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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

POR QUE DEIXEI DE SER COMUNISTA - EX-COMUNISTAS FALAM



POR QUE DEIXEI O COMUNISMO - OLAVO DE CARVALHO
https://youtu.be/jAhv-ZmqcnM
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Da ilusão à realidade: Por que deixei de ser um comunista imbecil

diário de um ex-comunista

Como deixei de ser um moleque esquerdista que escrevia vigarices intelectuais e passei a entender melhor o mundo, como todo comunista deveria fazer. Afinal, a verdade tarda mas não falha: existem lotes e lotes de ex-esquerdistas, mas não conheço nenhum ex-direitista. Por que será né?

Na minha juventude, por entre os livros do Marx e as camisetas do Che Guevara, reinavam os mais excêntricos sentimentos revolucionários. Eu vivia  uma espécie de puberdade intelectual, em que os hormônios acalorados pelo furor anti-capitalista silenciavam a verdade que relutava em aparecer no meu cérebro em formação. Sim, eu era um esquerdista. E sim, daqueles bem inconvenientes.


Ingênuo como qualquer esquerdista típico, barbado e de camisa xadrez, acreditava que a sociedade era dividida entre opressores e oprimidos, burgueses e proletários. Ou melhor, entre o inescrupuloso lobo mau cheio de dentes, e a indefesa chapeuzinho vermelho. Por entre os meus óculos velhos de um esquerdista universitário, só conseguia enxergar mundos simplórios como contos de fadas, expresso pela bipolaridade tosca entre bem e mau. Qual é a vilão? Ora, o capitalismo! Este capitalismo bobo cara de mamão! É tudo culpa dele mamãe! E qual a solução? Revolución, pero sin perder la ternura jamás! Simples!

E aí Fidel? Tá curtindo a Coca Cola?

Sim, eu confesso: ser esquerdista era muito bom. Era realmente muito confortante viver na mentira, embebido por ilusões acadêmicas que não levavam a nada. Achava muito chique, assim, fazia bem pro ego, soltar em alto e bom tom numa mesa de jantar, que a culpa é do FMI e do imperialismo yankee. Uau! Que inteligência! Aquele rapaz não é manipulado pela Veja e pela Globo! Ele tem opiniões próprias! Vejam só!

Só que, exceto para políticos, professores universitários e blogueiros sustentados pelo governo, a cortina nefasta da esquerda uma hora cede, e podemos ver a realidade como ela é. Felizmente, quase que por uma graça divina, as leituras que fiz e as situações que vivenciei me mostraram a realidade. Me mostraram como eu estava sendo imbecil acreditando naquelas idéias arcaicas, que foram responsáveis pela morte de mais de 100 milhões de pessoas inocentes, causando fome, massacres e restrições ao longo do mundo. Sim, eu estava defendendo tudo isso! Estava defendendo a cultura da morte.


Mulheres aprisionadas em campos de trabalho escravo (Gulags) na União Soviética*
E aí cara!? Vai culpar o capitalismo por isso?

Hoje me arrependo amargamente deste meu passado esquerdista. E assim, tenho uma dívida histórica. Prometi a mim mesmo tentar recuperar o tempo perdido e amenizar todo o tipo de baboseira esquerdista que escrevi e publiquei na universidade - e que, pasmem (!) fui muito bem elogiado. Afinal, nunca é tarde para mudar.

E é por isso que o Diário de um ex Comunista vem à tona, trazendo reflexões que me fizeram abandonar este palco de ilusões. Minha missão aqui é desmascarar o comunismo - e todo tipo de esquerdismo ingênuo/vigarista, a fim de que pessoas não cometam o grave erro que cometi, que foi acreditar na bondade e na boa vontade do ser humano.

Enfim, espero que este blog sirva para desintoxicar esquerdistas imbecis... como eu.
Boa leitura!!

OBS: Esta postagem também ficará disponível na guia superior do blog.

http://diariodeumexcomunista.blogspot.com.br/2013/07/da-ilusao-realidade-por-que-deixei-de.html

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 EX-COMUNISTAS E FAMOSOS CRITICAM A ESQUERDA - OLAVO DE CARVALHO, LOBÃO, GABEIRA, CAETANO...
https://youtu.be/VSmzAfbHbXU






quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O EX-COVARDE - NELSON RODRIGUES

O Ex-Covarde


http://direitasja.com.br/2013/10/02/o-ex-covarde/ 

Por Nelson Rodrigues. Trecho de A Cabra Vadia. nelsão
Entro na redação e o Marcelo Soares de Moura me chama. Começa: – “Escuta aqui, Nélson. Explica esse mistério.” Como havia um mistério, sentei-me. Ele começa: – “Você, que não escrevia sobre política, por que é que agora só escreve sobre política?” Puxo um cigarro, sem pressa de responder. Insiste: – “Nas suas peças não há uma palavra sobre política. Nos seus romances, nos seus contos, nas suas crônicas, não há uma palavra sobre política. E, de repente, você começa suas “confissões”. É um violino de uma corda só. Seu assunto é só política. Explica: – Por quê?”
Antes de falar, procuro cinzeiro. Não tem. Marcelo foi apanhar um duas mesas adiante. Agradeço. Calco a brasa do cigarro no fundo do cinzeiro. Digo: – “É uma longa história.” O interessante é que outro amigo, o Francisco Pedro do Couto, e um outro, Permínio Ásfora, me fizeram a mesma pergunta. E, agora, o Marcelo me fustigava: – “Por quê?” Quero saber: – “Você tem tempo ou está com pressa?” Fiz tanto suspense que a curiosidade do Marcelo já estava insuportável.
Começo assim a “longa história”: – “Eu sou um ex-covarde.” O Marcelo ouvia só e eu não parei mais de falar. Disse-lhe que, hoje, é muito difícil não ser canalha. Por toda a parte, só vemos pulhas. E nem se diga que são pobres seres anônimos, obscuros, perdidos na massa. Não. Reitores, professores, sociólogos, intelectuais de todos os tipos, jovens e velhos, mocinhas e senhoras. E também os jornais e as revistas, o rádio e a tv. Quase tudo e quase todos exalam abjeção.
Marcelo interrompe: – “Somos todos abjetos?” Acendo outro cigarro: – “Nem todos, claro.” Expliquei-lhe o óbvio, isto é, que sempre há uma meia dúzia que se salve e só Deus sabe como. “Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo.” E por que essa massa de pulhas invade a vida brasileira? Claro que não é de graça nem por acaso.
O que existe, por trás de tamanha degradação, é o medo. Por medo, os reitores, os professores, os intelectuais são montados, fisicamente montados, pelos jovens. Diria Marcelo que estou fazendo uma caricatura até grosseira. Nem tanto, nem tanto. Mas o medo começa nos lares, e dos lares passa para a igreja, e da igreja passa para as universidades, e destas para as redações, e daí para o romance, para o teatro, para o cinema. Fomos nós que fabricamos a “Razão da Idade”. Somos autores da impostura e, por medo adquirido, aceitamos a impostura como a verdade total.
Sim, os pais têm medo dos filhos, os mestres dos alunos. o medo é tão criminoso que, outro dia, seis ou sete universitários curraram uma colega. A menina saiu de lá de maca, quase de rabecão. No hospital, sofreu um tratamento que foi quase outro estupro. Sobreviveu por milagre. E ninguém disse nada. Nem reitores, nem professores, nem jornalistas, nem sacerdotes, ninguém exalou um modestíssimo pio. Caiu sobre o jovem estupro todo o silêncio da nossa pusilanimidade.
Mas preciso pluralizar. Não há um medo só. São vários medos, alguns pueris, idiotas. O medo de ser reacionário ou de parecer reacionário. Por medo das esquerdas, grã-finas e milionários fazem poses socialistas. Hoje, o sujeito prefere que lhe xinguem a mãe e não o chamem de reacionário. É o medo que faz o Dr. Alceu renegar os dois mil anos da Igreja e pôr nas nuvens a “Grande Revolução” russa. Cuba é uma Paquetá. Pois essa Paquetá dá ordens a milhares de jovens brasileiros. E, de repente, somos ocupados por vietcongs, cubanos, chineses. Ninguém acusa os jovens e ninguém os julga, por medo. Ninguém quer fazer a “Revolução Brasileira”. Não se trata de Brasil. Numa das passeatas, propunha-se que se fizesse do Brasil o Vietnã. Por que não fazer do Brasil o próprio Brasil? Ah, o Brasil não é uma pátria, não é uma nação, não é um povo, mas uma paisagem. Há também os que o negam até como valor plástico.
Eu falava e o Marcelo não dizia nada. Súbito, ele interrompe: – “E você? Por que, de repente, você mergulhou na política?” Eu já fumara, nesse meio-tempo, quatro cigarros. Apanhei mais um: – “Eu fui, por muito tempo, um pusilânime como os reitores, os professores, os intelectuais, os grã-finos etc, etc. Na guerra, ouvi um comunista dizer, antes da invasão da Rússia: – “Hitler é muito mais revolucionário do que a Inglaterra.” E eu, por covardia, não disse nada. Sempre achei que a história da “Grande Revolução”, que o Dr. Alceu chama de “o maior acontecimento do século XX”, sempre achei que essa história era um gigantesco mural de sangue e excremento. Em vida de Stalin, jamais ousei um suspiro contra ele. Por medo, aceitei o pacto germano-soviético. Eu sabia que a Rússia era a antipessoa, o anti-homem. Achava que o Capitalismo, com todos os seus crimes, ainda é melhor do que o Socialismo e sublinho: – do que a experiência concreta do Socialismo,
Tive medo, ou vários medos, e já não os tenho. Sofri muito na carne e na alma. Primeiro, foi em 1929, no dia seguinte ao Natal. Às duas horas da tarde, ou menos um pouco, vi meu irmão Roberto ser assassinado. Era um pintor de gênio, espécie de Rimbaud plástico, e de uma qualidade humana sem igual. Morreu errado ou, por outra, morreu porque era “filho de Mário Rodrigues”. E, no velório, sempre que alguém vinha abraçar meu pai, meu pai soluçava: – “Essa bala era para mim.” Um mês depois, meu pai morria de pura paixão. Mais alguns anos e meu irmão Joffre morre. Éramos unidos como dois gêmeos. Durante 15 dias, no Sanatório de Correias, ouvi a sua dispnéia. E minha irmã Dorinha. Sua agonia foi leve como a euforia de um anjo. E, depois, foi meu irmão Mário Filho. Eu dizia sempre: – “Ninguém no Brasil escreve como meu irmão Mário.” Teve um enfarte fulminante. Bem sei que, hoje, o morto começa a ser esquecido no velório. Por desgraça minha, não sou assim. E, por fim, houve o desabamento de Laranjeiras. Morreu meu irmão Paulinho e, com ele, sua esposa Maria Natália, seus dois filhos, Ana Maria e Paulo Roberto, a sua sogra, D. Marina. Todos morreram, todos, até o último vestígio.
Falei do meu pai, dos meus irmãos e vou falar também de mim. Aos 51 anos, tive uma filhinha que, por vontade materna, chama-se Daniela. Nasceu linda. Dois meses depois, a avó teve uma intuição. Chamou o Dr. Sílvio Abreu Fialho. Este veio, fez todos os exames. Depois, desceu comigo. Conversamos na calçada do meu edifício. Ele foi muito delicado, teve muito tato. Mas disse tudo. Minha filha era cega.
Eis o que eu queria explicar a Marcelo: – depois de tudo que contei, o meu medo deixou de ter sentido. Posso subir numa mesa e anunciar de fronte alta: – “Sou um ex-covarde.” É maravilhoso dizer tudo. Para mim, é de um ridículo abjeto ter medo das Esquerdas, ou do Poder Jovem, ou do Poder Velho ou de Mao Tsé-tung, ou de Guevara. Não trapaceio comigo, nem com os outros. Para ter coragem, precisei sofrer muito. Mas a tenho. E se há rapazes que, nas passeatas, carregam cartazes com a palavra “Muerte”, já traindo a própria língua; e se outros seguem as instruções de Cuba; e se outros mais querem odiar, matar ou morrer em espanhol – posso chamá-los, sem nenhum medo, de “jovens canalhas”.