O filósofo e professor Olavo de Carvalho é hoje o maior expoente do
pensamento de direita em âmbito nacional. Nesta entrevista realizada por
e-mail, o filósofo, residente dos EUA, diz que o reavivamento da
direita é resposta à prepotência da esquerda que desembocou no assalto
aos cofres públicos. Mas ele aponta que somente a "inteligência
individual" é capaz de contrapor-se à esquerda em uma "guerra
cultural".
Muitos brasileiros foram às ruas no domingo (15/03)
impulsionados, em sua maioria, pelo escândalo do Petrolão e pedindo a
deposição da presidente Dilma Roussef. O senhor entende que seja a
corrupção sistemática, como apontou o ex-gerente da Petrobras Pedro
Barusco, o mal maior gerado nos governos petistas?
Sem dúvida, mas esse mal não surgiu sozinho. Ele nasceu desde dentro de
um vasto projeto de poder e é parte integrante desse projeto. Afinal,
os crimes de corrupção não foram cometidos para enriquecer este ou
aquele indivíduo isoladamente, mas para financiar o PT. Esse é o mal
mais vistoso, mas ele não é a raiz, é o resultado final de um processo
corruptor muito mais profundo, que começou com a adoção da estratégia de
Antonio Gramsci para a tomada do poder e assumiu forma decisiva com a
fundação do Foro de São Paulo de 1990. O projeto de Antonio Gramsci
consiste basicamente em ludibriar toda a sociedade para que aceite o
socialismo sem percebê-lo, até que o partido que comanda o processo
adquira - são palavras dele - "o poder invisível e onipresente de um
imperativo categórico de um mandamento divino". Nessa perspectiva, o
Partido é o único juiz de si mesmo e pode fazer o que bem entenda, sem
prestar contas à população e sem nem lhe explicar o que está
acontecendo. A corrupção financeira é apenas o aspecto mais exterior que
acaba assumindo a corrupção muito mais profunda de toda vida social e
política. O Foro de São Paulo se arroga o direito de governar em segredo
um continente inteiro, determinando o curso da vida de dezenas de
povos, sem lhes prestar a mínima satisfação e, é claro, sem jamais se
submeter ao seu julgamento moral. O direito de roubar é só a expressão
financeira do direito mais geral de ludibriar.
Esse foi o primeiro movimento de massas identificado com a
direita desde o início do governo Sarney. Como o senhor entende esse
período de acabrunhamento da direita e o que a fez despertar neste
momento?
A estratégia de Antonio Gramsci inclui como elemento essencial a
"ocupação de espaços", que significa preencher com elementos da esquerda
todos os postos na educação, na mídia, nas instituições culturais e,
por fim, na administração pública, tomando de uma possível oposição
direitista todos os meios de se fazer ouvir. Nos anos 90, essa operação
já foi coroada de sucesso, de modo que já não havia uma oposição de
direita não somente no Parlamento, mas em parte alguma. Lula celebrava
como apoteose da democracia o fato de que nas eleições presidenciais
todos os candidatos fossem de esquerda. A esquerda tinha o monopólio
absoluto da palavra, o restante da sociedade caiu na "espiral do
silêncio" e perdeu até todo o desejo de falar. Foi só quando a
prepotência da esquerda assumiu a forma do assalto geral e cínico aos
cofres públicos, que a opinião excluída acabou por se ver praticamente
obrigada a manifestar-se de novo.
O senhor é apontado por muitos líderes destes movimentos que
pedem a saída de Dilma e que são contra o comunismo como o responsável
pela quebra de uma "espiral de silêncio" que marginalizava o pensamento à
direita. O senhor vislumbra para os próximos anos um ambiente favorável
a verdadeiros debates, uma vez que o pensamento de esquerda é
hegemônico entre profissionais de imprensa, na academia e no meio
artístico?
A esquerda dominante jamais aceitará o debate franco, pois sabe que
vive de mentirinhas tolas e que num confronto honesto sairá sempre
perdendo. Sua única esperança é tapar definitivamente as bocas dos
discordantes para que não mostrem que o rei está nu. Se queremos
restaurar a possibilidade de um debate franco, teremos de impor isso à
força.
Em um dos artigos de "O mínimo que você precisa saber para não
ser um idiota", o senhor explica porque não é um liberal, mas um
conservador. Vê-se nos movimentos a união destas duas correntes. Isto
demonstra a incipiência desta nova direita? Qual diferenciação o senhor
faz entre elas?
Basicamente, liberais (especialmente libertarians) e conservadores se
distinguem porque os primeiros privilegiam a argumentação econômica,
fazendo vista grossa à guerra cultural, que é justamente o ponto
principal da estratégia da esquerda. Conservadores, por seu lado,
insistem na argumentação cultural e moral ao ponto de às vezes,
deixar-se enganar pelo conservadorismo moralista de um Vladimir Putin.
Nenhuma corrente ideológica é jamais inteligente o bastante para se
mover com agilidade entre as sutilezas da vida política. Só inteligência
individual é capaz de dar conta das ambiguidades e astúcias de uma
situação política em mutação veloz.
O senhor vem denunciando há anos a influência do Foro de São
Paulo sobre a política brasileira e da América Latina. O governo
brasileiro não se manifesta contra o que ocorre na Venezuela, por
exemplo, onde opositores são presos ou mortos. O Brasil pode chegar a
isso?
Acho até engraçado quando ouço advertir que "o Brasil pode virar uma
Venezuela". O Brasil "fez" a Venezuela. No discurso do décimo quinto
aniversário do Foro de São Paulo, o senhor. Lula confessou isso
abertamente. O regime Hugo Chavez foi concebido no Brasil e criado
através do Foro de São Paulo. Em segundo lugar, até muito recentemente, a
Venezuela estava muito melhor que o Brasil, pois lá havia uma oposição
atuante e combativa, enquanto o nosso povo, aceitava com passividade
bovina e silêncio de pedra toda imposição do esquerdismo dominante.
Qual a gravidade de o PT ser ligado ao Foro de São Paulo? Por
que o senhor defende que o Foro de São Paulo deve ser excluído da
política brasileira?
Em primeiro lugar, o Foro articula, numa estratégia global, partidos
legais e organizações criminosas de terroristas, de narcotraficantes, de
sequestradores. Isso faz dele, como um todo, uma organização criminosa.
Em segundo lugar, o Foro atuou de maneira clandestina, negando sua
própria existência, até quando foi forçado a admiti-la pelas denúncias
sucessivas que eu mesmo divulguei. Como se pode admitir que a política
de um país ou, pior ainda, de vários deles, seja determinada por uma
entidade clandestina, calculada, nas palavras do senhor Lula "para que
ninguém soubesse do que estávamos falando"? Como pode haver normalidade
democrática se as decisões são tomadas em conluio com criminosos
estrangeiros e se nós, o povo, não temos sequer o direito de saber do
que eles estão falando?
O senhor também é um grande crítico do sistema educacional
brasileiro. De que forma esta "deseducação" contribui para a formação da
hegemonia à esquerda?
A doença principal da educação brasileira foi a adoção do sistema de
alfabetização chamado "socioconstrutivista", criado inteiramente por
estrategistas comunistas como Lev Vigotsky, Emilia Ferreiro e Paulo
Freire para transformar as crianças em servos dóceis de um movimento
político, com total desprezo pelo desenvolvimento real das suas
capacidades. Hoje em dia está mais do que provado que o sistema
socioconstrutivista destrói a inteligência das crianças e produz até
mesmo lesões cerebrais. Os responsáveis pela adoção desse sistema são
diretamente culpados pelo fracasso retumbante das nossas crianças,
amplamente comprovado pelos testes internacionais. Esses homens não são
educadores, são criminosos
O senhor defende uma hegemonia da direita? Em que ela seria mais saudável que a atual hegemonia?
Já tivemos uma hegemonia da direita durante o regime militar. Ela fez
algumas coisas boas na esfera econômica mas, por ter idéias
estereotipadas sobre o comunismo e nada entender da estratégia
gramsciana, deixou o campo livre para que a esquerda se apossasse da
mídia, do mundo editorial e do sistema educacional. Direitismo não é
atestado de inteligência.
Costuma-se apontar o PSDB como a direita brasileira, e aqueles
que protestam contra os governos petistas como "golpistas",
representantes de uma "elite branca opressora". O que há de errado
nestas qualificações?
Não se pode falar do PSDB inteiro, onde há homens bons e maus. O que é
certo é que seus líderes mais destacados, como Fernando Henrique Cardoso
e José Serra, estão comprometidos até à medula com o esquema do Foro de
São Paulo. Estão entre os seus maiores aliados e protetores. Isso
remonta pelo menos a 1993, quando o senhor. Fernando Henrique Cardoso
teve uma reunião secreta com os dirigentes do Foro e os do "Diálogo
Interamericano" que é o think tank da ala mais esquerdista do Partido
Democrata Americano. O que se tem feito para esconder o conteúdo das
decisões ali tomadas forma uma das mais estranhas histórias de mistério
do mundo. Já contei isso várias vezes e não vou me repetir aqui.
O senhor vislumbra um Brasil melhor após o 15 de março? Em que
estas manifestações são distintas daquelas de 2013? Por que se diz que
em 2013 o povo protestou e agora se diz que foram as elites descontentes
e desejosas de um terceiro turno?
Essa opinião nem merece resposta. Basta ver as fotos e vídeos das
passeatas para saber que as camadas populares estavam ali muito bem
representadas, enquanto a "elite", especialmente a da mídia, fazia o
possível para achincalhar o movimento e deformar a sua identidade.
Termos como "burguesia", "proletariado", "elite", "povo" etc., na boca
de esquerdistas, quase nunca designam conceitos descritivos, ancorados
em dados da realidade. São símbolos, estereótipos, slogans e senhas que
nada dizem da realidade exterior, mas expressam apenas o sentimento de
identidade de um grupo ativista, a mitologia que sustenta a sua
existência e unidade enquanto grupo, ao mesmo tempo que delineiam, na
mente dos seus membros, a imagem do inimigo ideal a ser odiado, temido e
achincalhado - inimigo que, quando não é totalmente inexistente, pelo
menos jamais está no lugar onde o apontam.
Olavo de Carvalho - TODA a política da esquerda consiste em:
Fomentar a corrupção e denunciá-la.
Fomentar o crime e denunciá-lo.
Fomentar a desordem e denunciá-la.
Fomentar o ódio e denunciá-lo.
Nunca houve nem haverá, no mundo, um esquerdista que faça outra coisa.
Olavo de Carvalho 3 de abril às 10:08 · Quem
continua comunista depois de conhecer as atrocidades em massa
praticadas pelo comunismo em TODOS os países onde teve acesso ao poder
tem, obviamente, um grave defeito de cognição: a incapacidade de
conectar um conceito abstrato com os fatos que lhe dão expressão
material. É como um sujeito que, sabendo de cor e salteado o conceito de
"vaca", continuasse enxergando vacas nos cavalos e carneiros. Piores
ainda são os que, fazendo isso, posam de "intelectuais marxistas". Nada,
absolutamente nada no marxismo permite conceber o comunismo como um
"ideal" separado da sua realização concreta, um ideal abstrato,
portanto, que possa ser "traído". O comunismo em Marx é PRAXIS, é um
objetivo que se define no curso da sua realização, não um belo ideal
prévio lindo e pronto que possa ser "mal realizado". De um ponto de
vista marxista, os horrores do comunismo russo e chinês são apenas
ETAPAS DIALÉTICAS no curso da auto-realização do comunismo, portanto
elementos inerentes à PRAXIS comunista, aos quais nenhum "intelectual
marxista" pode se opor.
Olavo de Carvalho - Aceitar como legítima a apuração secreta é fazer do sr. Toffoli a suprema, única e inapelável instância julgadora em matéria de juízos de realidade, a voz dos céus que decide o que é e o que não é. Toffoli dixit, assunto encerrado. Dona Deu-Uma NÃO foi eleita democraticamente, não foi eleita legitimamente, não foi eleita de maneira nenhuma. Foi colocada lá pelo arbítrio do sr. Toffoli. Ela não é presidente, nem presidenta, nem mesmo presidanta. Sob qualquer critério racional que se examine, é na melhor das hipóteses uma FARSANTA.https://www.facebook.com/carvalho.olavo/posts/472416392910440?fref=nf&pnref=story
Ainda este ano o Brasil pode sair da merdosfera para a atmosfera. Mas vai dar MUITO trabalho. A massa inteira está contra o sistema comunopetista, mas este ainda domina as partes altas da sociedade, a casca do Brasil – administração pública, sistema de ensino, mídia, OAB, CNBB, etc. – que pesa sobre o povo como uma placa de chumbo e não o deixa viver. O que está havendo no Brasil é literalmente uma revolução social, a rebelião geral dos de baixo contra os de cima. Quando algum representante do comunopetismo se diz um defensor do "povo" contra a "elite", a inversão de papéis é aí tão nítida, tão escancarada, que seu discurso se torna irresistivelmente cômico.https://www.facebook.com/carvalho.olavo/posts/472408109577935?fref=nf