas assassinos moscovitas de antigamente, despreparados. Faça o favor de lembrar que o engano não se autodestrói. O engano só vem a possibilitar mais destruição. E assim, enquanto estávamos todos dormindo, os russos colocaram um malware nos sistemas de computadores mais vitais à nação.

Não há lucro na destruição da infraestrutura americana. Há apenas o prazer de destruir — o tipo de prazer sentido por psicopatas desenfreados.

http://jrnyquist.com  




PARTE I http://www.midiasemmascara.org/artigos/globalismo/15518-o-psicopata-embaixo-da-cama-parte-i.html

O psicopata embaixo da cama – Parte I

Escrito por Jeffrey Nyquist | 31 Outubro 2014 Artigos - Globalismo

(Apontamentos inspirados pelo livro Russia’s kleptocracy de Karen Dawisha e à luz da metodologia de Golitsyn)

“Por podermos constatar que há um sistema astuto e complexo na Rússia — que por sinal é opaco e cheio de detalhes interessantes e regras internas — deveríamos concluir que o sistema só veio a se concretizar por causa de um projeto consciente. Mas como? Evidências mostram que indubitavelmente ele não se concretizou por acaso. Este livro rejeita com veemência a ideia frequentemente disseminada pelos meios acadêmicos ocidentais de que Putin é um ‘autocrata acidental’ ou um ‘bom czar rodeado por maus boiardos’.” Karen Dawisha, Putin’s Kleptocracy: Who Owns Russia?

“As elites formam a autoridade fundamental [na Rússia]: elas abastecem a autoridade coletiva a qual elas mesmas compõem [inclusive fornecendo o presidente] e decidem, entre outras coisas, por quanto tempo deve servir o presidente. Essas elites necessitam de um mecanismo ao seu dispor para que, por meio dele, decisões como essa possam ser tomadas e tornem possível que se coordenem os eventos políticos. É essencial ao sucesso dessa estratégia que esse mecanismo esteja bem escondido do Ocidente. Me faltam os recursos para estudar como esses mecanismos funcionam. No entanto, a probabilidade é que ele funcione de modo sub-reptício dentro de uma instituição conhecida publicamente. O Conselho de Segurança Nacional pode ser um candidato a ser investigado como possível front desse mecanismo secreto.” Anatoliy Golitsyn, Memorando à CIA, 1 de outubro de 1993

"Quero alertar os americanos. Como povo, vocês são demasiadamente ingênuos acerca da Rússia e suas intenções. Vocês acreditam — porque a União Soviética não existe mais — que a Rússia agora é amiga. Ela não é e eu posso mostrar como a SVR [serviço de inteligência estrangeira russo] está tentando destruir os EUA hoje mesmo e com muito mais intensidade do que a KGB durante a Guerra Fria.”

Sergei Tretyakov, citado por Pete Early em Comrade J: The Untold Secrets of Russia's Master Spy in America After the End of the Cold War (2007)

O velho inimigo da América ainda está aí planejando destruir o capitalismo. Entretanto, isso parece um paradoxo, pois o comunismo supostamente morreu há 23 anos. É claro então, que o que morreu foi algo diferente. Na verdade, o que morreu é a velha prática de admitir as crenças comunistas. Foi isso que morreu! A moda hoje — em Rússia, China, EUA, Europa, América Latina e África — é negar que alguém seja comunista. Foi assim que se disse que Nelson Mandela não era comunista, mas um “democrata”. Hugo Chávez não era comunista, mas um “populista”. O presidente Xi Jinping não é um comunista, mas um “pragmático”. Vladimir Putin não é um comunista, mas um “cristão”. E assim joga-se o jogo ao redor do mundo, de maneira que ninguém é comunista, exceto aqueles que vestem um capuz vermelho com um martelo e uma foice desenhados na testa.

E quem seria idiota ao ponto de vestir tal capuz? Apenas um tolo diria que está aí para destruir o capitalismo. Os capitalistas possuem poder e dinheiro, de modo que eles resistiriam a qualquer ataque direto e aberto às suas posições. Sendo assim, o rótulo comunista interfere negativamente no cumprimento dos próprios objetivos comunistas, pois até mesmo um homem de negócios relativamente ignorante teme a expropriação. Desta maneira, o avanço do comunismo deve ser um processo dissimulado ao qual os comunistas tomem o poder sob um estandarte “progressista” que prometa melhores condições de saúde e melhores condições de vida; ou, como prometeu Lênin ao povo russo em 1917, “Nossa política é pão e paz!”. No entanto, essa campanha se revela pela sua patente inveja e pelo seu uso de forças e desejos destrutivos — especialmente ao manterem vivas memórias de injustiças passadas e de tragédias da história as quais podem ser atribuídas de modo verossímil à “ganância” ou aos “ricos”. Na verdade não são os “ricos” que temos de temer, pois riqueza não é o mesmo que maldade. O criminoso e o psicopata não são tão motivados pela cobiça, dado que a motivação principal desses dois vem do ódio que nutrem pela sociedade normal. “Um homem não é um socialista se ele não odiar uma pessoa ou alguma coisa...”, escreveu Gustave le Bon. O pano de fundo dos grandes líderes socialistas, de Mao a Castro, ou de Stálin e Lenin, era um pano de fundo psicopatológico. O socialismo totalitário sempre foi na verdade um governo de psicopatas. A demonstração final de comunismo é a presença de criminosos de tipo ordinário dentro da liderança do Partido Comunista ou no quadro de membros. É aí que encontramos sádicos, ladrões, assassinos e os excluídos do convívio normal da sociedade. A revolução os seduz, pois ela permite que eles façam o que sabem fazer de melhor, só que sob o manto ideológico. Como observou Sam Vaknin, “A supressão da inveja está no âmago do narcisista. Se ele não conseguir se convencer de que ele é a única coisa boa no universo, ele está fadado a ser exposto por sua própria inveja assassina. Se houver outros lá fora melhores que ele, ele os invejará e os atacará de maneira feroz, incontrolável, louca, odiosa, até chegar ao ponto de tentar eliminá-los”.

Se o indivíduo for patológico então ele pertence a uma tribo patológica. E sim, eles podem reconhecer uns aos outros. É esse subconjunto que opera para destruir a civilização ocidental e eliminar o que há de melhor no mundo. O psicopata, energizado pela política, se realiza de uma maneira totalmente nova. Uma pessoa não está destinada a cometer crimes irrelevantes se houver grandiosidade suficiente. É possível assim cometer crimes contra milhões de pessoas indefesas em escalas nunca antes sonhadas. A esse tipo de maquinação é dada uma coloração ideológica. O perpetrador é apresentado como o herói dos oprimidos. É assim que toda essa empresa é vendida aos fracos de espírito, ingênuos e imaturos. É aí que está o subconjunto que atualmente seduz nossos homens de negócio para que eles formem uma relação de negócios gigantesca com a China. É aí que está o subconjunto responsável por mudar o currículo escolar em várias jurisdições dos Estados Unidos. Eles já tomaram os grandes sindicatos. Eles possuem um surpreendente grau de influência sobre a mídia e Hollywood. Eles possuem primazia na formulação de políticas ambientais e dão atenção particular na mutilação da economia capitalista para que se torne impossível à América competir economicamente. Como mostrou Trevor Loudon em seu último livro, The Enemies Within: Communists, Socialists and Progressives in the U.S. Congress [Inimigos intramuros: Comunistas, Socialistas e Progressistas no Congresso dos EUA], esses “inimigos” chegam até a redigir nossas leis — seja nas assembleias estaduais ou no Congresso.

Hoje em dia estamos condicionados a acreditar que o movimento comunista internacional não existe mais. Ele não tem mais na Rússia sua capital. Estamos condicionados a acreditar que os comunistas chineses são comunistas apenas no nome. Seria sábio acreditar que o comunismo morreu porque os psicopatas por trás dele foram curados? Ou, afinal de contas, seria mais sábio admitir que os psicopatas que compunham o núcleo de um sistema criminoso mantêm-se como eram? Por que teria alguma diferença agora? Hoje eles nos enganam dizendo que viraram a página. Mas não há página alguma e, portanto, nada para virar. Psicopatas não são curados ao tornarem-se capitalistas.

Dezenas de milhões foram assassinados pelo sistema criado pelo Partido Comunista que durou de 1917 a 1991. Quem foi julgado por esses assassinatos? Alguma propriedade foi devolvida às famílias das vítimas? Foi feita alguma restituição? Não. Lênin sequer foi enterrado e seus restos mortais estão à mostra em Moscou como se estivessem frescos como margarida. Suas estátuas mantêm-se todas em pé por toda a Rússia. Pode-se argumentar que em 1991 o Partido Comunista da União Soviética mudou sua formação e passou parcialmente à clandestinidade. Se o sistema russo é opaco, como mostra a expert no assunto Karen Dawisha, então ele foi cuidadosamente projetado. Por que a realidade política russa deveria ser considerada tenebrosa senão pelo fato de que a Rússia tem em mente a organização de uma fraude — com um véu escuro estendido sobre acontecimentos e personalidades chave? Precisamos olhar com maior atenção à obra de Anatoliy Golitsyn, que por sua vez previu com sucesso todo o devir da política russa desde 1985 até o presente. Ele previu a perestroika e a glasnost. Ele previu o Partido Comunista desistindo do seu monopólio. Ele previu o estabelecimento de freios e contrapesos no sistema político russo. E ele previu que esses freios e contrapesos seriam um embuste; talvez o maior embuste da história, ao ponto de colocar em risco o destino de milhões no mundo inteiro.

Muitos pesquisadores têm fortes suspeitas de que ataques a bomba nos apartamentos em 1999 na Rússia foram planejados pela FSB para que se pudesse culpar os muçulmanos e assim começar uma guerra contra a Chechênia. Alguns pesquisadores suspeitam que tal ato pode ser considerado uma ação inaugural para consolidar um novo tipo de regime na Rússia. Mas esse não é apenas um tipo ordinário de regime criminoso, mas uma reconfiguração do regime soviético (os mesmos criminosos sob um novo rótulo). Como alguém que saiu da chefia da FSB antes dos ataques, Vladimir Putin provavelmente esteve envolvido no planejamento e ele certamente foi o beneficiário político do desenrolar dessa história. A retomada da guerra à Chechênia, que então fora rotulada de “Operação Anti-terror” não foi um mero álibi antes do 11 de setembro [1]. Isso ajudou Putin a desempenhar o papel de fiel aliado aos Estados Unidos (coisa que ele nunca foi). Que esse álibi foi falso é algo admitido pelo Gauleiter da Chechênia, Akhmad Kadyrov, escolhido a dedo por Putin. No dia 7 de junho de 2000 Kadyrov deu uma entrevista ao jornal inglês de língua árabe Al-Sharq al-Awsat sugerindo de maneira oblíqua que os generais russos controlavam ambos os lados do conflito na Chechênia. De fato é algo muito intrigante! “Isso não é jihad”, explicou Kadyrov, “é apenas um embuste”. Ele confrontou pessoalmente Putin acerca desse fato e Putin supostamente admitiu que “erros foram cometidos”. Kadyrov afirmou: “Eu disse a Putin que se a Rússia realmente quisesse, nem um único estrangeiro [i.e. um terrorista da al Qaeda] poderia ter infiltrado na Chechênia ou oferecido um único dólar a ela, o que significa que essa coisa toda foi deliberadamente planejada”.

Sim, ela foi planejada por um número de razões minuciosamente planejadas. Como argumentou mais tarde Anatoliy Golitsyn, a guerra na Chechênia havia provado a todos que a Rússia era militarmente fraca e incapaz. Ela não poderia mais ser uma ameaça ao Ocidente. Isso logo adiante reforçou a retirada da inteligência ocidental que estava na Rússia e realocou-a para combater a ameaça islâmica. Como sugeriu Golitsyn, as políticas e ações tomadas pelo Partido Comunista da União Soviética (PCUS) de 1985 a 1991 tinham em mente essas consequências desde o início.

Trinta anos atrás o ex-major da KGB, Anatoliy Golitsyn, alertou em sua obra New Lies for Old que “os próximos cinco anos serão um período de luta intensa, que será marcado por uma grande e coordenada ofensiva comunista dirigida à exploração do sucesso do programa de desinformação estratégica ao longo dos últimos vinte anos e a tirar vantagem da crise e dos erros que esse programa gerou nas políticas ocidentais dirigidas ao bloco comunista”. Essa ofensiva, segundo ele, foi cuidadosamente preparada desde o fim dos anos 1950. Ela envolveria a colaboração secreta entre Moscou e Beijing.

De acordo com Golitsyn, a Rússia e a China estão comprometidas com a “estratégia das tesouras” e, no “golpe final, as lâminas da tesoura se fecharão”. A opção europeia “seria levada por um renascimento da ‘democratização’ controlada nos moldes checoslovacos”. Golitsyn explicou que a intensificação das políticas linha-dura do começo dos anos 1980 “exemplificados pela “prisão” de Sakharov e a ocupação do Afeganistão, pressagiam, talvez, a saída de cena de Brezhnev”. Golitsyn então fez uma previsão espantosa: “O sucessor de Brezhnev pode bem parecer um tipo de Dubcek soviético. A sucessão será importante apenas para efeito de exibição. A realidade da liderança coletiva e o compromisso comum dos líderes à política de longo alcance continuarão sem ser afetados”. Ele previu que uma era de políticas de longo prazo estaria por vir: o controle seria descentralizado, firmas auto-administradas seriam criadas e se aumentaria os incentivos materiais. Segundo o major, “o controle do partido sobre a economia seria aparentemente relaxado e diminuído. Tais reformas se baseariam nas experiências soviéticas dos anos 1920 e 1960, bem como na experiência iugoslava”. A despeito das aparências externas, Golitsyn alertou que o partido “continuaria a controlar a economia por detrás da cena, tanto quanto controlava antes. O quadro de estagnação e deficiências, que [fora então] apresentado deliberadamente, deveria ser entendido como parte da preparação para inovações enganosas; esse quadro [tinha] a intenção de causar sobre o Ocidente um impacto maior quando essas inovações [fossem] apresentadas.”

Dentre essas inovações enganosas incluir-se-ia a liberalização política. “A ‘liberalização’ deveria ser espetacular e impressionante”, escreveu Golitsyn. “Podem ser feitos pronunciamentos formais sobre a redução do papel do partido; seu monopólio será aparentemente reduzido. Uma ostensiva separação de poderes entre o executivo, o legislativo e o judiciário pode ser anunciada. [...] A KGB seria ‘reformada’”. Infelizmente, segundo Golitrsyn, “a “liberalização” seria calculada e enganosa, posto que apresentada e controlada de cima. Ela seria levada adiante pelo partido, através de suas células e de membros individuais no governo [...] pela KGB através de seus agentes...”

Golitsyn nunca recebeu devidamente os créditos pelas várias previsões certas que fez, mas seus insights têm sido confirmados — embora indiretamente. No novo livro de Karen Dawisha, Putin’s Kleptocracy, podemos encontrar uma descrição detalhada do mecanismo ao qual o Partido Comunista da União Soviética contava para continuar a controlar em segredo a economia pós-soviética. É claro que Dawisha não reconhece plenamente que o objeto descrito (a conspiração da KGB que circunda Putin) é um mecanismo de controle secreto usado por um partido governante oculto. Mas ela reconhece sim que esse é um mecanismo majoritariamente composto por agentes da KGB. De acordo com Dawisha, “quando o recém-eleito presidente Boris Yeltsin baniu o PCUS após o golpe fracassado de 1991 contra Gorbachev, a chefia do partido se desfez e o controle sobre a vasta montanha de dinheiro estrangeiro que eles possuíam caiu nas mãos dos agentes da KGB que tinham acesso às operações e contas estrangeiras”.

A afirmação de Dawisha é inocente, claro; pois como ela sabia quem estava no comando? A KGB continuou a existir após 1991. O sistema militar geral da União Soviética, embora diminuto, ainda continuou a existir. Temos testemunhas sobre isso vindo de desertores da KGB, FSB e GRU. Mais que isso: a luta comunista internacional continuou a existir! (Veja este recente vídeo de Cuba.)

Pense: se os comunistas não estivessem ainda no controle da Rússia, por que a Rússia estaria atualmente expandindo sua esfera de influência na comunista Nicarágua conforme documentado por Valeria Gomez Palacios? É fato irrefutável que o presidente Daniel Ortega é comunista. O Partido Sandinista é, com efeito, um partido marxista-leninista que apenas finge ser ‘social democrata’. Os gângsteres que controlavam o partido nos anos 1980 são os mesmos que o controlam hoje. E o jogo político na Nicarágua apresenta um paralelo com o jogo político russo. É evidente que esse jogo implica em colocar uma maquiagem democrática no mesmo velho porco comunista.

Se Moscou agora é russa e não comunista, por que então eles apoiariam Ortega e os sandinistas ao instalar uma base militar russa na Nicarágua? De acordo com Gomez, “Em fevereiro de 2014, mudanças ilegais na constituição da Nicarágua foram aprovadas e, dentro delas, há um novo decreto de autoridade presidencial que muda toda a essência do jogo político. A nova reforma da constituição colocou o povo da Nicarágua numa ditadura legalizada e solapou o resto de democracia que ainda havia no país”. Em outras palavras, uma tomada comunista na Nicarágua foi finalizada e bases militares russas serão construídas lá. Se o PCUS não está ainda hoje governando a Rússia, por que apoiar Ortega deveria ser uma prioridade? E por que os soldados russos marchariam lado a lado com um dedicado comunista? Indo mais direto ao ponto, por que os comunistas nicaraguenses confiariam nos russos se eles não fossem ainda fiéis à causa? Além disso, a Nicarágua de Ortega é agora uma ditadura que faz oposição aos Estados Unidos. É apenas mera coincidência que a Rússia de Putin seja atualmente uma ditadura que faz oposição aos Estados Unidos? Enfim, sejamos realistas. Admitamos o que vem acontecendo desde 1991.

Durante a década de 1990, após a suposta queda do comunismo na Rússia, o Kremlin continuou a mandar suprimentos militares aos comunistas do MPLA em Angola. Mesmo quando os Estados Unidos pararam de apoiar Jonas Savimbi, os aviões russos de suprimento continuaram a levar armas e munição. Se avançar o comunismo global não era mais um objetivo russo, por que então apoiar os idiotas do MPLA? O mesmo vale para a relação russa com a África do Sul governada por Mandela e seus sucessores do partido ANC, que é controlado pelos comunistas, e com Chávez na Venezuela. Mandar navios de guerra e aviões militares à Venezuela não foi uma mera visita amistosa. Foi algo mais.

Karen Dawisha sugere que a atual liderança russa, que provém da KGB, está focada no auto-enriquecimento. Ela não vê um partido comunista nesse grande esquema, a despeito das várias estátuas de Lênin que ainda estão em pé por toda a Rússia (assim como ainda estavam na Ucrânia até um ano atrás). Por que não derrubar as estátuas? Por que não enterrar Lênin? Por que ameaçar as pessoas que derrubaram as estátuas de Lênin na Ucrânia? Essas questões todas são minimizadas, mas não deveriam. Se esses supostos governantes da KGB não fossem comunistas, mas apenas criminosos gananciosos, como explicar o comportamento suicida de provocação à América nos dias de hoje? Como explicaríamos seus virulentos ataques? Como explicaríamos a anexação da Crimeia, a beligerância em relação aos Estados bálticos e à OTAN? Com efeito, se eles tivessem como plano aproveitar seus desonestos ganhos em paz, eles iam apenas subornar os governantes ocidentais e se apresentar como pessoas que não significam qualquer ameaça e que eram apenas “amigos” com armas nucleares que queriam acesso ao sistema financeiro, e não derrubadores de aviões civis e anexadores de territórios de países vizinhos. Que maneira melhor teria do que evitar conflitos? Por que construir bases militares na América Central? Por que enviar bombardeiros estratégicos voarem ao longo da costa da Califórnia? Que tipo de homem arriscaria uma Terceira Guerra Mundial para adquirir 80 bilhões em vez de 40? Isso não é ganância. É uma anormalidade psicológica, um defeito sintomático de um comunista desajustado.

Oh sim, Putin e sua gangue são criminosos. Como mostra Karen Dawisha, os líderes ocidentais sabiam disso há muito tempo. Agora o rótulo “criminoso” substituiu a ameaçadora marca “comunismo”. Eis que tivemos uma distração embrulhada dentro de um álibi, açucarado com a promessa de uma parceria lucrativa. A distração alcançou seus objetivos, o álibi foi aceito sem suspeitas e a parceria foi uma farsa. Mostrando sua verdadeira face hoje, Putin dá rosnadas ameaçadoras enquanto caminhamos para além da fase final do grande engano: rumo àquilo que Anatoliy Golitsyn chamou de “um só punho fechado”. O perigo de guerra aumenta; Os treinos militares russos têm se tornado mais frequentes; Bases são preparadas na Nicarágua; ISIS avança no Iraque; Coreia do Norte se prepara para a guerra; e a China também se prepara para uma “guerra regional”.

No livro de Karen Dawisha lemos sobre a quantidade maciça de riqueza controlada pelo presidente russo e seus associados. Essas pessoas possuem posições chave nas finanças globais, de maneira que é possível a eles (nas palavras de Dawisha) “solapar [...] instituições financeiras ocidentais, bancos, mercado de capitais, mercado imobiliário e companhias de seguro...” Políticos ocidentais proeminentes foram corrompidos (e.g. Silvio Berlusconi) e as grandes companhias foram comprometidas (e.g. Banco de Nova York). O novo sistema russo controla o desenvolvimento político e econômico não apenas da Rússia, pois ele se entrelaçou e persuadiu a política e o comércio ocidental. De acordo com Dawisha, “a KGB moveu as vastas reservas do PCUS para o estrangeiro e para longe do controle do presidente Mikhail Gorbachev, fazendo com que seu regime se enfraquecesse”. Mas o dinheiro não foi transferido para o estrangeiro para debilitar Gorbachev. Ele foi transferido para o estrangeiro com o fim de infectar o Ocidente. Dawisha precisa perceber que uma estratégia estava em curso. Ela não percebe os sofisticados métodos e táticas do PCUS e sua Espada e Escudo (a KGB); ela precisa reconhecer um processo que já estava em ação em 1991. Quando Lev Pavolovsky alertou que Putin pertencia a uma “camada muito extensa, porém invisível, de pessoas que [...] buscavam uma ‘revanche’ diretamente ligada à queda da União Soviética”, ele talvez estivesse se referindo ao Partido Comunista da União Soviética, que ainda continua a existir. E sim, ele ainda controla as coisas, pois ainda podemos rastrear seu projeto maior (que é completamente Vermelho). Incrivelmente, Dawisha chega muito perto de ver esse quadro maior. Ela reconhece que as músicas favoritas de Putin são soviéticas, entretanto ela tende a dar maior ênfase na ganância de Putin. Quando Putin estava alocado na Alemanha Oriental, explica Dawisha, “ele obrigava os líderes de facção do Exército Vermelho Alemão [...] a roubar aparelhos de som pra ele quando eles tivessem um momento livre em meio a suas campanhas de terror”.

Comunismo, como observei anteriormente, sempre se tratou da espoliação. Ele sempre esteve infundido de inveja. Comunistas roubam, mentem e matam. Essa é a história do comunismo — seja Rússia, China, Cuba, Venezuela, etc. etc. Os agentes da KGB terem enriquecido a si mesmos com o dinheiro do PCUS não serve como testemunho de anticomunismo. Não devemos nos surpreender com o artigo de Bill Gertz no Free beacon dia 7 de abril intitulado “Putin Corruption Network Revealed” [Revelada rede de corrupção de Putin]. O que deveria nos surpreender são os recentes avanços comunistas em Colômbia, Nicarágua, Equador e dentro dos EUA. A liderança comunista sempre foi gananciosa. Acreditar em sua retórica de exploração da mão-de-obra é uma idiotice completa. Os líderes comunistas jamais deram a mínima para os trabalhadores. Narcisistas perniciosos e psicopatas não ligam para as outras pessoas. Eles ligam para o seu próprio e grandioso lugar no universo enquanto procura eliminar aqueles que ameaçam expor suas verdadeiras insignificâncias.

Em seu excelente delineamento das relações criminosas de Putin, Dawisha presume que essas mesmas ligações nos dizem automaticamente quais as suas funções e quais os seus fins. Ela não parou para pensar que a riqueza é apenas uma das armadilhas do poder, e não o próprio poder. Ela não parou para pensar que se as “elites do Kremlin” definem orientações para trabalhar com estruturas criminosas é porque o principal fim é o engrandecimento estratégico por meio de um apelo ao engrandecimento pessoal. O que permitiu que Anatoliy Golitsyn fizesse tantas previsões corretas sobre a Rússia foi sua habilidade em se manter focado na significância estratégica das ações e eventos. Em sua análise Dawisha quase chega lá. Ela juntou admiravelmente as peças quando citou um promotor espanhol dizendo que “não se pode diferenciar entre as atividades do governo [russo] e dos grupos de crime organizado [na Rússia] [...] A FSB está absorvendo a Máfia russa [e usando-a para operações secretas]”.

Isso é muito importante: a ‘Espada e Escudo’ do PCUS está “usando” a Máfia russa. Não é o oposto. Agora quero retornar a um dos insights mais intuitivamente brilhantes de Dawisha: “que o sistema [russo] se concretizou graças a um projeto consciente”. Poucos percebem o quão sofisticado esse projeto é e o quanto de habilidade intelectual e estudos foram necessários. Não se trata de uma mera rede de crime organizado. Eles não são meros “oficiais corruptos”. A Academia Soviética de Ciências fez sua contribuição. Os maiores peritos soviéticos também deram sua contribuição. A União Soviética moldou-se para um objetivo, uma missão, e o colapso dela não foi o fim da missão, mas um meio de cumpri-la. Novamente, o promotor espanhol que Dawisha cita fala de gravações que mostram que os chefes da Máfia russa “mantêm um nível de contato ‘perigosamente íntimo’ com oficiais russos sêniores”.

Que tipo de sistema possui a Rússia? Quem está por trás do “projeto consciente” que ela fala? “Estou sugerindo que os aspectos antidemocráticos e politicamente iliberais dos planos estavam presentes desde o começo...” De fato, Dawisha está muito próxima da verdade. E o que pode ser mais antidemocrático e politicamente iliberal que o comunismo? Fico imaginando se Dawisha procurou uma outra maneira de discutir a verdadeira situação omitindo a terminologia embaraçosa e démodé da Guerra Fria — mesmo que ainda estejamos nela e estejamos lutando contra o mesmo inimigo. Se o nome de Putin fosse Donald Duck, isso não mudaria o que ele é. Nosso hábito de confundir os rótulos com “a coisa em si” contribuiu para o atual estado de confusão; então é bom ler uma pesquisadora tão astuta como Dawisha.

O que acontece agora no Extremo Oriente, no Oriente próximo, na Ucrânia e na América Central são partes de um mesmo fenômeno. Precisamos pensar estrategicamente. Precisamos perceber que um sistema político anormal e seus líderes anormais não podem se transmutar em algo que não são. Um tigre pode se esconder numa árvore e esperar sua vítima, mas ele não pode mudar suas listras. O que interpretamos como mudança em 1989-91 foi apenas adaptação. O animal continua o mesmo, especialmente no seu interior.

[1] NT: Necessário que o leitor tenha em mente o último capítulo do livro Spetsnaz: The Story Behind the Soviet SAS de Viktor Suvorov e o conceito de “terrorismo cinza” já citado anteriormente.

http://jrnyquist.com/

Tradução: Leonildo Trombela Junior



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"O mundo Ocidental como um todo, e os Estados Unidos em particular, se equivocaram seriamente sobre a natureza das mudanças no mundo comunista. Não estamos testemunhando a morte do comunismo, mas uma nova ofensiva estratégica de desinformação."Anatoliy Goliytsyn

"É preciso estar disposto a todos os sacrifícios e, inclusive, empregar todos os estratagemas, ardis e processos ilegais, silenciar e ocultar a verdade." Lênin

"O grande arquiteto da desinformação sistemática foi Felix Edmundovitch Dzerzhinsky, criador da primeira polícia secreta soviética, a Tcheka. Quando Lênin perguntou, ainda em 1918 a Dzerzhinsky, sobre qual a estratégia que deveria ser adotada para influenciar o resto do mundo, recebeu como resposta: "diga sempre o que eles querem ouvir, minta, minta sempre e cada vez mais. De tanto repetir as mentiras elas acabam sendo tomadas como verdades". "Esta expressão, levemente modificada, foi copiada por Paul Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda e do Esclarecimento do Povo do III Reich a quem foi atribuída, erroneamente e provavelmente de má-fé, a autoria. " Heitor de Paola

http://conspiratio3.blogspot.com.br/2014/03/a-mentira-coletivamente-partilhada.html


DESINFORMAÇÃO -KGB E A ESTRTÉGIA DA MENTIRA EM ESCALA PLANETÁRIA - NOVAS MENTIRAS EM LUGAR DAS VELHAS - ANATOLIY GOLITSYN "O mundo Ocidental como um todo, e os Estados Unidos em particular, se equivocaram seriamente sobre a natureza das mudanças no mundo comunista. Não estamos testemunhando a morte do comunismo, mas uma nova ofensiva estratégica de desinformação."Anatoliy Goliytsyn
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ALGUNS DADOS ELEMENTARES SOBRE O MOVIMENTO COMUNISTA - OLAVO DE CARVALHO http://conspiratio3.blogspot.com.br/2017/01/alguns-dados-elementares-sobre-o.html

NOVAS MENTIRAS EM LUGAR DAS VELHAS A Estratégia Comunista de Dissimulação e Desinformação Por ANATOLIY GOLITSYN
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAgg6gAG/novas-mentiras-velhas-anatoliy-golitsyn

DESINFORMAÇÃO -KGB E A ESTRATÉGIA DA MENTIRA EM ESCALA PLANETÁRIA - NOVAS MENTIRAS EM LUGAR DAS VELHAS - ANATOLIY GOLITSYN
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DESINFORMAÇÃO - DISFARÇA A FRAQUEZA EM FORÇA E A FORÇA EM FRAQUEZA - ANATOLIY GOLITSYN
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CONSPIRAÇÃO CONTRA A CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL - VIOLÊNCIA E CAOS SÃO PARTE DA AGENDA (ORVIL E YURI BEZMENOV) http://conspiratio3.blogspot.com.br/search/label/YURI%20BEZMENOV  
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Brasões Soviéticos Símbolo da ONU http://omacartista.blogspot.com.br/2012/02/existe-um-brasao-sovietico-que.html

O FUTURO QUE A RÚSSIA NOS PROMETE
(...) "Quanto ao primeiro tópico: a “salvação pela destruição” é um dos chavões mais constantes do discurso revolucionário. A Revolução Francesa prometeu salvar a França pela destruição do Antigo Regime: trouxe-a de queda em queda até à condição de potência de segunda classe. A Revolução Mexicana prometeu salvar o México pela destruição da Igreja Católica: transformou-o num fornecedor de drogas para o mundo e de miseráveis para a assistência social americana. A Revolução Russa prometeu salvar a Rússia pela destruição do capitalismo: transformou-a num cemitério. A Revolução Chinesa prometeu salvar a China pela destruição da cultura burguesa: transformou-a num matadouro. A Revolução Cubana prometeu salvar Cuba pela destruição dos usurpadores imperialistas: transformou-a numa prisão de mendigos. Os positivistas brasileiros prometeram salvar o Brasil mediante a destruição da monarquia: acabaram com a única democracia que havia no continente e jogaram o país numa sucessão de golpes e ditaduras que só acabou em 1988 para dar lugar a uma ditadura modernizada com outro nome.
Agora o prof. Duguin promete salvar o mundo pela destruição do Ocidente. Sinceramente, prefiro não saber o que vem depois. A mentalidade revolucionária, com suas promessas auto-adiáveis, tão prontas a se transformar nas suas contrárias com a cara mais inocente do mundo, é o maior flagelo que já se abateu sobre a humanidade. Suas vítimas, de 1789 até hoje, não estão abaixo de trezentos milhões de pessoas – mais que todas as epidemias, catástrofes naturais e guerras entre nações mataram desde o início dos tempos. A essência do seu discurso, como creio já ter demonstrado, é a inversão do sentido do tempo: inventar um futuro e reinterpretar à luz dele, como se fosse premissa certa e arquiprovada, o presente e o passado. Inverter o processo normal do conhecimento, passando a entender o conhecido pelo desconhecido, o certo pelo duvidoso, o categórico pelo hipotético. É a falsificação estrutural, sistemática, obsediante, hipnótica. O prof. Duguin propõe o Império Eurasiano e reconstrói toda a história do mundo como se fosse a longa preparação para o advento dessa coisa linda. É um revolucionário como outro qualquer. Apenas, imensamente mais pretensioso."
http://www.olavodecarvalho.org/semana/110523dc.html  




O FECHAMENTO DO CONGRESSO
Caso o PT eleja seu presidente na Câmara (Arlindo Chinaglia) e não o PMDB (Eduardo Cunha), Dilma Rousseff legislará absoluta por Medidas Provisórias e Decretos pelos próximos 2 anos.
Por exemplo, o Decreto que regulamentará o Marco Civil, previsto para fevereiro, na verdade colocará fim na liberdade que ainda temos junto à internet e sua possível "derrubada", via Projeto de Decreto Legislativo (como no caso do Decreto 8243 - Conselhos Populares), nunca será apreciado pela Câmara, uma vez que quem determina a pauta de votação é o seu Presidente.
São as armas da democracia a serviço da ditadura petista. Hoje ouso dizer que tão ou mais grave que a corrupção é o roubo de nossa liberdade, objetivo final da quadrilha que antes mesmo de 1964 queria comunizar o Brasil.
https://www.facebook.com/jairmessias.bolsonaro/photos/a.213527478796246.1073741826.211857482296579/431964973619161/?type=1&fref=nf  

 

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