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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

MARX NO INFERNO

SÓCRATES ENCONTRA MARX NO INFERNO...
DIZ SÓCRATES: 

Fico muito contente que desejas isso e muito contente em responder-te. Eis aqui o que a história fez de tua filosofia – não, não usarei essa palavra preciosa, pois ela significa "amor à verdade"; eis aqui o que a história fez de tua ideologia.

O capitalismo burguês não morreu e nem se enfraqueceu, mas cresceu em tamanho, popularidade, e em sua habilidade de satisfazer as necessidades humanas. Ele cresceu de modo contínuo, com apenas alguns contratempos, interrupções e depressões. Perto da virada do milênio, 150 anos após tua época, o capitalismo era o único sistema econômico bem sucedido da terra e não apresentava quaisquer sinais de decomposição ou revolução. Com efeito, as pessoas gostavam dele; fazia um maior número de pessoas mais próspero e mais contente que as demais alternativas.  
Por outro lado, o socialismo e comunismo foram fracassos econômicos espetaculares por quase toda parte. O comunismo somente chegou ao poder por meio de mentiras, de assassinatos e de terror. Ele dominou meio mundo por boa parte do século vinte – e, então, simplesmente morreu. Nem uma só gota de sangue fora derramada; morreu simplesmente porque, após setenta anos em vigência, ninguém mais o queria ou acreditava nele.


O comunismo não libertou o proletariado, mas o escravizou, tanto econômica quanto politicamente. Povos inteiros foram massacrados por ele; algo mais que cem milhões de pessoas foram mortas em seu nome. Um ditador comunista, na China, matou cinquenta milhões de inimigos políticos. Um outro, no Camboja, assassinou um terço de toda a população de seu país. Ainda um terceiro, na Rússia, maquinou a fome em massa de milhões de pessoas e estabeleceu uma rede enorme de polícia secreta e campos de concentração por todo o seu país. Onde quer que o comunismo tenha tomado o poder, ele reinava pelo terror. A tua ideologia é diretamente responsável pelo maior sofrimento, derramamento de sangue e tirania na história do mundo.


A tua política brotara da Revolução Francesa, especialmente em seu fanatismo "tudo ou nada" e em seu uso do mais puro terror. Os teus discípulos instituíram o Reino do Terror dos jacobinos em escala global, por três gerações.   

Um homem cuja alma, face e movimentos lembravam sinistramente os teus chegou ao poder na Alemanha, em grande parte porque o povo alemão temia e odiava o comunismo a tal ponto que se voltou para esse homem, o qual prometera destruir o comunismo. O sistema dele se chamava "Nacional Socialismo", mas as semelhanças desse sistema com o teu ultrapassavam em muito as diferenças. Esse homem quase destruiu o mundo; ele foi provavelmente o homem mais odiado na história.


Se tivesses alcançado o poder que desejavas, talvez tu o terias superado. No entanto, as estranhas misericórdias da providência divina te conferiram os dons imerecidos da fraqueza e do fracasso e, assim, pouparam-te e deram-te uma pequena esperança, a qual ainda resta.
 
MARX: Estou atordoado.

SÓCRATES: Pois nisso reside a tua esperança.

MARX: Simplesmente não sei o que dizer.

SÓCRATES: E aí está a tua segunda fonte de esperança. Estás a aprender a primeira lição: conhecer a tua ignorância.

MARX: Em outras palavras, começo a soar, como tu.

SÓCRATES: Pouco tempo atrás, tentaste persuadir-me a pensar como tu e a juntar-me à tua ideologia e ao teu partido. Isso era impossível, é claro, porque não temos ideologias ou partidos aqui. Porém, deves te juntar a mim – não em ideologia, pois não tenho nenhuma, mas em minha missão, a qual nunca tem fim; deves tentar conhecer aquilo que mais evitaste: tu mesmo.


MARX: Estou no inferno?

SÓCRATES: Estás em ti mesmo, para todo o sempre. Se isso é o céu ou o inferno, depende de ti.

MARX: Tenho uma escolha, então?

SÓCRATES: Na terra, tinhas a escolha, a cada momento, de abrir ou fechar os teus olhos para a verdade; nenhuma opressão ou prisão poderia cercear tal liberdade. Aqui, não tens mais essa escolha; aqui, não se podem fechar os olhos. As únicas escolhas que temos aqui são aquelas que fizemos na terra, mas que agora são vistas com total claridade e são confrontadas. Essa visão é o processo purgatorial ao qual deste início comigo. Porém, mesmo lá, no primeiro mundo, não tinhas a liberdade para escapar realmente de ti mesmo, mas apenas de tua autoconsciência – os olhos não cessam de existir ao serem cerrados. Pois há realmente um "eu", e tu, em teu "eu", és a única pessoa à qual jamais podes escapar, em vida ou em morte.

MARX: Estou em uma prisão eterna, então? Nunca terei minha liberdade?

SÓCRATES: Nunca terás aquela liberdade que todas as outras pessoas que já viveram tinham: a liberdade de não serem Karl Marx.

 (Sócrates Encontra Marx - livro de  Peter Kreeft)




"O bolchevismo não é meramente uma doutrina política, é também uma religião, com dogmas elaborados e escrituras inspiradas. Quando Lênin deseja provar uma suposição, ele o faz citando, sempre que possível, textos de Marx e Engels. Um comunista completamente amadurecido não é apenas um homem que acredita que a terra e o capital devem pertencer a todos, e seus produtos distribuídos tão equitativamente quanto possível. É também um homem que mantém certo número de crenças dogmáticas, tal como o materialismo filosófico, por exemplo, que podem ser verdadeiras, mas não podem ser conhecidas com certeza por um espírito científico. Esse hábito, de ter certeza partidária sobre assuntos passíveis de dúvidas é um dos que, desde a Renascença, têm surgido gradualmente no mundo, afogando aquela tendência ao ceticismo construtivo e proveitoso que constitui a atitude científica." (Bertrand Russell)


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O QUE É SOCIALISMO? O SOCIALISMO REAL - CRIMES E ARGUMENTAÇÕES DESONESTAS - OLAVO DE CARVALHO

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"DETURPARAM MARX" - FALÁCIAS E ARMADILHAS ESQUERDISTAS


POSTS SOBRE MARX E SATÃ

ERA KARL MARX UM SATANISTA?

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IMAGENS -

Danzig Baldaev: Drawings from the Gulag
 
Padre exorcista fala sobre a morte de Fidel Castro e o destino de sua alma
http://pt.churchpop.com/padre-exorcista-fala-sobre-morte-de-fidel-castro-e-o-destino-de-sua-alma/

Danzig Baldaiev
O idioma do inferno



A antiverdade e o anticristianismo são a base do movimento revolucionário - "O que nós temos com o movimento de esquerda, como base do movimento de esquerda, é o ataque à própria estrutura da realidade. Quando nós falamos em Cristo, quando nós falamos em Deus, muita gente não entende dessa forma, nós estamos falando na verdade absoluta, naquilo que constitui a realidade humana. Ora, toda a tese luciferiana é a tese da  subversão dessa realidade, dessa verdade, da destruição da criação divina e da criação de uma nova ordem que seria supostamente mais justa. Não foi exatamente isso que nós tivemos no início da história, quando Adão e Eva desrespeitaram o que Deus havia sinalizado e resolveram criar o seu próprio mundo. Ali começou a história, ali começou o sofrimento humano. Então, quando nós temos um movimento que questiona a própria estrutura da sociedade, a estrutura natural da sociedade e tenta impor uma nova realidade, aparentemente com mais liberdade, com mais igualdade, no final das contas é o inverso, você acaba sendo, por exemplo, aprisionado pelos seus instintos mais básicos. Nós temos um movimento diabólico, e a esquerda radical nada mais representa do que isso. E ficou evidente durante a abertura das Olimpíadas, onde há a busca não só da ofensa, mas da destruição de tudo aquilo que o cristianismo representa. É por isso que nós temos esse pessoal sempre mirando no cristianismo para levar à frente a sua agenda autodestrutiva da sociedade. Leandro Ruschel

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"Salvarei o Brasil se ouvir em todas as casas ao menos uma jaculatória da minha Coroa das Lágrimas"  https://youtu.be/Po12Ny6K2kI?t=26

GRANDES PROMESSAS https://youtu.be/TuAsi3ZTrZI 
 
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"O medo de enxergar o tamanho do mal já é sinal de submissão ao demônio." Olavo de Carvalho

REZE PELO BRASIL. REZE PELA VERDADE. Ela está em perigo de extinção permanente, substituída por ideologias e pretextos. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

DETURPARAM MARX? OU O MARXISMO É UMA IDEOLOGIA GENOCIDA?



vídeo original
Marxismo - uma ideologia ASSASSINA
do canal

"Embora haja referências a duas revoluções russas, em 1917, uma em fevereiro e outra em outubro —, apenas a primeira merece esse nome. Realmente, em fevereiro de 1917, a Rússia vivenciou uma genuína revolução que derrubou o regime czarista, e cujas desordens, ainda que provocadas e esperadas, irromperam espontaneamente. O Governo Provisório que assumiu o poder ganhou a imediata aceitação de todo o país. O mesmo não vale para outubro de 1917. Os fatos que levaram á queda do Governo Provisório não foram espontâneos, mas tramados com cuidado e desencadeados por uma conspiração altamente organizada. Os conspiradores precisaram de três anos de Guerra Civil para subjugar a maioria da população. Outubro foi um clássico golpe de estado, mediante o qual um pequeno grupo de homens apossou-se da autoridade governamental, sem praticamente nenhum envolvimento das massas. "

(...) 
" A exemplo de qualquer outro conquistador bem-sucedido, Lênin possuía um senso apurado das fraquezas de seus adversários. Conhecendo a intelligentsia liberal e socialista pelo que eram, homens que apesar de todas as suas poses revolucionárias temiam tanto a violência quanto a responsabilidade — "tigres vegetarianos", conforme a expressão de Clemenceau —, ultrapassou-a, percebendo que o país fervia com ressentimentos e aspirações insatisfeitas que, atiçados e adequadamente direcionados, poderiam conduzi-lo ao poder.

"Para alcançar seu objetivo, os bolcheviques tinham de distanciar-se do Governo (Provisório*) e de outros partidos, e aparecer como a única alternativa ao status quo. Na sua liderança, Lênin aplicava à política os ensinamentos de Clausewitz — no "Sobre a Guerra". O objetivo não se resumia em derrotar o oponente, mas destruí-lo,  privando-o de uma força armada e desmantelando suas instituições. A resistência poderia determinar também sua eliminação física.

Guiava-se por um conceito de Marx, enunciado quase por acaso em 1871. Analisando o colapso da Comuna de Paris, o pensador alemão concluíra que os communards teriam cometido um erro fundamental: em vez de aniquilar, eles tomaram as estruturas políticas e militares existentes. As futuras revoluções, segundo Marx, deveriam proceder de forma diferente, e "não transferir de um conjunto de mãos para outro a máquina burocrático-militar, como tem sido feito até agora, mas cuidar de esmagá-la' Gravadas na mente de Lênin, essas palavras mostravam-lhe como evitar a volta do açoite contra-revolucionário, ruína de todas as revoluções anteriores. Elas explicam a destruição com que ele e seu sucessor, Stálin, impuseram ao país, após conquistar o poder.

"A experiência de fevereiro parece ter persuadido Lênin de que o Governo Provisório podia ser derrubado pelas ações de rua, como ocorreu com o czarismo. Ao contrário de 1905, porém, tais levantes deveriam ser cuidadosamente administrados pelo Partido Bolchevique. Para fins revolucionários, Lênin adotou a tática militar da escaramuça — tiraillerie — criada por Napoleão, a fim de descobrir os pontos fracos do inimigo, antes de enviar a guarda de elite e desferir o golpe decisivo. Ele estudou, ainda, "Psicologia da Multidão", trabalho do sociólogo francês Gustav Le Bon, uma análise pioneira do comportamento das massas  anos e dos modos de manipulá-lo. O livro de Le Bon forneceu orientação similar a Mussolini e a Hitler."

(...)


 A INVENÇÃO DO TOTALITARISMO

Chegando ao poder, Lênin estabeleceu um regime inédito, em termos históricos, diferente de tudo o que o mundo já conhecera, do sistema comunal de autogestão à autocracia: a extrema ditadura do "partido" exercia-se por trás da fachada de autogestão popular dos sovietes. A direita e à esquerda, o sistema prestava-se muito bem a todas as causas radicais e, graças à ausência de precedentes, muios anos se passaram até que se desvendasse a sua natureza. O conceito de totalitarismo só se tornou claro para definir o regime nascido em solo russo quando os métodos políticos dos comunistas passaram a ser utilizados por fascistas e nazistas.

O estado subseqüente à revolução nunca esteve no centro das preocupações de Marx e de seus seguidores. Ignorando como resolver problemas espinhosos, como a contradição entre "ditadura do proletariado"e democracia proletária, ou de que forma pôr em funcionamento a economia socialista sem dinheiro, eles preferiram deixar a solução dessas questões para o futuro. Os bolcheviques também nâo deram muita atenção a esses fatores, convictos de que estavam na iminência da revolução mundial que os livraria de erigir um governo nacional. Até hoje, a confusa tentativa empreendida por Lênin no sentido de projetar o futuro comunista em "O Estado e a Revolução" contribuiu para deixar todos os críticos perplexos.
(...)

O Estado unipartidário requeria medidas destrutivas e construtivas. Antes de tudo, os bolcheviques tinham de extirpar tudo o que permanecera do Antigo Regime, tanto czarista, quanto "burguês (democrático)" — os órgãos provinciais autônomos, os partidos políticos e sua imprensa, as Forças Armadas, o sistema judiciário e toda a estrutura econômica baseada na propriedade privada. Realizada em cumprimento às determinações de Marx, de não apenas tomar, mas "esmagar" a velha ordem, essa fase da revolução produziu decretos, aias foi levada a cabo, sobretudo, pelo anarquismo espontâneo das massas, que os bolcheviques fizeram o máximo para estimular.




Do livro "HISTÓRIA CONCISA DA REVOLUÇÃO RUSSA" de Richard Pipes

 "Usaremos o " idiota útil" na linha de frente. Incitaremos o ódio de classes. Destruiremos sua base moral, a família e a espiritualidade. Comerão as migalhas que caírem de nossas mesas. O Estado será Deus."

"A minoria organizada irá derrotar a maioria desorganizada todas as vezes."
(Lênin



Mais em:

"DETURPARAM MARX" - FALÁCIAS E ARMADILHAS ESQUERDISTAS

SOCIALISMO É CONCENTRAÇÃO DE PODER - OLAVO DE CARVALHO

COMUNISMO, SUA NATUREZA DESUMANA, DO PRINCÍPIO AO FIM, E A NOVA ORDEM MUNDIAL

O SOCIALISMO REAL - CRIMES E ARGUMENTAÇÕES DESONESTAS

É PRECISO QUEBRAR O ESQUEMA DE PODER - REFLEXÕES DE OLAVO DE CARVALHO

A ESQUERDA E O CRIME JUSTIFICADO - REINALDO AZEVEDO

O PRAZER REVOLUCIONÁRIO DA DESTRUIÇÃO - O SONHO DA RAZÃO PRODUZ MONSTROS

DÚVIDAS? PERGUNTE AO EX-COMUNISTA

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  "Agora o prof. Duguin promete salvar o mundo pela destruição do Ocidente. Sinceramente, prefiro não saber o que vem depois. A mentalidade revolucionária, com suas promessas auto-adiáveis, tão prontas a se transformar nas suas contrárias com a cara mais inocente do mundo, é o maior flagelo que já se abateu sobre a humanidade. Suas vítimas, de 1789 até hoje, não estão abaixo de trezentos milhões de pessoas – mais que todas as epidemias, catástrofes naturais e guerras entre nações mataram desde o início dos tempos. A essência do seu discurso, como creio já ter demonstrado, é a inversão do sentido do tempo: inventar um futuro e reinterpretar à luz dele, como se fosse premissa certa e arquiprovada, o presente e o passado. Inverter o processo normal do conhecimento, passando a entender o conhecido pelo desconhecido, o certo pelo duvidoso, o categórico pelo hipotético. É a falsificação estrutural, sistemática, obsediante, hipnótica. O prof. Duguin propõe o Império Eurasiano e reconstrói toda a história do mundo como se fosse a longa preparação para o advento dessa coisa linda. É um revolucionário como outro qualquer. Apenas, imensamente mais pretensioso."  Olavo de Carvalho
 
 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

CRÍTICA AO MARXISMO - VLOGOTECA 09 - Desenvolvimento e Cultura




Publicado em 29/12/2013

Leia o resumo escrito:

http://vlogoteca-da-ana.blogspot.com.br/2013/12/9-desenvolvimento-e-cultura.html....

Obra Comentada: A obra Desenvolvimento e Cultura, sugestão de leitura do Professor Olavo de Carvalho, belo livro de Mário Vieira de Mello (1912-2006), estuda a cultura brasileira atribuindo seus problemas centrais à ausência de discussão ética, situação provocada pelo esteticismo romântico.
O livro fornece uma panorâmica da cultura brasileira em oito capítulos. Há questões sociológicas, literárias, políticas, além das filosóficas. As últimas formam uma espécie de base que o autor usa para fundamentar a tese central da obra: a incompatibilidade entre o esteticismo vindo da Renascença italiana via romantismo francês e os valores morais instaurados no mundo moderno pela Reforma protestante.

DE MELLO, Mário Vieira. Desenvolvimento e Cultura. O problema do Esteticismo no Brasil. 3a edição. São Paulo, Paz e Terra, 1980.

Tags: Ética, Política, Filosofia, Cultura.

Apresentação Zack Cabral

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ÉTICA NA ESCOLA E NA VIDA

http://www.imil.org.br/

O peso histórico de um evento é determinado pelo que lhe sucede. A prisão dos mensaleiros tem tudo para ser um dos acontecimentos mais importantes da história brasileira em décadas, mas só os nossos próximos passos dirão se será um ponto de inflexão ou um ponto fora da curva. Se o mensalão for o primeiro de muitos casos em que banqueiros, congressistas e ex-ministros vão para a cadeia por seus delitos, as próximas gerações verão este ano como o ponto de virada. Se, pelo contrário, essas prisões forem apenas a exceção que confirma a regra, um caso isolado em que as instituições funcionaram, então os historiadores do futuro verão o mensalão como uma curiosidade. É difícil prever, mas confesso que não vejo muitos motivos para justificar o otimismo a curto prazo. Porque ter uma Justiça ágil e rigorosa contrariaria quatro pilares que me parecem basilares na formação do Brasil.

O primeiro é o corporativismo. Somos o país dos interesses de grupo. Não pensamos nem agimos como indivíduos, mas como categorias. Uma das corporações mais poderosas é a dos advogados. É muito numerosa (871 000 advogados no país, mais procuradores, juizes…), organizada (a OAB é tão influente que tirou do Estado o poder de decidir quem pode ou não exercer a profissão) e poderosa: dos 100 congressistas mais importantes do país segundo o Diap, dezenove são advogados. Nosso sistema penal criou intermináveis apelos, chicanas e exceções. Quanto mais longo é um julgamento e quanto maior é o número de instâncias, maiores são a remuneração de advogados e a necessidade de juízes e promotores. (“É a preservação do direito de plena defesa dos réus!”, dirão nossos causídicos, cumprindo a regra de sempre apresentar a luta pelos benefícios corporativos como uma batalha pelo bem comum.) Precisaríamos que os deputados-juristas mudassem um sistema que beneficia seus pares. É difícil. Ainda mais quando incríveis 38% dos nossos congressistas são réus no STF.

O segundo é o nosso pendor cristão-filossocialista de achar que todo criminoso é vítima de um sistema social injusto, e não um agente capaz de fazer as próprias escolhas. Alguém que merece nossa compaixão, e não punição. A ditadura durou 21 anos. mas seu rescaldo está sendo ainda mais longo: nossos legisladores ficaram com tanta (e justificada) ojeriza às prisões arbitrárias de um regime de exceção que criaram um sistema em que é improvável condenar alguém com bom advogado. (Esse é mais um dos casos em que a teoria da defesa dos despossuídos se transforma em uma prática que garante a sua danação, como em todos os populismos.)

O terceiro é a nossa secular desigualdade de renda. É mais difícil seguir o princípio básico da democracia — a igualdade perante a lei — quando na sociedade há uma clivagem tão aparente entre os que muitas vezes se comportam como se estivessem acima da lei e a grande maioria, abandonada pelo Estado e desprotegida.

O quarto e mais importante de todos: verdade seja dita, não somos um povo que prima pela ética. Basta ver os políticos que elegemos para nos representar e o que eles fazem. Para aqueles que acreditam que, mesmo em um sistema democrático, nossos eleitos são piores do que seus eleitores no quesito ética, convém ver os resultados de uma pesquisa Ibope de 2006 ( todos os dados aqui mencionados estão em twitter.com/gioschpe). Ela mostra que, apesar de a condenação à corrupção ser quase universal. 75% dos entrevistados confessam que, se eleitos para cargos públicos, cometeriam ao menos um delito de uma lista contendo treze possibilidades (coisas como mudar de partido em troca de dinheiro, contratar empresas de familiares sem licitação, pagar despesas pessoais não autorizadas etc.). 69% dos entrevistados também admitem já ter transgredido leis para levar vantagem (dar caixinha ao guarda, sonegar impostos, inflar gastos médicos para o seguro-saúde etc.). Essa falta de ética se irmana à fraqueza do nosso aparato de Justiça para dar origem a um ciclo vicioso em que há mais delinquência porque a confiança na absolvição é grande, e o fato de tantos sermos delinquentes torna improvável a criação de leis mais duras contra os delituosos.

Como romper esse ciclo? Só vejo dois caminhos. Um é o de uma ditadura benevolente, que mude as leis na marra. Rejeito-o liminarmente. O segundo é formando cidadãos melhores, que elegerão representantes melhores e mais probos, que farão melhores leis.
Essa formação pode vir de uma série de fontes. Desde a família até clubes de escoteiros, instituições religiosas etc. Mas o melhor candidato, disparado, é o sistema educacional. Porque é nele que crianças e jovens passam boa parte do seu tempo, é nele que são socializados, é nele que aprendem sobre atos virtuosos de grandes homens e mulheres (e também sobre os nefastos) e nele estão em um ambiente hierárquico e regrado, onde há figuras de autoridade capazes de punir desvios de conduta.


A escola brasileira é antiética. Em geral, há desprezo pelos alunos e seus esforços. Os professores faltam ao trabalho uma enormidade
Se um marciano chegasse ao nosso país e acompanhasse nossas discussões educacionais, acreditaria que somos o país cujo sistema educacional oferece a melhor formação ética da galáxia. O assunto é infinitamente discutido e priorizado, a ponto de uma pesquisa da Unesco que traça o perfil do professorado brasileiro mostrar que para 72% de nossos mestres a finalidade mais importante da educação deveria ser “formar cidadãos conscientes” — só 9%, por contraste, falam em “proporcionar conhecimentos básicos”. Sabemos que essa missão não está sendo cumprida. Principalmente porque um sistema educacional não tem esse poder — a pregação de um professor não vai reverter os efeitos de uma sociedade permissiva e de um Judiciário ineficazes. Mas também porque a prática de nossas escolas é o oposto de sua pregação.
A escola brasileira é antiética. Em geral, há desprezo pelos alunos e seus esforços. Os professores faltam ao trabalho uma enormidade. Fazem greves de meses, com motivações muitas vezes políticas, prejudicando gravemente o andamento dos estudos. Mesmo quando há aula, o tempo é desperdiçado. Uma pesquisa do ano passado do Banco Mundial mostrou que só 64% do tempo previsto de aula é gasto com tarefas de ensino — um terço dele é perdido em outras atividades ou sem atividade alguma. Mesmo no tempo de aula, o despreparo docente é aparente. As aulas são chatérrimas; boa parte do tempo é devotada a copiar matéria do quadro-negro — o que pode ser um ótimo exercício de caligrafia e uma maneira de um professor despreparado preencher os cinqüenta minutos de aula, mas não tem nada a ver com educação.
Finalmente, quando todo esse processo é avaliado, as fraudes são constantes: não me recordo de uma única prova em toda a minha vida de estudante em que não houvesse cola. Em alguns casos, gritante. A grande maioria dos professores faz que não vê. No máximo dá uma indireta. Que diferença do ambiente nas universidades americanas que cursei, em que a primeira página de cada prova continha uma declaração de aderência ao código de ética da universidade, cuja assinatura era obrigatória para todos os alunos, e que especificava a punição para os coladores: expulsão. Nunca vi sequer um aluno colando. Há suporte empírico para essa observação casual: um estudo de dois acadêmicos portugueses em 21 países mostrou o aluno brasileiro em quinto lugar no ranking da cola em universidades.
Aqui há uma discussão conceitual importante. Muita gente verá esses dados e dirá que a escola é apenas um reflexo da sociedade. Se a sociedade brasileira é desonesta, é normal que a escola também o seja. O problema é que, para avançarmos, precisaremos que as instituições sejam melhores do que a média nacional. Enquanto nossa escola for um retrato do país, o país não mudará. Temos de exigir das escolas um desempenho ético superior. Não é fácil. Todas as forças e incentivos existentes conduzem à inércia. Mas são indispensáveis. A melhora educacional precisa vir antes da melhora social. Foi assim nos países de sucesso. Espero que seja assim aqui também. São os meus votos para 2014.
Fonte: Veja

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O IMBECIL MORAL
http://conspiratio3.blogspot.com.br/2013/12/o-imbecil-moral-cezar-roedel.html