2:16 Mas acontece que com isto, com essa destruição da vida intelectual superior, eles foram ocupando todos os postos, né? É aquele negócio que o Leon Trotski descobriu muito tardiamente. Sabe que a revolução russa foi feita inteiramente por Leon Trotsk e mais ninguém. Lenin estava no exterior e Stalin não fez absolutamente nada. Então foi Leon Trotsk que organizou as tropas, tomou o poder, fuzilou um bocado de gente e daí chamou o Lenin de volta, tá certo? E no meio disso tinha um sujeito chamado Stalin, que não fez absolutamente nada e que pegou um posto puramente burocrático, posto de organização do partido, ao qual incumbia ele nomear e desnomear os agentes do partido em todo o território russo ou soviético, como queiram, tá certo? E com isto, nomeando pessoas, ele criou toda a rede do poder e daqui a pouco ele mandava em tudo por uma função meramente burocrática. Quando o Trotsk percebeu isso, era tarde, ele já estava exilado. Então é assim, o poder de nomear e desnomear, quer dizer, o poder da caneta do burocrata é um negócio terrível. Foi assim que Stalin dominou toda a Rússia. Ele não teve que pegar em armas, nem ser um grande orador, nem ser um grande líder, nada. Ele era apenas um burocrata. E o que aconteceu no Brasil foi exatamente isto. Este pessoal dominou todo o aparato cultural e no fim acabou tomando o poder político através da força da burocracia, nomeando gente, soltando verba, tirando verba, né? Eh, demitindo, removendo. Foi assim que eles fizeram. E a hegemonia intelectual, claro, foi feita através do movimento editorial, da mídia, do falatório, etc. Mas isso está no fim, só que agora falta a segunda etapa. Esta etapa vai levar décadas até remover o último, né?