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segunda-feira, 15 de julho de 2013

A HISTÓRIA SECRETA DE ANATOLIY GOLITSYN - COMUNISMO EM REDE E A FARSA DA QUEDA DA URSS






No vídeo, COMUNISMO EM REDE  , Olavo de Carvalho explica que Anatoliy Golitsyn fez previsões, em livro,  sobre planos soviéticos para infiltrar o comunismo no mundo desarmado pela "queda" da URSS. Essas previsões incluem a descentralização e a flexibilização das operações para disseminar o comunismo, como o que está acontecendo agora com o uso da web. Esses caras são mentirosos profissionais, discípulos diretos do pai da mentira.

O livro existe em PDF: http://www.4shared.com/document/hlWD9O6f/novas-mentiras-velhas_-_anatol.htm

Artigos bem interessantes, traduzidos, na Wikipédia:

 ANATOLIY GOLITSYN

MARK RIEBLING




A história secreta de Anatoli Golitsyn - Final


por  Edward Jay Epstein

Quando Angleton apresentou a tese de Golitsyn para os executivos operacionais da CIA, isto trouxe áspera resistência. Nem os recrutadores da CIA nem do FBI estavam dispostos a aceitar a idéia de que eles estavam indo atrás das pessoas erradas no lado soviético.A estada de Golitsyn na Inglaterra acabou se tornando inesperadamente curta. Durante o seu interrogatório sobre os agentes da KGB dentro da Inteligência britânica, ele aludiu à situação semelhante da CIA.
A possibilidade era de grande preocupação para o MI-5. Poderia explicar a origem de alguns vazamentos de informação. Arthur Martin, um dos mais competentes interrogadores no MI-5, rapidamente se inteirou do tratamento dado à CIA às acusações de Golitsyn. Teriam suas pistas sido seguidas?
Golitsyn insistia que a CIA não havia acreditado em suas pistas. Ao invés, os interrogadores da Divisão Soviética da CIA persistiam em fazer as perguntas erradas. Queriam saber os nomes dos oficiais da KGB infiltrados, não o objetivo por trás de suas atividades. Eles confundiam tática com estratégia.
Ele explicou que a tática era de fazer contato com o “maior inimigo”, a CIA, de modo a comprometer e recrutar agentes. A estratégia não era meramente neutralizar a CIA mas torná-la um instrumento para servir aos interesses soviéticos.
Martin escutou atentamente. Ele sabia, da sua experiência com os recrutas o que a KGB havia feito dentro da Inteligência britânica, da vulnerabilidade dos oficiais de inteligência. Também sabia que a CIA havia depositado confiança demais em procedimentos de segurança, tais como testes com detetores de mentiras. Ele perguntou a Golitsyn se ele tinha alguma idéia se seus interrogadores na CIA haviam subestimado, se não ignorado completamente a questão.
Golitsyn disse que sabia que a KGB havia sido bem sucedida recrutando pelo menos um, e possivelmente mais, oficiais da CIA dentro da Divisão soviética. Ele deduziu pela maneira com que foi tratado de que o infiltrado (ou os infiltrados) ainda eram muito influentes na Divisão.
Estava claro tanto para Martin como para De Mowbray que a CIA tinha conduzido pessimamente o interrogatório de Golitsyn. Mesmo que eles não “engolissem” a teoria de um infiltrado dentro da Divisão soviética da CIA, eles perceberam que isto o havia inibido de discutir o assunto abertamente com a CIA. De qualquer modo, suas alegações não poderiam ser polidamente ignoradas. Se havia uma penetração desta parte sensível da CIA, afetaria todos os serviços de inteligência aliados. Martin decidiu ir ter diretamente com seu amigo, James Angleton.
Angleton tinha chegado à conclusão similar sobre o interrogatório original de Golitstyn. Quaisquer que fossem as razões, a Divisão para o Bloco Soviético não havia obtido a história toda de Golitsyn. Ele então foi até Helms com um pedido sem precedentes. Pediu que o desertor fosse re-convocado sob responsabilidade de sua equipe de contra-inteligência.
Helms considerou o caso de Angleton persuasivo. Ele não somente aprovou a re-convocação mas, como explicou a mim, deu a Angleton “carta branca” para usar os recursos que necessitasse. Fazendo isso, embora sem perceber na época, ele colocou em movimento o mais longo e mais incrível caso de interrogatório na História da CIA.
Em julho de 1963, através de um arranjo do MI-5, uma história apareceu no Daily Telegraph revelando que Golitsyn (sob o codinome “Dolitson”) estava na Inglaterra. Isto teve o efeito calculado em persuadir Golitsyn que sua segurança não poderia ser assegurada na Inglaterra. Três semanas depois, Golitsyn desembarcava de volta nos Estados Unidos. Sob a tutela de Angleton, não haveria mais exaustivas sessões torturantes ou apresentações repetitivas de fotos de diplomatas soviéticos. Angleton falou-lhe que seu interesse não era no staff da KGB, ou “ordem de batalha”, como ele chamava; mas na “lógica da infiltração soviética”
Como Angleton via, isto não era um interrogatório, mas um “brainstorm”. Golitsyn tornou-se um parceiro intelectual no processo onde simples jantares se tornavam discussões sobre a política soviética e que continuavam até as primeiras horas da manhã. A Golitsyn foi permitido fuçar através de cópias (devidamente sanitizadas) do arquivo pessoal de Angleton, procurando por conexões entre estas pistas.
Para ganhar confiança, Angleton arranjou para Golitsyn um encontro com o Procurador-Geral Robert F. Kennedy para falar dos perigos da KGB e o levou em viagens à Europa e Israel para falar aos executivos da Inteligência aliada. Golitsyn, encorajado por sua atenção, propôs que um novo serviço de inteligência deveria ser organizado, que seria independente da CIA. Angleton tomou esta proposta em consideração, embora não tivesse chance de acontecer, para depois obter mais idéias de Golitsyn sobre a KGB.
Enquanto o “brainstorming” prosseguia, Angleton moveu-se para tapar o “vazamento” na Divisão soviética. Golitsyn insistia que tinha de haver mais de um agente, e usou a analogia de um “câncer progressivo” que o paciente se recusa a reconhecer ou extirpar. Com a assistência do Escritório de Segurança da CIA, que tinha a responsabilidade de expulsar os infiltrados, ele arranjou uma série de “cartas marcadas” para a Divisão soviética. Estas eram fragmentos de informações selecionadas sobre futuras operações da CIA que eram passadas adiante, para diferentes unidades da Divisão par ver qual delas, se havia, vazavam informações para o inimigo. A “carta marcada” no teste inicial revelava que um esforço de recrutamento deveria ser feito sobre um determinado diplomata soviético no Canadá. Os agentes do Escritório de Segurança, observando o diplomata a uma distância discreta, então observaram que a KGB o tinha posto sob sua própria vigilância no exato dia do contato planejado, percebendo então que a “carta marcada” havia chegado até a KGB. Este teste confirmou as suspeitas de Golitsyn que o infiltrado ainda estava ativo.
Através de um processo de eliminação, cartas subseqüentes estreitaram a busca na unidade diretamente envolvida no recrutamento REDTOPS. Uma vez que mais de um indivíduo havia sido exposto à informação “marcada”, não havia maneira de saber se havia mais do que um vazamento naquela unidade, e a investigação não apontaria o infiltrado dentro rol de suspeitos. Ao invés disso, no início de 1966, a unidade inteira foi desligada dos casos mais importantes at& eacute; que seu pessoal fosse trocado. Murphy, Bagley e uma dúzia de oficiais foram realocados na Europa, África e Ásia. Esta medida “profilática”, como Angleton a chamava, pareceu aos não-iniciados como um “expurgo” com relação ao caso Nosenko. De qualquer maneira, depois das transferências, “cartas marcadas” adicionais indicaram que a penetração no departamento havia sido remediada.
O interesse de Angleton, contudo, ia muito além de problemas de segurança relativos ao recrutamento de agentes ocidentais pela KGB. Ele queria saber por que a KGB havia focado sua atenção em unidades particulares da CIA, tais como o lado operacional da Divisão Soviética. A questão real para Angleton era saber para quais usos estas penetrações avançaram.
Golitsyn explicou que as penetrações eram parte necessária da máquina de desinformação que foi colocada em operação na CIA em 1959. Seu trabalho era reportar de volta como a CIA estava avaliando o material que recebia de outros agentes da KGB. Estes infiltrados tentavam trabalhar em posições de acesso dentro da Divisão soviética ou outras partes da Inteligência americana que interceptasse dados vindos da URSS. Com eles no local, a desinformação se tornava um jogo de “esconder e contar” para a KGB. Eles despachavam desertores e outros provocadores, que poderia ser qualquer um, de um diplomata soviético ou um cientista em viagem, que “mostravam” algum segredo soviético à CIA e então os infiltrados diziam à KGB como a CIA havia interpretado isto. Era tudo coordenado de Moscou como uma orquestra. O sistema foi desenhado pela KGB, de acordo com Golitsyn, para gradualmente converter a CIA em sua próprio mecanismo de manipulação do governo americano.
Angleton queria saber mais sobre o aparato soviético de desinformação. Por quê a KGB se moveu da simples espionagem para a desinformação? Por quê havia sido reorganizada?
Golitsyn sugeriu que tudo havia começado com uma recomendação do Politburo no meio dos anos cinqüenta, informando que a União Soviética provavelmente não venceria uma Guerra Nuclear. Prosseguia dizendo que para vencer o Ocidente, era necessário recorrer à fraude e não à força. Por seu uso singular, a Inteligência Soviética teria que se especializar no intrincado trabalho de manipular as informações que os líderes ocidentais recebiam.
Este tipo de manipulação não era um papel novo para a Inteligência Soviética. Afinal, sob a liderança de Felix Dzerzhinskii nos anos vinte, ela havia executado campanhas de desinformação, tais como “O Truste” (The Trust) contra o Ocidente. Aleksandr Shelepin, alto executivo do Partido Comunista, foi posto no comando da KGB em 1959 com a missão de retornar à KGB a missão de desinformação estratégica.
Sob Shepelin, durante a reorganização da KGB, Golitsyn trabalhou numa análise que pretendia demonstrar como a espionagem tradicional poderia estar subordinada aos objetivos da desinformação, sem potencialmente comprometer a necessidade de segredo absoluto desta última. O problema intrínseco era que os oficiais da KGB em contato com agentes da Inteligência Ocidental, tanto poderiam recrutá-los ou passar a eles desinformação, como poderiam ter oportunidades para desertar ou pelo menos ficar comprometidos com o Ocidente.
De fato, houve relatos de oficiais da Inteligência Soviética que, ou desertaram ou ofereceram informações à CIA desde o final da Segunda Guerra. Enquanto alguns deles poderiam ser considerados como desertores enviados pela própria KGB, um grande número deles mostrou ser legítimo. Como poderia a KGB sustentar a desinformação, se era provável que alguns de seus oficiais poderiam desertar ou trair seus segredos?
Golitsyn explicou que a reorganização da KGB em 1958-59 foi feita com o objetivo de evitar esta vulnerabilidade. Ela efetivamente separou a KGB em duas entidades. Uma KGB externa e outra KGB interna.
A KGB “externa” era composta de pessoas que, sem necessidade, tiveram tido contato com estrangeiros e eram portanto passíveis de cooptação. Esta parte da KGB incluía recrutadores e olheiros alocados em embaixadas e missões diplomáticas, adidos militares, agentes de propaganda e desinformação e oficiais ilegais que já haviam trabalhado no exterior. Uma vez que haviam tido contato com ocidentais, mesmo que somente para recrutá-los como espiões, eles eram considerados como “espiões marcados”. Um certo percentual poderia, pela lei da probabilidade, ser pego. Estes “agentes marcados” eram o equivalente a pilotos enviados em missões sobre o território inimigo. A eles não era somente restringido o conhecimento de qualquer tipo de segredo de Estado (outro que não o estritamente necessário à suas missões), mas eles eram também orientados sobre o que seria útil do inimigo saber no caso de serem capturados.
A KGB “interna” era o repositório real dos segredos. Era limitada a um pequeno número de oficiais de confiança, sob supervisão direta do Politburo que planejava, orquestrava, controlava e analisava as operações. (De acordo com Golitsyn, todo os riscos de segurança potenciais, que incluíam muitos oficiais de descendência judia, foram transferidos para o serviço exterior na preparação para a reorganização).
Uma “muralha da China” existia entre estes dois níveis. Nenhum pessoal do serviço externo poderia ser transferido para o serviço interno, ou vice-versa. Ninguém poderia no serviço externo ser exposto à segredos estratégicos outros que não o que havia sido preparado para ser divulgado como desinformação.
Angleton entendeu as implicações desta reorganização. Se Golitsyn estivesse correto, significava que a CIA sabia virtualmente nada sobre a capacidade do seu adversário para desinformação orquestrada. Para ser sincero, a CIA havia recebido provas fragmentárias de outras fontes que a Inteligência Soviética estava aplicando mudanças no seu pessoal em 1959, mas não havia como encaixar estas informações dentro de um modelo com algum significado. Agora visto sob esta nova perspectiva que Golitsyn trazia, a KGB havia se transformado em um instrumento muito diferente e muito mais perigoso da política soviética. Seu principal objetivo era prover informação para a CIA que pudesse servir de base para que o governo dos Estados Unidos tomasse as decisões erradas. Tais informações pareceriam críveis porque seriam feitas de modo a encaixar com outras informações que a Inteligência Americana recebia de outras fontes.
Isto significava, ainda, que muitos alvos que a CIA estava perseguindo como recrutas – diplomatas, adidos militares, jornalistas, dissidentes e oficiais da inteligência – eram os que portavam estas desinformações. Eles eram todos da KGB “externa”. Mesmo que se fossem persuadidos a trabalhar como infiltrados para a CIA, sua informação seria de valor duvidoso. Tudo o que eles tinham acesso, além de dados triviais sobre o seu próprio aparato de espionagem, era desinformação.
Nenhum microfone plantado pela CIA em embaixadas soviéticas seria de qualquer uso. As conversas que seriam obtidas daqueles que foram excluídos dos segredos estratégicos reais da KGB “interna”. Eles poderiam apenas reforçar a desinformação.
A tese de Golitsyn ia além de apenas invalidar as táticas atuais da CIA e do FBI. Desacreditava muitos dos seus sucessos passados – pelo menos desde a reorganização em 1959. Esta nova visão seria particularmente danosa aos agentes-duplos e desertores que proclamavam ter acesso a segredos estratégicos. Se eles não tivessem tido tal acesso, como Golitsyn assegurava, eles tinham de ser definidos ou como fraudes ou como agentes de desinformação. Sob esta nova luz, heróis se tornavam vilões e vitórias se transformavam em derrotas. Era o equivalente para a CIA como passar para o outro lado do espelho.
Quando Angleton apresentou a tese de Golitsyn para os executivos operacionais da CIA, isto trouxe áspera resistência. Nem os recrutadores da CIA nem do FBI estavam dispostos a aceitar a idéia de que eles estavam indo atrás das pessoas erradas no lado soviético. Esta tese faria deles cúmplices, mesmo que inconscientes, dos planejadores da desinformação soviética. Eles não foram receptivos também à concepção da CIA que desacreditava fontes valiosas, tais como Oleg Penkovskiy, sobre o qual muitos haviam erigido suas carreiras. Havia também o problema prático de que as conclusões obtidas destas fontes tinham sido encaminhadas ao longo dos anos para o Conselho de Segurança Nacional e ao Presidente. A suposição de que o trabalho da CIA fora baseado em desinformação não era portanto atrativa para a maior parte dos executivos da CIA.
No FBI, a tese de Golitsyn foi rejeitada por J. Edgar Hoover. Ele tinha um motivo muito poderoso uma vez que os agentes do FBI haviam recrutado diplomatas soviéticos na ONU, tais como Fedora e Tophat, como fontes. Eles não haviam anunciado somente que tinham acesso aos segredos ao nível de tomada de decisões do Politburo, mas forneceram a eles, sob pedido do FBI. Hoover havia passado pessoalmente alguns destes materiais diretamente ao Presidente. Ele não estava disposto a aceitar uma interpretação que apresentasse estes dados como desinformação da KGB.
Em 1967, ele encerrou o assunto, pelo menos dentro do FBI, por definir Golitsyn como um “agente provocador e de infiltração” controlado pelos soviéticos. Ele avançou na teoria de que a KGB havia forjado sua deserção para desacreditar o FBI. Então recusou qualquer posterior cooperação com a CIA que objetivasse substanciar a história de Golitsyn. Por exemplo, ele ordenou que o FBI retirasse a equipe de vigilância que tinha estado vigiando um suspeito a pedido da CIA. E, como a tensão sobre o caso aumentava, Hoover quebrou todas os elos de ligação com a CIA. (Em 1978, depois da morte de Hoover, o FBI reconheceu que Fedora e Tophat eram agentes de desinformação controlados pela KGB).
Por volta de 1968, a Inteligência Americana estava, como Helms descreveu, “uma casa dividida contra ela mesma”. O pessoal de Angleton e outros executivos que aceitavam a tese de Golitsyn, viram que necessitavam tomar ações contra uma KGB reorganizada. Ao invés de ter como alvo o pessoal das embaixadas do bloco soviético, como era feito antes, eles quiseram procurar novos meios de penetrar no coração da Inteligência Soviética. Eles também tinham que estar certos que suas decisões não seriam informadas de volta à KGB – mesmo que isso significasse uma carreira tumultuada na CIA.
Aqueles envolvidos em obter informações de inteligência viram a situação em termos muito diferentes. A tentativa de validar a tese de um desertor soviético havia feito a Divisão Soviética da CIA paralisar suas ações de ir em busca de novos recrutas soviéticos. Também havia deixado desertores no exterior para evitar um outro incidente como o caso “Nosenko”. E isto manteve oficiais de reporte, cujo trabalho era extrair informações dos relatos dos agentes, sem fazer o seu trabalho de extrair informações das fontes que eles já haviam recrutado. Isto havia, sob o seu ponto de vista, paralisado as ações normais de inteligência.
A frustração destes oficiais era intensificada pelo segredo envolvendo a disputa. Poucos deles foram informados sobre a tese de Golitsyn. Tudo que sabiam era que seu trabalho estava sendo questionado por Angleton e seu pessoal. Com o passar dos anos, a misteriosa investigação pareceu a eles nada mais do que um “pensamento doentio”.
O que nenhum dos lados da CIA podia ver era a lógica do outro lado. Era como aquele célebre experimento Gestalt em psicologia no qual alguém pode ver duas faces ou uma taça de vinho numa imagem, mas não os dois. Similarmente, a CIA não podia lidar com dois conceitos mutualmente excludentes sobre o seu inimigo. O que os oficiais operacionais e analistas olhavam como se fosse informação válida, fornecida por fontes soviéticas que arriscaram suas vidas para cooperar, era visto pelo pessoal de contra-inteligência como desinformação, provida por fontes controladas e enviadas pela KGB.
Finalmente, Helms decidiu que o nó górdio teria de ser cortado. Ele sugeriu que o teste da tese de Golitsyn deveria ser sua utilidade. Poderia ser usada para identificar falsificações do Kremlin? Se não, que vantagem teria para a CIA? Helm perguntou: o que os sete anos de interrogações à Golitsyn haviam produzido em resultados práticos, “um elefante ou um rato?”.
Golitsyn nunca proclamou haver participado de qualquer planejamento de desinformação. Ele apenas havia visto o mecanismo para a execução delas ser colocado em ação.
Quando pressionado pelo pessoal de Angleton sobre quais as desinformações que poderiam ser executadas, Golitsyn poderia apenas extrapolar sobre pistas velhas há mais de uma década. Elas eram, no máximo, teorias não provadas. Por exemplo, ele especulou que muitas das aparentes divisões no bloco soviético, incluindo o rompimento entre China e a União Soviética, teria sido encenada para tirar o equilíbrio do Ocidente.
Quando ele apresentou-as em 1968 ao comitê que Helms havia organizado, ele não pode convencer os seus membros, especialmente desde qu e eles contradiziam a imagem da CIA sobre os eventos mundiais. Quando os céticos o pressionaram por evidências, ele se tornou extremamente defensivo e ordenou que eles apresentassem evidências para concorrer com suas teorias. A reunião terminou de modo áspero, com Golitsyn gritando para os experts da CIA como se eles o tivessem submetido à um fogo cruzado de objeções.
Helms concluiu que qualquer que fosse o valor da informação “antiga” que ele houvesse suprido, as especulações de Golitsyn sobre as operações atuais da KGB, para as quais ele não tinha acesso direto, eram sem valor algum para a CIA. Ele havia falhado no teste.
Angleton, que havia sobrevivido dentro da burocracia da CIA por vinte anos, entendeu que isto significava que Golitsyn teria de ser colocado na “geladeira”. Como o homem paciente que era, estava disposto a esperar para ver se futuras evidências poderiam aparecer. Enquanto isso, ele encorajou Golitsyn a descrever os detalhes da reorganização da KGB num manuscrito.
A questão da desinformação soviética não foi encerrada até 1973. Enquanto Helms era disposto a tolerar as dúvidas de Angleton, o novo diretor William E. Colby, não. Colby, filho de um missionário jesuíta, cuja maior experiência na CIA havia sido em atividades políticas e paramilitares, rejeitou a complicada visão de Angleton sobre a desinformação estratégica da KGB. Ele via o trabalho da CIA como uma tarefa única de obter informações de inteligência para o Presidente. Ele considerava a “KGB como uma coisa para ser evitada”. Não era para ser “objeto das operações da CIA”. Onde Angleton havia encorajado uma política de suspeitas sobre novos desertores e agentes duplos, Colby decidiu encorajar tais recrutamentos. Ele explicava:
“Nós gastamos um tempo enorme preocupando-nos com falsos desertores e falsos agentes. Estou perfeitamente disposto a aceitar se você for lá fora e trouxer dez agentes e que um ou dois possam ser maus. Você deveria estar apto a contra-checar sua informação de modo que não seja levado muito longe no caminho; pelo menos terá oito bons agentes.”
Esta mudança conceitual foi refletida numa ordem “top secret” que foi enviada a todas as operações da CIA em 1973. Ao invés de rejeitar o pessoal da unidade REDTOPS que haviam feito contato até que sua ficha fosse analisada, a mensagem ordenava:
“Análises de abordagens recebidas pelo REDTOP nos anos recentes claramente indicam que os serviços da REDTOP não têm estado usando seriamente sofisticados e sérios contatos como uma técnica de invasão. Contudo, o medo de que sejam agentes provocadores, tem sido o grande responsável pela má gerencia destes recursos mais do que qualquer outra causa. Concluímos que fazemos a nós mesmos um desserviço se deixarmos de lado casos promissores pelo medo da provocação... Nós estamos confiantes que podemos determinar se um agente produtivo está suprindo informação confiável”. 
Angleton havia perdido a batalha. Era apenas uma questão de tempo antes que Colby formalmente se livrasse dele.

Notas:

Publicado originalmente por
 http://www.edwardjayepstein.com/archived/looking.htm

Tradução: MSM
Leia também A história secreta de Anatoli Golitsyn 1a Parte


O ENGODO DA PERESTROIKA - ANATOLIY GOLITSYN E PROFECIAS DE FÁTIMA
http://conspiratio3.blogspot.com.br/2013/10/o-engodo-da-perestroika-anatoliy.html





 A SEGUIR EXCERTO DO BLOG
http://juliosevero.blogspot.com.br/2013/02/marina-silva-e-heloisa-helena-como.html  
De acordo com as novas diretrizes ditadas pelo partido comunista soviético, ambas abraçaram formas modernas de militância ideológica, tal como denunciadas pelo dissidente Anatoli Golitsyn, por meio do seu livro "New Lies for Old" ("Novas Mentiras Velhas"), quais sejam, respectivamente, a causa ambientalista, para Marina Silva, e a infiltração marxista da religião pela Teologia da Libertação, por Heloísa Helena.
Vale citá-lo: 
A adoção da nova política do bloco e a estratégia de desinformação envolveu mudanças organizacionais na União Soviética e por todo o bloco. Na União Soviética, como em outros países comunistas, foi o Comitê Central do partido que reorganizou os serviços de segurança e de inteligência, o ministério de relações exteriores, outras seções do governo e aparatos político-governamentais, além das organizações de massa, a fim de adequá-las todas à implementação da nova política e torná-las instrumentos desta. (p. 45) (grifos meus)
Sobre Marina Silva e a Teologia da Libertação, veja este rápido e informativo vídeo postado por Julio Severo: http://youtu.be/ZGvsIXajiVs
Um papagaio pode se apresentar como um ativista pró-vida. Como todos sabem, este simpático animal possui a habilidade de imitar os sons humanos, porém, falta-lhe a compreensão sobre os significados das palavras, e especialmente sobre os fundamentos de conceitos. 
Não pode, sem chance de alternativa, haver um ativista, militante ou político socialista que seja pró-vida sob um fundamento mais profundo que o da imitação dos papagaios. Como podem, a não ser imitando os papagaios, que estas senhoras se apresentem como ativistas "pró-vida" enquanto defendem tiranias que condenam milhares de pessoas ao morticínio pelos motivos mais injustificáveis?
Sob a concepção socialista, o homem serve à sociedade, esta sim considerada um fim em si, tal como uma engrenagem que pertence a um maquinário qualquer e que, uma vez imprestável, cumpre-lhe a substituição. 
Ser pró-vida significa defender o caráter transcendental e finalístico do indivíduo. Sob uma sociedade livre e cristã, a sociedade serve ao homem, que buscará por si próprio as respostas para a sua existência, fazendo de si mesmo o único e intransferível responsável por ela, conduzindo-a ao norte que achar melhor segundo seu próprio juízo. 
Em uma sociedade livre, a sociedade existe para as pessoas realizarem seus projetos de vida. Em uma sociedade socialista, as pessoas existem para realizar o projeto do grande líder do momento, daí a efemeridade de sua vida, que pode ser sumariamente descartada ao menor sinal de mostrar-se inútil. Em uma sociedade socialista, em última instância, as pessoas não vivem. Como pode então haver políticos de esquerda reivindicando a posição de serem pró-vida?
Ademais, posições individuais contam nada ou muito pouco para os grupos políticos e partidos de esquerda. Assim, tanto faz que Marina Silva e Heloísa Helena sejam autênticas defensoras de bebês e fetos. O abortismo é uma diretriz dos partidos de esquerda, e não uma causa individual. Na hora oportuna, uma vez tomado o poder, será empossada uma aborteira cruel e sanguinária tal como fez a atual mandatária Dilma Rousseff, que se dizia cristã às vésperas de sua eleição, ao nomear Eleonora Menicucci para a Secretaria de Políticas para as Mulheres. Para elas, se ou quando assumirem a faixa presidencial, será muito fácil dizer: "- foi uma escolha do povo" (isto é, do partido). 
O aborto é uma política absolutamente necessária aos partidos de esquerda. Estes não podem abrir mão deste múltiplo instrumento de controle populacional, de empregos, de seleção racial, de criminalidade e de eventuais dissidências. O socialismo é o regime que se caracteriza por controlar variáveis na saída dos processos, e não nas causas. Ilustrativamente, é o regime onde havendo dez cabeças e nove chapéus, opta preferencialmente por decepar uma cabeça. Ou duas ou três.
Divulgação: www.juliosevero.com
Leitura recomendada:
O herético neo-panteísta (outrora o maior pastor presbiteriano do Brasil) e seus fãs apologéticos



 
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