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sexta-feira, 29 de julho de 2022

PHVOX - Promessa Russa: "A União Soviética será grande e forte novamente" - A VOLTA DA URSS

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"A invasão da Ucrânia pela Rússia não foi um ato de desespero. Foi um ato de exploração. A Rússia e a China estão agora tentando mudar – ou já mudaram – o equilíbrio de poder a seu favor." J. Nyquist 

A inversão de Jordan Peterson 

"Não podemos fazer sem os russos do nosso lado"…. Jordan Peterson [i] (561) Russia Vs. Ukraine Or Civil War In The West?

Jordan Peterson admits he was influenced by Dugin to like Putin https://youtu.be/V-sfG-6AwSQ

"A desunião fingida do mundo comunista promove a desunião real no mundo não comunista." Anatoliy Golitsyn, "Meias Verdades, Velhas Mentiras" 

 


Em seu recente vídeo sobre “Rússia x Ucrânia”, Jordan Peterson disse que o Ocidente deve se unir à Rússia para contrabalançar a China; mas, como a maioria das celebridades influentes, Peterson ainda não percebeu que a China e a Rússia trabalham juntas secretamente há muito tempo. Ele não despertou para o fato de que a abertura do presidente Richard Nixon à China foi um erro estratégico, e a parceria com a Rússia no final da Guerra Fria também foi um erro. A Rússia é agora a principal potência nuclear do mundo, sem exceção. A China é agora a maior potência industrial do mundo, sem exceção. Poder desse tipo não é alcançado por acidente, mas por política. E o Ocidente, liderado pelos Estados Unidos, facilitou o fortalecimento desses regimes hostis. 

Ouvindo o vídeo de Peterson sobre a Guerra da Ucrânia, vejo que ele não conhece uma estratégia da KGB conhecida como “falsa divisão”. Em 1958, o presidente da KGB, Alexander Shelepin, deu uma palestra sobre como a “maquinaria” enganosa da KGB poderia ser usada para engendrar “divisões falsas” entre os países do bloco comunista. A idéia era enganar os Estados Unidos para ajudar um país comunista contra o outro na suposição de que os dois países realmente se tornaram inimigos..[iii] Nem todas as divisões dentro do mundo comunista foram forjadas, é claro; mas em sua palestra de 1958, Shelepin deixou escapar que a China comunista era o país ideal para Moscou ter uma “falsa separação”. Se esse tipo de esquema é considerado grandioso demais para ser real, pense novamente. A história da União Soviética está repleta de esquemas grandiosos e enganos bizarros; da Operação Trust na década de 1920,  [iv] até a negação da fome terrorista na Ucrânia na década de 1930, a decepção do WiN na década de 1940 e o engodo da perestroika na década de 1980. O poder russo tem se engajado continuamente em “medidas ativas” para distorcer e confundir o pensamento ocidental. A mídia e os serviços de inteligência do Ocidente foram enganados pelos comunistas, repetidas vezes..[v] No curto espaço de 32 anos, os seguidores de Lenin assumiram o controle do maior país do mundo (Rússia) e do país mais populoso do mundo (China). Isso sugere que os líderes comunistas são estrategistas de engano talentosos. Dada essa história, o Ocidente deveria ter aceitado a divisão sino-soviética pelo valor de aparência? A resposta é não."

Como Peterson não tem experiência em estratégia soviética e porque não está familiarizado com as práticas de engano dos serviços especiais russos, ele culpa a aliança emergente entre Pequim e Moscou pelo comportamento “auto-engrandecedor” do Ocidente na Ucrânia. Ele acha que empurramos a Rússia para os braços da China. Ele sugere que estamos tratando Vladimir Putin “como um rato encurralado”. É melhor, diz Peterson, fazer de Putin nosso parceiro. Claro, essa era nossa política há vinte anos; e falhou.

Muitos países estão sucumbindo ao comunismo porque fizemos de Moscou e Pequim nossos parceiros há mais de trinta anos; e isso não pode ser uma coincidência. Veja o próprio país de Peterson, o Canadá, e sua queda em direção ao comunismo sob Justin Trudeau. Na verdade, os comunistas estão chegando ao poder em todo o Hemisfério Ocidental – no Peru, Chile e Colômbia. Os comunistas estão entrincheirados em Cuba, Nicarágua e Venezuela. Em vez de marcar o fim do comunismo, a queda da União Soviética marcou a aceleração furtiva da subversão comunista em todo o mundo.
Se olharmos para as coisas de um ponto de vista estratégico, a Europa Oriental dominada pelos soviéticos foi o proverbial “peão de veneno” em uma jogada russa que quase fracassou. Ao culpar o Ocidente por tomar aquele “peão venenoso”, Peterson esqueceu o ABC do totalitarismo: a provocação da OTAN contra a Rússia não foi sua expansão para o leste. A OTAN provocou Moscou por ser fraca e estúpida. Na verdade, nada exemplifica mais nossa fraqueza e estupidez do que nossa prontidão para formar combinações alternadas com Moscou e Pequim. Para nós, o “cartão da China” era uma muleta. E agora Peterson quer que joguemos a “carta da Rússia”. Como o desertor da KGB Anatoliy Golitsyn escreveu há quase quatro décadas: “Falsos alinhamentos, formados com terceiros de cada lado contra o outro, tornam mais fácil alcançar objetivos comunistas específicos, como a aquisição de tecnologia avançada ou a negociação de acordos de controle de armas ou penetração comunista dos estados árabes e africanos.”
[vi]

Ao contrário da narrativa de Peterson, os Estados Unidos e o Ocidente aceitaram a palavra de Moscou em dezembro de 1991, quando a bandeira do martelo e da foice foi retirada do Kremlin. E como a OTAN não era mais inimiga da Rússia, por que Moscou se importaria com a expansão da OTAN? Alguns observadores pensaram que a Rússia iria aderir à OTAN. Afinal, o Ocidente deu à Rússia créditos, tecnologia e bilhões em investimentos e recompensas. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos agiam como se a Guerra Fria tivesse acabado, negligenciando ou destruindo seu armamento nuclear. No entanto, a Rússia fez o oposto. Na verdade, os especialistas russos se gabaram abertamente de que Moscou enganou o Ocidente. Por exemplo, um artigo zombeteiro do Pravda de novembro de 2014 contradiz completamente a narrativa de Peterson sobre a OTAN levando a Rússia para os braços da China: 

… a Rússia superou a inércia do colapso e começou a reviver seu poder, enquanto o Ocidente, sendo embalado por doces devaneios do 'fim da história' liberal, castrou suas forças armadas ao ponto, quando elas poderiam ser boas [apenas] para liderando guerras coloniais com inimigos fracos e tecnicamente atrasados. O equilíbrio de forças na Europa mudou assim a favor da Rússia.”[vii]

Dmitry Sudakov, o escritor deste artigo, não está lamentando o destino da Rússia nas mãos de uma aliança agressiva da OTAN. Ele está rindo da idiotice do Ocidente. “A ilusão da supremacia mundial jogou uma piada cruel em Washington”, acrescentou Sudakov. “O Ocidente, tendo descartado a Rússia, estava cortando seus tanques e destruindo suas armas nucleares táticas. A Rússia, sentindo sua própria fraqueza, manteve todos os tanques e armas nucleares táticas”. Assim: “Quando os americanos perceberam que [ficaram para trás], já era tarde demais. Em dezembro de 2010, a subsecretária de Controle de Armas e Segurança Internacional, Rose Gottemoeller, deu o alarme. Os russos tinham sistemas nucleares mais táticos que os EUA, disse ela.”[viii] 

A invasão da Ucrânia pela Rússia não foi um ato de desespero. Foi um ato de exploração. A Rússia e a China estão agora tentando mudar – ou já mudaram – o equilíbrio de poder a seu favor. Alguns países já compreenderam a natureza dessa mudança. Consequentemente, a aliança BRICS[ix] da Rússia está prestes a se expandir. É sussurrado no exterior que Egito, Turquia e Arábia Saudita estão se preparando para ingressar no BRICS. Se a Arábia Saudita se afastar da América e se juntar à Rússia e à China, um embargo de petróleo pode ser usado para romper a OTAN ou forçar o realinhamento do Japão. 

Claro, Jordan Peterson pode não se importar porque ele acha que a América e o Ocidente são menos merecedores de sobrevivência do que a Rússia “cristã”. Ao mesmo tempo, nosso tolo presidente deu um soco no príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman em vez de apertar suas mãos durante uma recente visita ao Oriente Médio. Biden também sugeriu, ainda que indelicadamente, que o príncipe herdeiro havia assassinado o jornalista Adnan Khashoggi. 

Enquanto Peterson transformava inimigos em amigos, Biden transformava amigos em inimigos. Aqui estão dois lados da mesma moeda. As medidas ativas russas desorientaram com sucesso os líderes e formadores de opinião ocidentais. Essa desorientação dá vantagens significativas a Moscou e Pequim. A primeira regra na política é saber quem são seus amigos e quem são seus inimigos. Embora Biden seja uma causa perdida a esse respeito, Peterson pode estar aberto a mudar de ideia. Ao contrário do que Henry Kissinger construiu em sua carreira, não podemos fazer amizade com segurança com quem quisermos. Um inimigo astuto responderá a uma oferta de amizade com falsa amizade. E o que é mais perigoso do que um falso amigo? Quinze anos atrás, o desertor da SVR/KGB Sergei Tretyakov disse ao jornalista Pete Earley,
"Quero alertar os americanos. Como povo, você é muito ingênuo em relação à Rússia e suas intenções. Você acredita que porque a União Soviética não existe mais, a Rússia agora é sua amiga. Não é, e posso mostrar como o SVR está tentando destruir os EUA até hoje e ainda mais do que a KGB fez durante a Guerra Fria."
[x]

Um falso tom moral 

Jordan Peterson se tornou uma celebridade porque se recusou a concordar com as leis que impõem pronomes de gênero não binários. Ele arriscou sua carreira por causa da liberdade de expressão e muitos de nós admiramos sua postura franca e corajosa. Mas agora, em termos do tom moral do discurso de Peterson, sua condenação à agressão militar russa soa vazia. De fato, sua análise da Guerra da Ucrânia está repleta de declarações equívocas.
De acordo com Peterson, Putin é “um bandido”, mas um “cristão praticante”. Peterson diz que a invasão da Ucrânia é “inconcebível”, mas a Rússia é um “baluarte contra a decadência moral do Ocidente”. Peterson diz que Putin colabora com “um filósofo genuíno, Alexander Dugin”, mas Peterson não nos diz que a filosofia de Dugin pede a destruição da América e o esmagamento da civilização liberal. A partir disso, surge uma pergunta: o que aconteceu com o discernimento moral de Peterson?
Aqui está a tese de Peterson sobre a Guerra da Ucrânia. Ele começa com a seguinte pergunta: “Estamos [o Ocidente] degenerando de uma maneira profundamente ameaçadora?” Peterson acha que a resposta para a pergunta “pode ser sim”. Apontando para a guerra cultural, ele pergunta: “Quão séria é essa guerra? É sério o suficiente para aumentar a probabilidade de que a Rússia … seja motivada a invadir e potencialmente incapacitar a Ucrânia – apenas para manter o Ocidente patológico fora daquele país?”
Para testar a tese de Peterson, vamos supor que a América seja o protótipo da degeneração ocidental. Vamos então comparar as taxas de overdose e aborto per capita da América com as da Rússia. Afinal, quem diria que o país menos degenerado teria um número maior de overdoses de drogas e abortos? Por essa medida, é claro, a Rússia é mais degenerada do que os Estados Unidos. Por exemplo, um relatório da RT de 2014 afirma que 100.000 pessoas morrem de overdose de drogas todos os anos na Rússia.[xi] A mesma estatística para os americanos em 2014 foi de 47.055.[xii] Mas então, a América tem mais que o dobro de pessoas que a Rússia tem. . Em termos per capita, isso significa que a Rússia tem cerca de quatro vezes e meia a taxa de overdose dos Estados Unidos. Se olharmos para o aborto, encontramos uma estatística ainda mais interessante. Apesar de uma grande queda nos abortos na última década, a Rússia ainda tem a maior taxa de aborto per capita do mundo. A taxa de aborto na Rússia em 2022 foi de 53,7 em comparação com 20,8 nos Estados Unidos.[xiii]
Pergunta: Peterson pensou seriamente em sua hipótese bizarra de degeneração comparativa ocidental antes de promover a ideia? Obviamente, é inconcebível que ele tenha tido algum problema com isso. Além disso, como ele é um superstar intelectual, algumas pessoas tomarão sua maligna hipótese antiocidental como um insight profundo. Então, surge a pergunta: Por que Peterson está fazendo isso? Por que ele está sendo tão irresponsável com um assunto tão sério? Por que encaminhar o fanatismo pró-russo/antiocidental para mais de 1,4 milhão de seguidores online?
Em seu livro, Hitler e os alemães, o filósofo político Eric Voegelin explicou que nossa “primeira realidade” é moral. É verdade. E quem quer fugir da Verdade acaba adotando uma falsa realidade que “permite matar” e outros horrores. Esta é a essência da degeneração moral, de acordo com Voegelin. No caso de Jordon Peterson, temos um professor que já foi contra a degeneração moral; mas agora ele inexplicavelmente oferece uma apologia da matança e outros horrores perpetrados pela Rússia contra a Ucrânia. Voegelin escreveu: “esse tipo de cooperação é participação no crime, que se enquadra na noção de cúmplice.”[xiv]
A pessoa se torna cúmplice após o fato, fornecendo cobertura retórica para malfeitores envolvidos em massacres em massa. Pois o que mais chamamos isso quando um homem sugere que o Ocidente é “degenerado de uma maneira profundamente ameaçadora”, obrigando a Rússia a “invadir e potencialmente incapacitar a Ucrânia – apenas para manter o Ocidente patológico fora daquele país?” Isso se torna mais notório quando acompanhado pelo comentário grotescamente cínico de Peterson de que ninguém “se importa com a Ucrânia”. E então Peterson evoca o Holodomor – a fome de terror de Stalin contra a Ucrânia, sugerindo que os observadores ocidentais que se opõem à invasão da Ucrânia são hipócritas porque não sabem o que é o Holodomor. Esse insulto aos apoiadores da Ucrânia é agravado pela obscenidade de um discurso que em nenhum lugar admite a validade da causa ucraniana ou a coragem com que os ucranianos defendem seu país.
Teria sido muito mais respeitável se Peterson tivesse dito apenas: “Acredito que deveríamos abandonar a Ucrânia porque uma guerra nuclear com a Rússia não vale o risco”. Poderíamos então discutir os méritos do apaziguamento versus confronto. Mas Peterson diz que o Ocidente não tem a moral elevada. Não temos o direito de nos opor às atrocidades russas. Ele sugere que o Ocidente contaminou moralmente a Ucrânia, de modo que a Rússia foi forçada a conter a pestilência. Há apenas uma gafe na apresentação de Peterson: ele não descreveu a invasão da Ucrânia pela Rússia como “uma operação militar especial”. Como observado anteriormente, Peterson diz que o Ocidente está se “auto-engrandecendo” – um crime muito pior do que invadir um país vizinho depois de declarar que não é um país; em seguida, derrubando suas cidades, matando e sequestrando dezenas de milhares de seus cidadãos e bloqueando remessas de grãos para países famintos da África.
Anna Politkovskaya era uma jornalista russa. Ela foi brutalmente assassinada em 2006. Aqui está o que ela disse sobre Putin antes de sua morte: Ost siege, pelo massacre de inocentes que durou seu primeiro mandato como presidente.”[xv] Politkovskaya viu para onde Putin estava levando a Rússia. Ela escreveu: “Na Rússia, tivemos líderes com essa perspectiva antes. Levou à tragédia, ao derramamento de sangue em grande escala, a guerras civis. Como não quero mais isso, não gosto desse típico chekista soviético enquanto ele desfila pelo tapete vermelho do Kremlin a caminho do trono da Rússia.”[xvi]
Esses homens de poder, esses ditadores sangrentos, esses mentirosos em série e assassinos em massa nos atormentaram ao longo da história. Eles sempre soam razoáveis ​​na superfície. Mas no fundo, no fundo, eles são os mesmos. Eles querem poder e glória, riqueza e imortalidade. Como um esquizofrênico gritou uma vez depois de agredir um transeunte: “Eles saberão meu nome!”
No início de sua invasão da Polônia, Hitler disse: “Tentei resolver o problema de Danzig, do Corredor, etc., propondo uma discussão pacífica…. Nas minhas conversas com estadistas polacos discuti as ideias… do meu último discurso…. Não há nada mais modesto ou leal do que essas propostas... [que] foram recusadas. Não apenas eles foram respondidos primeiro com mobilização, mas com aumento do terror e pressão contra nossos compatriotas alemães...”[xvii]
Avanço rápido de 82 anos….
No início de sua invasão da Ucrânia, Putin disse: “É um fato que nos últimos 30 anos temos tentado pacientemente chegar a um acordo com os principais países da OTAN sobre os princípios de segurança igual e indivisível na Europa. Em resposta às nossas propostas, invariavelmente enfrentamos enganos e mentiras cínicas ou tentativas de pressão e chantagem, enquanto a Aliança do Atlântico Norte continuou a se expandir apesar de nossos protestos e preocupações.”[xviii]
Não há semelhança aqui?
Dadas suas denúncias anteriores de ditadura totalitária, Peterson deveria ter sido o primeiro a denunciar a invasão da Ucrânia pela Rússia. Além disso, ele deveria ter reconhecido essa invasão como uma tentativa de ressuscitar o Império Soviético; pois é isso que está sendo tentado, mesmo enquanto estátuas de Lenin estão sendo erguidas nos oblasts ucranianos recém-conquistados.[xix] Putin é mau? Peterson diz “não”. Ele diz que Putin “é muito menos terrível do que qualquer líder que o precedeu por cerca de um século”. Mas aqui, como em outros lugares, Peterson perde sua credibilidade. Putin é menos terrível que Yeltsin, que Gorbachev, que Chernenko? O que aconteceu com as regras de vida de Peterson? A regra 8 diz: “Diga a verdade – ou, pelo menos, não minta”. Por que dar cobertura aos crimes de Putin? E a Regra 37 das 40 regras originais de Peterson? – “Não deixe os valentões se safarem.”[xx]
Peterson sugere que o Ocidente deveria oferecer a Putin os termos mínimos que a Rússia aceitará para a paz. Em outras palavras, vamos vender a Ucrânia como Chamberlain vendeu a Tchecoslováquia em 1938. Por quê? Porque, diz Peterson, um único míssil russo seria suficiente para “destruir a Grã-Bretanha de uma vez por todas”.
Como Putin não é um valentão? 


Aqui está o que eu não consigo entender sobre Jordan Peterson. Ninguém no Ocidente está ameaçando a Rússia com uma guerra nuclear. A situação é totalmente inversa. Apenas a Rússia está fazendo ameaças nucleares. Peterson percebe que está culpando o lado ameaçado? Ele percebe que está apoiando retoricamente um valentão nuclear? Peterson em nenhum lugar culpa a Rússia por levar o mundo à beira de uma guerra nuclear. Apenas o Ocidente – apenas a possível vítima – é culpado. Quando uma guerra está sendo travada e uma guerra nuclear está sendo ameaçada, devemos ser mais cautelosos. Evitemos a retórica calculada para desmoralizar o nosso próprio lado. A desmoralização, nas atuais circunstâncias, abre a porta para a ladeira escorregadia do apaziguamento. Suponha que pudéssemos parar uma guerra nuclear alimentando a Rússia com a Ucrânia. Quais países serão alimentados para a Rússia a seguir? Até que ponto a “esfera de influência” da Rússia se estenderá? Vai parar na Polônia ou na França? Espanha ou Portugal? Peterson espera, como Chamberlain em Munique, que o ditador fique satisfeito com uma mordida. No entanto, as autoridades russas já estão sugerindo a conquista do Alasca em seguida. [xxi] Onde exatamente a esfera de influência da Rússia está marcada no Atlas mundial? Inclui o país de origem de Peterson, Canadá? Quantas nações devem ser sacrificadas ao Moloch russo? Além disso, deve-se desprezar a ideia de que a OTAN encurralou a Rússia. Considere, se quiser, quão grande é o canto da Rússia. A Rússia tem onze fusos horários. Quantos fusos horários tem a Ucrânia? O maior país do mundo realmente precisa de mais alargamento? A Rússia prometeu respeitar a soberania da Ucrânia no Memorando de Budapeste de 1994, quando a Ucrânia concordou em desistir de seu arsenal nuclear. Se a Ucrânia tivesse mantido esse arsenal nuclear em vez de confiar nas promessas russas, não haveria guerra na Ucrânia. Peterson acha que o Ocidente deveria negociar com a Rússia. Mas a Rússia não cumpre seus compromissos com o tratado. Qual é o sentido de negociar quando toda negociação é um exercício de auto-engano? Devemos manter os russos em suas promessas passadas antes de acreditar em novas promessas. É lamentável que alguém da estatura de Peterson tenha dado cobertura retórica à agressão militar russa na Europa Oriental. Em termos de estratégia e moralidade, Peterson atingiu uma nota falsa. Ao contrário do que ele supõe, a Ucrânia não é um estado fantoche criado por um golpe da CIA. O presidente Yanukovych não foi deposto. Yanukovich abdicou. Ele fugiu de seu país por vergonha e culpa, sabendo que sangue inocente estava em suas mãos. Para encerrar, devo dizer que a verdade importa, especialmente quando uma agressão nua foi realizada contra um país pacífico. Jordan Peterson diz: “Todos os protestos em contrário, nenhum de nós dá a mínima para a Ucrânia”. Mas isso não é verdade, Dr. Peterson. É óbvia e inequivocamente falsa. https://jrnyquist.blog/2022/07/19/the-inversion-of-jordon-peterson/

 


UM EXEMPLO DE ESTRATÉGIA DA TESOURA - ANATOLIY GOLITSIN https://conspiratio3.blogspot.com/2022/03/um-exemplo-da-estrategia-da-tesoura.html 

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PUTIN: A RÚSSIA NÃO TEM FRONTEIRA https://conspiratio3.blogspot.com/2016/12/putin-russia-nao-tem-fronteira-alguma.html

LIVROS

A ERA DOS ASSASSINOS — A NOVA KGB E O FENÕMENO VLADIMIR PUTIN https://conspiratio3.blogspot.com/2013/10/a-era-dos-assassinos-nova-kgb-e-o.html

KGB e a Desinformação Soviética - Ladislav Bittman https://livraria.seminariodefilosofia.org/a-kgb-e-a-desinformacao-sovietica

DESINFORMAÇÃO - A PRINCIPAL ARMA COMUNISTA - ION MIHAI PACEPA
https://conspiratio3.blogspot.com/2016/01/desinformacao-livro-de-ion-mihai-pacepaq.html 

ESTRATÉGIA DA TESOURA - ANATOLIY GOLITSIN (livro MEIAS VERDADES, VELHAS MENTIRAS) https://conspiratio3.blogspot.com/2022/03/um-exemplo-da-estrategia-da-tesoura.html  

SUBVERSÃO: teoria, aplicação, e confissão de um método, de Yuri Aleksandrovich Bezmenov

O livro de Natalie Grant intitulado ‘Disinformation: Soviet Political Warfare, 1917-1991’ oferece-nos percepções adicionais. Há um antigo princípio operacional russo: “simular o que não é, dissimular o que existe”.  https://conspiratio3.blogspot.com/2021/08/jeffrey-nyquist-desinformacao-101.html

MAIS EM: DESINFORMAÇÃO

quarta-feira, 13 de julho de 2022

YURI BEZMENOV - Teoria da Subversão [COMPLETO LEGENDADO]

 

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Subversão: teoria, aplicação, e confissão de um método - 
 
Sinopse - Este é o primeiro volume do compêndio de trabalhos do ex-agente do KGB Yuri Aleksandrovich Bezmenov. Trata-se de um manual de Contra-Subversão elaborado a partir da eloquente experiência acumulada de um insider, combinada ao seu senso de verdade irrefreável e ordenada graças à sua capacidade analítica singular.

O exame atento ­­­desses trabalhos proverá ao leitor o condicionamento intelectual básico para perfurar o ambiente da dolosa confusão que nesta época sitia – em níveis insuportáveis – as populações em praticamente todo o mapa mundial, ao menos nos países que ainda são parte do chamado mundo livre. Este é o primeiro material desse gênero, e que agora é disponibilizado para o público internacional – especializado e leigo – em caráter de acesso irrestrito. https://www.audaxeditorial.com/product-page/subvers%C3%A3o-teoria-aplica%C3%A7%C3%A3o-e-confiss%C3%A3o-de-um-m%C3%A9todo-yuri-aleksandrovich-bezm

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O desertor da SVR/KGB Sergei Tretyakov disse ao jornalista Pete Earley,
"Quero alertar os americanos. Como povo, você é muito ingênuo em relação à Rússia e suas intenções. Você acredita que porque a União Soviética não existe mais, a Rússia agora é sua amiga. Não é, e posso mostrar como o SVR está tentando destruir os EUA até hoje e ainda mais do que a KGB fez durante a Guerra Fria."
[x]  https://jrnyquist.blog/2022/07/19/the-inversion-of-jordon-peterson/



Iurii Piatakov: "Um bolchevique verdadeiro submergiu a tal ponto sua personalidade na coletividade, "o Partido", que pode fazer o esforço para desligar-se das próprias opiniões e convicções... Ele deve estar pronto para acreditar que preto é branco e que branco é preto, se o Partido assim o exigir."  https://conspiratio3.blogspot.com/2023/05/o-crime-de-ter-vida-privada-orlando.html


 "Trinta anos de estudos sobre a mentalidade revolucionária convenceram-me de que ela não é a adesão a este ou àquele corpo de convicções e propostas concretas, mas a aquisição de certos cacoetes lógico-formais incapacitantes que acabam por tornar impossível, para o indivíduo deles afetado, a percepção de certos setores básicos da experiência humana. A mentalidade revolucionária não é um conjunto de crenças, é um sistema de incapacidades adquiridas, que começam com um escotoma intelectual e culminam numa insensibilidade moral criminosa. É uma doença mental no sentido mais estrito e clínico do termo, correspondente àquilo que o psiquiatra Paul Sérieux descrevia como delírio de interpretação. Numa discussão com o homem normal, o revolucionário está protegido pela sua própria incapacidade de compreendê-lo."
http://www.olavodecarvalho.org/semana/081211dc.html
 

quinta-feira, 10 de março de 2022

UM EXEMPLO DE ESTRATÉGIA DA TESOURA - ANATOLIY GOLITSIN

 

"Subjacente a todas essas estratégias, está a quinta: a que trata do programa de desinformação. O elemento mais importante deste programa é a premeditada ruptura sino-soviética, a qual permitiu às duas potências comunistas empreender com sucesso a estratégia da tesoura, isto é, desenvolver políticas externas dualistas e complementares, das quais a íntima coordenação vem sendo ocultada do Ocidente, sem o menor sinal de que este a tenha sequer percebido. É esta estratégia da tesoura que contribuiu significativamente para todas as outras estratégias." 

"Via de regra, os esforços chineses e soviéticos podem ser entendidos não como rivalidades, mas como uma bem coordenada divisão de trabalho que trouxe dividendos para a estratégia comum. Quando existe alguma disputa séria entre dois países do Terceiro Mundo, é possível discernir um padrão nas políticas externas soviética e chinesa, no qual cada um toma posição a favor de um dos lados e adota uma bem definida dualidade em suas políticas. Dualidade entendida como a obtenção simultânea de dois benefícios. Quem quer que ganhe, ganham sempre a política e a estratégia comum. A União Soviética busca aumentar sua influência sobre um dos contendores e a China sobre o outro. 

O exemplo clássico desse padrão é verificado no caso da Índia e do Paquistão. O conflito sino-indiano de 1962 foi provocado pelos chineses. Os soviéticos assumiram uma postura amplamente antichinesa e pró-indiana, a qual lhe granjeou certa afeição e reputação na Índia. À época da irrupção da polêmica pública entre os partidos soviético e chinês, em 1963, uma missão do exército e da força aérea indiana visitou a União Soviética. No ano seguinte, o ministro da defesa indiano foi a Moscou para discutir a cooperação militar soviético-indiana. Outras visitas mútuas de delegações militares tiveram lugar em 1967 e 1968. Em meados dos anos 60, já haviam sido estabelecidas reuniões regulares para consultas sobre problemas de interesse mútuo entre os ministros das relações exteriores da União Soviética e da Índia. 

Os Estados Unidos consideraram a Índia responsável pelo conflito com o Paquistão em 1971, interrompendo a ajuda militar àquela. Os soviéticos fizeram um apelo, pedindo o fim do conflito, mas não obstante, mantiveram seu apoio moral à Índia, pelo qual Indira Gandhi expressou sua gratidão. Um tratado de amizade foi assinado entre a União Soviética e a Índia em agosto de 1971. Um grande influxo de visitantes soviéticos seguiu-se à assinatura do tratado. Em outubro, Firyubin foi à Índia, coincidentemente, no mesmo mês em que Tito lá esteve. Nos três meses seguintes, lá estiveram Kutakhov, chefe da aviação militar soviética e V.V. Kuznetsov, vice-ministro do exterior soviético. 

Em dezembro, a Sra. Gandhi condenou a política americana no Vietnã. Em 1973, foi assinado um acordo entre a Gosplan, a agência soviética de planejamento e a comissão indiana de planejamento. Muito em função da habilidosa exploração soviética do conflito indo-paquistanês, em meados dos anos 70 a tendência na direção de relações cada vez mais estreitas entre a Índia e a União Soviética tornou-se virtualmente irreversível. O breve governo de Morarji Desai não foi capaz de ir contra a maré. As relações indo-soviéticas foram ainda mais fortalecidas pela visita de Brezhnev e suas tratativas com Indira Gandhi em 1981. 

Enquanto os soviéticos reforçavam sua influência sobre a Índia, os chineses faziam o mesmo sobre o Paquistão, utilizando-se das mesmas técnicas de troca de vistas e delegações militares, especialmente entre 1962 e 1967. Quando os Estados Unidos cessaram a ajuda militar ao Paquistão em 1967, os chineses rapidamente preencheram o vácuo. Em 1968, o presidente Yahya Khan e seu ministro do exterior, visitaram a China. A cooperação foi incrementada. Em 1970, Kuo Mo-jo visitou o Paquistão. A essa altura, o Paquistão já se encontrava próximo o suficiente da China para servir de intermediário nos arranjos que levaram à visita de Kissinger à China, em 1971. Bhutto foi recebido por Mao em 1972, após outro conflito com a Índia e a formação de Bangladesh. O conflito resultou na saída do Paquistão da Comunidade Britânica (Commonwealth) e da SEATO. Outras trocas de vistas de alto nível continuaram a ocorrer entre paquistaneses e chineses, a despeito de mudanças no governo do Paquistão. 

Assim como no caso da influência soviética sobre a Índia, a influência chinesa sobre o Paquistão está criando condições para uma aliança entre eles e para uma tomada de controle comunista. Já existe uma situação que pode ser explorada ainda mais pelos movimentos calculados e coordenados de chineses e soviéticos, em conexão, por exemplo, com a intervenção soviética no Afeganistão. A recente postura moderada chinesa tem a intenção de ajudar a construir uma imagem de respeitabilidade da diplomacia de détente chinesa diante dos países industriais avançados e também dos países do Terceiro Mundo. Essa postura é também consistente com o padrão emergente de dualidade sino-soviética; enquanto a União Soviética constrói frentes unidas com nacionalistas contra os Estados Unidos, a China procura seduzir e conduzir os Estados Unidos e outros países conservadores, inclusive estados africanos e asiáticos, para a formação de alianças ardilosas, traiçoeiras e artificiais, tanto com a China mesma como com suas parceiras, mas ostensivamente contra a União Soviética. A China busca penetrar o campo do adversário, não somente sem enfrentar resistência, mas sendo bem recebida como aliada contra o expansionismo soviético, devidamente equipada com tecnologia e armas ocidentais. Na fase atual da política, nem a União Soviética e tampouco a China colocam os partidos comunistas locais como armas estratégicas na vanguarda. Somente quando o objetivo de isolar os Estados Unidos do Terceiro Mundo for atingido, os partidos comunistas locais assumirão o seu lugar, ajustando as contas acumuladas com os nacionalistas que os reprimiram no passado. 

A nova metodologia esclarece a contribuição ao sucesso das estratégias comunistas feita pela divisão de trabalho entre soviéticos e chineses, a qual implica na dualidade coordenada de suas políticas. Nos primeiros anos da détente e parafraseando Lênin, aos chineses foi dada a tarefa de tocar o “terrível contra-baixo”, em contraste com o “violino sentimental” dos soviéticos."

("Meias Verdades, Velhas Mentiras" Anatoliy Golitsyn, primeira edição em 1984)

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"O mundo Ocidental como um todo, e os Estados Unidos em particular, se equivocaram seriamente sobre a natureza das mudanças no mundo comunista. Não estamos testemunhando a morte do comunismo, mas uma nova ofensiva estratégica de desinformação." Anatoliy Golitsyn https://conspiratio3.blogspot.com/2018/01/finalmente-republicaram-o-livro.html

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Eu não sei muito sobre a Ucrânia, mais sei, há muito tempo, que a KGB é a mestra da desinformação. Desinformação não é só uma mentira posta para circular nas esferas-alvo, é uma operação complexa, cara, às vezes longamente preparada, envolvendo várias etapas. 

"Por exemplo, a onda de pânico da mídia européia ante a “ameaça neonazista” na Alemanha cessou quando, com a reunificação do país, os documentos da Stasi vieram à tona, mostrando que os principais movimentos neonazistas na Alemanha Ocidental e até alguns nas nações vizinhas eram fantoches criados e subsidiados pelo governo comunista da Alemanha Oriental para despistar operações de terrorismo e assassinatos políticos (o atentado ao Papa João Paulo II foi um caso típico: leiam The Time of the Assassins de Claire Sterling e Le KGB au Coeur du Vatican, de Pierre e Danièle de Villemarest). " https://olavodecarvalho.org/credibilidade-zero/

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[iii] Edward Jay Epstein, Deception: The Invisible War Between the KGB and CIA (New York: Simon and Schuster, 1989), pp. 97-98.  De acordo com o desertor da KGB Golitsyn, “divisões falsas” no bloco comunista foram usadas para atrair os Estados Unidos para apoiar países comunistas supostamente “independentes” que supostamente estavam em desacordo com Moscou. Após uma palestra em 1958 sobre esse assunto, o presidente da KGB, Shelepin, “deixou escapar que a China seria o candidato perfeito para tal engano”. Depois de trabalhar com a equipe de contra-inteligência da CIA em 1968, Golitsyn encontrou evidências do falso sino-soviético. Mas os especialistas americanos não levaram essa evidência a sério. Sem fazer mais pesquisas, até Epstein concluiu que os especialistas estavam certos e Golitsyn estava errado sobre a divisão sino-soviética. Epstein chegou a essa conclusão por causa da documentada “guerra de fronteira entre tropas chinesas e soviéticas no rio Ussuri”. O que Epstein não conseguiu descobrir foi que um desertor chinês, escrevendo sob o pseudônimo de Yao Ming-le, alegou que o chefe do ELP, Lin Biao, havia encenado a guerra de fronteira sino-soviética em conluio com generais soviéticos. De acordo com Yao, regimentos reais seriam dizimados nesta luta, mas foi – de acordo com Yao – puramente para exibição. A história bizarra do desertor Yao, que pretende esclarecer o mistério da conspiração e morte de Lin Biao, chega perto do cenário de Golitsyn de encenar uma “falsa divisão”. Como explicamos o testemunho de um desertor chinês sobre uma falsa guerra de fronteira sino-soviética? No cenário de Golitsyn, as batalhas teriam sido encenadas como um espetáculo externo para o consumo americano; em outras palavras, enganar o Ocidente para que aceite a cisão sino-soviética como autêntica. No cenário de Yao, as batalhas foram encenadas para enganar Mao (para que o líder do PCC se abrigasse em um bunker onde Lin Biao iria gastá-lo). A história de Yao é inerentemente improvável como uma trama de golpe. Existem maneiras mais fáceis de assassinar e derrubar um líder do que criar uma guerra falsa. Em uma análise mais detalhada, Yao deve ter sido um desertor enviado para dissipar as suspeitas das autoridades dos EUA. Essas suspeitas podem ter surgido de um incidente relacionado à inteligência durante esse período, mencionado nas memórias de Kissinger e Nixon. Um detalhe mais interessante do testemunho de desertores sobre este assunto surgiu em agosto de 1998, quando GRU Coronel Stanislav Lunev me disse que um amigo próximo dele tinha estado no suposto local do acidente de Lin Biao perto de Öndörkhaan Mongólia (Lin Biao ou seus companheiros golpistas – dependendo de qual versão da história você acredita - supostamente tentou fugir para a União Soviética e foi abatido quando o avião entrou no espaço aéreo da Mongólia). De acordo com Lunev, os investigadores soviéticos no local determinaram que todos na aeronave caída haviam sido assassinados antes do voo e colocados a bordo para parecer que estavam tentando chegar à URSS. Uma vez que a União Soviética foi acusada de tentar derrubar Mao Zedong, e as provas fabricadas pretendiam implicar Moscou em um golpe contra Mao, por que as autoridades soviéticas não divulgaram as provas e as usaram para negar envolvimento no suposto golpe? Por que permanecer em silêncio e permitir que o mundo acredite nas falsas alegações chinesas? Novamente, a explicação mais provável nos leva de volta ao cenário de Golitsyn de uma falsa divisão sino-soviética. https://jrnyquist.blog/2022/07/19/the-inversion-of-jordon-peterson/

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LIVROS

A ERA DOS ASSASSINOS — A NOVA KGB E O FENÕMENO VLADIMIR PUTIN https://conspiratio3.blogspot.com/2013/10/a-era-dos-assassinos-nova-kgb-e-o.html

KGB e a Desinformação Soviética - Ladislav Bittman https://livraria.seminariodefilosofia.org/a-kgb-e-a-desinformacao-sovietica

DESINFORMAÇÃO - A PRINCIPAL ARMA COMUNISTA - ION MIHAI PACEPA
https://conspiratio3.blogspot.com/2016/01/desinformacao-livro-de-ion-mihai-pacepaq.html 

ESTRATÉGIA DA TESOURA - ANATOLIY GOLITSIN (livro MEIAS VERDADES, VELHAS MENTIRAS) https://conspiratio3.blogspot.com/2022/03/um-exemplo-da-estrategia-da-tesoura.html  

SUBVERSÃO: teoria, aplicação, e confissão de um método, de Yuri Aleksandrovich Bezmenov

O livro de Natalie Grant intitulado ‘Disinformation: Soviet Political Warfare, 1917-1991’ oferece-nos percepções adicionais. Há um antigo princípio operacional russo: “simular o que não é, dissimular o que existe”.  https://conspiratio3.blogspot.com/2021/08/jeffrey-nyquist-desinformacao-101.html

MAIS EM: https://conspiratio3.blogspot.com/search/label/DESINFORMA%C3%87%C3%83O

 


A ESTRATÉGIA DAS TESOURAS ENTRE PT E PSDB 

5 de agosto de 2002 - A mídia nacional já levou longe demais essa farsa de rotular o tucanato de “direita”, um truque inventado pela esquerda para poder condenar como extremismo e fascismo tudo o que esteja à direita de FHC, ou seja, à direita da centro-esquerda.  

FHC fez mais pelo avanço da revolução comunista no Brasil do que o próprio João Goulart, que ficou só na ameaça. Se, não obstante, seu governo ainda é rotulado de “direitista”, é somente graças a um fenômeno bastante conhecido na mecânica das revoluções: sempre que uma facção revolucionária toma o poder, suas próprias dissensões internas se substituem às divisões de partidos e facções existentes no regime anterior. Assim, por exemplo, após a revolução de 1917, a ala revolucionária menchevique passou a ser atacada pela ala radical como direitista e reacionária. Evidentemente, o sentido de “direita” havia mudado por completo: antes, era ser contra a revolução; agora, era não ser revolucionário o bastante. A diferença entre o caso russo e o brasileiro é que naquele a mudança foi declarada e consciente, ao passo que entre nós ela está proibida de ser mencionada em público.

Um dos elementos primordiais da revolução cultural gramsciana em curso é o lento e inexorável deslocamento de todo o eixo de referência dos debates públicos para a esquerda, de modo a estreitar a margem de direitismo possível e, aos poucos, substituir a direita genuína pela facção direita da própria esquerda ou por algum fanatismo hidrófobo estereotipado e fácil de desmoralizar. O processo deve ser conduzido de maneira tácita e, se alguém o denuncia, negado com veemência. As coisas devem acontecer como se não estivessem acontecendo. Os discordes e recalcitrantes, mais que censurados, são jogados para o limbo da inexistência e se tornam tão deslocados que parecem malucos. https://olavodecarvalho.org/transicao-revolucionaria/

20 de junho de 2002 - O controle da mídia por uma classe ideologicamente homogênea leva inevitavelmente a opinião popular a viver num mundo falso e a rejeitar como loucura qualquer informação que não combine com o estreito padrão de verossimilhança aprovado pelos detentores do microfone.

Quem são esses detentores? Os jornalistas de esquerda continuam se fazendo de coitadinhos oprimidos pelas empresas jornalísticas. Mas o fato é que hoje nenhuma empresa jornalística, do Brasil, dos EUA ou da Europa, se aventura a tentar controlar o esquerdismo desvairado que impera nas redações. A “ocupação de espaços” pela militância esquerdista cresceu junto com o poder da própria classe jornalística, e hoje ambas, fundidas numa unidade indissolúvel, exercem sobre a opinião pública uma tirania mental que só meia dúzia de inconformados ousa desafiar. Quando esse estado de coisas dura por tempo suficiente, mesmo aqueles que o criaram já não se lembram mais de que é um produto artificial: vivem no mundo ficcional que criaram e adaptam para as dimensões dele todas as distinções entre realidade e fantasia, tornadas por sua vez pura fantasia.
Assim, pois, todos já se esqueceram de que o PT e o PSDB foram essencialmente criações de um mesmo grupo de intelectuais esquerdistas empenhados em aplicar no Brasil o que Lênin chamava “estratégia das tesouras”: a partilha do espaço político entre dois partidos de esquerda, um moderado, outro radical, de modo a eliminar toda resistência conservadora ao avanço da hegemonia esquerdista e a desviar para a esquerda o quadro inteiro das possibilidades em disputa. Tendo-se esquecido disso, interpretam o predomínio temporário da esquerda moderada, que eles próprios instauraram para fins de transição, como um efetivo império do “conservadorismo”, e então se sentem –sinceramente — oprimidos e jogados para escanteio no momento mesmo em que sua estratégia triunfa por completo.

Ora, chamar de direitista um governo que dissemina a pregação marxista nas escolas, que premia como heróis nacionais os terroristas pró-Cuba da década de 70 e que respalda com verbas milionárias a agitação armada do MST é, evidentemente, alucinação, mas essa alucinação tornou-se o único critério vigente de realidade, impossibilitando a percepção de tudo o mais. https://olavodecarvalho.org/imperio-do-fingimento/

 

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03 de agosto de 2002 - Desde seus fundadores, Sidney e Beatrice Webb, o fabianismo nunca passou de um instrumento auxiliar da revolução marxista, incumbido de ganhar respeitabilidade nos círculos burgueses para destruir o capitalismo desde dentro. Os conservadores ingleses diziam isso e eram ridicularizados pela mídia, mas a abertura dos Arquivos de Moscou provou que o mais famoso livro do casal não foi escrito pelo marido nem pela esposa, mas veio pronto do governo soviético.

A articulação dos dois socialismos era chamada por Stalin de “estratégia das tesouras”: consiste em fazer com que a ala aparentemente inofensiva do movimento apareça como única alternativa à revolução marxista, ocupando o espaço da direita de modo que esta, picotada entre duas lâminas, acabe por desaparecer. A oposição tradicional de direita e esquerda é então substituída pela divisão interna da esquerda, de modo que a completa homogeneinização socialista da opinião pública é obtida sem nenhuma ruptura aparente da normalidade. A discussão da esquerda com a própria esquerda, sendo a única que resta, torna-se um simulacro verossímil da competição democrática e é exibida como prova de que tudo está na mais perfeita ordem. https://olavodecarvalho.org/a-mao-de-stalin-esta-sobre-nos/

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15 de junho de 2003 - Desde 1988 cada novo governo está um pouco mais à esquerda, fechando o SNI, engordando o MST, premiando terroristas com verbas oficiais, endossando uma a uma todas as exigências “politicamente corretas”, difundindo propaganda marxista pelas escolas, etc. etc. Em vez de alegrar-se com isso, os esquerdistas ficam cada vez mais irritados e seu discurso mais violento. A escalada da brutalidade verbal, com o sr. Caio César Benjamin mandando o presidente “se f…r”, mostra que o esquerdismo se torna tanto mais prepotente quanto mais vitorioso, que nada pode safisfazê-lo senão a obediência total e incondicional, que cada concessão, em vez de aplacá-lo, só excita ainda mais sua fome de poder absoluto.

Inspirada pela fórmula leninista da “estratrégia das tesouras”, a esquerda cresce por cissiparidade, ou esquizogênese, dividindo-se contra si mesma para tomar o lugar de quaisquer concorrentes possíveis, que hoje se reduzem a quase nada.

Quem domina o centro, domina o conjunto. A esquerda inventa sua própria direita, criminalizando e excluindo do jogo todas as demais direitas imagináveis. Uns anos atrás, tornou-se feio estar à direita de FHC. Agora é impensável estar à direita de Lula. A política nacional inteira já não é senão um subproduto da estratégia esquerdista, realizando a fórmula de Gramsci, de que o Partido deve imperar sobre toda a sociedade, não com uma autoridade externa que a oprima ostensivamente, mas com a força invisível e onipresente de uma fatalidade natural, de “um imperativo categórico, um mandamento divino” (sic). https://olavodecarvalho.org/a-clareza-do-processo/

Quantas vezes será preciso explicar que não se leva um país ao comunismo por meio da propaganda direta, simples e unívoca, e sim através da inteligente manipulação dos conflitos por meio do que Lênin chamava “estratégia das tesouras”? https://olavodecarvalho.org/namoro-com-o-genocidio/


4 de dezembro de 2004 - O diálogo entre Christovam Buarque e Fernando Henrique Cardoso em Providence, EUA, gravado pelo próprio Buarque e publicado pela repórter Lydia Medeiros em http://oglobo.globo.com/jornal /pais/147246986.asp, é um documento de excepcional importância para a compreensão do que vem acontecendo e do que está para acontecer neste país. Seu conteúdo é de uma clareza estonteante. Nele os dois líderes admitem que seus partidos têm os mesmos objetivos, a mesma ideologia e até a mesma estratégia, não havendo entre eles outra disputa senão a do poder puro e simples, a da primazia no comando de um processo que em ambos os casos vai na mesma direção. Anos atrás, escrevi que a partilha do espaço eleitoral entre PT e PSDB correspondia à “estratégia das tesouras” preconizada por Lênin: à absorção de todas as correntes numa disputa insubstantiva, de modo que a ideologia comum, protegida por trás de um simulacro verossímil de concorrência democrática, ficasse a salvo de qualquer ataque mais sério. Para os que não são capazes de tirar conclusões dos fatos e só se convencem diante de uma confissão explícita, aí está o que pediam. https://olavodecarvalho.org/sindrome-do-piu-piu/


4 de setembro de 2006 - OLAVO DE CARVALHO – Quando essa gangue uspiana começou a “campanha pela ética na política”, uma década e meia atrás, já anunciei que era tudo uma empulhação destinada a entregar o poder total à esquerda, usando e prostituindo a indignação moral do povo com os miúdos corruptos da época para encobrir a montagem da maior máquina de corrupção de todos os tempos.
Os tucanos estão hoje com choradeira, mas eles são amplamente culpados pela ascensão do petismo, do qual foram cúmplices na “estratégia das tesouras” calculada para suprimir da política todas as demais correntes e dividir o bolo entre os dois partidos nascidos da USP. O que quer que venha da boca de Chauis e Giannottis é sempre camuflagem, pose, hipocrisia. Essa gente já deveria estar embalsamada faz muito tempo em alguma espécie de IML intelectual. Cansei de ouvir besteira. “Intelectual de esquerda”, seja tucano, petista ou qualquer outra porcaria, tem para mim a confiabilidade de uma nota de R$ 32.
A USP sempre foi o templo da vigarice intelectual, e o sujeito que começa com safadeza no campo das idéias acaba sempre inventando algum mensalão para se remunerar do esforço de embrulhar a platéia. Os tucanos ainda podem se redimir do mal que fizeram. A carta de 7 de setembro do ex-presidente Fernando Henrique é um bom começo, mas é preciso um arrependimento mais fundo e uma tomada de posição mais clara.
Não adianta querer um “choque de capitalismo” quando ao mesmo tempo se cortejam “movimentos sociais” cujos programas “politicamente corretos” exigem sempre maior controle estatal da sociedade. Um capitalismo assim acaba virando capitalismo chinês. https://olavodecarvalho.org/usp-e-templo-de-vigarice/

7 de junho de 2011 - Existe alguma diferença entre o PT e o PSDB, ou eles são farinha do mesmo saco como se diz no linguajar popular?

Carvalho – Não são bem farinha do mesmo saco, são as duas lâminas opostas e complementares daquilo que Lênin chamava “a estratégia das tesouras”. Cortam por lados opostos, mas produzem uma figura planejada em comum. Veja, por exemplo, essa campanha obscena do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em favor da liberação das drogas. Dirigindo a questão para os aspectos jurídicos e econômicos mais gerais e abstratos, ele camufla o resultado político concreto que a liberação das drogas produzirá fatalmente: a ascensão das Farc à condição de empresa multinacional legítima e partido político legalmente constituído. Isso é a coisa mais clara do mundo. Liberado o comércio de drogas, quem dominará o mercado senão aqueles que já têm o controle absoluto da produção, da distribuição e dos pontos de venda? Transformar-se em empresa e partido, com uma via aberta para a conquista legal do poder, sempre foi o objetivo permanente das Farc, porque guerrilhas, por definição, não visam a uma vitória militar, e sim a uma vitória política. Dar-lhes essa vitória é o objetivo comum do governo e dessa oposição farsesca personificada em Fernando Henrique Cardoso. Não esqueça que PT e PSDB nasceram do mesmo grupo intelectual uspiano que agora domina o cenário político por dois lados. https://olavodecarvalho.org/barack-obama-e-um-semi-analfabeto/

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PT e PSDB são os dois grandes pilares do esquerdismo nacional, Se um cai, o outro não se sustenta. Ambos nos impuseram a "Nova República", o MST, o abortismo, a ideologia de gênero, a propaganda comunista nas escolas, a destruição da educação nacional, a paparicação dos criminosos, a beatificação dos terroristas, o desarmamento civil, a tolerância para com o narcotráfico etc. Segundo o próprio FHC, não têm divergências ideológicas, brigam apenas pela partilha de cargos, e nenhum dos dois pretende que isso mude no mais mínimo que seja.
https://www.facebook.com/carvalho.olavo/posts/627380474080697

SOCIALISMO FABIANO E SOCIALISMO MARXISTA
O socialismo fabiano distingue-se do marxista porque forma quadros de elite para influenciar as coisas desde cima em vez de organizar movimentos de massa.
A articulação dos dois socialismos era chamada por Stalin de “estratégia das tesouras”: consiste em fazer com que a ala aparentemente inofensiva do movimento apareça como única alternativa à revolução marxista, ocupando o espaço da direita de modo que esta, picotada entre duas lâminas, acabe por desaparecer.
http://www.olavodecarvalho.org/semana/08032002globo.htm

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O. CARVALHO – Esquerda é toda corrente que legitima suas pretensões ambiciosas em nome de um futuro hipotético. Direita é quem legitima promessas modestas com base na experiência passada. https://olavodecarvalho.org/usp-e-templo-de-vigarice/ 

 


quarta-feira, 2 de março de 2022

FLÁVIO GORDON: o mito sobre o fim do comunismo - A perestroika destinava-se muito mais a transformar a situação política no Ocidente do que na URSS.

 

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TRANSCRIÇÃO DO VÍDEO EM https://otambosi.blogspot.com/2020/05/globalismo-e-comunismo-parte-2.html

ESTRATÉGIA DE DESINFORMAÇÃO A PARTIR DE https://youtu.be/ev-52O0x76c?t=570 :

"O colapso do Partido Comunista soviético não foi um acidente da História nem um súbito resplandecer da democracia. Ao contrário, foi o resultado de um plano minuciosamente preparado, concebido pela elite do Partido, executado pela direção de um departamento secreto do Comitê Central, o Departamento Internacional." Evgeny Novikov

BAIXEM A GUARDA, NÃO HÁ INIMIGOS: Flávio Gordon - A imagem do inimigo que está desaparecendo foi absolutamente necessária à política externa dos Estados Unidos e seus aliados, a destruição desse estereótipo é a arma de Gorbachev. Uma grande guinada foi dada nas relações internacionais e no entanto algumas pessoas não estão prontas para tanto. "A coisa mais terrível que pudemos fazer por enquanto foi tê-los privado da imagem do inimigo." 

GORBACHEV - “O futuro da humanidade não será definido pela oposição entre capitalismo e socialismo. Foi essa dicotomia que criou a divisão da comunidade mundial e toda a série de conseqüências catastróficas. Devemos encontrar um paradigma que integre todas as realizações do espírito e das ações humanas, sem nos ater à ideologia ou ao movimento político no qual se originam. Esse paradigma só pode se apoiar em valores comuns que a humanidade desenvolveu ao longo dos séculos. A busca por um novo paradigma deveria ser a busca por uma síntese daquilo que é comum e une os povos, os países e as nações, e não daquilo que os divide” (Mikhail Gorbachev, Em Busca de um Novo Começo: desenvolvendo uma nova civilização, 1995). https://otambosi.blogspot.com/2020/05/globalismo-e-comunismo-parte-2.html

"O mundo Ocidental como um todo, e os Estados Unidos em particular, se equivocaram seriamente sobre a natureza das mudanças no mundo comunista. Não estamos testemunhando a morte do comunismo, mas uma nova ofensiva estratégica de desinformação." Anatoliy Golitsyn https://conspiratio3.blogspot.com/2018/01/finalmente-republicaram-o-livro.html 

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TRANSCRIÇÃO DO VÍDEO EM https://otambosi.blogspot.com/2020/05/globalismo-e-comunismo-parte-2.html

Em The Perestroika Deception (1995), que dá continuidade à obra anterior, a explicação sobre o papel da KGB na elaboração da perestroika é aprofundada. Como explica Golitsyn – integrante do pequeno círculo de executores do plano e, portanto, testemunha ocular da história –, no final dos anos 1950, o então chefe da KGB Alexander Shelepin foi mentor de uma importante mudança de orientação no serviço secreto soviético, com a criação de uma espécie de “KGB dentro da KGB”. Tendo sido fortemente direcionada à repressão interna nos tempos de Stalin, a KGB devia agora, por meio de sua novíssima facção, converter-se numa arma política muito mais sofisticada, com ênfase na desinformação voltada para o público externo, e com o objetivo precípuo de influenciar processos de decisão nos países ocidentais. Em particular, Shelepin pretendia projetar internacionalmente uma imagem de fragilidade do bloco soviético.

A estratégia foi parcialmente admitida pelo acadêmico soviético Georgy Arbatov, um dos idealizadores da perestroika, e citado por Golitsyn: “A imagem do inimigo que está desaparecendo foi absolutamente necessária à política externa e militar dos Estados Unidos e seus aliados. A destruição desse estereótipo é a arma de Gorbatchev... Uma grande guinada foi dada nas relações internacionais, e, no entanto, algumas pessoas não estão prontas para tanto... A coisa mais terrível que nós pudemos fazer por enquanto foi tê-las privado da imagem do inimigo”.

O conceito de “imagem do inimigo” também aparece em Eduard Shevardnadze, chanceler sob o governo de Gorbachev, e talvez o principal mentor intelectual da perestroika. Ele escreve em L’avenir s’Écrit Liberté (1991): “A ‘imagem do inimigo’ havia invadido a consciência de milhões de pessoas em todas as partes do mundo. Apagar, destruir essa ‘imagem’ é talvez o objetivo mais importante num contexto de evolução mundial, no qual se aproximam e se erguem à máxima altura os autênticos inimigos da humanidade que são a guerra nuclear, a catástrofe ecológica ou a desintegração do sistema econômico mundial”.

Como veremos no artigo da semana que vem, da perspectiva comunista, o abandono do comunismo tradicional em favor do globalismo é parte essencial do esforço estratégico de desfazer no Ocidente essa “imagem do inimigo”. Portanto, o que acabou ali na virada da década de 1980 para a de 1990 foi menos o comunismo do que a sua “imagem” habitual, a partir do que o inimigo do inimigo ficou desorientado. Auxiliada pela auto-ilusão liberal-conservadora descrita no início deste artigo, a estratégia foi um sucesso.

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A perestroika destinava-se muito mais a transformar a situação política no Ocidente do que na URSS.

As informações a seguir estão no livro EUSSR: The Soviet Roots of European Integration (2004), do escritor e dissidente soviético Vladimir Bukovsky, quem o The New York Times qualificou certa vez como “herói de proporções lendárias no movimento dissidente soviético”. Junto com o advogado Pavel Stroilov, coautor do livro, Bukovsky teve acesso aos arquivos do Politburo soviético em Moscou, de onde extraiu os dados, até então confidenciais, que serviram de base para a obra. 

3 de maio de 1989, o ministro espanhol de Relações Exteriores, Francisco Fernández Ordóñez, já havia se encontrado com Gorbachev em Moscou, a quem dissera o seguinte: “O sucesso da perestroika significa uma única coisa – o sucesso da revolução socialista nas condições contemporâneas”. E reforçou: “O sucesso das ideias do socialismo na comunidade mundial contemporânea depende do sucesso da perestroika”. 

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Os encontros com os socialistas espanhóis haviam se dado no contexto da nova política soviética de aproximação com a Europa Ocidental, decidida pelo Politburo em reunião de 26 de março de 1987, e sintetizada por Gorbachev no lema “abraçar para sufocar”. Nos altos escalões da Nomenklatura, o projeto já havia recebido o nome de propaganda que, dali a dois anos, o último líder soviético apresentaria ao mundo em discurso famoso na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa: a “Casa Comum Europeia”.

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Em 6 de julho de 1988, no discurso secreto para seus camaradas do Pacto de Varsóvia (o mesmo no qual detalhou o plano da “Casa Comum Europeia”), Gorbachev elaborou o famigerado conceito de “imagem do inimigo” – que, como vimos no artigo da semana passada, começou a ser repetido pelos principais formuladores da perestroika, a exemplo de Georgy Arbatov e Eduard Shevardnadze: “Em primeiro lugar, a nova imagem do socialismo enfraquece os argumentos tradicionais dos círculos direitistas no Ocidente, usualmente baseados na imagem do inimigo – o ‘monstro totalitário’ socialista. Abertamente hostil ao socialismo, o front conservador, fortalecido no Ocidente no início dos anos 1980, começa a decair”.

A julgar pelo discurso, a perestroika destinava-se muito mais a transformar a situação política no Ocidente do que na URSS. Seu objetivo precípuo era o de “permitir que o socialismo possa moldar a política mundial mais ativa e amplamente, influenciá-la de maneira mais efetiva e estimular mudanças positivas no ambiente global”. A ideia de “Casa Comum Europeia” – na qual Gorbachev insiste até hoje – inseria-se nesse projeto de moldar a política mundial, e se aproximava muito da utopia pan-europeia dos entusiastas da União Europeia (UE). Como afirmou Pascal Lamy, ex-diretor-geral da OMC e ex-presidente da Comissão Europeia: “Dentre tantas tentativas de integração regional, a UE permanece sendo o laboratório da governança internacional – o lugar onde a nova fronteira tecnológica da governança internacional está sendo testada”. Noção similar já havia sido expressa por Jean Monnet, o grande mentor intelectual do projeto europeu: “As nações soberanas do passado já não podem fornecer um quadro de referência para a resolução de nossos problemas presentes. E a comunidade europeia, ela mesma, não é mais que um passo rumo às formas organizacionais do mundo de amanhã”.

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O problema é que alguns aspectos decisivos dessa utopia kantiana de integração e “paz perpétua” foram omitidos dos discursos públicos de homens como Gorbachev, Mitterrand e González. À época, quase ninguém foi informado, por exemplo, de que as estruturas europeias em comum seriam baseadas não apenas na Comunidade Econômica Europeia (CEE), mas também na organização econômica do Pacto de Varsóvia: o Conselho de Assistência Econômica Mútua (CAEM). E, dado que a URSS era o membro mais forte do CAEM, claro está que se tornaria o grande chefe da “Casa Comum Europeia” – a qual, portanto, estava destinada fatalmente a ser uma casa socialista.

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Tinha início aí, entre a Nomenklatura soviética e as elites política e financeira do Ocidente (e não apenas as de inclinação socialista), uma complexa convergência destinada a construir, sempre de cima para baixo, o mundo pós-Guerra Fria. Pois, se nos altos círculos do Politburo, a avaliação era a de que o comunismo precisava do know-how tecnocientífico e econômico do Ocidente, a elite globalista ocidental estava fascinada, por assim dizer, com a “tecnologia” de controle político e social, bem como de homogeneização das consciências, desenvolvida com maestria pelas castas dirigentes comunistas.

O grande problema é que, enquanto as nações ocidentais rumavam para transformações drásticas e irreversíveis em sua cultura política, o comunismo soviético adaptava-se para continuar o mesmo. Se, como veremos no próximo artigo, a “imagem do inimigo” projetada internacionalmente por Gorbachev e camaradas era novinha em folha, o inimigo em si, vetusto, seguia fiel às suas mais caras tradições.

https://otambosi.blogspot.com/2020/06/globalismo-e-comunismo-parte-3.html

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A NOVA IMAGEM DO INIMIGO

No final dos anos 1980, o historiador Anatoly Chernyaev ocupava o cargo de assessor de política externa de Mikhail Gorbachev. Nessa condição, ele foi um dos grandes responsáveis pela nova “imagem do inimigo” – mais 'democrática' e 'liberal' – projetada internacionalmente pelos soviéticos. A partir de 2004, Chernyaev começou a doar parte de seus diários pessoais para o Arquivo de Segurança Nacional da Universidade George Washington.

https://otambosi.blogspot.com/2020/06/globalismo-e-comunismo-parte-5.html

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MAIS EM 

Globalismo e comunismo (Parte 1)

Globalismo e comunismo (Parte 2)

Globalismo e comunismo (Parte 3)

Globalismo e comunismo (Parte 4)

Globalismo e comunismo (Parte 5)

Comunismo e globalismo (Parte 6)

https://otambosi.blogspot.com/search?q=PERESTROIKA

 

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Desertor: Comitê Soviético muda silenciosamente a política externaWASHINGTON (AP) _ Um desertor soviético tem contado às agências do governo dos EUA alguns dos segredos internos de um órgão pouco compreendido do Kremlin que desempenha um papel fundamental no mapeamento da política externa soviética. Sob o comando do líder soviético Mikhail S. Gorbachev, o Departamento Internacional do Comitê Central do Partido Comunista mudou de rumo, afrouxando seus laços com partidos marxistas no Ocidente e cultivando relações com outros elementos menos radicais, disse o desertor Evgeny Novikov. 

″Gorbachev começou a promover os princípios de seu 'novo pensamento', para encontrar novos clientes, às vezes à custa de clientes antigos, para encontrar partidos e grupos que têm influência em países capitalistas”, disse Novikov em entrevista recente à Associated Press . A nova abordagem aproximou os laços soviéticos com os grupos ambientalistas e pacifistas americanos e da Europa Ocidental que concordam com a abordagem de Gorbachev ao desarmamento e as tentativas de diminuir a tensão internacional, disse Novikov.

Como seu trabalho no Departamento Internacional se concentrava em assuntos árabes e do Oriente Médio, Novikov se recusou a especular sobre quais grupos ocidentais eram simpáticos à nova abordagem de Gorbachev.

Autoridades de inteligência dos EUA, (...) disseram que a maioria dos grupos dos EUA e da Europa Ocidental eram sofisticados o suficiente para permanecer independentes, mesmo enquanto desenvolviam contatos com autoridades soviéticas conhecidas por estarem ligadas ao Departamento Internacional. 

O Departamento Internacional, para o qual Novikov trabalhou de 1970 até sua deserção no ano passado, foi o sucessor do Comintern, ou Internacional Comunista, ou mais tarde do Cominform, dissolvido por Josef Stalin em 1947. O Comintern era o principal órgão de influência do Kremlin sobre os partidos comunistas fora da União Soviética, um meio de moldar plataformas políticas e recrutar agentes de inteligência, segundo numerosos relatos de desertores. 

Novikov lecionou de 1970 a 1985 no Instituto de Ciências Sociais, que ele descreveu como uma escola secreta dirigida pelo Departamento Internacional em Moscou. Seu trabalho era conduzir seminários de filosofia política para pequenos grupos de estudantes de partidos marxistas no sul do Iêmen, Síria e Iraque e para dois grupos palestinos radicais, a Frente Democrática para a Libertação da Palestina e a Frente Popular para a Libertação da Palestina.   

Na íntegra, em inglês: https://apnews.com/article/7d9f6ee7b59dfcc756bd3a15bf4c785d

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Como a “extrema-direita” não tem isentos cientistas sociais nem estudos para ter observatórios, só podia ser ela o objeto da observação. Jaime Nogueira Pinto https://otambosi.blogspot.com/2021/05/o-lugar-de-onde-se-observa.html

 OLAVO DE CARVALHO - O QUE PUTIN QUER É RESTAURAR O IMPÉRIO RUSSO - Rússia x Ucrânia | Professor Olavo de Carvalho já havia previsto  https://conspiratio3.blogspot.com/2022/03/olavo-de-carvalho-o-que-putin-quer-e.html

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Debate entre Olavo de Carvalho e Aleksandr Dugin - Leitura e comentários – Olavo de Carvalho https://youtu.be/aXOrsPKnRvI

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"O mundo Ocidental como um todo, e os Estados Unidos em particular, se equivocaram seriamente sobre a natureza das mudanças no mundo comunista. Não estamos testemunhando a morte do comunismo, mas uma nova ofensiva estratégica de desinformação." Anatoliy Golitsyn https://conspiratio3.blogspot.com/2018/01/finalmente-republicaram-o-livro.html

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Eu não sei muito sobre a Ucrânia, mais sei, há muito tempo, que a KGB é a mestra da desinformação. Desinformação não é só uma mentira posta para circular nas esferas-alvo, é uma operação complexa, cara, às vezes longamente preparada, envolvendo várias etapas. 

"Por exemplo, a onda de pânico da mídia européia ante a “ameaça neonazista” na Alemanha cessou quando, com a reunificação do país, os documentos da Stasi vieram à tona, mostrando que os principais movimentos neonazistas na Alemanha Ocidental e até alguns nas nações vizinhas eram fantoches criados e subsidiados pelo governo comunista da Alemanha Oriental para despistar operações de terrorismo e assassinatos políticos (o atentado ao Papa João Paulo II foi um caso típico: leiam The Time of the Assassins de Claire Sterling e Le KGB au Coeur du Vatican, de Pierre e Danièle de Villemarest). " https://olavodecarvalho.org/credibilidade-zero/

LIVROS

KGB e a Desinformação Soviética - Ladislav Bittman https://livraria.seminariodefilosofia.org/a-kgb-e-a-desinformacao-sovietica

DESINFORMAÇÃO - A PRINCIPAL ARMA COMUNISTA - ION MIHAI PACEPA
https://conspiratio3.blogspot.com/2016/01/desinformacao-livro-de-ion-mihai-pacepaq.html 

ESTRATÉGIA DA TESOURA - ANATOLIY GOLITSIN (livro MEIAS VERDADES, VELHAS MENTIRAS) https://conspiratio3.blogspot.com/2022/03/um-exemplo-da-estrategia-da-tesoura.html  

SUBVERSÃO: teoria, aplicação, e confissão de um método, de Yuri Aleksandrovich Bezmenov

O livro de Natalie Grant intitulado ‘Disinformation: Soviet Political Warfare, 1917-1991’ oferece-nos percepções adicionais. Há um antigo princípio operacional russo: “simular o que não é, dissimular o que existe”.  https://conspiratio3.blogspot.com/2021/08/jeffrey-nyquist-desinformacao-101.html

O desertor da SVR/KGB Sergei Tretyakov disse ao jornalista Pete Earley,
"Quero alertar os americanos. Como povo, você é muito ingênuo em relação à Rússia e suas intenções. Você acredita que porque a União Soviética não existe mais, a Rússia agora é sua amiga. Não é, e posso mostrar como o SVR está tentando destruir os EUA até hoje e ainda mais do que a KGB fez durante a Guerra Fria."
[x]  https://jrnyquist.blog/2022/07/19/the-inversion-of-jordon-peterson/ 

MAIS EM: https://conspiratio3.blogspot.com/search/label/DESINFORMA%C3%87%C3%83O