"TUDO, na vida intelectual, depende de uma distinção clara entre o que
você SABE, o que lhe PARECE RAZOÁVEL, o que você ACHA e o que você
apenas IMAGINA. Os quatro discursos de Aristóteles."
Olavo de Carvalho
*
"Filho
do homem, tu habitas no meio da casa rebelde, que tem olhos para ver e
não vê, e tem ouvidos para ouvir e não ouve; porque é casa rebelde." Ezequiel 12:2
*
"O medo de enxergar o tamanho do mal já é sinal de submissão ao demônio." Olavo de Carvalho
"TUDO, na vida intelectual, depende de uma distinção clara entre o que
você SABE, o que lhe PARECE RAZOÁVEL, o que você ACHA e o que você
apenas IMAGINA. Os quatro discursos de Aristóteles."
Olavo de Carvalho
*
"Filho
do homem, tu habitas no meio da casa rebelde, que tem olhos para ver e
não vê, e tem ouvidos para ouvir e não ouve; porque é casa rebelde." Ezequiel 12:2
*
"O medo de enxergar o tamanho do mal já é sinal de submissão ao demônio." Olavo de Carvalho
1:12 O tal do sexo fora do casamento. Eu nunca entendi o que essa expressão
quer dizer. Porque se o casamento é um sacramento
e quem oficia o
matrimônio não é o sacerdote, mas são os
próprios noivos, então, na hora que você foi pra cama com a dona, você casou com ela
automaticamente, embora não saiba. Então, não existe sexo fora do
casamento, só existe casamento e
adultério. Então, você fez um primeiro
casamento, depois fez uma sucessão
memorável de adultérios, né? Certo?
Então, todos estavam tentando
expressar qual é a diferença entre o
sexo fora do casamento e o sexo no
casamento, né?
Então, surgiu a ideia, surgiram as expressões padronizadas, que
é o sexo por prazer e o sexo com algum significado. E eu interferi dizendo exatamente o que
eu vou dizer para vocês agora.
Nenhum ato humano é sem significado. Não
está nos poderes humanos
fazer algo que escape do reino
semântico.
Não existe isso. Qualquer coisa, por mais mínima,
mínima que você faça, significa algo,
remete a alguma outra coisa sempre,
sempre, sempre, sempre.
Então, não é possível esse negócio, vamos dizer do sexo por prazer. Então, o que acontece é que as
pessoas têm uma experiência e elas não
sabem expressar aquela experiência,
então elas apelam a um estereótipo.
Como a palavra prazer entrou em
circulação
desde que o Dr. Freud inventou o
princípio do prazer,
então as pessoas diziam: "Ah, é
prazer." Eu digo, mas espera um
pouquinho.
Não é possível
algum indivíduo ter a mais mínima
excitação sexual por desejo de prazer.
Isto é impossível.
Prazer é um conceito abstrato. Conceitos
abstratos, meu filho, não excitam
ninguém.
Quando você sente uma excitação sexual
em relação a um objeto real, que pode
ser um objeto fisicamente presente, um
objeto imaginário, se você for um
masturbador compulsivo, mas este objeto
imaginário não é um conceito abstrato,
né?
É alguma pessoa, tá certo? Alguma situação, tá certo? Então, o que as pessoas buscam
no sexo? Elas buscam este
objeto, e não o prazer.
O prazer é o nome
que elas dão.
Quer dizer, há um conjunto de sensações
que acompanha aquilo, mas o objetivo não
é o prazer, o objetivo é aquele objeto
mesmo. tá entendendo? Então, quando você diz
que sexo por prazer, não, você está usando uma expressão metonímica. E você está designando a coisa por um
efeito subjetivo remoto e não pela
substância dela. Ora, se as pessoas não consegue às vezes nem
expressar, vamos dizer, experiências
mais simples,
quanto mais será difícil para elas
expressar, vamos dizer, o que que é a
experiência sexual,
Então elas acabam usando, né, metáforas, metonímias e tomando essas coisas como se fossem realidades. Então falam que tem
aqui o sexo por prazer e o sexo por não sei o quê, entendeu? Eu digo, olha, sexo por prazer nunca existiu,
nunca jamais, a não ser que o sujeito
pense no conceito de prazer e fique
excitado com isso. É uma perversão nova
que eu acabo de inventar, tá certo?
O sujeito pensa, lê lá no dicionário, prazer, tal
coisa e começa a ficar tarado, né? Isso
nunca aconteceu, muito menos pra mim, e suponho que nunca tenha acontecido
pra ninguém. Tá certo?
Mas então, eu pensei, até hoje tanta gente fala de sexo, de amor, de prazer, de casamento, mas eu
nunca vi
ninguém descrever exatamente o que que é
a experiência sexual. As pessoas não são
capazes de descrever a experiência. (...)
O que a pessoa está procurando no ato sexual? O que ela está fazendo realmente? Eu tenho na minha cabeça uma descrição
fenomenológica da experiência, tá certo? Em primeiro lugar,
qualquer ato sexual, seja bom, seja mau, seja lícito, ilícito, seja
normal, seja pervertido, que tenha você lá a opinião que tenha,
ele é sempre um contato, a busca de um
contato.Sem contato no ato sexual, pode ser até
o contato imaginário, tá certo? mas se não houver a expectativa desse
contato, não há ato sexual, não há
excitação, não há coisa nenhuma.
Se o sujeito começar a pensar assim: eu
estou sozinho, trancado do meu banheiro,
não há ninguém aqui além de mim mesmo e
eu não estou nem mesmo conseguindo
pensar, né, numa mulher pelada, num
objeto qualquer, né?
Daí simplesmente acabou o sexo, meu
filho, né? Quer dizer que mesmo o sexo solitário implica o impulso de um contato. Então este primeiro primeiro elemento,
tá certo? Esse contato, então é o
quê? Ele rompe a sua solidão corporal,
não é isto?
Então, cada um de nós
se sente isolado no seu corpo. E esta é uma situação realmente
insuportável, né? Quer dizer, você tá como se tudo o que você experimenta no mundo viesse apenas do seu corpo, você
seria a criatura mais solitária do mundo. Você estaria realmente dentro de
uma prisão. Essa experiência gnóstica do
corpo como prisão.Já expliquei várias
vezes que no meu entender, o
gnosticismo não é uma doutrina, é um
conjunto enorme de doutrinas, inclusive
contraditórias, que tenta expressar uma experiência. Essa experiência é uma
constante da existência humana. Todo
mundo tem a experiência gnóstica. E
esta solidão corporal é um dos elementos
fundamentais
que induzem o sujeito a buscar alívio em teorias gnósticas que ele inventa para esse
fim.
Então, desde logo, nós não aguentamos viver fechados nos nossos corpos. Se não fosse isso, ninguém teria
experiência sexual alguma. Tá certo? É claro que não é só o sexo que rompe isso. Quando você é pequeno, sua mãe,
seu pai te carregam no colo e te enchem
de carinho. Por que que eles fazem isso? Por que que um bebê tá chorando
e você pega e o afaga e ele acalma? É a experiência da solidão corporal, ele não está se aguentando.
Ou seja, a situação de imanência,
(transcendente é aquilo que
está para além de nós e imanente é o que está só em nós), a situação de imanência em nós mesmos é insuportável desde que nós nascemos.
Só que depois nós crescemos e
ninguém mais nos pega no colo,
não é isto?
E frequentemente a gente vê as pessoas
viverem, vamos dizer, num distanciamento
corporal
absolutamente angustiante, né? Em certos ambientes, você vê o que aconteceu outro dia com o sujeito que
tava, acho que foi no Brasil, né? Sujeito foi preso porque estava
afagando o filho, tava dando um beijinho
no filho, na praia. Filha. é, acho que era um italiano,
turista italiano, tava lá fazendo
carinho na filha, foi preso como
pedófilo.
Você vê que tipo de mundo nós
estamos entrando, hein? Quer dizer, você pode pode se travestir, se vestir de
mulher, se vestir de freira e na igreja
entrar na fila da comunhão, né? E
ninguém pode reclamar disso, mas você
não pode afagar a sua própria filha.
Claro que é um mundo louco, né?
Então,
esse contato assinala,
declara
a absoluta necessidade do indivíduo
transcender os limites da sua
corporalidade. E ele transcende na medida em que as sensações dele, sensações corporais
dele são determinadas pelas sensações
corporais de um outro que não é ele.
Isso acontece em qualquer relação
sexual, mesmo as mais doentias e mórbidas. Até no estupro isso acontece.
Quer dizer, o estuprador precisa
que a sua vítima
sinta algo. E isto que a vítima sente vai determinar
o que ele sente. Tá entendendo? Então isso acontece em qualquer relação sexual,
por mais crua e elementar que ela seja.
Então há uma autotranscendência ali de
qualquer maneira.
Quer dizer, até um psicopata estuprador
tem esta experiência. Você denominar isso de prazer é até você
diminuir as coisas. Porque isso evidentemente é uma é uma
libertação do isolamento corporal.Então, bom, esses dois elementos estão sempre presentes.Há um terceiro elemento
que está presente, que é o elemento
genético.
Quer dizer, em qualquer relação sexual, você está colocando em movimento
certos fluidos que contém todo o seu
código genético ali dentro, quer você
queira, quer não. Até o masturbador encerrado no seu
banheiro é com isso, com esse material que ele
está lidando, quer ele pense nisso ou
não. Tá certo?
Isso quer dizer, vamos dizer que numa
numa relação sexual existe um encontro
entre duas linhas de herança genética
que vem desde o começo do mundo. Isso acontece realmente, quer você esteja pensando nisso ou não? Quer dizer, isto é a substância real do ato sexual, né?
Então, quer dizer que estas linhas que são em princípio são separadas, elas se encontram de modo que a transcendência da limitação
corporal de cada um vai até muito além
do círculo de experiência individual.
Então, quer dizer, no ato sexual você
está participando da história genética
da espécie. Mesmo que a sua relação não tenha, entre aspas, finalidade procreativa, né?
Não é, na verdade, não existe finalidade
procriativa,
existe a realidade da procriação que está presente, quer você queira, quer
não. E quer esta esta procriação, vamos dizer,
se realize ou seja frustrada, ela está
presente necessariamente,
tá certo? O que quer dizer que no ato sexual o indivíduo se transcende,
não só, por assim dizer,
horizontalmente, quer dizer, no contato
com um outro, mas se transcende
verticalmente
no sentido de toda a linhagem genética
que está presente ali. De certo modo,
é quase toda a humanidade que tá
participando daquilo.
Note bem que isto não é um componente
psicológico da relação, sexual, mas é um
componente substantivo, né?
No instante em que se estabelece este
contato,
vamos dizer, fisicamente,
ele tem uma série de acompanhamentos
psicológicos que, em geral
são bem mais limitados do que a
realidade do que tá acontecendo. Quer dizer, aquilo que o indivíduo
conscientiza, que ele sente
conscientemente,
não abrange tudo que está acontecendo, né, naquele ato. E o simples fato de não abranger impele o indivíduo a intensificar a
experiência,
porque ele sempre sabe que tem alguma
coisa mais para lá, além daquilo que ele está sentindo tem mais. Ele não sabe o quê, mas tá
presente. E eu acho que quem quer que tenha
transado uma vez na vida pode confirmar
o que eu tô dizendo.
Existe sempre um para lá. Isso quer dizer que existe uma espécie
de tensão entre o que está realmente
acontecendo e o círculo daquilo que as pessoas
reconhecem, sentem que está
acontecendo. Então, existe também vários níveis de
comparticipação
psicológica. Mas o que é essa psicológica? O que que eu quero dizer
com psicológico? Quer dizer que as
pessoas estão pensando?
Eu digo Não, você sabe que durante a maior parte do ato sexual você não pensa
coisa nenhuma. Você só tem percepções. E isso significa que a atividade mental
é reduzida ao mínimo. Ora,
como é possível você sentir tanta coisa
se a atividade mental está se reduzindo
ao mínimo? Isso quer dizer que você está tendo ali
o tipo de percepção
que você tem no experimento de morte
próxima. Dito de outro modo, as pessoas que estão
se juntando, elas estão inteiras ali.
Não está só a parte que elas sabem, né? Então, vamos dizer, são as duas
almas imortais,
são as pessoas inteiras. Note bem que isto acontece
em qualquer relação sexual, mesmo a mais banal. Quer dizer que ela só pode ser
banal no sentido do que o indivíduo
capta e não no sentido do que tá
acontecendo, A parte psicológica, quer dizer, o que os indivíduos envolvidos captam
frequentemente é tão reduzida, tão
reduzida, que ela vira uma
caricatura do que realmente se passou.
Quer dizer, a imensa riqueza daquele acontecimento escapa
às pessoas. Escapa por quê? Porque a sua
mente
não está preparada para a realidade do
que ela tá vivendo. Isso quer dizer que depois, mediante uma
palavrinha ou duas, o indivíduo pode
reduzir o significado do que do que se
passou, mas nem por isso ele deixou de
viver a experiência na sua totalidade, não é isto?
Então, aí surge sempre o problema de como
articular
essa essa tensão entre o que
efetivamente se passa e o que você
absorve. Então,
na medida em que existe,
vamos dizer, uma insinuação
da presença da alma imortal, é
justamente neste momento, é justamente
por este fator
que aquele momento da relação sexual lhe
parece
interminável. Como se aquilo fosse durar para
sempre ou como se aquilo tivesse abolido
o tempo.
Essa abolição do tempo equivale a
diminuição da atividade cerebral e,
portanto, a abertura para dimensões
maiores.
Isso está sempre acontecendo. Agora,
a narrativa que a pessoa faz da
experiência para si mesmo pode ser
extraordinariamente reduzida.
Isto quer dizer que aqueles dois que
participaram
daquele ato, naquele momento,
e que abriram um para o outro toda esta imensidão
de experiência, podem não ser capazes de
se comunicar sobre ela depois.
Quando você nota esta coisa, a
diminuição da atividade mental e ao
mesmo tempo a ampliação da experiência,
você entende a expressão bíblica
conhecer.
Abraão conheceu Sara. Quer dizer, naquele momento ele sabe tudo a respeito de Sara. E Sara sabe
tudo a respeito dele, né?
Porque não são dois eus narrativos ou dois sociais que estão no contato
periférico e também não são dois corpos
que estão ali se esfregando. É, os
corpos estão se esfregando sim, mas
através deles aparece tudo isso. Se fosse somente os corpos esfregando, você
não sentiria mais nada do que quando
você se coça.
Ou uma pessoa coça as suas costas. Então isso quer dizer que a riqueza do
ato sexual, ela pode se incorporar em
mais ou em menos à sua experiência
consciente, ao seu eu narrativo.
Mas é claro que aí também existe uma
espécie de comproporcionalidade.
Só é possível fazer isso junto. Não dá
para cada um fazer por conta própria.
Isso quer dizer que de certo modo a sua
percepção do que está se passando
depende da percepção que a outra pessoa
tem.
Quer dizer que ou existe um acesso consciente a essa dimensão
mais vasta da parte de ambos ou a
percepção que cada um terá daquilo será
diminuído."
"Hoje entendo que o esquerdismo não é um
ideal, uma crença, uma filosofia: é uma doença moral horrível, a
substituição do senso instintivo do bem e do mal por um conjunto de
artifícios lógicos que, por etapas, vão levando da mera perversão à
inversão completa, à santificação do mal e à condenação do bem." Olavo de Carvalho https://conspiratio3.blogspot.com/2023/05/olavo-de-carvalho-forca-diabolica-que.html
*
TOTALITARISMO E IDEOLOGIA - VACLAV HAVEL "No sistema "pós-totalitário", portanto, viver dentro da verdade tem mais
do que uma mera dimensão existencial (devolvendo a humanidade à sua
natureza inerente), ou uma dimensão noética (revelando a realidade como
ela é), ou uma dimensão moral (dando um exemplo para outros). Tem também
uma dimensão política inequívoca. Se o principal pilar do sistema é
viver uma mentira, então não é surpreendente que a ameaça fundamental ao
mesmo seja viver a verdade. É por isso que deve ser reprimido mais
severamente do que qualquer outra coisa." https://conspiratio3.blogspot.com/2023/11/tudo-e-politica.html
*
"Filho
do homem, tu habitas no meio da casa rebelde, que tem olhos para ver e
não vê, e tem ouvidos para ouvir e não ouve; porque é casa rebelde." Ezequiel 12:2
*
"O medo de enxergar o tamanho do mal já é sinal de submissão ao demônio." Olavo de Carvalho
ORAÇÃO
RETROAGE? - "Noutro dia, quando o Doutor entrou na cela de Padre Pio,
encontrou-o rezando. Quando terminou, Padre Pio disse:
— Por favor, desculpe-me! Estava rezando por meu avô.
— Mas o senhor não me disse que ele já estava no céu?
— Sim, ele está. — respondeu Padre Pio. — Mas as orações que disse por
ele agora, e aquelas que direi no futuro, ajudaram-no a chegar lá."
John McCaffery, Padre Pio, Histórias e Memórias