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terça-feira, 22 de janeiro de 2019

COMO É A DITADURA NA CHINA? - TERÇA LIVRE - #FernandaSalles





https://youtu.be/_oounk4ySUs

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Olavo de Carvalho Só imbecis presunçosos totalmente desprovidos de cultura marxista podem acreditar em "relações pragmáticas" com Rússia e China. Tanto para o governo russo quanto para o chinês, NADA é independente dos seus planos de expansão imperialista. NADA. O conceito fundamental do marxismo chama-se TOTALIDADE. Isso está infinitamente acima da compreensão de "pragmáticos".
O estudo do marxismo e a compreensão das estratégias comunistas exigem INTELIGÊNCIAS SUPERIORES, não mentes repletas de chavões da moda.



Rafael Fiorott
17 de janeiro às 19:08
Lembro que, quando trabalhei na China, o governo me cadastrou como uma pessoa de interesse, já que eu trabalharia com mapas digitais.
Semanas após a minha chegada, fui submetido a extensos exames para levantar vários aspectos da minha saúde, incluindo formação óssea do corpo inteiro, exames cardíacos, respiratórios, bem como para doenças venéreas e HIV.
Qualquer movimentação de saída e entrada era acompanhada por perguntas pelas autoridades nos aeroportos.
Nossa empresa era objeto de “batidas”, que objetivavam entender que tipo de informação de mapeamento já havíamos coletado.
Toda e qualquer mapa ou informação espacial que buscamos em agências governamentais nos foi fornecido, nas raras oportunidades que tivemos sucesso em obtê-los, somente após a introdução de um erro de localização.
Estas são apenas amostras de como o governo chinês lida com informações sensíveis e dados de inteligência no dia a dia.
Não vou nem entrar no mérito do great firewall, do social score e laogai. Pesquisem.
Aceitar um convite destes com todas as despesas pagas, ficando no hotel que o governo escolheu, é sim de uma bur.., digo, inocência gigante.
Os chineses coletarão informação de inteligência desde o aeroporto. Usou o Wi-Fi do hotel? Parabéns, o governo chinês agora terá os logins de redes sociais e e-mails de todos os parlamentares, que darão acesso à inteligência de tantas outras pessoas do entorno do grupo de apoio do governo.
Sem falar na possibilidade de estarem sendo filmados em seus próprios quartos, também com o objetivo de coleta de inteligência.
Parlamentares do PSL e setor de inteligência do governo Bolsonaro: não vou chamá-los de burros, talvez de ingênuos. Mas, gostem ou não, Olavo tem razão. 
https://olavodecarvalhofb.wordpress.com/2019/01/19/rafael-fiorott%EF%BB%BF/

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A complexa rede de espionagem chinesa no exterior
https://www.epochtimes.com.br/complexa-rede-espionagem-chinesa-exterior/

Entrevista com um sobrevivente do comunismo: “O problema é que a elite ocidental é socialista”
https://www.epochtimes.com.br/entrevista-sobrevivente-comunismo-problema-elite-ocidental-socialista/

Como o espectro do comunismo está governando o nosso mundo – Capítulo 3
Índice
Introdução 1. A origem violenta do governo comunista a. A ascensão dos comunistas soviéticos
b. O Partido Comunista Chinês toma o poder
2. O massacre traiçoeiro da classe trabalhadora a. Eliminando os trabalhadores e camponeses soviéticos
b. O Partido Comunista Chinês segue o modelo soviético
3. A brutalidade do Partido Comunista a. As atrocidades do comunismo soviético
* O gulag, inspiração para os campos de extermínio de Hitler
* A fome causada pelo terror soviético
* O Grande Terror se volta contra a elite soviética
b. As atrocidades do Partido Comunista Chinês
* A Grande Fome Chinesa
* O massacre fanático da Revolução Cultural e o genocídio cultural
* Mal sem precedentes: a perseguição ao Falun Gong
4. Exportando o Terror Vermelho Referências bibliográficas https://www.epochtimes.com.br/como-espectro-comunismo-governa-nosso-mundo-capitulo-3/


"Em seus mais de oitenta anos de história, tudo o que o PCC tocou foi marcado por mentiras, guerras, fome, tirania, massacre e terror. As crenças e os valores tradicionais foram violentamente destruídos. Os conceitos éticos e as estruturas sociais originais foram desintegrados pela força. A empatia, o amor e a harmonia entre as pessoas se evaporaram, vítimas das lutas e do ódio. Veneração e apreço pelos Céus e pela Terra foram substituídos por um desejo arrogante de “lutar contra os Céus e a Terra”. O resultado foi um total colapso do sistema social, moral e ecológico, uma profunda crise para o povo chinês e, de fato, para a humanidade. Todas essas calamidades foram provocadas por meio do planejamento deliberado, organização e controle do PCC."
https://www.epochtimes.com.br/nove-comentarios-partido-comunista-chines-introducao/ 

EPOCH TIMES
https://www.epochtimes.com.br/categoria/china/

Socialistas democratas da américa apoiam a "resistência" comunista do Brasil
Nos anos 80 e 90, a maior organização marxista dos Estados Unidos, os Socialistas Democráticos da América (DSA), desempenhou um papel em trazer um governo marxista ao poder no Brasil. Nos anos 2000, a DSA trabalhou para construir laços entre os Estados Unidos e os movimentos socialistas e trabalhistas brasileiros.
Agora que o novo presidente anticomunista do Brasil, Jair Bolsonaro, está removendo os empreiteiros do governo marxista e reprimindo os elementos esquerdistas e comunistas, a DSA está se unindo à "resistência" anti-Bolsonaro.
A DSA e seus aliados percebem o presidente Donald Trump e o presidente Bolsonaro como inimigos de sua busca pelo socialismo global. Essa causa unificadora está impulsionando os movimentos de resistência dos Estados Unidos e do Brasil para fortalecer os laços.
Mais em:
Democratic Socialists of America Supports Brazil’s Communist ‘Resistance’  
https://www.theepochtimes.com/democratic-socialists-of-america-supports-brazils-communist-resistance_2761995.html

CHINA EXECUTA CONDENADOS E VENDE SEUS ÓRGÃOS
http://conspiratio3.blogspot.com.br/2013/08/china-executa-condenados-e-vende-seus.html

DITADURA COMUNISTA CHINESA ASSASSINA CIDADÃOS PARA RETIRADA DE ÓRGÃOS E OPERA NO MERCADO INTERNACIONAL DE TRANSPLANTES
http://conspiratio3.blogspot.com.br/2014/06/ditadura-comunista-chinesa-assassina.html

CONDE LOPPEUX EXPLICA O SOCIALISMO LIGHT DO PSOL - MILHARES DE EXECUÇÕES SUMÁRIAS POR ANO, CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO, TRÁFICO DE ÓRGÃOS DE PRISIONEIROS, CÁMERAS VIGIAM EM TODA PARTE, ESTADO POLICIAL 
https://conspiratio3.blogspot.com/2019/01/conde-loppeux-explica-o-socialismo.html



"Rudolph Rummel, o demógrafo perito em contabilizar todos os homicídios em massa causados por governos, estimou o total de vidas humanas dizimadas pelo socialismo do século XX em 61 milhões na União Soviética, 78 milhões na China, e aproximadamente 200 milhões ao redor do mundo. Todas essas vítimas pereceram de inanições causadas pelo estado, coletivizações forçadas, revoluções culturais, expurgos e purificações, campanhas contra a renda não-merecida, e outros experimentos diabólicos envolvendo engenharia social."
https://www.mises.org.br/ArticlePrint.aspx?id=2795


A psicose da Revolução Cultural trouxe assassinato e canibalismo a esta pequena cidade na China
“O canibalismo não foi causado por questões econômicas, foi oriundo de eventos políticos, ódio político, ideologias políticas, rituais políticos”
https://www.epochtimes.com.br/a-psicose-da-revolucao-cultural-trouxe-assassinato-e-canibalismo-a-esta-pequena-cidade-na-china 



sábado, 5 de outubro de 2013

CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO DA CORÉIA DO NORTE - Fuga do Campo 14 - A odisséia de Shin Dong-Hyuk



http://youtu.be/mfEyUASGH7w (Clique em ativar legendas)

 Ouça a história surpreendente de fuga de Shin Dong-Hyuk do notório Campo de concentração número 14, ainda quase desconhecida na Coreia do Norte, onde Shin nasceu e viveu 23 anos antes de uma fuga de tirar o fôlego.

O Jornalista Blaine Harden trabalha atualmente para PBS Frontline e é um contribuinte para a Economist. Ele tem uma longa e distinta carreira como correspondente estrangeiro para o Washington Post na Ásia, Europa Oriental e África, e como correspondente nacional para o New York Times. Ele recebeu inúmeros prêmios de jornalismo e seu mais recente livro, "Escape from Camp 14", é um best-seller internacional.

Transcrição, tradução e sincronização de Johnny Jonathan

Original: http://www.youtube.com/watch?v=8SAWKD...

Portal Libertarianismo: "Evoluindo Ideias e Indivíduos."
www.libertarianismo.org

TRANSCRIÇÃO:
Sou jornalista há 32 anos,e vou contar a vocês a história mais triste que já ouvi.Dentro do Campo 14, o interno Shi Don-hyuk de 13 anos traiu sua família.
Era tarde da noite, ele deveria estar dormindo mas escutou sua mãe e seu irmão conversando sobre um plano de fuga do campo.
As regras do Campo 14 são claras. Se você tenta escapar, você é morto. Se você ouve alguém falando sobre escapar, e você não relata, você é morto. 
Shin saiu da cama, disse a sua mãe que ia ao banheiro, foi para fora e encontrou um guarda. Enquanto ele delatava, pedia mais comidae trabalho menos árduo. 
Uns sete meses depois, ele foi levado ao local de execução dentro do campo. Um lugar que ele visitava duas vezes por ano desde os cinco anos de idade. Lá todos do campo eram reunidos.
Naquela época havia 20.000 pessoas no Campo 14. Ele foi levado à primeira fila e testemunhou o fuzilamento de seu irmão e o enforcamento de sua mãe. Antes de morrer, sua mãe tentou estabelecer um contato visual com ele. Ele recusou-se a olhar para ela. Por dez anos, ele não sentiu culpa do seu papel na morte de seu irmão e de sua mãe. 
Nas histórias de sobreviventes de campos de concentração, há este clássico enredo narrativo. O protagonista é levado por forças de segurança de seu lar aconchegante e de sua família amorosa. 
Uma das mais famosas histórias, tenho certeza que já leram é de Elie Wiesel, chamada "A Noite". Neste livro, ele descreve que, depois de toda sua família morrer nos campos de extermínio nazistas, ele estava só. Terrivelmente só. Em um mundo sem homem, sem Deus, sem amor, sem piedade.
A história de Shin é ainda pior. Palavras como amor, piedade, família para ele não significavam nada.Deus não desapareceu ou morreu. Shin nunca ouviu falar dele.
Em "A Noite", Wiesel escreve que o conhecimento de um adolescente sobre maldade deveria vir de livros. No Campo 14, Shin viu apenas um livro, a gramática coreana nas mãos de seu professor. Um homem de uniforme com uma arma na cintura e que bateu num dos colegas de Shin até a morte com uma vara de quadro negro.
Shin não abandonou a civilização e desceu ao inferno. De maneira excepcional entre todos os sobreviventes de campo de concentração sabemos, ele nasceu lá. Ele aceitava as regras. Ele considerava o campo sua casa. De modo bem claro, Shin era uma criaçãodos guardas do Campo 14. Eles eram literalmente, criadores dele. Eles escolheram seus pais, que eram jovens no campo e ordenaram que fizessem sexo. Ele foi criado principalmente pelos guardas. Tinha um mau relacionalmento com sua mãe. Ele foi criado pelos guardas, para delatar seus pais e amigos. 
Era um longo experimento comportamental executado pelo aparato de segurança da Coreia do Norte. E que continua até hoje. As regras são bem simples. Quanto mais você delata, mais você come.
Deixem-me perguntar, quantos de vocês sabiam que havia campos de concentração na Coreia do Norte antes de eu começar a falar? Bem, existem seis deles. Entre quatro e seis. Estão lá de 135.000 a 200.000 pessoas. Metade são parentes de inimigos políticos, assim vistos, pelo estado.
PARENTES.
O modo de justiça da Coreia do Norte trabalha com a punição coletiva. Se eu disser que meus líderes são estúpidos e corruptos meus filhos e meus pais iriam comigo ao campo como o Campo 14, e comeriam uma dieta de milho, repolho e sal, trabalhariam até a morte.
Esses campos existem há meio século. São visiveis no Google Earth, podem vê-los em seus smartphones. A Coreia do Norte nega, oficialmente nega suas existências. A Coreia do Norte não inventou estes campos. Eles foram inventados desta forma por Stalin. Mas, quando Stalin morreu na ex-União Soviética, os campos morreram também. Entretanto, na Coreia do Norte, os campos sobreviveram à morte do primeiro ditador, sobreviveram à morte de seu filho,e prosperam na atual terceira geração do lider totalitário, Kim Jong Un. Que está com 28,29 anos de idade. Por coincidência, ele tem a mesma idade de Shin.
Vocês podem ver no slide que estes campos perduram o dobro de tempo que os campos da União Soviética, e doze vezes mais que os campos da Alemanha de Hitler. Parece que a Coreia do Norte não perdeu seu apetite de ser cruel com o seu próprio povo. Eles são tão cruéis agora quanto há 50 anos atrás. Os campos são operados quase da mesma forma. 
A história de Shin é um estudo de caso desta crueldade.
Ele é o único, o único até agora, nascido e criado nesses campos a ter saído de lá e contado a história. Mas a história dele é mais do que um conto de um sadismo patrocinado pelo estado. É uma aventura fugitiva e uma história sobre resiliência do espírito humano.
Os guardas do Campo 14 levaram 23 anos tentando tornar Shin em um escravo obtuso e fácil. Eles falharam. Eles falharam porque ele teve muita sorte quando tinha 23 anos de idade.
Um recém-chegado veio para o campo, e ele havia sido criado em Pyongyang. Um membro da elite. Foi educado na ex-União Soviética. O trabalho de Shin era ensinar Park, este era seu nome, como reparar máquinas de costura na fábrica de uniformes. Shin deveria delatar o que Park pensava sobre a liderança e então reportar ao seu superior. Pela primeira vez na vida, em vez de delatar, Shin escutou o que Park tinha a dizer.
Park contou a ele - contou novidades a ele, que o mundo era redondo, o que era uma novidade para Shin. Ele contou que Estados Unidos, Coreia do Sul e China existiam. Mas, ele também disse algo que despertou o interesse de Shin. Ele disse "Se você sair daqui, desse campo, e for a China, você pode comer carne grelhada". Foi isto que despertou o interesse de Shin (Risos) Ele começou a sonhar com carne grelhada. 
Algumas semanas depois Shin perguntou a Park sobre fugirem juntos. Park concordou. Em 2 de janeiro de 2005, eles foram em direção à cerca. A cerca elétrica. A cerca elétrica que cercava o campo. Shin deveria cuidar desta tentativa de fuga dentro do campo. Ele deveria chegar à cerca primeiro. Park, tendo mais conhecimento do mundo exterior, guiaria ambos para China.
Infelizmente, enquanto corriam para a cerca, em uma fria noite na montanhas com neve, Shin escorregou e caiu de cara na neve e Park chegou na cerca primeiro. Ele foi eletrocutado na cerca. Apesar disso,Shin não hesitou. Ele engatinhou sobre o corpo queimado e fugiu. O guia para o mundo exterior daquela tentativa de fuga infelizmente morreu na cerca. Mas Shin, em uma combinação de sorte, mantendo sua boca calada e perspicácia, conseguiu sair da Coreia do Norte em 30 dias.
Por um ano e meio andou pela China e achou seu caminho para Coreia do Sul. Dois anos depois ele estava vivendo no Sul da California. Comendo no In-N-Out Burger, considerado o melhor hamburguer dos Estados Unidos.
E ele trabalhou para LINK, "Liberdade na Coreia do Norte"
como voluntário de direitos humanos. Mas, ele não é uma pessoa feliz fora do campo. Ele está lutando para entender o que significa ser livre. Ele diz que está fisicamente fora, mas psicologicamente dentro do arame farpado. Uma das coisas que me disse é que está evoluindo da condição de animal para ser humano. Mas está sendo bem, bem lento. Muito lento. Ele ainda sonha com a morte de sua mãe.
O terrível de tudo é que a história de Shin não é um conto de horror isolado. Os outros dois grandes problemas de ajustamento que vão acontecer.Hoje há 24.000 norte coreanos vivendo na Coreia do Sul. A maioria deles vieram nos últimos 12 anos. A maioria deles foram examinados por psiquiatras e psicólogos do governo da Coreia do Sul que disseram que, praticamente todos são clinicamente paranóicos, um ajuste de conduta útil para a vida na Coreia do Norte, um lugar cheio de agentes de segurança
mas eles têm muitas dificuldades em se adaptar a vida moderna.
Têm muitas dificuldades em distinguir criticismo de traição. E há 24 milhões de norte coreanos que, se o Estado entrar em colapso, terão que enfrentar esses problemas de ajustamento.
Ninguém pensa que a Coreia do Norte está a ponto de entrar em colapso, mas governos totalítários não duram para sempre.(?) E, um dia, todas essas pessoas enfrentarão o que Shin enfrenta. 
Bem, a razão de Shin em me contar esta história horrível foi porque ele quer que vocês saibam que esses campos ainda estão em operação. Eles ainda criam crianças. Eles ainda as ensinam a trair seus pais. Ele não acredita que saber disso irá derrubar a Coreia do Norte. Mas, ele se humilhou ao me contar sua história e está viajando o mundo contando-a, porque ele acredita que conhecimento é melhor que ignorância. 
Muito obrigado.


Book trailer do livro "Fuga do Campo 14", de Blaine Harden. Lançamento em abril de 2012 pela Intrínseca.
DESENHOS DO GULAG
http://darussia.blogspot.com.br/2012/07/gulag-por-danzig-baldaev.html
 http://trinixy.ru/64803-risunki-iz-gulaga-danziga-balaeva-polnaya-versiya.html  

PESADELO CHINÊS
http://pesadelochines.blogspot.com.br/

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Fuga no campo 14 (Coréia do Norte) - Blaine Harden 
http://youtu.be/IYiEPUgpYZM  

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Coreia do Norte: Onde está o poderoso tio de Kim Jong-un?
 http://www.youtube.com/watch?v=wNDTodWRCVw

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A HORA DA GUILHOTINA

No totalitarismo não basta fuzilar; é preciso difamar, humilhar e mostrar...
O que sente um poderoso no momento em que despenca do topo da pirâmide e sabe que tudo está perdido? A cena extraordinária em que o segundo homem mais importante do regime da Coreia do Norte, Jang Song-thaek, é retirado por dois militares de seu lugar bem na primeira fileira do comitê central do Partido Comunista e levado para a antessala do pelotão de fuzilamento pode ser lida menos pela reação do expurgado, tio por afinidade do ditador hereditário Kim Jong-un, e mais pelo rosto congelado daqueles à sua volta. Todos  querem olhar, mas não podem demonstrar interesse excessivo. As cabeças giram quase que em ângulos semelhantes – só o medalhado à frente faz a rotação completa. O ex-poderoso vivia “mergulhado em irregularidades e corrupção, tinha relações impróprias com várias mulheres, comia e bebia em salões privados e restaurantes de luxo”. Depois do fuzilamento, foi apresentado como triplamente traidor e “escória humana desprezível, pior do que um cachorro”.
Em outro clássico do totalitarismo, na obrigatória confissão Jang diz que “ia dar um golpe usando oficiais do Exército ligados a mim” e esperava mais adesões. Como em outros capítulos infames da história mundial dos expurgos, o recado, portanto, é dirigido ao público interno. Tal como um Nero mandando o mentor Sêneca ao suicídio, o jovem Kim se sente suficientemente poderoso para reinar por conta própria? Ou está tão fraco que precisa usar de uma brutalidade inédita até para os padrões norte-coreanos? Em qualquer hipótese, inimigos, amigos e suspeitos em geral sabem que não terão direito nem ao “obrigado, senhor” que Robespierre, o grande guilhotinador da Revolução Francesa, disse a um homem que lhe deu um lenço para enxugar o sangue do rosto antes de perder ele próprio a cabeça.
Vilma Gryzinski – Panorama 

Fonte:  Veja – Edição 2352.

COMUNISMO, SUA NATUREZA DESUMANA, DO PRINCÍPIO AO FIM, E A NOVA ORDEM MUNDIAL http://youtu.be/yiHGrwxwDCY

 


 
TÉCNICA DA ATOMIZAÇÃO SOCIAL

O TOTALITARISMO (COMUNISMO, NAZISMO) PRECISA ELIMINAR TODOS OS LAÇOS SOCIAIS E FAMILIARES - HANNAH ARENDT  https://conspiratio3.blogspot.com/2020/08/o-totalitarismo-precisa-eliminar-todos.html

 
Desde os tempos antigos, a imposição da igualdade de condições aos governados constituiu um dos principais alvos dos despotismos e das tiranias, mas essa equalização não basta para o governo totalitário, porque deixa ainda intactos certos laços não políticos entre os subjugados, tais como LAÇOS DE FAMÍLIA e de interesses culturais comuns. O totalitarismo deve chegar ao ponto em que tem de acabar com a existência autônoma de qualquer atividade que seja, mesmo que se trate de xadrez. Os amantes do “xadrez por amor ao xadrez”, adequadamente comparados por seu exterminador aos amantes da “arte por amor à arte”, demonstram que ainda não foram absolutamente atomizados todos os elementos da sociedade, cuja UNIFORMIDADE INTEIRAMENTE HOMOGÊNEA É CONDIÇÃO FUNDAMENTAL PARA O TOTALITARISMO.

A atomização da massa na sociedade soviética foi conseguida pelo uso de repetidos expurgos que invariavelmente precediam o verdadeiro extermínio de um grupo. A fim de destruir todas as conexões sociais e familiares, os expurgos eram conduzidos de modo a ameaçarem com o mesmo destino o acusado e todas as suas relações, desde meros conhecidos até os parentes e amigos íntimos. A “culpa por associação” é uma invenção engenhosa e simples; logo que um homem é acusado, os seus antigos amigos se transformam nos mais amargos inimigos: para salvar a própria pele, prestam informações e acorrem com denúncias que “corroboram” provas inexistentes. Em seguida, tentam provar que a sua amizade com o acusado nada mais era que um meio de espioná-lo e delatá-lo como sabotador, trotskista, espião estrangeiro ou fascista. Uma vez que o mérito é “julgado pelo número de denúncias apresentadas contra os camaradas”, é óbvio que a mais elementar cautela exige que se evitem todos os contatos íntimos com aqueles que sejam obrigados, pelo perigo da própria vida, à necessidade de arruinar a de outrem. Em última análise, foi através do desenvolvimento desse artifício, até os seus máximos e mais fantásticos extremos, que os governantes bolchevistas conseguiram criar uma sociedade atomizada e individualizada como nunca se viu antes, e a qual nenhum evento ou catástrofe poderiam por si só ter suscitado.

Os movimentos totalitários são organizações maciças de indivíduos atomizados e isolados. Distinguem-se dos outros partidos e movimentos pela exigência de lealdade total, irrestrita, incondicional e inalterável de cada membro individual. Essa exigência é feita pelos líderes dos movimentos totalitários mesmo antes de tomarem o poder e decorre da alegação, já contida em sua ideologia, de que a organização abrangerá, no devido tempo, toda a raça humana. Contudo, onde o governo totalitário não é preparado por um movimento totalitário (como foi o caso da Rússia em contraposição com a Alemanha nazista), o movimento tem de ser organizado depois, e as condições para o seu crescimento têm de ser artificialmente criadas de modo a possibilitar a lealdade total que é a base psicológica do domínio total. Não se pode esperar essa lealdade a não ser de seres humanos completamente isolados que, desprovidos de outros laços sociais — de família, amizade, camaradagem — só adquirem o sentido de terem lugar neste mundo quando participam de um movimento, pertencem ao partido. 

A lealdade total só é possível quando a fidelidade é esvaziada de todo o seu conteúdo concreto, que poderia dar azo a mudanças de opinião. Os movimentos totalitários, cada um ao seu modo, fizeram o possível para se livrarem de programas que especificas sem um conteúdo concreto, herdados de estágios anteriores e não totalitários da sua evolução. Por mais radical que seja, todo objetivo político que não inclua o domínio mundial, todo programa político definido que trate de assuntos específicos em vez de referir-se a “questões ideológicas que serão importantes durante séculos” é um entrave para o totalitarismo.

O verdadeiro objetivo do fascismo era apenas a tomada do poder e a instalação da “elite” fascista no governo. Já o totalitarismo jamais se contenta em governar por meios externos, ou seja, através do Estado e de uma máquina de violência; graças à sua ideologia peculiar e ao papel dessa ideologia no aparelho de coação, o totalitarismo descobriu um meio de subjugar e aterrorizar os seres humanos internamente.

Referência: Hannah Arendt, "Origens do Totalitarismo" pgs 287-291
 


segunda-feira, 13 de maio de 2013

O EX-REVOLUCIONÁRIO DOSTOIEVSKY CONTA TUDO EM "OS DEMÔNIOS"

Dostoievsky publicou "OS DEMÔNIOS" em capítulos, num jornal para todos lerem, mais de 40 anos antes da revolução comunista tornar a Rússia num totalitarismo de esquerda. Mas, assim como Saint Germain, que tentou evitar a carnificina na França e não foi acreditado, parece que Dostoievsky não foi levado a sério. O que lembra muito nossa época...
Seguem excertos da obra:


    Pelo que compreendi — e era impossível não o compreender — o senhor, uma vez, de início, e outra vez mais tarde falou com bastante eloqüência — embora por demais teóricamente — da vasta rede que cobre a Rússia inteira e da qual nosso grupo é uma das malhas. Cada um desses grupos, fazem prosélitos e se ramificando até ao infinito, por meio de uma propaganda sistemática, deve sabotar o poder das autoridades locais, espalhar a desordem pelo campo, provocar escândalo, estimular o cinismo e a incredulidade, suscitar o desejo de um melhor destino, e enfim, recorrer aos incêndios como a um método eminentemente popular para, no momento oportuno, mergulhar o país no desespêro. Serão essas exatamente as suas palavras? Procurei gravá-las todas. Não é esse o programa que nos comunicou como delegado de um tal de Comitê Central que nós ainda não conhecemos e que nos parece quase fantástico? 
    Povo nenhum, disse ele, como se lesse num livro, fixando Stravróguin com olhar ameaçador, povo nenhum pôde jamais se organizar sôbre a terra em bases científicas e racionais; povo nenhum o conseguiu, salvo talvez pela duração dum instante, e por estupidez pura. O socialismo na sua essência é ateu, porque proclamou desde o início que se propõe a edificar a sociedade unicamente na ciência e na razão. Por tôda a parte e sempre, desde o comêço dos tempos, a razão e a ciência só desempenharam na existência dos povos um papel subalterno, a serviço da vida; e assim será sempre, até o fim dos séculos. Os povos se constituem e se desenvolvem movidos por uma fôrça diferente, uma fôrça soberana, cuja origem se mantém desconhecida e inexplicável. Essa fôrça é o desejo inextinguível de atingir um fim e ao mesmo tempo a negação dêsse fim. Essa força é a afirmação persistente e infatigável do ser e a negação da morte. É o espírito da vida, como diz a escritura, "as fontes de águas vivas", como diz a Escritura, com cuja extinção nos ameaça tanto o Apocalipse.
*
Acontecia que ele sabia de muito;  e assim, conseguiu mudar a feição do, caso todo: a tragédia de Chátov e de Kiríllov, o incêndio, a morte irmãos Lebiádkin, —  tudo isso passou para o segundo plano, cedendo  lugar a Piótr Stepánovitch, à sociedade secreta, à organização, à rêde. Quando lhe fizeram esta pergunta: Por que tantos crimes, esses escândalos, essas misérias? —  Liámchin imediatamente retrucou: — Afim de abalar o govêrno nas suas bases, a fim de apressar a decomposição da sociedade, a fim de desanimar todos e inocular nos espíritos a desordem. Depois nos teríamos apoderado, dessa sociedade caótica, doente, abandonada, cínica e cética,  mas que aspira submeter-se a qualquer idéia diretriz; teríamos  brandido o estandarte da revolta, apoiando-nos na rede de grupos de Cinco, que por seu lado agiriam promovendo a propaganda, estudando os pontos fracos do adversário e os meios práticos de o combater.
Declarou ele, afinal, que aquilo que se registrara entre nós não passava duma tentativa inicial de desordem sistemática, de certo modo representava o programa que deveriam seguir os grupos fundados por Piótr Stepánovitch. Pelo menos era essa a sua opinião — dêle, Liámchin. E insistiu em que "fossem levadas em conta as suas palavras, a franqueza, a precisão com que expusera todo o caso, o que bem mostrava quão grandes serviços poderia prestar às autoridades".
Anta a pergunta direta: "Há muitos grupos de Cinco, na Rússia?" respondeu que eram inúmeros esses grupos e cobriam com sua rede a nação inteira. Não apresentou nenhuma prova apoiando suas declarações, mas creio que era sincero quando assim falava. Limitou-se a expor o programa da sociedade, impresso no estrangeiro, e um projeto de desenvolvimento da sua ação, escrito pelo punho de Piótr Stepánovitch. Verificou-se que, falando em "abalar as bases", Liámchin citara textualmente um trecho desse documento, sem omitir um ponto ou uma vírgula — coisa entretanto que não o impedira de reivindicar como sua essa idéia . 
 *
    Hum! se a Babilônia européia ruir, será realmente uma grande catástrofe. (Estou de acôrdo com os senhores, a respeito — embora creia que ela há de durar tanto quanto eu. Enquanto que aqui na Rússia, afinal de contas, que é que pode ruir?... Não assistiremos a um desabar de pedras, porque tudo se há de liquefazer : será um dilúvio de lama. A Santa Rússia é absolutamente incapaz de oferecer qualquer resistência a quem quer que seja. Graças ao deus russo, o povo ainda se mantém mais ou menos sossegado ; mas segundo as últimas notícias, o deus russo não é suficientemente sólido e a libertação dos servos quase o derruba; pelo menos, abalou-o de rijo. E além disso há as estradas de ferro, há os senhores... E quanto ao deus russo, absolutamente não creio nele. 
    E no deus europeu? 
    Não creio em deus nenhum. Fui caluniado perante a mocidade russa. Sempre estive de coração ao seu lado. Mostraram os manifestos que são distribuídos por cá. São documentos que deixam os indivíduos perplexos, porque o seu tom assusta as almas; mas todo o mundo inconscientemente está convencido do poder de ação deles. Já há muito tempo que tudo vai deslizando para o abismo, e já há muito tempo é sabido que ninguém se poderá agarrar a nada. E tenho certeza absoluta do êxito dessa propaganda, porque sei que a Rússia é por excelência o país onde tudo pode acontecer, sem encontrar a mínima resistência. Compreendo muitíssimo bem por que os russos que possuem alguns bens transpõem as fronteiras, em número considerável, cada ano. É simplesmente o instinto que os guia. Quando um navio vai afundar, os ratos são os primeiros que o abandonam. A Santa Rússia é um país de casas de madeira, um país miserável e... e perigoso ... um país de mendigos: mendigos vaidosos nas camadas superiores, mas cuja imensa maioria vive nas isbás, de paredes inseguras. Ficariam satisfeitos com qualquer saída — e bastaria que essa saída fôsse indicada. Só o govêrno ainda quer resistir, mas maneja o gládio a torto e a direito e fere justamente os seus. Aqui tudo é julgado e condenado; a Rússia, tal como é, não tem futuro. Tornei-me alemão, e honro-me com isso. 
    0 senhor começou falando nas proclamações. Diga-me o que pensa a respeito delas. 
    Todo o mundo está com medo; portanto, elas execem grande ação. Descobrem francamente a mentira, e demonstram que, entre nós, nada existe a que nos agarremos, nada em nos amparemos. Esses manifestos falam alto, quando todos se calam. Sua fôrça (não obstante a sua forma) é a audácia inaudita com que encaram de frente a verdade. E essa faculdade de encarar de frente a verdade pertence apenas à atual geração russa. Não, na Europa ainda não são tão atrevidos: o edifício europeu é feito de pedra, e ainda tem onde se arrimar. Pelo que vejo, e tanto quanto posso julgar, a idéia revolucionária russa consiste essencialmente na negação da honra. E agrada-me ver êsse pensamento expresso com tanta coragem, com tanta ousadia. Não, na Europa não se compreenderia ainda tal idéia, e entre nós, porém, é exatamente sôbre ela que todos se hão de se precipitar. Para a Rússia, a honra não passa dum fardo inútil, tem sido assim em todos os tempos, no decorrer de toda a sua história. Será portanto fácil seduzi-la, e arrastá-la proclamando o "direito à desonra". Pertenço à velha geração e confesso que ainda sou partidário da honra; mas isso é apenas um hábito. Aferro-me ainda às velhas fórmulas; admitamos que isso seja uma fraqueza de minha parte: é mister porém morrer com os princípios aos quais nos apegamos a vida inteira...
 * 
    Como foi então que você se arranjou para espalhar ai, os manifestos? 
    Na reunião aonde vamos, não haverá senão quatro filiados. Os outros estão à espera, espionam-se reciprocamente e me relatam tudo. Pode-se contar com êles. É uma matéria bruta que é mister organizar, e depois veremos. Ademais, foi você próprio quem organizou os estatutos ; é pois inútil dar-lhe explicações. 
    E então o trabalho anda? Poucas dificuldades? 
    Se anda! Não poderia andar melhor ! Vou fazê-lo rir : o melhor método de ação é o uniforme. Não há nada mais poderoso que o uniforme. Invento de propósito títulos e funções : instituo secretários, emissários secretos, tesoureiros, presidentes, registradores e adjuntos. Isto agrada muitíssimo aos camaradas que aceitam os cargos, honradíssimos. Depois, é claro, vem ainda o sentimentalismo. Você sabe que o êxito do socialismo é em grande parte devido ao sentimentalismo. A desgraça é que às vezes a gente se vê a braços com um subtenente hidrófobo, que se põe a morder. Em seguida, estão os simples canalhas; bons sujeitos, aliás, que podem vir a ser utilíssimos ; mas perde-se com eles muito tempo, porque é preciso vigiá-los bem. Enfim, a fôrça principal, o cimento que liga tudo, é o temor da opinião. Que fôrça que isso é! Vivo perguntando a mim próprio a quem (devemos nós ser gratos por ter tão habilmente manobrado os espíritos ; ninguém tem mais uma idéia própria, aqui. Eles teriam vergonha de pensar por si próprios. 
    Se é assim, por que você se afadiga tanto? 
    Como deixar de se aproveitar da situação? Como não nos apoderarmos daquele que nos estende os braços? Será que realmente você não acredita na vitória? Tem fé, mas o que lhe faz falta é a vontade de agir. Sim, é justamente com gente dessa espécie que é possível vencer. Sou eu que lhe digo : atiram-se ao fogo, se for necessário ; bastar-me-á, para isso, censurar-lhes a tibieza das suas convicções. Os imbecis me acusam porque enganei todo o mundo com o meu "Comitê Central" e suas "infinitas ramificações" ; você mesmo fez-me um dia essa censura. Pois não enganei ninguém: o Comitê Central somos você e eu; quanto às ramificações, teremos tantas quantas quisermos. 
    Mas só a ralé? 
    É o material. Serve para qualquer coisa.
     
* 
    Como me consagrei inteiramente ao estudo da organização que no futuro deverá substituir a nossa, continuou Chigalióv — cheguei à convicção de que todos os criadores de sistemas sociais, desde os tempos mais recuados até nossos dias, foram sonhadores, visionários, tolos, que se contradiziam a si próprios e nada entendiam de ciências naturais, nem desse estranho animal que se chama o homem. Platão, Rousseau, Fourier, não passam da colunas de alumínio; servem apenas para pardais, e não para homens. E como as formas sociais do futuro devem ser fixadas precisamente agora, e já que afinal estamos decididos a iniciar a ação, sem mais delongas, proponho o meu sistema de organização mundial. Ei-lo — declarou batendo no caderno. Queria expor-lhes o meu livro tão sucintamente quanto fosse possível ; mas vejo que me será preciso acrescentar algumas explicações verbais. Minha exposição exigirá pelo menos dez reuniões, de acôrdo com o número de capítulos do livro. (Houve algumas risadas.) Ademais, devo preveni-los de que o meu sistema ainda não está concluído. (Novos risos.) Embrulhei-me com meus próprios dados e a conclusão está em contradição direta com a idéia fundamental do sistema. Partindo da liberdade ilimitada cheguei ao despotismo ilimitado. Faço notar, entretanto, que para o problema social, não pode haver outra solução senão a minha.
(...)
    O Sr. Chigalióv dedicou-se inteiramente à sua tarefa e ademais é excessivamente modesto. Conheço o seu livro. Para resolver definitivamente a questão social, propõe êle que se divida a sociedade em duas partes desiguais. A um décimo será outorgada liberdade absoluta, e autoridade ilimitada sobre os outros nove décimos que deverão perder a personalidade, convertendo-se num rebanho; mantidos numa submissão sem limites, passando por uma série de transformações, atingirão o estado de inocência primitiva, qualquer coisa como o Éden primitivo — sendo embora obrigados ao trabalho. As medidas preconizadas pelo autor a fim de despojar de sua vontade os nove décimos da humanidade e transformá-los em rebanho, por meio da educação, são notabilíssimas; baseadas nos dados das ciências naturais, são inteiramente lógicas. Pode-se deixar de aceitar certas conclusões, mas é impossível negar a inteligência e os conhecimentos do autor. É lamentável que, em vista das circunstâncias, não lhe possamos conceder os dez serões que ele exige, porque decerto ouviríamos coisas interessantíssimas.
    Será possível que o senhor leve a sério esse homem que, sem saber o que fazer da humanidade, lhe reduz nove décimos à escravidão? perguntou ao coxo a Senhora Virguínskaia, inquieta. Já há muito tempo que ele me parecia suspeito. 
    E além disso, trabalhar para aristocratas e lhes prestar obediência como se fossem deuses, é uma covardia, disse a estudante indignada. 
    O que proponho não é nenhuma covardia — é o para o paraíso terrestre, e não pode haver nenhum outro, concluiu Chigalióv, autoritário. 
    Pois eu, bradou Liámchin, em vez de organizar o paraíso terrestre, se não soubesse o que fazer dos restantes nove décimos da humanidade, dava cabo dêles, e só deixaria viver um punhado de indivíduos instruídos, capazes de viver pacificamente, de acôrdo com os princípios científicos. 
    Só um palhaço é capaz de falar assim! protestou a rapariga.
    Ele é mesmo um palhaço, mas útil, murmurou a Senhora Virguínskaia ao ouvido da estudante.

    Talvez fosse realmente essa a melhor solução do problema interveio Chigalióv, volvendo-se ràpidamente para Liámchí Talvez não saiba que acaba de dizer uma coisa profundíssima senhor palhaço. Mas como sua idéia é quase irrealizável, temos que nos contentar com o paraíso terrestre — já que é mister chamá-lo assim. 
    Quanta asneira! deixou escapar Verkhovénski malgrado seu; não levantara a cabeça e continuava a cortar as unhas, indiferente.
    Asneiras, por quê? retrucou imediatamente o coxo, como se não esperasse senão um momento propício a fim de atacar Piótr Stepánovitch. Asneiras, por quê? O amor do Sr. Chigalióv pela humanidade é um pouco fanático; mas lembre-se de que Fourier, e sobretudo Cabet, e até mesmo Proudhon, mostraram-se partidários de certas soluções extremamente despóticas e à primeira vista, fantasistas. E o Sr. Chigalióv é talvez mais razoável que eles. Garanto aos senhores que depois da leitura do livro de Chigalióv, é quase impossível deixar de admitir algumas das suas idéias. Ele afastou-se do realismo menos talvez que os outros, e o seu paraíso terrestre é quase um paraíso autêntico — o paraíso com que sonham os homens, depois de o perderem — se é que jamais o possuíram.
    Bem que eu previa que iria ouvir uma coisa mais ora menos dêsse gênero, resmungou novamente Verkhovénskii.

    Com licença! gritou o coxo cada vez mais furioso. Atualmente tornou-se quase uma necessidade para os indivíduos que pensam discutir a organização futura da humanidade. Durante a vida inteira, Herzen não cuidou senão disso e sei de fonte e limpa que Bielínskii passava noites inteiras a discutir a questão social com os amigos, resolvendo os mínimos pormenores — os detalhes de "cozinha", por assim dizer, da sociedade futura.
Houve até gente que ficou doida, observou o major. 
— E discutindo, é possível chegar-se a um resultado qualquer, coisa melhor do que ficar calado, fazendo-se de ditador, disse Lipútin em voz sibilante, arriscando-se afinal a atacar. 
— Quando falei que isso tudo eram asneiras, não visava absolutamente Chigalióv, explicou com displicência Verkhovenskii. Escutem, senhores, prosseguiu ele, erguendo um pouco os olhos — na minha opinião, todos esses livros, Fourier, Cabet, "o direito ao trabalho", as idéias de Chigalióv, são idênticos aos milhares de romances que diàriamente aparecem: um passatempo estético! Compreendo que, entediados, nesta cidadezinha, os senhores se distraiam rabiscando papel.
    Com licença! tornou o coxo agitando-se na cadeira. Nós somos apenas uns provincianos, é verdade, e por conseqüência, dignos de dó; mas, não nos consta que haja aparecido no mundo nada de extraordinàriamente sensacional, e portanto não vale a pena lamentar a nossa ignorância. Certos manifestos, de origem estrangeira, convidam-nos a reunir os nossos esforços com o fito de tudo destruir — pois que, faça-se o que se fizer, a fim de curar a sociedade, nada se conseguirá; e cortando-se cem milhões de cabeças, simplifica-se a situação e pode-se transpor o fosso. Idéia excelente, decerto, mas tão irrealizável quanto a de Chigalióv, que o senhor atira fora com tanto desdém !
    Tudo isso está muito bem, mas não vim cá discutir, articulou descuidosamente Piótr Stepánovitch; e aproximou de si a vela, como se não se apercebesse da gafe que cometera. 
    É lamentável, é lamentabilíssimo que o senhor não tenha vindo cá para discutir; e é pena também que esteja tão ocupado agora com a sua toalete.
    Que lhe importa a minha toalete? 
    É tão difícil cortar cem milhões de cabeças quanto modificar o mundo pela propaganda; talvez o seja ainda mais difícil, sobretudo na Rússia, observou Lipútin, novamente se arriscando.
    Todas as esperanças repousam agora na Rússia, disse um dos oficiais.
    Sim, parece que colocam nela grandes esperanças, replicou o coxo. Nós sabemos que um dedo misterioso apontou para a nossa linda pátria como o país mais capaz entre todos de realizar essa grande obra. Mas eis um reparo meu : mesmo que o problema social seja gradualmente resolvido pela propaganda, sempre hei de ganhar qualquer coisa: primeiro a possibilidade de conversar agradavelmente e segundo a recompensa com que o futuro govêrno reconhecerá os serviços que terei prestado à causa social. Mas no caso de uma solução imediata, se se corta um milhão de cabeças, pessoalmente, que hei de ganhar? Põe-se ti gente a fazer propaganda e arrisca-se a que nos cortem a língua.
— A sua será cortada, com toda certeza, disse Verkhovénskii.
    Está vendo, então. E como nas mais favoráveis circunstâncias, os senhores não poderão realizar esse massacre em menos de cinqüenta anos — em trinta, digamos — (pois não se trata de carneiros, e talvez as vítimas não se mostrem dóceis), não seria melhor arrumar a bagagem, e ir viver longe, em alguma ilha sossegada, e acabar a vida em paz? Creia-me! e deu um murro na mesa 
— sua propaganda fará apenas estimular a emigração e mais nada.
Estava triunfante. Era uma das maiores cabeças da província. Lipútin sorria, com ar de acôrdo. Virguínskii parecia bastante, abatido; os outros acompanhavam a discussão com enorme interesse, especialmente as senhoras e os oficiais. Todos compreendiam que o degolado dos cem milhões de cabeças estava encurralado; esperava-se agora o fim.
    Devo dizer que você acaba de enunciar uma idéia bastante justa, falou Verkhovénskii em tom ainda mais indiferente, o até mesmo com certo tédio. Emigrar — é excelente idéia. entretanto, a despeito das desvantagens evidentes que pressente, os soldados que abraçam a nossa causa cada dia são maio numerosos; dispensaremos os senhores. Trata-se de uma nova religião que vem substituir a antiga, trata-se de coisa importante, e é por isso que o número dos soldados cresce. Mas os senhores, podem emigrar. E, sabe, aconselho-o a ir residir não numa ilha sossegada, mas em Dresde. Em primeiro lugar, porque Dresde jamais assistiu a uma epidemia; e, como homem culto, o senhor provavelmente receia a morte ; depois, não fica longe da fronteira russa, de forma que facilmente lhe poderão ser enviados rendimentos da sua pátria adorada ; Dresde é cheia do que se chama tesouros artísticos; e o senhor é um esteta, um ex-professor de Literatura, creio eu. Enfim, terá ao alcance da mão uma verdadeira Suíça em miniatura e isso lhe servirá à inspiração poética, porque decerto faz versos. Em resumo : um tesouro numa tabaqueira.
Houve vários movimentos, os oficiais se agitaram. Mais um instante, e todos se poriam a falar ao mesmo tempo; o coxo entretanto mordeu a isca :
    Não, talvez não abandonemos a Causa Comum! Resta ver...
    Como? Então aceitaria entrar para o nosso grupo, se  lho propusesse? disse de repente Verkhovénskii depondo na mesa a tesoura.
Todos estremeceram. A esfinge bruscamente se desmascarou. Atrevera-se até a falar no "grupo".
    Todo aquêle que se considera um homem de bem, não se pode recusar à sua tarefa, respondeu constrangido o coxo mas...
— Desculpe, agora não se trata de "mas", interrompeu Stepánovitch em tom imperioso. Declaro a todos, senhores, que preciso de uma resposta clara e decisiva. Compreendo perfeitamente que vindo aqui, depois de os reunir, devo aos presentes uma explicação (mais uma revelação inesperada), porém é-me impossível lhes dar essa explicação enquanto ignorar o estado de espírito de cada um. Deixando de lado as palavras inúteis — porque não se pode mais discorrer durante trinta anos, como já há trinta anos se faz — pergunto-lhes o que preferem : o método lento, isto é, os romances sociais e as regras para o destino da humanidade gravadas no papel com mil anos de adiantamento, enquanto o despotismo comerá os bons bocados que nos caem da boca e que recusamos, ou uma solução rápida, qualquer que seja ela, que nos desatará as mãos e permitirá à humanidade organizar-se com toda a liberdade, não no papel, mas de fato? "Cem milhões de cabeças !" gritam. Não é senão uma metáfora, talvez. E mesmo que não fosse metáfora? Enquanto se sonha, enquanto se rabisca papel, não serão cem milhões, mas quinhentos milhões que o despotismo há de devorar. Observem também que quaisquer que sejam as receitas empregadas, não hão de curar o incurável; pelo contrário, ele acabará por nos infeccionar a todos e por contaminar as fôrças jovens com que ainda se poderia contar ; seria a perda de todos nós. Concordo que é agradável emitir palavras liberais e eloqüentes, enquanto a ação apresenta certos riscos... Ademais, não sou ouvidor; vim cá a fim de fazer uma comunicação, de forma que peço ao distinto auditório que declare simplesmente, sem necessidade de votação, que é que prefere : patinhar no pântano, em passo de tartaruga, ou atravessá-lo a todo vapor.
    Eu sou pela travessia a todo vapor ! bradou entusiasmado o ginasiano. 
    Eu também, declarou Liámchin.
    A escolha não apresenta dúvidas, resmungou um dos oficiais, depois outro, depois um terceiro. O que mais impressionava a assistência é que Verkhovénskii tinha uma comunicação a fazer e prometera falar.
- Senhores, vejo que quase todos são partidários da solução preconizada pelos manifestos, constatou Verkhovénskii, percorreu com o olhar a assembléia.
Sim, todos, todos! gritou a maioria de vozes. 
— Confesso que me inclino para uma solução mais humana, interveio o major; mas obedeço à maioria. 
— Pelo que parece, o senhor também não faz oposição? perguntou Verkhovénskii ao coxo. 
— Não, é que eu.. . respondeu o outro, corando. Se me alio à decisão da assembléia é unicamente a fim de não perturbar...

— O projeto dêle é notável, tornou Verkhovénskii. Estabelece como regra a espionagem. Segundo ele, todos os membros da mocidade se espionam mutuamente, e são obrigados a relatar tudo que descobrem. Cada um pertence a todos e todos pertencem a cada um. Todos os homens são escravos e iguais na escravidão; nos casos graves, pode-se recorrer à calúnia e ao homicídio ; enfim, o principal é que todos são iguais. Antes de tudo, rebaixa-se o nível da instrução, das ciências e dos talentos. O nível elevado da ciência e do talento, só se obtém graças a inteligências superiores — portanto nada de inteligências superiores. Os homens de talento apoderam-se sempre do poder e tornam-se déspotas. Não podem agir de outra maneira; sempre fizeram mais mal que bem. É mister bani-los ou matá-los. Cícero terá a língua cortada, Copérnico os olhos furados, Shakespeare será lapidado. Isso é que é o chigaliovismo. Ah, ah, ah ! Está admirado? Eu sou partidário de Chigalióv.
Stavróguin apertava o passo a fim de chegar em casa o mais depressa possível. "Se este homem está bêbedo, pensava ele, onde foi que se embriagou? Com o conhaque que tomou ainda agora?" 
— Escute, Stavróguin, é uma excelente idéia nivelar as montanhas — é idéia que nada tem de ridícula. Sou partidário de Chigalióv. Não há nenhuma necessidade de instrução, chega de ciência! Os materiais de que já dispomos nos bastarão durante mil anos; o que é importante é estabelecer a obediência. A sêde de instrução já é uma sêde aristocrática. Mal é permitida a instalação da família e do amor, imediatamente nasce o desejo de propriedade. Haveremos de matar esse desejo: desenvolveremos a embriaguez, a calúnia, a delação ; mergulharemos o Homem numa devassidão inaudita, destruiremos no ôvo qualquer gênio que se esteja formando. Todos serão reduzidos ao denominador comum: igualdade absoluta. "Conhecemos o nosso ofício, somos homens de bem — e é só do que precisamos." Eis a resposta dada recentemente pelos operários ingleses. "Só o necessário é necessário" — deve ser esta, doravante, a divisão da Humanidade. De tempos em tempos, será preciso conceder-lhe algumas convulsões, mas nós, chefes, é que as forneceremos. Os escravos devem ter senhores. Obediência completa, despersonalização absoluta. De trinta em trinta anos, entretanto, Chigalióv autoriza algumas convulsões ; e então, todos se atirarão uns contra os outros e se hão de devorar, reciprocamente — com certo limite, contudo — apenas para combater o tédio. 0 tédio é um sentimento aristocrático. A sociedade de Chigalióv não conhecerá mais os desejos. Para nós, o desejo e o sofrimento, e para os escravos, o chigaliovismo.
— Escute, começaremos provocando agitação — prosseguiu Verkhovénskii com voz arquejante, precipitada, e puxando a todo momento pela manga do casaco de Stavróguin. — Já lhe disse, penetraremos no âmago do povo. Sabe que já somos terrivelmente fortes. Os nossos não são unicamente aqueles que matam e incendeiam, nem os que manejam o revólver à maneira clássica, ou os furiosos que se põem a morder. Esses só fazem atrapalhar. Não tolero nada sem disciplina. Sou um bandido e não um socialista — ah, ah, ah! Escute, tenho a lista de todos: o mestre-escola que ensina as crianças a zombar de Deus e de seu berço já é um dos nossos. O advogado que defende um assassino instruído, afirmando que o réu tinha mais cultura que suas vítimas e se sentia na obrigação de matar a fim de obter dinheiro, é um dos nossos. Os colegiais que matam um mujique com o fito de experimentarem emoções fortes, são dos nossos. Os jurados que absolvem criminosos, quaisquer que sejam, são dos nossos. 0 promotor que treme de medo ante o pensamento de que não se mostra suficientemente liberal, é dos nossos. Some a esses os funcionários, os escritores; muitos dentre eles estão conosco e nem sequer o desconfiam! Por outro lado, é absoluta a docilidade dos estudantes e dos tolos; quanto aos mestres, vivem cheios de bílis; por toda parte só se vêem vaidade e apetites bestiais inauditos ... Será que você alcança a extensão do auxílio que nos podem trazer as idéias feitas? Quando saí daqui, grassava por toda a Rússia a tese de Littré e pretendia-se que o crime era uma anomalia mental. Volto à pátria e verifico que o crime já não é mais uma anomalia, mas uma prova de bom senso, quase um dever moral, ou pelo menos um generoso protesto. "Como é que um homem culto pode deixar de matar, se tem necessidade de dinheiro?" E isso, contudo, é apenas um comêço. Já o deus russo teve que ceder ante o vodca barato. Bebe o povo, bebem as mães, bebem as crianças, andam desertas as igrejas. E que ouvimos nos nossos tribunais de aldeia? "Uma vasilha de vodca ou duzentos açoites!" Dê apenas a esta geração o tempo de crescer! É pena que tenhamos tanta pressa, pois se pudéssemos esperar, ficariam ainda mais ébrios. É pena também que não haja proletariado! Mas há de haver, há de haver! Caminhamos para isso...
    É pena também que nos tenhamos tornado tão tolos! resmungou Stavróguin voltando a caminhar.
    Escute! Vi um menino de seis anos trazer para casa mãe completamente bêbeda, que o cobria dos mais sórdidos palavrões... Acha que isso me deu prazer? Quando for nosso o poder, talvez possamos curá-los... Se for preciso, recorreremos até ao ascetismo... Mas, por ora, temos necessidade de uma ou duas gerações de libertinos; temos necessidade de uma corrupção inaudita, ignóbil, que transforme o homem num inseto imundo, covarde, cruel e egoísta. Disso é que carecemos. E ao mesmo tempo, dar-lhes-emos um pouco de "sangue fresco", a fim de que tomem gôsto ao sangue. Por que ri? Não me estou contradizendo. Não contradigo senão aos filantropos e a Chigalióv. 
(...)
    Ah, se tivéssemos tempo! Nossa única infelicidade é a falta de tempo. Proclamaríamos a destruição... por que, por que é essa idéia tão fascinante? Sim, é mister às vezes desentorpecer os membros ! Atearemos incêndios ! ... Espalharemos lendas. . . E para esse fim, qualquer grupo ínfimo nos será utilíssimo. Hei de descobrir para você, nesses grupos, entusiastas que premirão o gatilho com alegria e que se considerarão honradíssimos por serem os primeiros. E então começará a confusão. Será um rodamoinho como jamais o mundo assistiu... Uma névoa espessa descerá sôbre a Rússia... A terra há de chorar seus antigos deuses... E então, faremos aparecer — quem?
    Quem?
    O Czaréviche Iván.
    Como?
    O Czaréviche Iván. Você, você!
  


O MUNDO DOSTOIEVSKIANO

ROBERTO ALVIM CORREIA 

ATÉ pouco tempo traduziu-se em vários países o substantivo do título Os Demônios por Possessos — o que não deixa de surpreender. A confusão, contudo, talvez seja possível numa língua em que são sinônimos, segundo dizem, palavras quais criminoso e infeliz, cuja associação repercutia fundo em Dostoiévski, para quem ser criminoso era ser vítima do demônio. O mal tinha para ele realidade na medida em que o demônio faz de uma criatura humana um possesso. Satã entra num homem como ladrões pestíferos entram numa casa. A história de Os Demônios é a história desses ladrões, desses possessos. É o que explica uma das principais personagens, Stepán Trofímovitch, que, na hora da morte, comenta o texto de S. Lucas, citado como epígrafe do romance. Vê o moribundo, no episódio do Evangelho, uma imagem da Rússia da segunda parte do século XIX. Stepán Trofímovitch fala aqui em nome de Dostoiévski que denunciava no Socialismo niilista a ação de possessos...

3. Exprime-se da seguinte maneira: "Minha amiga, disse Stepán Trofímovitch, comovidíssimo, savez-vous, essa passagem admirável e... extraordinária sempre foi para mim uma pedra no meio do caminho... dans ce livre... e por isso a guardei de memória desde a infância. Mas uma idéia me ocorreu, une comparaison. Ocorrem- me muitas idéias agora. Veja, é exatamente como na nossa Rússia. Esses demônios que saem do doente para entrar nos porcos, são todas as chagas, todos os miasmas, todas as imundícies, todos os demônios pequenos e grandes, que no decorrer dos séculos se acumularam na nossa querida e imensa doente, na nossa Rússia! Oui, cette Russie que l'aimais toujours. Mas um pensamento sublime, uma sublime vontade lá de cima descerão sôbre ela como desceram sôbre esse endemoniado. E ela se desembaraçará de todas as impurezas, de todas as podridões — que espontaneamente hão de pedir morada nos porcos. Talvez já nêles hajam entrado. Somos nós — nós e êles — e Petrúcha... et les autres aves lui — e eu talvez em primeiro lugar, eu à frente. Como loucos furiosos, atirar-nos-emos do alto do rochedo até ao mar, e pereceremos todos. Melhor, porque só servimos para isso. O doente, porém, será curado e 'assentar-se-á aos pés de Jesus...' e todos o encararão com espanto... Minha cara, vous comprendrez après... Noas compren- drons ensemble."

O epíteto, que virou nome, é incontestavelmente forte, podendo até parecer excessivo. Acolheram-no gracejos e imprecações, sem que por isso revolucionários e outros suprimissem a significação do vocábulo, que afeta a questão do bem e do mal, de Deus e do demônio.

(...)

E ainda como Pascal ele desconfia da razão unicamente raciocinante, mortal ao pretender substituir uma ordem transcendental por outra só imanente. Os Demônios descrevem a atmosfera de traição, de crime, de vergonha em que vivem conspiradores ateus que renegaram os princípios evangélicos. Já não dispõem mais de si mesmos, viram apenas instrumentos, quase sempre nocivos. Assim a humilhação cristã, uma das chaves do mundo dostoievskiano, transforma-se, quando não livremente aceita, num sentimento que avilta, asfixia, desagrega. E essa humilhação que tudo fere quando não liberta, n'Os Demônios envenena a pureza da fé no messianismo russo, no povo, cuja voz, como no adágio latino, se confunde com a voz de Deus. O povo, para Dostoiévski, tem uma alma, embora  coletiva, assemelha-se a uma alma pessoal, por impunemente desprezada. Quem tenta diminuir-lhe o sentido religioso e salvador comete um crime, precisamente cometido em Os Demônios.



*
 
 FINS E MEIOS, BEM E MAL, CRIME E CASTIGO NA OBRA DO EX-REVOLUCIONÁRIO DOSTOIEVSKY



Desde a primeira vez que li CRIME E CASTIGO, o que mais me impressionou foi o fato de que alguém, como o personagem Raskólnikov, consiga crer que a racionalidade pode prever ou mesmo dar conta de Toda a Realidade. Que, no final das contas, todos os malévolos meios possam ser justificados e santificados se logicamente levarem ao almejado "Bem".

 É chocante que este absurdo, esta loucura, seja tão real e mortal quanto epidêmica na nossa época. Por isso vou postar alguns excertos de Dostoievsky, um ex-socialista, que conheceu por dentro o movimento revolucionário na sua pátria, Rússia. Primeiro colocarei algo sobre a obra acima citada "CRIME E CASTIGO", e depois alguns trechos de "OS DEMÔNIOS"  que enfoca um pouco do inicial movimento revolucionário que levou o comunismo à Rússia.  

Houve um tempo que, em minha ignorância, considerei socialismo e comunismo como regimes políticos e como uma opção a mais para um governo. Mas agora, depois de colher outras informações e ligar alguns pontos, encaro-os como um movimento duradouro, nascido nas classes privilegiadas e intelectuais,  planejado no estrangeiro, em sociedades secretas como a Maçonaria Illuminati, de índole expansionista, globalista, e intrinsecamente TOTALITARISTA, tanto na prática como na teoria. É uma face da revolução da Nova Ordem Mundial.

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