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quinta-feira, 15 de junho de 2017

SOBRE PERDÃO E CRISTIANISMO - OLAVO DE CARVALHO




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Jesus ensinou a rezar: "Perdoa as nossas dívidas ASSIM COMO perdoamos os nossos devedores" e ainda esclareceu: "Com o mesmo critério com que julgardes sereis julgados". A conclusão é ÓBVIA: ou você aprende a perdoar, ou quanto mais estrita seja a sua obediência a todas as demais regras daquilo que você entende por "moral cristã", tanto mais elas servirão para endurecer o critério com que você será julgado e muito provavelmente condenado. Nossa ÚNICA saída neste vale de lágrimas é perdoar sempre, perdoar tudo, perdoar de todo o coração. Para ser sincero, só encontrei na vida uns três ou quatro cristãos que compreendessem isso.
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Só quem desenvolveu o hábito do perdão é capaz, quando peca, de ter arrependimento doce, humilde, esperançoso e sem amargura que, segundo entendo, é tão agradável a Deus quanto a volta do Filho Pródigo.
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Se vocês acompanharam os raciocínios finais do filme "O Jardim das Aflições", não terão dificuldade de entender o que vou explicar em seguida. Se enfatizo tanto a importância do perdão, não é só porque ele é o centro e o topo da revelação cristã, mas porque meditei personalizadamente o assunto desde um ponto de vista não religioso ou teológico, mas metafísico, e adotei como tese formal da minha filosofia a convicção de que ele é uma das chaves essenciais da estrutura mesma da realidade como um todo. No filme -- assim como em muitas aulas --, expliquei que não há um intermediário entre o ser e o nada: o que quer que tenha entrado na esfera do ser por uma fração infinitesimal de segundo não pode nunca mais retornar ao nada, porque nunca esteve nele e, ao contrário, pertenceu sempre à esfera do ser. Se tentamos conceber o transcurso do tempo como estrutura total da possibilidade, entendemos o que é a eternidade, no sentido de Boécio: a posse atual e simultânea de todos os momentos. Logo, o que quer que aconteça na esfera temporal está contido na eternidade de uma vez para sempre. Isso é a irrevogabilidade absoluta do acontecer. Ao nada, nada retorna, porque do nada, nada proveio. Ora, em toda a esfera do acontecer universal, desde as partículas subatômicas até a totalidade das galáxias, e atravessando mesmo todos os mundos supracorpóreos e espirituais que possam existir, só há UM tipo de fato que, uma vez ocorrido no tempo, pode ser suprimido da eternidade. São os nossos pecados. O perdão sacramental apaga o pecado do registro do ser. O perdão divino não é somente um castigo suspenso, mas uma anulação do fato, um DESACONTECER total e definitivo. Correlato da criação "ex nihilo", o perdão devolve ao nada o que nunca esteve no nada. O perdão é obra da liberdade divina e, nesse sentido, transcende a estrutura inteira da possibilidade universal. Quem quer que tenha a oportunidade de participar desse milagre, sob qualquer maneira que seja, deve aproveitá-la ao máximo, porque nada, nada, nada deste mundo lhe dará, na medida das forças humanas, compreensão mais luminosa do mistério da existência.
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Há pessoas tão puras, no seu próprio entender, que não se conformam com a idéia de que o perdão divino elimine o pecado do campo da realidade eterna. Querem porque querem que sempre sobre alguma coisinha. Nem de longe percebem que isso contradiz na base a noção mesma da bem-aventurança eterna.
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Verdade óbvia que muitos não podem nem ouvir sem ter chiliques: Jesus NÃO VEIO moralizar o mundo. Veio perdoar os pecadores.
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Tenho horror de chamar o cristianismo de "religião". Religiões existem muitas. Deus fisicamente presente no mundo é um só, e acreditar ou não acreditar nele não muda em nada a realidade histórica da Sua presença.
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À intransigência feroz que devemos colocar na defesa de valores e princípios que são superiores a nós corresponde, simetricamente, a presteza que devemos ter em perdoar, sem discussão nem nhem-nhem-nhem, toda ofensa pessoal que recebemos.
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F. J. von Schelling, muito sabiamente, não deu à sua obra-prima final o título de "Filosofia da Religião", mas de "Filosofia da Revelação", para indicar que o centro do seu interesse não era o fenômeno da religião em geral, mas certos pontos específicos da revelação cristã. Esse é o nome da disciplina sob a qual classifico tudo o que tenho escrito e ensinado sobre o cristianismo. Qual a diferença entre a Filosofia da Revelação e a teologia? A teologia (a) busca, na medida do possível, esclarecer sistematicamente o conteúdo da revelação tomado como um todo: (b) emprega para esse fim métodos extraídos da filologia, da hermenêutica, da tradição, etc.; (c) nem sempre pode justificar suas teses de maneira apodíctica, devendo por vezes recorrer ao pronunciamento da autoridade. A Filosofia da Revelação, ao contrário, (a) não tem nenhuma pretensão de abranger a totalidade da revelação, mas só alguns pontos especialmente acessíveis ao método filosófico; (b) não apela a outra autoridade senão a da razão apodíctica, nem tem outra autoridade em si mesma senão a da persuasão racional; (c) não usa outros métodos senão os que são próprios da filosofia.
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Espero, como complemento destas considerações, não ter de explicar a diferença entre a esfera da moral pessoal ou íntima e a da responsebilidade civil e penal, OK? Mi pôlpem.
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A idéia de um Deus que perdoa ou condena quando bem lhe dá na telha é islâmica, não cristã. Deus comprometeu-se a respeitar o perdão sacramental até o fim dos tempos, e nada O fará mudar de idéia. Ele pode estender o perdão a pessoas que não receberam a absolvição sacramental, mas não tirá-lo dos que a receberam.
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Também é erradíssimo imaginar que Deus só perdoa quem merece. NINGUÉM merece. Ele perdoa quem pede.
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É um erro monstruoso imaginar que Deus só perdoa quem Ele quer. Ele quer perdoar TODOS. Só que alguns não pedem. Nem querem.
https://www.facebook.com/carvalho.olavo/




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Os muçulmanos devem ter, em cada país ocidental, EXATAMENTE OS MESMOS DIREITOS que concedem aos cristãos e judeus nos seus próprios países. Nem unzinho a mais. https://www.facebook.com/carvalho.olavo/posts/845103015641774



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