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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

IMPRENSA DE RABO PRESO EM 1993 FAZIA CAMPANHA PELA "ÉTICA"




UNANIMIDADE SUSPEITA

Escrito em dezembro de 1993, por Olavo de Carvalho publicado na revista Imprensa maio de 1994

PELO FUROR investigativo com que os jornais e a TV abrem as latrinas, destapam os ralos, vasculham os esgotos da República, parece que o Brasil, dentre todos os países, tem a imprensa mais ousada, mais independente, mais empenhada em descobrir e revelar a verdade. Porém o mais admirável, nela, é a unanimidade da sua adesão a esse objetivo. Não há neste país um só jornal, estação de rádio ou canal de TV que se exima da obrigação de informar, que procure mesmo discretamente abafar denúncias, proteger reputações, acobertar suspeitos. Todos, mas todos os órgãos de comunicação, sem exceções visíveis, estão alinhados no ataque frontal à corrupção, que verberam em uníssono, com a afinação de um coro multitudinário regido por uma só vontade, por um só espírito, por um só critério de valores. No exército da moralidade pública, não há defecções.

Foi a uniformidade do noticiário que permitiu fixar na retina do público a imagem de um Brasil dividido em justos e pecadores, mocinhos e bandidos, sem quaisquer ambigüidades ou meios-tons. Imagem na qual a linha demarcatória da “ética” se sobrepôs mesmo às divisões de partidos, de interesses, de ideologias, terminando por neutralizá-las e por não deixar à mostra senão duas facções, a de Caim e a de Abel, esta vociferando sua indignação nas praças, aquela esgueirando-se pelos corredores, tramando golpes, apagando pistas, num sombrio meneio de cobra.

Esse unanimismo não teria poder sobre as consciências se não incluísse, entre os temas dominantes do seu discurso, a celebração de si mesmo: a condenação dos políticos corruptos é, ao mesmo tempo, e não raro explicitamente, a glorificação da imprensa livre que os investiga e desmascara. Ninguém hesita em ver nesse fenômeno o começo de uma nova era: levado pela mão da imprensa, o Brasil atinge o portal da maturidade democrática.

Mas, a quem fez seu aprendizado no jornalismo ouvindo dizer que imprensa é diversidade, que democracia é pluralismo de opiniões, essa unanimidade não pode deixar de parecer um tanto suspeita. Anormal historicamente, ela é. Nunca, em qualquer lugar ou época, se viu um caso como este, de uma nação em peso abdicar de suas divergências internas para formar frente única sob uma bandeira tão vaga e abstrata quanto a “ética”. Nem países em guerra, movidos pela necessidade de unir-se em defesa de bens mais palpáveis contra perigos mais imediatos e letais, lograram homogeneizar a tal ponto o discurso dos seus jornalistas.

O que está acontecendo no Brasil é um fenômeno ímpar na história da imprensa mundial. Um fenômeno tanto mais estranho quanto é recente a introdução da palavra “ética” no vocabulário popular brasileiro e rapidamente improvisada, com êxito fulminante, sua promoção ao status de ideal unificador de todo um povo. Jamais uma palavra-de-ordem emanada de um estreito círculo de intelectuais ativistas logrou alastrar-se com tal velocidade pela extensão de um continente, sem que ninguém se lembrasse de objetar que a rapidez com que se propagam as palavras está às vezes na razão inversa da profundidade de penetração das idéias.

Mas, além disso, é um fenômeno suspeito. As razões de suspeita são tão patentes, que nem mesmo o coro unanimista bastaria para encobri-las, se, neste caso, o acordo geral de falar sobre certas coisas não subentendesse, como uma conditio sine qua non, o compromisso de calar sobre outras.

Essas razões podem resumir-se numa só pergunta: Se o esquema de corrupção nas altas esferas é tão poderoso a ponto de fazer presidentes, moldar a seu gosto o Orçamento da República, manipular o Congresso, desviar dos cofres públicos o equivalente à dívida externa do país, subornar altos funcionários da polícia, exercer quase, como disse o senador Bisol, as funções de um governo paralelo, então como será possível que ele não tenha meios de subornar e calar a imprensa? Como será possível que, dentre todos os poderes que decidem a vida nacional, somente a imprensa tenha escapado das malhas da influência corruptora e agora se encontre livre para denunciá-la?

Francamente, não é razoável supor que experts em suborno, com experiência de várias décadas no mercado de consciências, tenham simplesmente se esquecido de digitar, na programação das propinas ou do favorecimento ilícito, as empresas de comunicações. Não é sequer verossímil imaginar que os canais de TV, concessões dependentes do governo, que as empresas jornalísticas, sempre endividadas com os bancos oficiais ao longo de toda a sua história, teriam a desenvoltura que ostentam para bater na cara de gente tão poderosa, sem temor de um revide, caso essa gente fosse realmente poderosa como se tenta fazer crer.

Que a máfia onipotente não tenha, em toda a imprensa nacional, um só defensor, eis aí o que, simplesmente, põe em dúvida a sua proclamada onipotência.

Nesse detalhe despercebido pode ocultar-se, no entanto, a chave para a compreensão de tudo quanto se passa hoje no cenário público brasileiro — cenário que não nos é pintado senão do ponto de vista de um dos personagens envolvidos, que oculta seu envolvimento sob a fachada neutra do papel de narrador. Esse narrador apresenta-nos os fatos do dia como um fenômeno gigantesco de tomada de consciência, um marco na história da República, o surgimento de um novo Brasil. É nessa hora que convém lembrar a advertência de Max Weber: “Há atos humanos que, considerados isoladamente, são impregnados pela nossa sensibilidade valorativa com as cores mais deslumbrantes, mas que, pelas conseqüências a que dão origem, acabam fundindo-se na cinzenta infinidade do historicamente indiferente, ou que antes, como geralmente sucede, entrecruzando- se com outros eventos do destino histórico, acabam mudando tanto na dimensão como na natureza do seu ‘sentido’, até tornar-se irreconhecíveis.”

Prestem atenção, por favor, às palavras: “como geralmente sucede”. Elas indicam que, como regra geral, as interpretações que se fazem dos acontecimentos na hora em que eles eclodem pouco ou nada têm a ver com o significado histórico que esses eventos virão a ter. Isto refere-se a todas as interpretações contemporâneas. Quanto mais, então, não deveriam ser postas sob suspeita as interpretações emitidas por um personagem da cena, e quanto mais duvidosas não se tornariam elas quando esse personagem procurasse ocultar sua participação sob a roupagem de um investigador e narrador neutro?

Será necessário lembrar que, tanto quanto as famigeradas empreiteiras, as empresas de comunicações também são prestadoras de serviços ao governo, também tomam empréstimos vultosos em bancos oficiais, também fazem lobby junto ao Executivo e ao Congresso, um lobby que, ademais, é reforçado pelo domínio direto que elas exercem sobre a opinião pública? Como “passar o país a limpo” se a mão que move a borracha cuida de apagar, em primeiríssimo lugar, os trechos comprometedores da sua própria participação no enredo?

É verdade que os jornalistas, sobretudo os mais novos, sobretudo os da esquerda, ansiosos de destruir certos setores da oligarquia, julgam que é boa política aliar-se a um outro setor dela ( talvez o mais poderoso de todos ), seguindo o conselho de Lênin: se você tem cinco inimigos, alie-se a quatro contra o quinto, depois a três contra o quarto, até destruir todos eles. Mas não haverá nessa brincadeira de maquiavéis mirins a ingenuidade de deixar-se usar, na esperança de amanhã poder virar o jogo? Porque, afinal, os cinco inimigos também podem ter lido Lênin, e alguns deles são bastante espertos, além de mais ricos do que qualquer jornalista.

Qualquer que seja o caso, a história deste período não será aquela que seus personagens, num arremedo simiesco de antevisão profética, já estão escrevendo hoje nas páginas dos jornais, e na qual escolhem seus papéis ao sabor da vaidade de cada um. Quando os rótulos de “acontecimento histórico”, “decisão histórica”, “data histórica” começam a ser usados a torto e a direito para carimbar em letras douradas os eventos do dia, é que toda verdadeira consciência histórica desapareceu, para ceder lugar ao fascínio das cores deslumbrantes de que fala Weber. Não é por nada, mas acho que os jornalistas de hoje, alimentando o coro dos entusiasmos unanimistas em vez de esforçar-se para analisar serenamente o que se passa, se arriscam a fazer perante a História futura um papel bem chinfrim. Mas há nesta questão um aspecto mais oculto, que me parece decisivo. Na Itália, que a imprensa brasileira vive citando como exemplo de combate eficaz à corrupção, denuncia-se um suborno milionário com que a multinacional Montedison teria obtido a cumplicidade da imprensa para certas operações ilícitas. Comparemos com o que se passa no Brasil. Um empreiteiro conhecido por suas polêmicas espalhafatosas, Cecílio R. Almeida, dá uma entrevista ao jornal Zero Hora de Porto Alegre, dizendo que, de todas as grandes empresas do ramo, colocadas igualmente sob suspeita, só uma é corrupta de fato: a OAS, segundo ele, seria a culpada por tudo quanto se passa de ilícito no setor das obras públicas. Mais ainda, Cecílio informa que a Editora Abril, poderoso truste das comunicações ( e proprietária da revista Veja, uma das publicações mais ferozes no combate às empreiteiras ) tem interesses ligados à OAS, tanto que falseia os balancetes publicados na sua revista econômica, Exame, para favorecer essa empresa. Como é que isto foi noticiado? “Empresário inocenta empreiteiras e acusa grupo Abril”? “Empresa jornalística cúmplice de empreiteira suspeita”? Não. Tanto na Zero Hora quanto em todos os jornais que depois reproduziram a entrevista, o tom das manchetes foi o mesmo: “Empreiteiro denuncia empreiteiras”, “O esquema de corrupção visto de dentro”, etc. Enfim: transformaram a entrevista de Cecílio numa denúncia contra as empreiteiras em geral, que ele inocentava,. Pior: a menção à Editora Abril, que era de fato a única novidade da entrevista, foi omitida em alguns jornais e, em outros, escondida no meio do texto, disfarçada sob títulos que nem de longe mencionavam a Abril. Ou seja: além de inverter o sentido da entrevista, apresentando como ataque o que era uma defesa, os jornais ainda protegeram sob o manto da discrição ou mesmo do silêncio a única empresa que o entrevistado acusava realmente. Com uma imprensa assim escorregadia, a “Operação Mãos Limpas” que importamos da Itália nunca passará de uma propaganda de sabonetes.

O mais assustador é que o silêncio em torno da Abril foi unânime, como é unânime o vozerio contra as empreiteiras. Será isto uma coincidência, um reflexo espontâneo que defende os jornalistas contra qualquer impulso de praticar o jornalismo? Ou, ao contrário, há um acordo entre as empresas jornalísticas para que nenhuma denúncia contra uma delas seja veiculada sem prévias negociações com a interessada? No primeiro caso, trata-se de uma grave patologia da consciência, de um escotoma moral que torna cegos para certas realidades os profissionais incumbidos, nominalmente, de enxergá-las e mostrá-las. No segundo caso, é obrigatório concluir que a opinião pública brasileira é dirigida, em segredo, por um complô de empresas jornalísticas que delineiam a seu belprazer os limites do visível e do invisível, como quem ajusta viseiras à cabeça de um asno.

Nesta hipótese, o asno somos nós todos, brasileiros, e o governo paralelo que manda neste país não é composto de empreiteiras, e sim de empresas de comunicações. Esta hipótese, na verdade, não excluiria a primeira: apenas mostraria que o escotoma não é natural, mas produzido. E, se fosse ela a hipótese verdadeira, não haveria nisto nada de excepcional, de vez que todos os sociólogos e cientistas políticos do mundo estão concordes em afirmar que, na sociedade contemporânea, as empresas de comunicações estão mais próximas do centro de poder do que quaisquer outras. O prestígio do Dr. Roberto Marinho, por exemplo, tem o poder de vetar, em todo o território nacional, a exibição de um documentário da TV inglesa sobre pessoa dele, exercendo, implicitamente ao menos, um direito de censura que é negado ao próprio governo federal. Emílio Odebrecht, Sebastião Camargo ou Cecílio Almeida poderiam sonhar em ascender a tais alturas? Se as empreiteiras tivessem o poder de um governo secreto, os seus podres também permaneceriam secretos; se há contra elas um movimento nacional de opinião pública, é porque alguém tem o poder de gerá-lo e elas não têm o poder de detê-lo.

O IMBECIL COLETIVO
http://docslide.com.br/documents/o-imbecil-coletivo-olavo-de-carvalho-562537e2b86de.html

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CENSURA - IMPRENSA DE RABO PRESO - O INÍCIO
http://conspiratio3.blogspot.com.br/2015/11/censura-imprensa-de-rabo-preso-o-inicio.html

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COMO O PT COMPRA A REDE GLOBO! https://youtu.be/aS4xKd-4_ek


"Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz." (Lênin)

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A Gestapo do PT e o pau de arara virtual
"O PT, desde sempre, se valeu de métodos clandestinos para bisbilhotar e fabricar dossiês falsos contra adversários políticos, principalmente em época de eleição. Foi assim no caso dos “aloprados” - um maroto eufemismo lulano. Foi assim para derrubar Collor de Mello na tal “campanha pela ética”. Foi assim na “CPI dos Anões do Congresso”, quando o senador Esperidião Amin chamou os arapongas petistas de PTPol, a Polícia do PT. Amin estranhava a desenvoltura com que José Dirceu apresentava documentos que só um espião poderia fazer - aliás, José “Daniel” Dirceu, então presidente do PT, é especialista em Informações, Contrainformação, Estratégia e Segurança Militar, com treinamento em Cuba, e fez parte do MOLIPO, grupo terrorista criado pelo Serviço Secreto cubano."


Lula e o PT são mestres em usar a imprensa e o dito jornalismo investigativo como peças de contrainteligência e de condenação avant la lettre: a imprensa acaba sendo levada a fazer o papel de um tribunal de condenação que precede toda a segurança jurídica” (pág. 23).O jornalista publica o que recebe, e tal notícia acaba sendo anexada a um inquérito como verdadeira. Ou vira a peça inicial do inquérito. Tem mais: quando a reportagem de um jornalista é agregada ao inquérito com informações que você mesmo plantou, emprega-se outro truque: ao anexar o texto da reportagem nesse inquérito, você o ‘vitamina’ com altas doses de mentiras. Ninguém vai checar se a reportagem que gerou o inquérito continha ou não essas informações. O truque é muito simples. Coloque pitadas de mentiras ainda mais mentirosas na reprodução, no corpo do inquérito, do que aquilo que foi publicado pelo jornal” (pág. 24-25).  Com as redes sociais, a “falconaria” petista se esmera em assassinar reputações, tanto de revistas, quanto de pessoas: “As redes sociais transformaram-se num instrumento poderoso para a guerrilha virtual na qual o PT tem sido imbatível, pois há muito tempo seus seguidores aprenderam a lidar com essa poderosa arma” (pág. 139).
http://www.midiasemmascara.org/artigos/governo-do-pt/14910-a-gestapo-do-pt-e-o-pau-de-arara-virtual.html

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