. "A gente vê uma luta contra a liberdade e uma luta a favor da liberdade, ao mesmo tempo, pela mesma instituição. Porque ao mesmo tempo em que há uma luta para acabar com a liberdade de expressão nas mídias sociais, há uma luta a favor da liberdade dos criminosos." *
Ludmila Lins Grillo - "Já podemos vislumbrar um claro
padrão no ativismo judicial brasileiro. Ele quase sempre é exercido no
benefício do que é torpe, pendendo para o lado do criminoso, do iníquo,
do abjeto, desprezando a sociedade ordeira e prestigiando a figura do
delinquente." https://youtu.be/DS_e6o7SUbw?t=1839
*
Olavo de Carvalho · Dizem que um diabinho vinha
caminhando por uma estrada ao lado de Satanás e de repente, vendo um
homem de gênio, avisou ao mestre:
-- Veja que perigo! Aquele sujeito descobriu uma verdade! -- Não se preocupe, respondeu o capeta supremo. -- Logo vamos regulamentá-la. * A juíza Ludmila Lins Grillo diz: "Sempre que o STF
profere alguma decisão bizarra, o povo logo se apressa para sentenciar:
“a Justiça no Brasil é uma piada”. Nem se passa pela cabeça da galera
que os outros juízes – sim, os OUTROS – se contorcem de vergonha com
certas decisões da Suprema Corte, e não se sentem nem um pouco
representados por ela. O que muitos juízes sentem é que existem
duas Justiças no Brasil. E essas Justiças não se misturam uma com a
outra. Uma é a dos juízes por indicação política. A outra é a dos juízes
concursados. A Justiça do STF e a Justiça de primeiro grau revelam a
existência de duas categorias de juízes que não se misturam. São como
água e azeite. São dois mundos completamente isolados um do outro. Um
não tem contato nenhum com o outro e um não se assemelha em nada com o outro. Um, muitas vezes,
parece atuar contra o outro. Faz declarações contra o outro. E o outro,
por muitas vezes, morre de vergonha do um. Geralmente, o outro
prefere que os “juízes” do STF sejam mesmo chamados de Ministros – para
não confundir com os demais, os verdadeiros juízes. A atual composição
do STF revela que, dentre os 11 Ministros (sim, M-I-N-I-S-T-R-O-S!),
apenas dois são magistrados de carreira: Rosa Weber e Luiz Fux. Ou seja:
nove deles não têm a mais vaga ideia do que é gerir uma unidade
judiciária a quilômetros de distância de sua família, em cidades
pequenas de interior, com falta de mão-de-obra e de infra-estrutura, com
uma demanda acachapante e praticamente inadministrável. Julgam grandes causas – as mais importantes do Brasil – sem terem
nunca sequer julgado um inventariozinho da dona Maria que morreu. Nem
uma pensão alimentícia simplória. Nem uma medida para um menor infrator,
nem um remédio para um doente, nem uma internação para um idoso, nem
uma autorização para menor em eventos e viagens, nem uma partilhazinha
de bens, nem uma aposentadoriazinha rural. Nada. NADA. Certamente
não fazem a menor ideia de como é visitar a casa humilde da senhorinha
acamada que não se mexe, para propiciar-lhe a interdição. Nem imaginam
como é desgastante a visita periódica ao presídio – e o percorrer por
entre as celas. Nem sonham com as correições nos cartórios
extrajudiciais. Nem supõem o que seja passar um dia inteiro ouvindo
testemunhas e interrogando réus. Nunca presidiram uma sessão do Tribunal
do Júri. Não conhecem as agruras, as dificuldades do interior. Não
conhecem nada do que é ser juiz de primeiro grau. Nada. Do alto de seus carros com motorista pagos com dinheiro
público, não devem fazer a menor ideia de que ser juiz de verdade é não
ter motorista nenhum. Ser juiz é andar com seu próprio carro – por sua
conta e risco – nas estradas de terra do interior do Brasil . Talvez os
Ministros nem saibam o que é uma estrada de terra – ou nem se lembrem
mais o que é isso. Às vezes, nem a gasolina ganhamos, tirando muitas
vezes do nosso próprio bolso para sustentar o Estado, sem saber se um
dia seremos reembolsados - muitas vezes não somos. Será que os juízes, digo, Ministros do STF sabem o que é passar por
isso? Por que será que os réus lutam tanto para serem julgados pelo STF
(o famoso “foro privilegiado") – fugindo dos juízes de primeiro grau
como o diabo foge da cruz? Por que será que eles preferem ser julgados
pelos “juízes” indicados politicamente, e não pelos juízes concursados?