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sexta-feira, 15 de julho de 2016

BEM-VINDOS À NOVA ORDEM MUNDIAL SOCIALISTA - OLAVO DE CARVALHO

"Esse é o modo de ação característico do Consórcio: usar os governos como instrumentos de planos que prejudicam as suas nações, e depois ainda acusá-los de prepotência nacionalista e imperialista. "

"XINGUE-OS DO QUE VOCÊ É, ACUSE-OS DO QUE VOCÊ FAZ." (Lênin)



DEBATE COM DUGUIN II  

Quem quer que tenha acompanhado as grandes mudanças na política econômica, jurídica e cultural do Brasil nos últimos vinte anos, sabe que todas elas vieram prontas das centrais globalistas – ONU, OMS, UNESCO, Bilderberg, Rockefeller, Fundação Ford, George Soros, etc. Em política econômica, os últimos governos brasileiros nada mais fizeram que seguir fielmente as instruções do Banco Mundial. No campo da saúde, todas as reformas adotadas foram recomendações expressas da OMS. Os princípios “politicamente corretos” impostos pelo governo a toda a sociedade brasileira foram impostos a esse governo, por sua vez, pela ONU e pelas fundações bilionárias. E nem preciso mencionar a alegria obscena com que o governo Lula cedeu até mesmo partes do território brasileiro à administração internacional, contra a vontade expressa da população local. Tudo isso é arqui-sabido no Brasil, mas as notícias parecem não ter chegado à Rússia.

Que tão abjeta subserviência venha acompanhada de demonstrações histriônicas de anti-americanismo é a prova mais evidente de que se pode estar contra os EUA e a favor da elite globalista ao mesmo tempo. Como haveria de ser de outro modo, se desde há meio século o anti-americanismo mundial é amplamente financiado por essa mesma elite?



O CONSÓRCIO

A elite globalista não é apenas uma vaga classe social de capitalistas e banqueiros. É uma entidade organizada, com existência contínua há mais de um século, que se reúne periodicamente para assegurar a unidade dos seus planos e a continuidade da sua execução, com a minúcia e a precisão científica com que um engenheiro controla a transmutação do seu projeto em edifício.

A expressão mesma “elite global”, que tenho usado, não dá uma idéia exata da natureza dessa entidade. Muito melhor é o nome sugerido no título do livro de Nicholas Hagger, The Syndicate. Só não a copio ipsis litteris porque sua equivalente brasileira denota organizações trabalhistas, que em inglês não se chamam “sindicatos” e sim unions, enquanto Syndicate se usa mais para associações comerciais e patronais, dando o sentido preciso do que Hagger pretende dizer. Contorno portanto essa dificuldade adotando o termo “Consórcio”, que será usado daqui por diante.

O Consórcio é a organização de grandes capitalistas e banqueiros internacionais, empenhados em instaurar uma ditadura mundial socialista (já veremos por que socialista). São tantos os documentos e estudos que descrevem meticulosamente sua origem, sua história, sua constituição e modus operandi, que nenhuma desculpa se pode admitir para o desconhecimento da matéria, sobretudo em pessoas que pretendem opinar a respeito. Não, isto não é uma insinuação contra o prof. Duguin. Ele está perfeitamente informado a respeito, e se erra nas conclusões que emite não é por ignorância, é porque a índole essencialmente belicosa do seu enfoque o impele a dividir o panorama em duas metades simetricamente opostas, falsificando o quadro todo e mandando para o limbo da inexistência todos os fatos que impugnam essa simplificação maniqueísta.

Tão abundante é a bibliografia sobre o Consórcio, que toda tentativa de resumi-la aqui seria vã. Só o que cabe fazer é indicar alguns títulos essenciais, que o leitor citados aqui e ali ao longo desta exposição, e destacar alguns pontos indispensáveis à compreensão deste debate:

1. O Consórcio formou-se há mais de cem anos, por iniciativa dos Rothschild, uma família multipolar, com ramificações na Inglaterra, na França e na Alemanha desde o século XVIII pelo menos.

2. O Consórcio reúne algumas centenas de famílias bilionárias para a consecução de planos globais que assegurem a continuidade e expansão do seu poder sobre todo o orbe terrestre. Esses planos são de longuíssimo prazo, transcendendo o tempo de duração das vidas dos membros individuais da organização e mesmo o da existência histórica de muitos Estados e nações envolvidos no processo.

3. O Consórcio é uma organização dinástica, cuja continuidade de ação é assegurada pela sucessão de pais a filhos desde há muitas gerações. Veremos adiante (§ 9, “Geopolítica e História”) que esse tipo de continuidade é o fator que distingue entre os verdadeiros sujeitos agentes do processo histórico e as formações aparentes, veneráveis o quanto sejam, que se agitam na superfície das épocas como sombras chinesas projetadas na parede.

4. O Consórcio atua por meio de uma multiplicidade de organizações subsidiárias espalhadas pelo mundo todo, como por exemplo o Grupo Bilderberg ou o Council on Foreign Relations, mas não tem ele próprio uma identidade jurídica. Isso é uma condição essencial para a sua atuação no mundo, permitindo-lhe comandar inumeráveis processos políticos, econômicos, culturais e militares sem poder jamais ser responsabilizado diretamente pelos resultados (ou pela iniqüidade dos meios), seja ante os tribunais, seja ante o julgamento da opinião pública. Tendo agentes fidelíssimos espalhados em vários governos – e no comando de alguns deles –, é sobre esses governos que recai, no debate público, a responsabilidade pelas decisões e ações do Consórcio, fazendo com que os Estados e nações usados como seus instrumentos se tornem também, automaticamente e sem a menor dificuldade, seus bodes expiatórios. É esta a explicação de que tantas decisões políticas manifestamente contrárias aos interesses e até à sobrevivência das nações envolvidas sejam depois, paradoxalmente, atribuídas a ambições nacionalistas e imperialistas fundadas no “interesse nacional”. Os exemplos históricos são muitos, mas, para ficarmos no presente, basta notar que o presidente Obama, notório servidor do Consórcio, gastou em apenas uma semana 500 milhões de dólares num esforço de guerra destinado a entregar o governo da Líbia a facções políticas declaradamente anti-americanas, podendo ser então acusado de imposição tirânica do poder americano no instante mesmo em que debilita esse poder e o põe a serviço de seus inimigos, tornando-se alvo da fúria “anti-imperialista” destes últimos no ato mesmo de ajudá-los paternalmente a demolir a força e o prestígio dos EUA. Não fez outra coisa o presidente Lyndon Johnson quando enviou os soldados americanos à guerra ao mesmo tempo que lhes amarrava as mãos para que não pudessem vencê-la de maneira alguma, tornando-se assim, ante a mídia de esquerda, o supremo agressor imperialista, quando era na verdade o melhor amigo secreto dos vietcongues. Mesmíssima desgraça produziu o presidente Clinton quando, ao fornecer ajuda à Colômbia para que combatesse o comércio de drogas, impôs como condição para isso que “as organizações políticas” envolvidas no narcotráfico fossem deixadas incólumes: o narcotráfico não diminuiu, apenas seu controle foi transferido das quadrilhas apolíticas para as Farc, que, enriquecidas e livres de concorrentes, puderam então financiar a construção do Foro de São Paulo e a transformação da América Latina quase inteira numa fortaleza do anti-americanismo militante. Duplamente presenteada, a esquerda latino-americana pôde assim beneficiar-se de um fabuloso acréscimo de poder e ao mesmo tempo protestar, com ares de indignação, contra a “intervenção imperialista” à qual deviam o mais generoso dos favores. Os exemplos poderiam multiplicar-se ad infinitum. Esse é o modo de ação característico do Consórcio: usar os governos como instrumentos de planos que prejudicam as suas nações, e depois ainda acusá-los de prepotência nacionalista e imperialista.

5. O Consórcio é uma entidade característicamente supra-nacional, formada de famílias de nacionalidades diversas, independente e soberana em face de qualquer interesse nacional possível e imaginável. Um breve exame da lista dessas famílias basta para demonstrá-lo com evidência sobrante. Supor que os Onassis, os Dupont, os Agnelli, os Schiff, os Warburg, os Rothschild, o príncipe Bernhard e a rainha Beatrix da Holanda, o rei Juan Carlos da Espanha, o rei Harald V da Noruega sejam todos patriotas americanos, empenhados em exaltar o poder e a glória dos EUA, é uma hipótese tão boba, tão pueril que nem merece discussão. A identificação do poder globalista com o interesse nacional americano – como outrora com o Império Britânico ou variados colonialismos – é apenas a camuflagem de praxe com que essa entidade onipresente confere a si própria as vantagens e confortos de uma relativa invisibilidade, batendo e roubando com mão alheia para não queimar os dedos nas fogueiras que vai ateando pelo mundo (e contando, para isso, com a colaboração servil da mídia internacional, que pertence a membros do próprio Consórcio).

§ 4. Por que o Consórcio deseja o socialismo

Toda a bibliografia existente sobre o Consórcio atesta que o objetivo dele é a instauração de uma ditadura socialista mundial. Mas pessoas que desconhecem essa bibliografia, e ademais estão acostumadas a raciocinar com base nos significados usuais das palavras, sem ter em conta a tensão dialética entre estas e os objetos reais que designam, encontram uma dificuldade medonha em entender que capitalistas e banqueiros possam desejar o socialismo. Afinal, socialismo não é propriedade estatal dos meios de produção? Capitalismo não é propriedade privada? Como haveriam os capitalistas de querer que o Estado tomasse suas propriedades? Baseadas nesse mimoso raciocínio, que um programa de computador faria tão bem quanto elas se alimentado com as definições dos termos respectivos, aquelas criaturas então negam que o Consórcio exista ou afirmam resolutamente que ele é pró-capitalista, anticomunista, americanista, anti-russo, antichinês e anti-islâmico. Feito isso, estão prontas para admitir que a divisão do mundo tal como a delineia o prof. Duguin é a pura expressão da realidade.

No entanto, a técnica filosófica milenar, que aquelas pessoas desconhecem por completo, ensina que as definições de termos expressam apenas essências gerais abstratas, possibilidades lógicas e não realidades. De uma definição não se pode jamais deduzir que a coisa definida existe. Para isso é preciso quebrar a casca da definição e analisar as condições requeridas para a existência da coisa. Caso essas condições não se revelem autocontraditórias, excluindo in limine a possibilidade da existência, ainda assim essa existência não estará provada. Será preciso, para chegar a tanto, colher no mundo da experiência dados factuais que não somente a comprovem, mas que confirmem sua plena concordância com a essência definida, excluindo a possibilidade de que se trate de outra coisa bem diversa, coincidente com aquela tão-somente em aparência.

Quem quer que tente fazer isso com a definição de “socialismo” chegará a conclusões que, para o raciocinador mecânico e leitor devoto da mídia popular, parecerão chocantes e aterradoras. Desde logo, que é “propriedade dos meios de produção”? Não é mera posse, é propriedade legal, é reconhecimento, pela autoridade estatal legítima, do direito que o proprietário tem de dispor da sua propriedade como bem entenda, dentro, é claro, dos limites da lei. “Propriedade privada dos meios de produção” significa que o Estado garante esse direito a cidadãos particulares ricos o bastante para ter uma fábrica, uma fazenda, um banco – os chamados “burgueses”; “propriedade estatal dos meios de produção” significa que o garante somente para si mesmo, depenando os burgueses.



Acontece que, desde o ponto de vista do marxismo, que criou esses termos e a interpretação correspondente, a noção mesma de “propriedade legal” é uma invencionice burguesa destinada a encobrir a crua e brutal dominação de classe. O mundo inteiro das constituições, leis e decretos é, segundo o marxismo, uma “superestrutura ideológica” que não faz nenhum sentido em si mesma e só se explica como adorno enganoso usado para legitimar a exploração dos pobres pelos ricos. Por trás da idéia de “propriedade legal” é preciso portanto investigar e descobrir as condições de controle real, prático – a estrutura de poder, em suma. O burguês não detém o controle dos meios de produção por ter “direito legal” a eles, mas por ter a seu serviço todo um aparato de repressão, intimidação, marginalização e até liquidação física de quem ponha a sua propriedade em risco, real ou hipoteticamente. A estrutura do poder – a ordem do terror – é a realidade por trás da camuflagem legal.

Isso quer dizer, desde logo, que a passagem do controle dos meios de produção, da classe burguesa para a vanguarda revolucionária, não pode jamais, em hipótese alguma, ser uma transferência legal de propriedade. Essa transferência pressuporia a existência de uma ordem legal que a legitimasse, e a revolução socialista não pode destruir somente a propriedade privada: tem de negar e destruir a ordem legal inteira. Pior: ao criar a nova ordem legal que a substitui, não pode, como os burgueses, fingir acreditar que ela é uma realidade em si. Tem de admitir francamente, ostensivamente, que não se trata de uma ordem legal, mas do poder nu e cru da força revolucionária. No socialismo, não há ordem legal acima do poder do Partido. Isso não só é assim na realidade, mas os socialistas revolucionários têm orgulho em proclamar que é assim.

Ademais, no contexto burguês, a propriedade implica alguma responsabilidade legal. O proprietário capitalista responde ante a autoridade estatal pelo mau uso que faça da sua propriedade – senão contra os proletários, ao menos contra os outros burgueses. Mas ante quem há de responder uma autoridade que está acima da própria ordem legal? O governo revolucionário não pode ser um “proprietário” no sentido em que o eram os burgueses. Estes eram proprietários para a ordem legal, garantidos por ela e responsáveis diante dela. O governo socialista não é um proprietário: é um controlador absoluto, independentemente e acima de qualquer ordem legal.

Muitas décadas atrás os maiores cérebros do campo socialista já perceberam que isso os colocava diante de uma escolha incontornável: ou criavam logo uma ditadura implacável, totalitária, sangrenta, da qual não poderiam se livrar jamais e que acabaria por mandar ao cárcere ou ao pelotão de fuzilamento os revolucionários mesmos, como de fato veio a acontecer em todos os lugares onde se optou por essa alternativa; ou, ao contrário, seria preciso implantar o socialismo por métodos graduais e incruentos, usando como instrumento o próprio aparato jurídico-político da sociedade burguesa e conservando, na medida do possível, a quota mínima de direitos e responsabilidades legais necessária para proteger, se não a população em geral, ao menos a própria elite revolucionária.

Qual dessas vias foi escolhida? As duas, apenas com uma distinção territorial: nas áreas onde fosse possível tomar o poder pela violência, a ditadura era a única via admissível; nos demais países, era preciso promover a ascensão progressiva do controle estatal da economia, sem fazer do Estado o proprietário legal direto dos meios de produção, o que o tornaria sujeito a responsabilidades jurídicas e cobranças que poderiam retardar e obstaculizar a própria caminhada rumo ao socialismo.

Note-se, portanto, que em nenhum dos dois casos se tratava de “propriedade estatal dos meios de produção”. Na ditadura socialista, havia o controle brutal, direto, imune às responsabilidades legais de um proprietário. O próprio Karl Marx chamara a isso “capitalismo cru” – algo muito mais cruel e arbitrário do que aquilo que mais tarde receberia o rótulo de “capitalismo selvagem”. Nos demais países, onde vigorasse a estratégia “pacífica”, o Estado se esquivava das responsabilidades diretas de um proprietário, ao mesmo tempo que subjugava os proprietários legais por meio de controles fiscais, trabalhistas, sanitários, técnicos etc., até o ponto em que os capitalistas se tornariam simples gerentes a serviço do Estado, arcando, ao mesmo tempo, com as responsabilidades legais às quais o Estado se furtava. Karl Marx previra também essa possibilidade, ao ensinar que a transição da propriedade da burguesia para o Estado devia ser lenta e gradual, efetuando-se através de instrumentos indiretos como o imposto de renda progressivo.

Apesar de conflitos esporádicos, as duas estratégias sempre trabalharam em sentido convergente. A colaboração foi tão estreita que a Sociedade Fabiana, a encarnação máxima da “via pacífica para o socialismo” no Ocidente, recebia instruções diretamente do governo soviético, no momento mesmo em que este, na Rússia, implantava a ferro e fogo a estatização militarizada dos meios de produção.

Com o tempo, porém, os adeptos da estratégia radical tiveram que acabar concordando que o crescimento e aperfeiçoamento do aparato estatal moderno de controle social e econômico – sob a inspiração, aliás, do próprio socialismo – tornava inviável a tomada do poder por via insurrecional. Daí por diante só eram possíveis as “revoluções desde cima” – as revoluções dirigidas pelo próprio Estado, por via administrativa, legal, fiscal e policial.

Ademais, a estatização completa dos meios de produção mostrou-se inviável, não só na prática como até na teoria. Em 1922 o economista Ludwig von Mises explicou que, eliminado o livre mercado, todos os preços teriam de ser determinados pelo Estado. Mas, de um lado, o número de produtos em circulação a qualquer momento era grande demais para que um órgão estatal pudesse calcular seus preços antecipadamente. De outro lado, para controlar os preços o governo precisaria também ter o conhecimento antecipado de todos os recursos financeiros à disposição do público em cada momento. Em suma: o controle dos preços subentendia o controle total da economia, que por sua vez tinha de começar pelo controle dos preços. Só uma inteligência divina poderia superar esse círculo vicioso. Sendo impossível o controle dos preços, não havia controle geral da economia, portanto não havia socialismo nenhum. O máximo que se conseguiria fazer seria um socialismo nominal, com uma vasta liberdade residual de mercado que não poderia ser extinta nunca. Embora uns poucos teóricos do socialismo estrilassem, como por exemplo Eduard Kardelj, ministro da Economia da Iugoslávia, a maioria, rosnando entre dentes, admitiu que von Mises tinha razão. Até o fim, todas as economias comunistas do mundo tiveram de suportar um capitalismo clandestino que acabou por se revelar uma condição sine qua non da sobrevivência do regime.

Daí, duas conseqüências decorriam incontornavelmente:

1) O socialismo deixava de ser um “regime”, um “estado de coisas” para se tornar um “processo”. Não havia um “Estado socialista” a ser atingido de uma vez para sempre, mas apenas um “Estado socializante” condenado a aproximar-se do socialismo sem jamais alcançá-lo, como numa assíntota. Todos os Estados socialistas que já existiram foram assim, e os que vierem a existir serão assim eternamente. A definição do socialismo como propriedade estatal dos meios de produção é autocontraditória, e toda tentativa de realizar na prática uma teoria autocontraditória acaba por gerar contradições reais insolúveis. Conclusão? O que se acaba realizando é alguma coisa de bem diferente do que estava definido de início. Tal é a dialética fatal das relações entre pensamento e realidade. Os belos raciocinadores mecânicos que mencionei no início deste parágrafo não vão entender isso nunca.

2) À medida que os controles estatais iam crescendo em número e complexidade, as pequenas empresas não tinham recursos financeiros para atendê-los e acabavam falindo ou sendo vendidas a empresas maiores – cada vez maiores. Resultado: o “socialismo” tornou-se a mera aliança entre o governo e o grande capital, num processo de centralização do poder econômico que favorece a ambos os sócios e não arrisca jamais desembocar na completa estatização dos meios de produção.

Os grandes beneficiários dessa situação são, de um lado, as elites intelectuais e políticas de esquerda; de outro, aqueles a quem chamei “metacapitalistas”: capitalistas que enriqueceram de tal modo no regime de liberdade econômica que já não podem continuar se submetendo às flutuações do mercado:

“Se o sistema medieval havia durado dez séculos, o absolutismo não durou mais de três. Menos ainda durará o reinado da burguesia liberal. Um século de liberdade econômica e política foi suficiente para tornar alguns capitalistas tão formidavelmente ricos que eles já não querem submeter-se às veleidades do mercado que os enriqueceu. Querem controlá-lo, e os instrumentos para isso são três: o domínio do Estado, para a implantação das políticas estatistas necessárias à eternização do oligopólio; o estímulo aos movimentos socialistas e comunistas que invariavelmente favorecem o crescimento do poder estatal; e a arregimentação de um exército de intelectuais que preparem a opinião pública para dizer adeus às liberdades burguesas e entrar alegremente num mundo de repressão onipresente e obsediante (estendendo-se até aos últimos detalhes da vida privada e da linguagem cotidiana), apresentado como um paraíso adornado ao mesmo tempo com a abundância do capitalismo e a ‘justiça social’ do comunismo. Nesse novo mundo, a liberdade econômica indispensável ao funcionamento do sistema é preservada na estrita medida necessária para que possa subsidiar a extinção da liberdade nos domínios político, social, moral, educacional, cultural e religioso.

“Com isso, os metacapitalistas mudam a base mesma do seu poder. Já não se apóiam na riqueza enquanto tal, mas no controle do processo político-social. Controle que, libertando-os da exposição aventurosa às flutuações do mercado, faz deles um poder dinástico durável, uma neo-aristocracia capaz de atravessar incólume as variações da fortuna e a sucessão das gerações, abrigada no castelo-forte do Estado e dos organismos internacionais. Já não são megacapitalistas: são metacapitalistas – a classe que transcendeu o capitalismo e o transformou no único socialismo que algum dia existiu ou existirá: o socialismo dos grão-senhores e dos engenheiros sociais a seu serviço.” [6]

O “socialismo socializante”, destinado a tomar para sempre o lugar de um impossível “socialismo socializado” pode ser o inferno da maioria dos empresários, mas é o paraíso dos capitalistas maiores – as dinastias bilionárias que formam, precisamente, o Consórcio. Eternamente garantidos pela burocracia estatal contra a liberdade de mercado e pela inviabilidade intrínseca do socialismo contra a estatização definitiva dos meios de produção, ainda são ajudados nos dois sentidos por um aliado fiel: a tecnologia, que, de um lado, aprimora os instrumentos de controle social ao ponto de poder determinar até a conduta privada dos cidadãos sem que estes possam nem mesmo perceber que são manipulados e, de outro, insufla criatividade no livre mercado de modo que este possa continuar crescendo mesmo sob o controle estatal mais opressivo. Assim entende-se claramente por que as megafortunas do Consórcio têm estimulado e subsidiado o socialismo e a subversão esquerdista de maneira tão universal, obsessiva e sistemática, pelo menos desde os anos 40.

É fato inegável que a construção do parque industrial soviético, bem como da sua força militar, foi devida substancialmente a dinheiro americano (de membros do Consórcio) que para lá fluiu sem expectativa de retorno. Quem tenha alguma dúvida a respeito, que consulte os três volumes do estudo clássico do economista britânico Antony Sutton, Western Technology and Soviet Technological Development (Hoover Institution Press, Stanford University, 1968-1973), bem como seus livros National Suicide: Military Aid to the Soviet Union (Arlington House, 1974), Wall Street and the Bolshevik Revolution (Buccaneer Books, 1999) e The Best Enemy Money Can Buy (Liberty House, 1986).

O livro de René A. Wormser, Foundations: Their Power and Influence (Covenent House Books, 1993) relata os trabalhos da Comissão Reese do Congresso Americano, que já nos anos 50 evidenciou a colaboração ativa das grandes fundações bilionárias com movimentos comunistas e anti-americanos por toda parte. Que as descobertas da Comissão não resultassem em nenhuma medida, seja punitiva, seja destinada a estancar o fluxo de dinheiro para a subversão, é a prova mais evidente do poder do Consórcio para manipular recursos americanos contra os mais óbvios interesses nacionais dos EUA.

Por fim, o florescimento industrial da China desde os anos 90, e sua transfiguração de favela continental no mais poderoso inimigo potencial dos EUA seria impensável sem os investimentos dos EUA e sem a autodestruição planejada do parque industrial americano.

É verdade que, após as reformas econômicas liberalizantes do governo Yeltsin, a Rússia entrou numa decadência econômica acelerada, da qual alguns capitalistas americanos se beneficiaram um bocado. Porém, quê esperavam os líderes russos depois da extinção do regime comunista? Ser premiados com um progresso econômico fantástico? O normal seria que, em vez disso, a nação fosse posta a trabalhar duro, com salários de fome, para pagar indenizações aos familiares dos sessenta milhões de vítimas do comunismo, como fizeram e fazem os alemães com os das vítimas do nazismo. Quem impediu que isso acontecesse? O Consórcio. Leiam em Vladimir Bukovski, Jugement à Moscou: a grande mídia e os organismos internacionais – dois braços do Consórcio – opuseram tanta resistência à investigação judicial dos delitos soviéticos, que, de todos os países egressos do comunismo, só um, o Camboja, conseguiu instalar um tribunal para o julgamento dos crimes do regime comunista, e mesmo assim o fez com atraso formidável, graças ao boicote promovido pela ONU contra o empreendimento.

Os russos, responsáveis maiores pelo advento do comunismo, foram tratados nas últimas décadas com uma generosidade escandalosa, e ainda reclamam de que, extinto o regime assassino, não ganharam tanto dinheiro quanto queriam, não receberam por seus crimes hediondos o prêmio que esperavam do Ocidente.


MALDADES COMPARADAS

Faça as contas. – Segundo o prof. R. J. Rummel, que é provavelmente o mais respeitado estudioso da matéria, o número de vítimas somadas de todas as ações violentas em que o governo americano esteve envolvido de 1900 a 1987 é de 1.634.000 pessoas (isso inclui duas guerras mundiais, com Hiroshima e Nagasaki de quebra, mais a guerra do Vietnã e todas as intervenções militares no exterior). A URSS, num período menor, de 1917 a 1987, matou 61.911.000 pessoas, e a China, de 1949 a 1987 apenas, matou 76.702.000. É uma questão de aritmética elementar concluir que os individualistas americanos, na pior das hipóteses, são cem vezes menos assassinos do que os solidários russos e chineses. Nenhum cérebro humano em seu funcionamento normal pode julgar que os níveis de periculosidade sejam iguais de parte a parte. Na ordem das ameaças mortíferas que pesam sobre a espécie humana, a China vem em primeiro lugar, a Rússia em segundo, os EUA em centésimo. Quando a humanidade tiver se livrado de noventa e nove de seus inimigos armados, começarei a me preocupar com a tão propalada “agressividade americana”. O prof. Duguin busca atrair atenção para ela, inflando-a mediante palavras, para inverter a hierarquia das precauções razoáveis e tentar encobrir as ações dos verdadeiros genocidas, dos verdadeiros inimigos da espécie humana.

Segunda: Olhe o mapa. – A totalidade das vítimas feitas pelos EUA constitui-se de estrangeiros, mortos em combate em solo inimigo. Na contagem das vítimas da China e da Rússia, excluí de propósito as baixas militares: são todas civis desarmados, assassinados em tempo de paz por seus próprios governos. Quando o governo dos EUA, em tempo de paz, começar a matar cidadãos americanos aos milhões, por motivo de mera discordância política, ficarei tão preocupado com isso quanto o prof. Duguin deveria estar agora com os tibetanos, assassinados a granel pelos chineses e proibidos de praticar livremente sua religião nacional.

 

A ISCA: AQUECIMENTO GLOBAL - O OBJETIVO: GOVERNO MUNDIAL - PESQUISEM CLIMAGATE

NOVA ORDEM MUNDIAL ESTÁ POR TRÁS DE ONGS E MOVIMENTOS SOCIAIS - OLAVO DE CARVALHO
https://youtu.be/ytl40ZlclU0

Marxismo no Direito e a nossa insegurança
http://www.midiasemmascara.org/artigos/direito/16611-2016-07-14-16-31-55.html

OS TRÊS ESQUEMAS GLOBALISTAS: OCIDENTAL, RUSSO-CHINÊS E ISLÀMICO - OLAVO DE CARVALHO http://conspiratio3.blogspot.com.br/2016/08/os-tres-esquemas-globalistas-por-olavo.html

OLAVO DE CARVALHO - "De fato, cada vez mais e mais opiniões entram na classificação de "discursos de ódio". No fim só sobrarão, isentos da suspeita de ódio, os discursos de ódio ao cristianismo, que matam 150 mil pessoas anualmente por puro amor."
"Se porventura o movimento popular sair vencedor, como parece que vai acontecer, e de eleições novas e limpas emergir um presidente de verdade em vez dessa farsante semi-analfabeta, AÍ A BRIGA SE TRANSFERIRÁ PARA O PLANO INTERNACIONAL, e será preciso muito apoio do povo ao novo governante para que ele resista às pressões que inevitavelmente tentarão fazê-lo submeter os interesses nacionais aos de poderosas forças estrangeiras. Afinal, o comunopetismo, com seus esforços de dissolver as soberanias nacionais num monstrengo chamado "Pátria Grande", está perfeitamente alinhado e submisso aos planos da Nova Ordem Global que ele diz combater, e que visam precisamente à INTEGRAÇÃO MUNDIAL POR MEIO DE GRANDES INTEGRAÇÕES REGIONAIS. Os autonomeados senhores do mundo não ficarão felizes de ver a queda do seu querido pupilo, e tudo farão para que o novo presidente seja como ele."
https://www.facebook.com/olavo.decarvalho/posts/10153193907347192

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