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domingo, 23 de maio de 2021

DA RÚSSIA, COM TERROR - ENTREVISTA DE ION MIHAI PACHEPA A JAMIE GLAZOV (RECUPERADO DO MÍDIA SEM MÁSCARA)

pacepaNota do tradutor: A crise no Egito é mais um passo da Irmandade Muçulmana rumo ao califado mundial, longamente planejado. Vale a pena recordar os ensinamentos de Ion Mihai Pacepa sobre a influência do comunismo no terrorismo islâmico. A entrevista abaixo, conduzida pelo editor Jamie Glazov, foi publicada no site do FrontPage Magazine em 1° de março de 2004, sob o título From Russia With Terror.

Ion Mihai Pacepa é um ex-general da Securitate, polícia secreta da Romênia comunista. Em 1978 pediu asilo político nos EUA, onde vive até hoje, sob identidade secreta. É o desertor de mais alta patente do Bloco Oriental. Escreveu diversos livros e artigos sobre os serviços de inteligência comunistas. O seu mais recente livro, lançado em junho, é Disinformation: Former Spy Chief Reveals Secret Strategy for Undermining Freedom, Attacking Religion, and Promoting Terrorism, em coautoria com Ronald Rychlak.

Segue a entrevista:

O convidado de hoje da FrontPage Interview é Ion Mihai Pacepa, ex-chefe do serviço de espionagem da Romênia comunista. Em 1987, ele publicou Red Horizons (Regnery Gateway), traduzido em 24 países. Em 1999, Pacepa escreveu The Black Book of the Securitate, o livro mais vendido na Romênia em todos os tempos. No momento, está finalizando um livro sobre as origens do anti-americanismo atual.

disinformationFrontpage Magazine: Bem-vindo à Frontpage Interview, Mr.Pacepa. Como ex-chefe da espionagem romena, que recebia ordens diretas da KGB soviética, o senhor obviamente sabe de muita coisa. O senhor escreveu sobre o fornecimento soviético de armas de destruição em massa (WMD - Weapon of Mass Destruction - armas de destruição em massa) para Saddam Hussein, e também sobre como o ensinaram a eliminar vestígios delas. Pode comentar este assunto e nos dizer sobre a sua ligação com as “WMD desaparecidas” no Iraque atualmente?

Pacepa: A memória política contemporânea parece ter sido convenientemente atingida por um tipo de doença de Alzheimer. Não faz muito tempo, todos os líderes ocidentais, começando pelo presidente Clinton, clamavam contra as WMD de Saddam Hussein. Agora, quase ninguém se lembra que, após ter desertado para a Jordânia em 1995, o general Hussein Kamel, genro de Saddam Hussein, nos ajudou a encontrar “mais de cem baús e caixas de metal” contendo documentação “relativa a todas as categorias de armas, inclusive nucleares”. Ele também ajudou a Comissão Especial das Nações Unidas (UNSCOM – United Nations Special Commission) a resgatar do rio Tigre peças de mísseis sofisticados proibidos no Iraque. Isto é exatamente o que o meu velho plano soviético “Sãrindar” dizia para ser feito em caso de
emergência: destruir as armas, esconder os equipamentos e preservar a documentação. Não é de admirar que Saddam Hussein tenha se apressado em atrair Kamel de volta para o Iraque, onde foi morto juntamente com cerca de 40 parentes três dias depois da chegada, ato descrito pela imprensa oficial de Bagdá como “administração espontânea de justiça tribal”. Isto feito, Saddam Hussein fechou a porta para qualquer outra inspeção da UNSCOM.

FP: Algum plano Sãrindar foi colocado em funcionamento?

Pacepa: Sem dúvida. A versão mais branda do plano Sãrindar foi feita por mim para Gaddafi, da Líbia. Assim que eu obtive asilo político nos EUA, Gaddafi encenou um incêndio em uma instalação secreta de armas químicas conhecida por mim (o porão sob o complexo químico de Rabta). Para garantir que os satélites da CIA captassem o incêndio e riscassem aquele alvo da sua lista, ele criou uma imensa nuvem de fumaça preta queimando cargas de pneus e pintando marcas de incêndio na instalação. Este procedimento está descrito no plano Sãrindar. Por garantia, Gaddafi também construiu uma segunda instalação, desta vez 30m chão abaixo, na montanha Tarhunah, sul de Tripoli. Isto não estava no plano
Sãrindar.

FP: É inegável, então, que Saddam Hussein possuía WMDs?

Pacepa: No início da década de 1970, o Kremlin criou uma “divisão socialista de trabalho” para persuadir os governos do Iraque e da Líbia a se unirem à guerra de terrorismo contra os EUA. O chefe da KGB, Yury Andropov (mais tarde, o líder da União Soviética), me falou que estes dois países poderiam inflingir mais danos aos americanos que as Brigadas Vermelhas, o Baader-Meinhof e todas as demais organizações terroristas juntas. Os governos daqueles países, explicou Andropov, tinham não apenas recursos financeiros ilimitados (leia-se, petróleo) como também enormes serviços de inteligência que estavam sendo operados pelos “nossos consultores em razvedka” (palavra intraduzível, algo como “espionagem” ou “reconhecimento” - nota do tradutor) e poderiam estender os seus tentáculos pelos quatro cantos do mundo. Havia, entranto, um grande perigo: ao elevar o terrorismo ao nível de estado, correríamos o risco da represália americana. Washintgon jamais despacharia os seus aviões e foguetes para exterminar o Baader-Meinhof, mas certamente os mandaria para destruir uma nação terrorista. Assim, a nossa tarefa também era abastecer secretamente aqueles países com armas de destruição em massa, pois Andropov concluiu que os ianques nunca atacariam um país que pudesse retaliar com tais armas mortais.

A Líbia era o principal cliente da Romênia naquela divisão socialista de trabalho, devido à estreita associação de Ceausescu com o coronel Muammar Gaddafi. Moscou cuidou do Iraque. Andropov me disse que, se o nosso experimento com o Iraque e a Líbia desse certo, a mesma estratégia poderia ser estendida à Síria. Recentemente, Gaddafi admitiu ter WMD, e os inspetores da CIA as encontraram. Por que acreditaríamos que a toda-poderosa União Soviética, que espalhou WMD por todo o mundo, não poderia fazer o mesmo no Iraque? Cada peça do arsenal iraquiano veio da antiga União Soviética - dos lançadores Katyusha aos tanques T72, veículos de combate BMP-1 e caças MiG. Na primavera de 2002, apenas duas semanas depois da Rússia tomar assento na OTAN, o presidente Putin e os seus ex-oficiais da KGB, que agora estão no comando da Rússia, concluíram outro acordo comercial de $40 bilhões com o regime tirânico de Saddam Hussein. Não era para compra de trigo ou feijão – a Rússia tem que importá-los de outro lugar.

FP: Fale sobre a OLP e a sua conexão com o regime soviético.

Pacepa: A OLP foi concebida pela KGB, que tinha uma propensão por organizações de “libertação”. Havia o Exército de Libertação Nacional da Bolívia, criada pela KGB em 1964 com a ajuda de Ernesto “Che” Guevara. Em seguida, houve o Exército de Libertação Nacional da Colômbia, criado pela KGB em 1965 com a ajuda de Fidel Castro, que logo se envolveu profundamente com sequestros, de aviões e pessoas, atentados a bomba e guerrilha. Posteriormente, a KGB também criou a Frente Democrática para Libertação da Palestina, que realizou inúmeros atentados a bomba nos “territórios palestinos” ocupados por Israel, e o “Exército Secreto para a Libertação da Armênia”, criado pela KGB em 1975, que organizou numerosos atentados a bomba contra escritórios das linhas aéreas americanas na Europa
Ocidental.

Em 1964, o primeiro Conselho da OLP, formado por 422 representantes palestinos escolhidos a dedo pela KGB, aprovou a Carta Nacional Palestina - um documento esboçado em Moscou. O Pacto Nacional Palestino e a Constituição Palestina também nasceram em Moscou, com a ajuda de Ahmed Shuqairy, um agente de influência da KGB que se tornou o primeiro presidente da OLP. (Durante a Guerra dos Seis Dias, ele escapou de Jerusalém disfarçado de mulher, tornando-se de tal forma um símbolo dentro da comunidade de inteligência política que uma de suas operações de influência posteriores - destinada a fazer com que o Ocidente considerasse Arafat um moderado - recebeu o codinome “Shuqairy”.) Esta nova OLP era comandada por um Comitê Executivo estilo soviético, composto por 15 membros que, como os seus camaradas em Moscou, também comandavam departamentos. Como em Moscou - e Bucareste – o presidente do Comitê Executivo tornou-se também o comandante geral das forças armadas. A nova OLP também tinha uma Assembléia Geral, que era, sob inspiração soviética, o nome dado a todos os parlamentos da Europa Oriental após a Segunda Guerra Mundial.

Baseado em outra “divisão socialista de trabalho”, o serviço de espionagem romeno (DIE) foi responsável por fornecer apoio logístico à OLP. Exceto pelas armas, fornecidas pela KGB e pela Stasi, da Alemanha Oriental, tudo o mais saía de Bucareste. Até mesmo os uniformes e a papelaria da OLP eram fabricados na Romênia, de graça, como “ajuda camarada”. Durante aqueles anos, dois aviões de carga romenos lotados de bens para a OLP pousavam em Beirute semanalmente, e eram descarregados pelos homens de Arafat.

FP: Você falou sobre o seu conhecimento pessoal sobre como Arafat foi criado e cultivado pela KGB e como os soviéticos realmente o destinaram a ser o futuro líder da OLP. Explique isto melhor, por favor.

Pacepa: “Tovarishch Mohammed Abd al-Rahman Abd al-Raouf Arafat al-Qudwa al-Husseini, nom de guerre Abu Ammar,” foi levado à condição de líder palestino pela KGB após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, entre israelenses e árabes. Naquela guerra, Israel humilhou os aliados mais importantes da União Soviética no mundo árabe da época - Egito e Síria - e o Kremlin pensou que Arafat poderia ajudar a restabelecer o prestígio soviético. Arafat começou a sua carreira política como líder da organização terrorista palestina al-Fatah, cujos fedayin eram treinados secretamente na União Soviética. Em 1969, a KGB conseguiu catapultá-lo a presidente do comitê executivo da OLP. O presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, outra marionete soviética, propôs publicamente a indicação.

Logo em seguida, Arafat foi encarregado pela KGB de declarar guerra contra o “imperialismo sionista” americano durante a primeira conferência de cúpula da Black International, uma organização também financiada pela KGB. Arafat alega ter cunhado o termo “imperialismo sionista” mas, na verdade, Moscou inventou este grito de guerra muitos anos antes, misturando o tradicional anti-semitismo russo com o novo anti-americanismo marxista.

FP: Por que as lideranças americanas e israelenses foram ludibriadas durante tanto tempo em relação às atividades criminosas e terroristas de Arafat?

Pacepa: Porque Arafat é um mestre do engodo - e eu infelizmente contribui para isto. Em março de 1978, por exemplo, eu secretamente conduzi Arafat para Bucareste para envolvê-lo em uma trama de desinformação soviética-romena longamente planejada. O objetivo era fazer com que os Estados Unidos estabelecesse relações diplomáticas com Arafat, fazendo com que ele fingisse querer transformar a OLP terrrorista em um governo no exílio desejoso de renunciar ao terrorismo. O presidente soviético Leonid Brezhnev acreditava que o recém-eleito presidente Jimmy Carter morderia a isca. Assim, ele disse ao ditador romeno que as condições eram propícias para introduzir Arafat na Casa Branca. Moscou deu a incumbência a Ceausescu porque em 1978 meu chefe tornara-se o tirano predileto de Washington. “A única coisa que as pessoas do Ocidente se preocupam é com os nossos líderes”, o chefe da KGB disse quando me envolveu no esforço para tornar Arafat popular em Washington. “Quanto mais eles os amarem, mais gostarão de nós.”

“Mas somos uma revolução”, explodiu Arafat, após Ceausescu ter explicado o que o Kremlin queria dele. “Nascemos como uma revolução, e devemos continuar sendo uma revolução incontida.” Arafat objetou que os palestinos careciam da tradição, unidade e disciplina necessárias para se tornarem um estado formal. Todas estas condições eram algo apenas para uma geração futura. Que todos os governos, inclusive os comunistas, eram limitados por leis e acordos internacionais, e ele não estava disposto a colocar leis e outros obstáculos no caminho da luta palestina para erradicar o estado de Israel.

Meu antigo chefe só foi capaz de convencer Arafat a enganar o presidente Carter recorrendo ao materialismo dialético, pois ambos eram stalinistas fanáticos que conheciam o marxismo de cor. Ceausescu compassivamente concordou que “uma guerra de terror é a sua única arma realista”, mas também disse ao seu convidado que, se ele transformasse a OLP em um governo no exílio e fingisse romper com o terrorismo, o Ocidente iria enchê-lo de dinheiro e glória. “Mas você tem que continuar fingindo, de novo e de novo”, meu chefe enfatizou.

Ceausescu lembrou que influência política, como o materialismo dialético, era construído sobre a mesma doutrina básica de que a acumulação quantitativa gera transformação qualitativa. Ambos funcionam como cocaína, digamos. Se você cheira uma vez ou duas, ela não mudará a sua vida. Se você usá-la dia após dia, entretanto, ela fará de você um viciado, um homem diferente. Isto é a transformação qualitativa. E, nas sombras do seu governo no exílio, você poderá manter tantos grupos terroristas quantos quiser, com a condição de que não sejam publicamente associados ao seu nome.

Em abril de 1978 eu acompanhei Ceausescu a Washington, onde ele convenceu o presidente Jimmy Carter de que poderia persuadir Arafat a transformar a sua OLP em um governo no exílio, sujeito a leis, se os Estados Unidos estabelecessem relações oficiais com ele. De imediato, o presidente Carter aclamou publicamente Ceausescu como um “grande líder nacional e internacional” que tinha “assumido um papel de liderança na comunidade internacional”. Três meses depois eu obtive asilo político nos Estados Unidos, e o tirano romeno deu adeus ao seu sonho de ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Um quarto de século depois, entretanto, Arafat permanece no cargo de chefe da OLP e parece ainda estar trilhando o jogo de engodo do Kremlin. Em 1994, Arafat ganhou o Prêmio Nobel da Paz porque concordou em transformar a sua organização terrorista em um tipo de governo no exílio (a Autoridade Palestina) e fingiu, de novo e de novo, que aboliria os artigos da Carta da OLP de 1964 que tratam da destruição do estado de Israel e erradicaria o terrorismo palestino. No fim do ano escolar palestino de 1998-99, entretanto, todos os mil e quinhentos novos livros didáticos usados pela Autoridade Palestina de Arafat descreviam Israel como “inimigo sionista” e igualavam o sionismo ao nazismo. Dois anos após a assinatura dos Acordos de Oslo, o número de israeleneses mortos por terroristas palestinos aumentou 73% em comparação com o período de dois anos precedente ao acordo.

FP: É simples: não pode haver paz no Oriente Médio com Arafat no poder. Que recomendação você daria aos diplomatas americanos e israelenses?

Pacepa: Expor as mentiras de Arafat e condenar o seu terrorismo sangrento, mas evitar se envolver em represálias físicas contra ele - o que certamente o tornaria um herói para os palestinos. Sugiro fortemente a solução Ceausescu. Em novembro de 1989, quando foi reeleito presidente da Romênia, Ceausescu era tão popular quanto Arafat é agora entre os palestinos. Um mês depois, entretanto, Ceausescu foi processasdo por genocidio pelo seu próprio povo e executado pelo seu próprio povo. De um dia para o outro Ceausescu virou o símbolo da tirania. A Romênia tornou-se um país livre, e doze anos depois foi convidada para integrar a OTAN.

FP: Fale um pouco sobre as condições da KGB na Rússia atualmente. Alguns dizem que está experimentando uma ressurreição. É verdade?

Pacepa: Certamente. Nos últimos doze anos, a Rússia foi modificada para melhor, em alguns aspectos, como nunca antes. Entretanto, aquele país tem um longo caminho até se livrar do legado do comunismo soviético. Em junho de 2003, cerca de 6 mil antigos oficiais da KGB ocupavam importantes posições nos governos russos central e regionais. Três meses mais tarde, quase metade dos altos cargos de governo também estavam ocupados por antigos membros da KGB. É como colocar a velha Gestapo, supostamente derrotada, no comando de reconstrução da Alemanha.

Desde a queda do comunismo, os russos têm enfrentado uma indigna forma de capitalismo operada por antigos burocratas comunistas, especuladores e mafiosos cruéis que têm ampliado as injustiças sociais e ocasionado um declínio na produção industrial. Assim, após um período de revolta, os russos têm gradualmente - e talvez reconhecidamente - voltado para a sua histórica forma de governo, a autocracia tradicional russa (samoderzhaviye) cuja origem remonta ao século XIV de Ivan, o Terrível, no qual um senhor feudal governava o país com a ajuda da sua polícia política pessoal. Boa ou ruim, a polícia política russa historicamente pode parecer para a maior parte do povo do país a sua única defesa contra a ganância dos novos capitalistas domésticos e a cobiça dos ávidos vizinhos estrangeiros.

A Rússia jamais retornará ao comunismo - muitos russos pereceram nas mãos daquela heresia. Mas parece que a Rússia também não se tornará verdadeiramente ocidental, pelo menos não nesta geração. Se a história - incluindo a dos últimos 14 anos - serve de guia, os russos, que no momento estão desfrutando do seu nacionalismo recuperado, se esforçarão para reconstruir um tipo de Antigo Império Russo inspirando-se nas velhas tradições russas e usando formas e meios russos antigos.

FP: A Rússia é amiga ou inimiga dos Estados Unidos na situação internacional atual?

Pacepa: Após a queda do Muro de Berlim, corri para lá para dar uma olhada. A temível polícia da Alemanha Oriental foi abolida de um dia para o outro, e os seus arquivos estavam abertos para o público. Um ano depois, a ultrajante atividade da Stasi estava revelada em um comovente e enorme museu de liberdade. Um membro do parlamento de Berlim me disse que os alemães queriam provar ao mundo que, com certeza, o passado jamais seria repetido. Para garantir, o governo alemão vendeu todos os edifícios da Stasi para empresas privadas.

Após o colapso da União Soviética, os novos administradores do Kremlin não abriram os arquivos da polícia política da União Soviética, mas em 1992 eles criaram o seu próprio tipo de museu da KGB em Moscou, em um edifício de um cinza sombrio atrás da Lubianka. Os andares superiores continuam sendo escritórios da KGB mas as salas do térreo são usadas para conferências e clube para os oficiais da KGB aposentados – incluindo discoteca.

Em 11 de setembro de 2002, inúmeros oficiais aposentados da KGB reuniram-se no museu da KGB. Não foi para se solidarizarem conosco na data da nossa tragédia nacional, mas para celebrar o 125° aniversário de Feliks Dzerzhinsky - o homem que criou uma das mais criminosas instituições da história contemporânea. Dias depois, o prefeito de Moscou, Yury lushkov, um dos políticos mais influentes da Rússia, mudou de idéia e disse que agora quer recolocar a estátua de bronze de Dzerzhinsky no lugar de honra que ocupava antes em Lubianka. Poucos antes, o novo presidente russo ordenara que a estátua de Yury Andropov fosse recolocada em Lubianka, de onde havia sido removida após o golpe da KGB em 1991. Andropov é o único outro oficial da KGB que chegou ao comando no Kremlin, e por isso
é normal Putin prestar homenagem a ele. Durante toda a vida, Andropov doutrinou os seus subordinados para acreditar que o imperialismo americano era o principal inimigo do país. Hoje, estes subordinados estão chefiando a Rússia. Pode demorar mais uma geração para o ódio visceral aos EUA cultivado por Andropov desaparecer.

FP: Como a Rússia se enquadra na Guerra ao Terror? Não há pelo menos um interesse comum em combater o terrorismo islâmico?

Pacepa: O 11 de setembro de 2001 nasceu diretamente de uma operação conjunta soviética-OLP concebida como consequência da Guerra dos Seis Dias. O objetivo desta operação conjunta era restabelecer o prestígio de Moscou jogando o mundo islâmico contra Israel e criando um ódio fanático e violento contra o seu principal defensor, os EUA. A estratégia era retratar os Estados Unidos, esta terra de liberdade, como um “país de sionismo imperialista” estilo nazista, financiado pelo dinheiro judeu e chefiado por um ávido “Conselho dos
Sábios de Sião” (o epíteto do Kremlin para o Congresso dos EUA), cujo objetivo era alegadamente transformar o resto do mundo em um feudo judeu. Em outras palavras, o coração do plano conjunto era transformar a histórica aversão árabe e islâmica aos judeus em uma nova aversão aos Estados Unidos. Investimos muitos milhões de dólares nesta tarefa gigantesca, a qual envolveu exércitos inteiros de oficiais de inteligência.

No fim da década de 1960, um novo elemento foi acrescentado à guerra soviética-OLP contra o imperialismo sionista de Israel e dos EUA: o terrorismo internacional. Antes de 1969 terminar, o Décimo-terceiro Departamento da KGB, conhecido no nosso jargão de inteligência como Department for Wet Affairs, “wet” sendo um eufemismo para a sangrenta invenção do sequestro de aviões. A KGB constantemente nos instruía de que ninguém da esfera de influência americana/sionista devia mais se sentir seguro. O seqüestro de aviões tornou-se um instrumento da política externa soviética - e, finalmente, a arma escolhida para o 11 de setembro.

Durante aqueles anos de intensos sequestro de aeronaves, fiquei perplexo com o quase idêntico orgulho que Arafat e o general Sakharovsky, da KGB, tinham da sua perícia como terroristas. “Eu inventei o sequestro de aviões [de passageiros]” gabou-se Arafat para mim no início dos anos 1970 quando o encontrei pela primeira vez. Poucos meses depois, encontrei-me com Sakharovsky no seu escritório em Lubianka. Ele apontou para as bandeiras vermelhas fincadas em um mapa mundi na parede. “Olhe só”, disse. Cada bandeira representava um avião dominado. “O sequestro de aviões é uma invenção minha” vangloriou-se.

Os subordinados de Sakharovsky estão agora reinando no Kremlin. Enquanto eles não revelarem totalmente o seu envolvimento na criação do terrorismo anti-americano e não condenarem o terrorismo de Arafat, não há razão para acreditarmos que tenham mudado.

FP: Obrigado, Mr. Pacepa. O nosso tempo acabou. Foi uma grande honra conversar com o senhor. Espero que venha novamente.

Pacepa: Foi um grande prazer, e ficarei feliz em voltar.



Publicado no FrontPage Magazine.

Tradução: Ricardo Hashimoto

https://web.archive.org/web/20140421063948/http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/14427-da-russia-com-terror.html

(...) 
Entre os maiores ex-oficiais de inteligência soviéticos que desertaram para o Ocidente, é unânime a afirmação de que todo o radicalismo islâmico nada tem de islâmico e é, de alto a baixo, uma criação da KGB. Um desses oficiais, Ion Mihai Pacepa ( Red Horizons. Chronicles of a Communist Spy Chief , Washington, Regnery, 1987), relata ter sido um dos orientadores de Yasser Arafat, formado pela KGB para servir de testa-de-ferro num ataque indireto a Israel e EUA. O general Jan Sejna, membro do Comitê Central do Partido Comunista da Tchecoslováquia, testemunhou a articulação de terrorismo e narcotráfico que, preparada pelos soviéticos desde os anos 50, veio a criar todo o cenário de caos e terror em que o mundo vive hoje (v. seu depoimento em Joseph D. Douglas , Red Cocaine. The Drugging of America and the West , London, Harle, 2nd. ed., 1999). Anatoliy Golitsyn, ex-chefe da contra-espionagem anti-americana da KGB, antecipou, com base em informações de primeira mão, todos os passos estratégicos da Rússia nas últimas duas décadas, acertando, segundo aferições recentes, em 96 por cento de suas previsões, que incluíam o desmantelamento aparente do Estado soviético e ao mesmo tempo a expansão ilimitada das ações da KGB no mundo através do terrorismo islâmico, do narcotráfico, da ocupação de espaços nos organismos internacionais e da penetração maciça na mídia européia de modo a torná-la um poderoso instrumento para campanhas anti-americanas (v. New Lies for Old , New York, Dodd, Mead & Co, 1980). Suas análises são convergentes com algumas de Ladislav Bittman, ex-chefe do Departamento de Desinformação do serviço de inteligência tcheco (com missões inclusive no Brasil, onde foi um dos criadores da lenda da participação americana no planejamento do golpe de 1964: v. The KGB and Soviet Disinformation , Washington, Pergamon-Brassey’s, 1985), e também são coerentes com os fatos colhidos por Vassili Mitrokhin, alto funcionário que durante dez anos copiou em segredo arquivos da KGB e depois os transportou ao Ocidente, onde foram divulgados com a ajuda do historiador britânico Christopher Andrew em dois livros monumentais ( The Sword and the Shield. The Mitrokhin Archive and the Secret History of the KGB , New York, Basic Books, 1999, e sobretudo The World Was Going Our Way. The KGB and the Battle for the Third World , id., ibid., 2005). No mesmo sentido vêm os depoimentos e análises do coronel Stanislav Lunev, ex-membro do Diretório de Inteligência do Estado-Maior russo: “Não tenho dúvidas de que a Rússia esteve por trás de muitos desses grupos terroristas, financiando-os e equipando-os” (v. Through the Eyes of the Enemy: The Autobiography of Stanislav Lunev , Washington, Regnery, 1998). Que a Rússia, em tudo isso, opera em estreita colaboração com a China, é algo de que não se pode duvidar desde as análises do prof. Alexandr Nemets, ex-membro da Academia de Ciências da URSS (v. “Chinese-Russian Alliance”) e sobretudo desde o projeto russo de uma nova estrutura de poder militar mundial a ter como centro de comando a Organização de Cooperação de Shangai, que reúne Rússia, China, Cazaquistão, Quirziguistão, Tajiquistão e Uzbequistão (v.”Sugestão aos bem-pensantes”). Outro refugiado russo, o filósofo Lev Navrozov, decerto uma das mentes mais brilhantes do universo, vem advertindo repetidamente quanto à acumulação chinesa de armas nanotecnológicas, instrumentos por excelência da guerra pós-nuclear, capazes de destruir em poucas horas as principais cidades americanas sem qualquer estado de guerra explícito (v. The Education of Lev Navrozov , New York, Harper’s, 1975, assim como a infinidade de artigos publicados em http://www.newsmax.com/Navrozov e em www.levnavrozov.com). Mas talvez o documento mais eloqüente de todos seja o livro em que dois oficiais chineses, com antecedência de dois anos, traçam planos meticulosos para a destruição do World Trade Center por meio do choque de dois aviões e ainda sugerem, como executor preferencial do plano, o nome de Osama Bin Laden (v. Qiao Liang and Wang Xiangsui, Unrestricted Warfare , Beijing, PLA Literature and Arts Publishing House, 1999)
 
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Subversão: teoria, aplicação, e confissão de um método - 
 
Sinopse - Este é o primeiro volume do compêndio de trabalhos do ex-agente do KGB Yuri Aleksandrovich Bezmenov. Trata-se de um manual de Contra-Subversão elaborado a partir da eloquente experiência acumulada de um insider, combinada ao seu senso de verdade irrefreável e ordenada graças à sua capacidade analítica singular.

O exame atento ­­­desses trabalhos proverá ao leitor o condicionamento intelectual básico para perfurar o ambiente da dolosa confusão que nesta época sitia – em níveis insuportáveis – as populações em praticamente todo o mapa mundial, ao menos nos países que ainda são parte do chamado mundo livre. Este é o primeiro material desse gênero, e que agora é disponibilizado para o público internacional – especializado e leigo – em caráter de acesso irrestrito. https://www.audaxeditorial.com/product-page/subvers%C3%A3o-teoria-aplica%C3%A7%C3%A3o-e-confiss%C3%A3o-de-um-m%C3%A9todo-yuri-aleksandrovich-bezm

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Subversão, teoria, aplicação, e confissão de um método, comunismo, guerra, propaganda, relações internacionais, revolução, liberdade de expressão, imprensa, antologia estratégica, história geral, Yuri Aleksandrovich Bezmenov

Sinopse

Este é o primeiro volume do compêndio de trabalhos do ex-agente do KGB Yuri Aleksandrovich Bezmenov. Trata-se de um manual de Contra-Subversão elaborado a partir da eloquente experiência acumulada de um insider, combinada ao seu senso de verdade irrefreável e ordenada graças à sua capacidade analítica singular. https://www.mercadoeditorial.org/books/view/9786599245404 

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POR QUE A RÚSSIA TEM SIDO A FONTE DO TOTALITARISMO? Na última semana a ABC News divulgou uma reportagem em que se diz que hackers conectados ao governo russo são suspeitos de instalar um tipo de malware nos computadores que controlam as usinas de energia e estações de tratamento de água dos Estados Unidos. Esse malware é capaz de debilitar os serviços públicos da América. Um ato de sabotagem tão monstruoso não seria apenas um ato de guerra, mas também um monstruoso crime, pois as vítimas seriam cidadãos comuns que foram alvejados pelo simples fato de possuírem uma determinada nacionalidade. Por que o governo russo faria tal coisa?

Para aqueles que estudaram o caráter do governo russo a resposta é simples. Esse é o tipo de coisa que o governo russo faz, dado que a Rússia é governada por um sistema que não possui freios e contrapesos efetivos e o poder está concentrado em algumas poucas mãos. E onde quer que tal concentração de poder exista, é onde se encontrará uma grande quantidade de crimes e malevolência generalizada. É, portanto, onde se encontram os grandes criminosos, isto é, os psicopatas.

Jacob Burckhardt uma vez escreveu que o “poder é mau” e Lord Acton alertou que o “poder corrompe”. Aqueles que redigiram a Constituição dos Estados Unidos acreditavam que apenas um sistema de freios e contrapesos pode prevenir contra o pior. Da experiência histórica sabemos que esse é o único sistema que produz bons resultados. Eles não são resultados perfeitos, mas são os melhores imaginados pelo homem e são os melhores possíveis — na prática — para salvaguardar a vida e a propriedade. Quando não se tem um sistema funcional de freios e contrapesos a vida e a propriedade não estão a salvo. Eis o caráter do governo russo — e será dos Estados Unidos se nosso sistema de freios e contrapesos continuar a ser sabotado.

Em 1991, quando a União Soviética entrou em colapso, não se estabeleceu um sistema apropriado de freios e contrapesos e o poder continuou concentrado em algumas poucas mãos. O governo não teve de fato que prestar contas a qualquer pessoa. A despeito da realidade subjacente, tudo foi arranjado para que se parecesse que se estava indo em direção a uma democracia capitalista com freios e contrapesos balanceados, mas nada do gênero chegou a acontecer. O objetivo primário de empreender essas mudanças foi enganar o Ocidente. Aliás, essa não é a minha conclusão; é a de Yevgenia Albats, a famosa jornalista russa. Do primeiro ao último integrante, a velha gangue ainda está lá e tudo foi organizado para dar vantagem aos instrumentos escolhidos do Comitê Central (e.g., “ex” integrantes do aparato do Partido Comunista e oficiais da KGB).

https://conspiratio3.blogspot.com/2015/01/por-que-russia-tem-sido-fonte-do.html

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ESTRATÉGIAS DE ESPIONAGEM, INFILTRAÇÃO, MANIPULAÇÃO, DESINFORMAÇÃO, DESTRUIÇÃO - YURI BEZMENOV  https://conspiratio3.blogspot.com/2015/11/estrategias-de-espionagem-infiltracao.html

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A HISTÓRIA SECRETA DE ANATOLIY GOLITSYN - COMUNISMO EM REDE E A FALSA QUEDA DO COMUNISMO
http://conspiratio3.blogspot.com.br/2013/07/a-historia-secreta-de-anatoliy-golitsyn.html   

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CONSPIRATIO 3: DESINFORMAÇÃO -KGB E A ESTRATÉGIA DA MENTIRA EM ESCALA PLANETÁRIA - NOVAS MENTIRAS EM LUGAR DAS VELHAS -  http://conspiratio3.blogspot.com.br/2014/09/novas-mentiras-em-lugar-das-velhas.html

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DESINFORMAÇÃO - ION MIHAI PACEPA - A ARMA COMUNISTA PARA DESTRUIR A CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL
http://aluizioamorim.blogspot.com.br/2015/11/agora-em-portugues-o-livro-bomba-que.html

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ARQUIVOS SOVIÉTICOS - UMA HISTÓRIA OCULTA DO MAL https://conspiratio3.blogspot.com/2015/12/arquivos-sovieticos-uma-historia-oculta.html  

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"Mentira foi o princípio que pôs em marcha o regime totalitário." "A força incomparável de Soljenitsyn está ligada à sua pessoa, ao que define sua mensagem: a recusa incondicional da mentira. Pode acontecer que não se possa dizer a verdade, ele repete, mas sempre se pode recusar a mentira. O regime soviético parece-lhe perverso como tal porque institucionaliza a mentira: o despotismo chama, a si mesmo, liberdade, a imprensa subjugada a um partido finge ser livre e, no momento da Grande Purgação, Stalin declarou que a Constituição era a mais democrático do mundo. A voz de Solzhenitsyn alcança longe e alto, porque não se cansa de nos chamar de volta à perversidade intrínseca do totalitarismo." https://conspiratio3.blogspot.com/2019/06/comunismo-ideologia-mentira-e.html


"O mundo Ocidental como um todo, e os Estados Unidos em particular, se equivocaram seriamente sobre a natureza das mudanças no mundo comunista. Não estamos testemunhando a morte do comunismo, mas uma nova ofensiva estratégica de desinformação." Anatoliy Golitsyn https://conspiratio3.blogspot.com/2018/01/finalmente-republicaram-o-livro.html

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Eu não sei muito sobre a Ucrânia, mais sei, há muito tempo, que a KGB é a mestra da desinformação. Desinformação não é só uma mentira posta para circular nas esferas-alvo, é uma operação complexa, cara, às vezes longamente preparada, envolvendo várias etapas. 

"Por exemplo, a onda de pânico da mídia européia ante a “ameaça neonazista” na Alemanha cessou quando, com a reunificação do país, os documentos da Stasi vieram à tona, mostrando que os principais movimentos neonazistas na Alemanha Ocidental e até alguns nas nações vizinhas eram fantoches criados e subsidiados pelo governo comunista da Alemanha Oriental para despistar operações de terrorismo e assassinatos políticos (o atentado ao Papa João Paulo II foi um caso típico: leiam The Time of the Assassins de Claire Sterling e Le KGB au Coeur du Vatican, de Pierre e Danièle de Villemarest). " https://olavodecarvalho.org/credibilidade-zero/

LIVROS

KGB e a Desinformação Soviética - Ladislav Bittman https://livraria.seminariodefilosofia.org/a-kgb-e-a-desinformacao-sovietica

DESINFORMAÇÃO - A PRINCIPAL ARMA COMUNISTA - ION MIHAI PACEPA
https://conspiratio3.blogspot.com/2016/01/desinformacao-livro-de-ion-mihai-pacepaq.html 

ESTRATÉGIA DA TESOURA - ANATOLIY GOLITSIN (livro MEIAS VERDADES, VELHAS MENTIRAS) https://conspiratio3.blogspot.com/2022/03/um-exemplo-da-estrategia-da-tesoura.html  

SUBVERSÃO: teoria, aplicação, e confissão de um método, de Yuri Aleksandrovich Bezmenov

O livro de Natalie Grant intitulado ‘Disinformation: Soviet Political Warfare, 1917-1991’ oferece-nos percepções adicionais. Há um antigo princípio operacional russo: “simular o que não é, dissimular o que existe”.  https://conspiratio3.blogspot.com/2021/08/jeffrey-nyquist-desinformacao-101.html

DA RÚSSIA, COM TERROR - ENTREVISTA DE ION MIHAI PACHEPA A JAMIE GLAZOV  https://conspiratio3.blogspot.com/2021/05/da-russia-com-terror-entrevista-de-ion.html

MAIS EM: https://conspiratio3.blogspot.com/search/label/DESINFORMA%C3%87%C3%83O

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A China não confiará nas armas nucleares para conquistar o mundo - Por Lev Navrozov - 2009  

Se a China usar seu pequeno estoque nos Estados Unidos ou na Rússia, qualquer um dos países usará seu vasto estoque de armas nucleares na China e o eliminará da terra.

Por outro lado, descobriu-se que são necessários 20 gramas de armas genéricas supertermotóxicas para levar a morte a 6,7 ​​bilhões de pessoas, ou seja, a população mundial.

Chi Haotian mostrou em seus discursos que a China prefere armas químicas e biológicas, cuja produção foi universalmente proibida no Ocidente por motivos morais.

Os donos da China querem atacar o poder humano inimigo ao invés de seus edifícios. Este último pode ser usado para acomodar os escravos chineses vitoriosos.  

Por outro lado, a Rússia e os EUA têm mais armas nucleares do que a China. Seu ataque nuclear à China pode levar à devastação do país atacado. A possibilidade de troca de tais devastações pode levar à paz mundial, mas os donos da China não estão atrás da paz mundial - eles estão atrás do império mundial chinês.  

https://www.newsmax.com/navrozov/Navrozov-China-Nuclear-War/2009/12/23/id/344488/  
 
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A PSEUDO-JUSTIÇA COMUNISTA "Como são feitos os julgamentos políticos? Primeiramente, por sugestão de funcionários do partido, a polícia determina que alguém é "inimigo" das condições existentes, e que pelo menos suas idéias e conversas com amigos íntimos representam um perigo, no mínimo, para as autoridades locais. A providencia que se segue é o preparo da eliminação legal deste inimigo. ISSO É FEITO POR MEIO DE UM PROVOCADOR, que leva a vítima a fazer "declarações embaraçosas", a tomar parte em organizações ilegais, ou coisas semelhantes; ou então, servindo-se de uma testemunha falsa, que dirá o que a polícia desejar. A MAIORIA DAS ORGANIZAÇÕES ILEGAIS NOS REGIMES COMUNISTAS É CRIADA PELA POLÍCIA SECRETA, COMO ARMADILHA PARA OPOSICIONISTAS, que ficam sujeitos então à ação policial. O governo comunista não evita que os cidadãos "suspeitos" cometam crimes e violem a lei, na realidade ele os leva a esses crimes e violações."
(A NOVA CLASSE - MILOVAN DJILAS)

 

segunda-feira, 30 de março de 2020

A DESINFORMAÇÃO AO VIVO E A CORES - TERÇA LIVRE



#Invasores com #PedroAlaer

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Esta pandemia é 10% vírus e 90% imprensa. A ladainha da imprensa feita de propaganda e ocultação tira as pessoas da realidade, dissocia a informação e a percepção. Ninguém está vendo a pandemia de nível máximo que justificaria a quebra de direitos que temos vivido, mas a imprensa olha para a barata e grita como se fosse um crocodilo, e governadores e prefeitos FINGEM que acreditam para impôr sua própria lei. Isso deixa o povo meio louco. É manipulação psicopática.

O CORINGAVÍRUS SERVE DE PRETEXTO PARA QUALQUER COISA - CRIANDO O PROBLEMA PARA VENDER A SOLUÇÃO
Ailton Benedito  26 de março 2020
Governadores e prefeitos no Brasil, a pretexto da pandemia do #VírisChinês #CoronaVírus, descumprem a Constituição e a Lei 13.979/20, e impõem suas próprias DITADURAS ESTADUAIS e MUNICIPAIS contra as respectivas populações, imitando a ditadura comunista da China.
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Olavo de Carvalho · Governos estaduais e municipais podem quebrar direitos consagrados pela Constituição Federal? Obviamente NÃO. As Força Armadas vêem claramente prefeitos e governadores rompendo a ordem constitucional, e fazem de conta que não estão vendo nada. Esses merdas não merecem nem o soldo militar, quanto mais o respeito que, por pura vaidade, continuam exigindo como se fosse um direito natural eterno e incondicional. Acordem, homens de farda, ajam imediatamente e recuperem a honra antes de perder os últimos vestígios dela.
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"O Partido Comunista da China é a "ameaça nº 1 dos nossos tempos", salientou de maneira perspicaz o Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo em janeiro. Naquela altura, o coronavírus já estava se espalhando por toda a China e pelo mundo. O esforço do Partido Comunista de esconder a epidemia provou que Pompeo estava mais do que certo. "Minha preocupação é que esse acobertamento, essa guerra de desinformação sendo promovida pelo Partido Comunista da China, ainda esconda do mundo as informações necessárias para que possamos evitar que novos casos ou algo parecido se repitam", ressaltou Pompeo esta semana."
https://pt.gatestoneinstitute.org/15830/china-duas-caras

Há 80 anos, Orson Welles transmitiu 'A Guerra dos Mundos', de H.G. Wells e assustou milhões nos Estados Unidos.
Em 30 de outubro de 1938, marcianos invadiram a Terra. Pelo menos em uma transmissão de rádio que disseminou preocupação e até pânico entre os milhões de ouvintes da Columbia Broadcasting System (CBS) nos Estados Unidos.
Às 21h, uma mulher entrou apavorada na 47ª delegacia de polícia de Nova York. Carregava duas crianças pequenas, roupas e mantimentos. “Estou pronta para deixar a cidade”, anunciou para os policiais, segundo relato do New York Times do dia posterior.
Na verdade, o noticiário veiculado naquela estação de rádio era uma adaptação do livro A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells, narrada por Orson Welles e pela companhia teatral Mercury Theatre on the Air.
No início do texto, uma mensagem avisava que a peça se constituía de ficção. Mas muitas pessoas só começaram a ouvir depois, quando a narrativa retratava a queda de um meteoro em uma fazenda de Nova Jersey e a descoberta de que o “meteoro” era uma nave cheia de alienígenas munidos de raios mortais e inclinados a exterminar a espécie humana.
A adaptação da história de A Guerra dos Mundos teve impacto no imaginário popular. Talvez impacto maior do que esperava seu idealizador, que chegou a pedir desculpas por qualquer dano, incômodo ou problema provocado.
O New York Times do dia seguinte relatou o recebimento de 875 telefonemas sobre o assunto. No hospital de St. Michael, em Newark, 15 pessoas tiveram que ser atendidas por conta de choque e histeria.

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Felipe Fiamenghi  Felipe Fiamenghi II  22 h
É impressionante como o pânico atrapalha a capacidade cognitiva. Pessoas que eu sempre considerei lúcidas e esclarecidas, agora, estão histéricas. Tentei, até aqui, brincar com o assunto; levar de forma mais leve e descontraída. Justamente para contrabalancear a narrativa pesada que vemos, todo dia, o dia todo, na TV. Mas já ficou provado que não dá. O povo perdeu a capacidade de raciocínio.
LÓGICO QUE O ISOLAMENTO É IMPORTANTE. Seu avô, aposentado, de 90 anos, não tem que estar na rua. Nem seu pai infartado, nem sua mãe diabética. Ninguém que matar a sua família. Relaxa!
Só que o isolamento NÃO DEVE SER FEITO como foi feito no Brasil. Simplesmente porque, aqui, tudo começou com a MOLECAGEM de Dória e Witzel, querendo passar na frente e descredibilizar o Presidente. Não teve preparo prévio; não teve plano de ação. Fecharam tudo, sem que a população tivesse tempo de se organizar; sem planejar o funcionamento dos serviços essenciais.
Quem acredita que o Governo Federal está despreparado é um alienado. Enquanto Dória está confiscando equipamentos médicos de empresas privadas, as Forças Armadas estão montando hospitais de campanha, com 20 mil leitos, em 48 horas.
Bolsonaro tem, ao seu lado, além do diálogo aberto com grandes potências, como EUA e Israel, a gestão de crises de um dos Exércitos mais competentes do mundo (e tem que ser muito idiota para menosprezar o EB). Coisas que o governador da cashmere cor-de-rosa nem sabe o que são.
O que está sendo dito, desde o primeiro momento, é que NÃO SE RESOLVE UMA CRISE COM OUTRA CRISE. Ninguém está menosprezando o Coronavirus. Apenas adequando as ações à NOSSA REALIDADE e às NOSSAS NECESSIDADES, em vez de "apagar fogo com gasolina", como a dupla de patetas tentou fazer.
A situação da Itália NÃO NOS SERVE DE REFERÊNCIA. Primeiro porque tudo se alastrou com a campanha de solidariedade "Abrace um Chinês", lançada pelo prefeito de Florença, para combater o "preconceito". Segundo porque temos clima, densidade demográfica e idade média populacional ABSOLUTAMENTE DIFERENTES.
Agora, enquanto os italianos ainda estão sob temperaturas negativas, no início da primavera européia, nós estamos registrando quase 30ºC, na maioria do país, no nosso outono tropical.
Lógico que ninguém tem que sair desnecessariamente, nem frequentar uma balada lotada ou um estádio de futebol. Mas, com noções básicas de higiene e prevenção, não precisamos continuar castigando nossa economia.
E não é porque quem contrair vai morrer, não. O COVID-19 não é e passa longe de ser um ebola. A preocupação é muito mais por um colapso no sistema de saúde, do que pela taxa de letalidade, bastante semelhante à da gripe comum.
E não estou pedindo para acreditarem em mim. Terminem de ler e abram o Google. Pesquisem a idade média dos mortos na Itália, o número de casos curados, os números e métodos no resto do mundo. Desliguem a televisão e busquem suas próprias informações. Parem de acreditar em uma mídia que apresenta uma reportagem apontando o fim do mundo, com a repórter entrevistando um médico, na rua, sem máscara.
Não sejam massa de manobra.
PENSEM, LAVEM AS MÃOS E ABRAM OS OLHOS!
Felipe Fiamenghi - 29/03/2020
"O pior vírus é o uso político do medo."
(GARCIA, Alexandre)



sábado, 27 de abril de 2019

O ATAQUE DE MOSCOU AO VATICANO - ION MIHAI PACEPA

O site Mídia Sem Máscara está indisponível há bastante tempo, por isso estou repostando alguns dos seus artigos aqui. Para recuperá-los utilizo a máquina do tempo da web: https://web.archive.org
 


O ATAQUE DE MOSCOU AO VATICANO


Escrito por Ion Mihai Pacepa
16 Janeiro 2015 
Artigos - Desinformação

Corromper a Igreja é uma das prioridades da KGB.

A União Soviética jamais se sentiu à vontade tendo que conviver com o Vaticano neste mundo. Descobertas recentes provam que o Kremlin estava disposto a não medir esforços para neutralizar o forte anti-comunismo da Igreja Católica.

Em março de 2006, uma comissão parlamentar italiana concluiu que “além de toda dúvida razoável, os líderes da União Soviética tomaram a iniciativa de eliminar o papa Karol Wojtyla” em retaliação à sua ajuda ao movimento dissidente Solidariedade na Polônia. Em janeiro de 2007, quando documentos mostraram a colaboração do recém-nomeado arcebispo de Warsaw, Stanislaw Wielgus, com a polícia política na época da Polônia comunista, ele admitiu a acusação e se aposentou. No dia seguinte, o prior da Catedral Wawel de Cracóvia, local de sepultamento de reis e rainhas poloneses, se aposentou pela mesma razão. Em seguida, soube-se que Michal Jagosz, um membro do tribunal do Vaticano que estuda a santidade do depois Papa João Paulo II, foi acusado de ser um antigo agente da polícia secreta comunista; de acordo com a mídia polonesa, ele foi recrutado em 1984, antes de deixar a Polônia para assumir um cargo no Vaticano. Atualmente, está prestes a ser publicado um livro que irá revelar a identidade de outros 39 sacerdotes cujos nomes foram descobertos nos arquivos da polícia secreta de Cracóvia, alguns deles bispos atualmente. Além disso, essas revelações parecem ser apenas a ponta do iceberg. Uma comissão especial em breve iniciará uma investigação sobre a atuação de todos os religiosos durante a era comunista, quando, acredita-se, milhares de sacerdotes católicos daquele país colaboraram com a polícia secreta. Isto apenas na Polônia – os arquivos da KGB e os da polícia política nos demais países do antigo bloco soviético ainda precisam ser abertos para investigar as operações contra o Vaticano.

Na minha outra vida, quando estava no centro das operações de guerra de inteligência estrangeira de Moscou, me vi envolvido em um esforço deliberado do Kremlin para manchar a reputação do Vaticano, retratando o Papa Pio XII como um frio simpatizante do nazismo. No fim das contas, a operação não causou nenhum dano duradouro, mas deixou um amargo sabor residual de difícil eliminação. A história jamais foi contada antes.

O ATAQUE À IGREJA Em fevereiro de 1960, Nikita Khrushchev aprovou um plano ultra-secreto para destruir a autoridade moral do Vaticano na Europa Ocidental. O plano era um criativo fruto de Aleksandr Shelepin, chefe da KGB, e de Aleksey Kirichenko, membro do Politburo soviético responsável por políticas internacionais. Até aquele momento, a KGB tinha lutado contra o seu “inimigo mortal” na Europa Oriental, onde a Santa Sé havia sido cruelmente atacada como um covil de espiões a soldo do imperialismo americano, e os seus representantes haviam sido sumariamente presos sob acusação de espionagem. Agora, Moscou queria desacreditar o Vaticano imputando-lhe a pecha de bastião do nazismo, usando os seus próprios sacerdotes, em seu próprio território.

Eugenio Pacelli, o Papa Pio XII, foi escolhido como alvo prioritário da KGB – a sua encarnação do demônio – pois havia deixado este mundo em 1958. “Mortos não podem se defender” era o slogan da KGB na época. Moscou acabara de ganhar um soco no olho por ter falsamente incriminado e encarcerado um prelado do Vaticano, o cardeal József Mindszenty, primaz da Hungria, em 1948. Durante a revolução húngara de 1956, ele escapara da prisão e pedira asilo na embaixada americana em Budapeste, onde começou escrever as suas memórias. Quando os detalhes de como ele havia sido condenado se tornaram conhecidos de jornalistas ocidentais, foi visto por todos como um santo herói e mártir.

Como Pio XII havia sido núncio papal em Munique e em Berlin quando os nazistas estavam iniciando a sua tentativa de chegar ao poder, a KGB queria retratá-lo como um anti-semita encorajador do Holocausto. O desafio era realizar a operação sem dar o menor sinal do envolvimento do bloco soviético. Todo o trabalho sujo devia ser feito por mãos ocidentais, usando evidências do próprio Vaticano. Isto corrigiria outro erro cometido no caso de Mindszenty, incriminado com documentos soviéticos e húngaros falsificados. (Em 6 de fevereiro de 1949, alguns dias após o julgamento de Mindszenty, Hanna Sulner, a especialista húngara em caligrafia que havia fabricado a “evidência” usada para incriminar o cardeal, fugiu para Viena e exibiu os microfilmes dos “documentos” em que se baseara o julgamento encenado. Hanna demonstrou, em um testemunho minuciosamente detalhado, que os documentos eram todos forjados, produzidos por ela, “alguns pretensamente escritos pelo cardeal, outras exibindo a sua suposta assinatura”.)

Para evitar outra catástrofe como a de Mindszently, a KGB precisava de alguns documentos originais do Vaticano, mesmo remotamente ligados a Pio XII, os quais os seus especialistas em desinformação poderiam modificar levemente e projetar “na luz apropriada” para provar as “verdadeiras cores” do Papa. A KGB, entretanto, não tinha acesso aos arquivos do Vaticano, e aí entrou o meu DIE, o serviço romeno de inteligência estrangeira. O novo chefe do serviço de inteligência estrangeira soviético, general Aleksandr Sakharovsky, havia criado o DIE em 1949 e havia sido até pouco tempo antes o nosso conselheiro-chefe soviético; o DIE, ele sabia, estava em excelente posição para contactar o Vaticano e obter aprovação para pesquisa em seus arquivos. Em 1959, quando fui nomeado para a Alemanha Oriental no disfarçado cargo de representante-chefe da Missão Romena, havia conduzido uma “troca de espiões” na qual dois oficiais do DIE (coronel Gheorghe Horobet e major Nicolae Ciuciulin), pegos com em flagrante na Alemanha Ocidental, foram trocados pelo bispo católico Augustin Pacha, preso pela KGB sob uma espúria acusação de espionagem, e que finalmente retornava ao Vaticano via Alemanha Ocidental.

INFILTRAÇÃO NO VATICANO “Seat 12” era o codinome dado a essa operação contra Pio XII e eu me tornei o seu ponta-de-lança romeno. Para facilitar o meu trabalho, Sakharovsky me autorizou a informar (falsamente) o Vaticano que a Romênia estava pronta para restabelecer as relações cortadas com a Santa Sé, em troca ao acesso aos seus arquivos e um empréstimo sem juros de um bilhão de dólares por 25 anos. (As relações da Romênia com o Vaticano haviam sido cortadas em 1951, quando Moscou acusou a nunciatura do Vaticano na Romênia de ser um front da CIA disfarçado e fechou os seus escritórios. Os edifícios da nunciatura em Bucareste haviam sido revertidos ao DIE e hoje abrigam uma escola de idioma estrangeiro.) O acesso aos arquivos papais, eu havia dito ao Vaticano, era necessário para encontrar raízes históricas que ajudariam o governo romeno a justificar publicamente a sua mudança de atitude em relação à Santa Sé. O dinheiro – bilhão de dólares (não, isto não é erro de digitação) -, me disseram, havia sido introduzido no jogo para tornar a alegada mudança de opinião romena mais plausível. “Se há uma coisa que estes monges entendem é de dinheiro” disse Sakharovsky.

A minha atuação na troca do bispo Pacha pelos dois oficiais do DIE realmente abriram as portas para mim. Um mês após ter recebido as instruções da KGB, fiz meu primeiro contato com um representante do Vaticano. Por razões de segredo, o encontro – e a maioria das reuniões seguintes – ocorreu em um hotel em Genebra, Suíça. Fui apresentado a um “membro influente do corpo diplomático” que, me disseram, havia começado a carreira trabalhando nos arquivos do Vaticano. O seu nome era Agostino Casaroli, e eu logo perceberia a sua grande influência. Imediatamente, este monsenhor deu-me acesso aos arquivos do Vaticano, e logo três jovens oficiais do DIE disfarçados de sacerdotes romenos estavam mergulhados nos arquivos papais. Casaroli também concordou “em princípio” com o pedido de Bucareste pelo empréstimo sem juros, mas disse que o Vaticano desejava impor certas condições. (Até 1978, quando deixei a Romênia para sempre, eu ainda estava negociando o empréstimo, diminuído então para 200 milhões de dólares.)

Durante os anos 1960-62, o DIE conseguiu furtar dos Arquivos do Vaticano e da Biblioteca Apostólica centenas de documentos ligados, de alguma forma, ao Papa Pio XII. Tudo era imediatamente enviado para a KGB por um correio especial. Na realidade, nenhum material incriminador contra o Pontífice emergiu de todos aqueles documentos secretamente fotografados. A maior parte eram cópias de cartas pessoais e transcrições de reuniões e discursos, tudo formatado na rotineira linguagem diplomática esperada. A KGB, entretanto, continuava pedindo mais documentos. E nós enviávamos mais.

A KGB PRODUZ UMA PEÇA Em 1963, o general Ivan Agayants, o famoso chefe do departamento de desinformação da KGB, foi a Bucareste para nos agradecer pela ajuda. Disse-nos que a operação “Seat-12” havia se materializado em uma poderosa peça de ataque contra o Papa Pio XII intitulada The Deputy (O Representante), uma referência indireta ao Papa como representante de Cristo na terra. Agayants levou o crédito pelo formato da peça, e nos disse que ela tinha extensos apêndices de documentos para lhe dar sustentação, anexados pelos seus especialistas com a ajuda de documentos furtados por nós do Vaticano. Agayants também nos disse que o produtor da The Deputy, Erwin Piscator, era um comunista devoto com um relacionamento de longa data com Moscou. Em 1929, ele havia fundado o Teatro do Proletariado em Berlim, e em seguida procurado asilo político na União Soviética quando Hitler chegou ao poder, e, poucos anos depois, “emigrou” para os EUA. Em 1962, Piscator voltou a Berlim Ocidental para produzir The Deputy.

Em todos os meus anos na Romênia, sempre lidei com os meus chefes da KGB com um certo cuidado pois eles costumavam manejar os acontecimentos de forma a fazer a inteligência soviética a mãe e o pai de tudo. Mas eu tinha razões para acreditar na declaração auto-elogiosa de Agayants. Ele era uma lenda viva no campo da desinformação. Em 1943, morando no Irã, Agayants lançara o relatório de desinformação segundo o qual Hitler havia montado uma equipe especial para sequestrar o presidente Franklin Roosevelt da embaixada americana em Teerã durante a Conferência de Cúpula Aliada a ser realizada lá. Por isso, Roosevelt concordou em montar o seu quartel-general em uma vila sob a “segurança” do complexo da Embaixada Soviética, protegida por uma grande unidade militar. Todo o pessoal soviético designado para aquela vila era composto por oficiais de inteligência disfarçados, com domínio do idioma inglês, mas, com poucas exceções, eles mantinham isto em segredo para poder escutar as conversas. Mesmo com as capacidades técnicas limitadas da época, Agayants conseguiu proporcionar a Stalin, de hora em hora, relatórios de acompanhamento sobre os hóspedes americanos e britânicos. Isto ajudou Stalin a obter o acordo tácito de Roosevelt para deixá-lo manter sob domínio os países bálticos e os demais territórios ocupados pela União Soviética em 1939-40. Agayants também levou o crédito por ter induzido Roosevelt a usar o familiar tratamento “Tio Joe” para Stalin naquele encontro. De acordo com o relato de Sakharovsky para nós, Stalin estava mais orgulhoso disso até mesmo do que dos territórios ganhos. “O aleijado é meu!” teria exultado.

Exatamente um ano antes do lançamento da peça The Deputy, Agayants realizou outra ação bem sucedida. Inventou um manuscrito concebido para convencer o Ocidente de que, no fundo, o Kremlin pensava bem dos judeus; isto foi publicado na Europa Ocidental, com muito sucesso entre o público, na forma de um livro intitulado Notes for a Journal. O manuscrito foi abribuído a Maxim Litvinov, nascido Meir Walach, o aposentado comissário soviético para relações exteriores, demitido em 1939 quando Stalin purgou o seu aparato diplomático de judeus em preparação para a assinatura do pacto de “não-agressão” com Hitler. (O Pacto de Nâo-Agressão Stalin-Hitler foi assinado em 23 de agosto de 1939 em Moscou. Continha um Protocolo secreto dividindo a Polônia entre os dois signatários e dava aos soviéticos autoridade sobre Estônia, Letônia, Finlândia, Bessarábia e Bucovina do Norte.) Este livro de Agayants estava tão perfeitamente falsificado que o mais proeminente estudioso da Rússia Soviética, o historiador Edward Hallet Carr, ficou totalmente convencido da sua autenticidade e até escreveu uma introdução para ele. (Carr havia escrito uma História da Rússia Soviética, em 10 volumes.)

A peça The Deputy foi lançada em 1963 como um trabalho de um desconhecido alemão oriental chamado Rolf Hochhuth, sob o título Der Stellvertreter, Ein christliches Trauerspiel (The Deputy, a Christian Tragedy). A tese central era que Pio XII havia apoiado Hitler e o encorajara a ir adiante com o Holocausto Judeu. O livro acendeu imediatamente uma gigantesca controvérsia acerca de Pio XII, descrito como um homem frio e sem coração, mais preocupado com as propriedades do Vaticano do que com o destino das vítimas de Hitler. O texto original apresentava uma peça de oito horas, apoiada por cerca de 40 a 80 páginas (dependendo da edição) do que Hochhuth chamou de “documentação histórica”. Em um artigo de jornal publicado na Alemanha em 1963, Hochhuth defende a sua representação de Pio XII dizendo: “Os fatos estão aí – quarenta páginas repletas de documentos no apêndice da minha peça.” Em uma entrevista de rádio em Nova Iorque em 1964, quando The Deputy estreiou naquela cidade, Hochhuth disse “Eu considerei necessário adicionar à peça um apêndice histórico, de cinquenta a oitenta páginas (dependendo do tamanho da impressão)”. Na edição original, o apêndice é intitulado Historische Streiflichter (fragmentos históricos). The Deputy foi traduzida para cerca de 20 idiomais, drasticamente cortada e normalmente sem o apêndice.

Antes de escrever The Deputy, Hochhuth, que não tinha diploma secundário (Abitur), estava trabalhando em diversos trabalhos desimportantes para o grupo editorial Bertelsmann. Em entrevista, declarou que em 1959 obtivera uma licença de ausência de trabalho e fôra a Roma, onde passara três meses conversando e, em seguida, escrevento o primeiro rascunho da peça, e onde havia proposto uma “série de questões” a um bispo cujo nome recusou a revelar. Até parece! Quase na mesma época, eu costumava visitar o Vaticano regularmente como representante credenciado de um chefe de estado, e nunca encontrei nenhum bispo tagarela para conversar no corredor comigo – e não foi por falta de tentativa. Os oficiais ilegais do DIE infiltrados por nós no Vaticano também encontraram quase as mesmas dificuldades insuperáveis para penetrar nos arquivos secretos do Vaticano, mesmo com o inexpugnável disfarce de sacerdote.

Nos meus velhos tempos do DIE, quando podia pedir ao meu chefe pessoal, general Nicolae Ceausescu (o irmão do ditador) um relatório detalhado sobre algum subordinado, ele sempre perguntava “Para promover ou rebaixar?” (NT: For promotion or demotion?, no original.) Durante os seus primeiros dez anos de vida, The Deputy tendeu na direção do rebaixamento do Papa. Gerou uma enxurrada de livros e artigos, alguns acusando, outros defendendo o pontífice. Alguns chegaram até a jogar a culpa pelas atrocidades em Auschwitz nas costas do Papa, outros meticulosamente reduziram os argumentos de Hochhuth a pó, mas todos contribuíram para a enorme atenção recebida na época por esta peça trapaceira. Hoje, muitas pessoas que jamais ouviram falar na The Deputy estão sinceramente convencidas que Pio XII foi um homem frio e malvado que odiava os judeus e ajudou Hitler a eliminá-los. Como Yury Andropov – chefe da KGB e inigualável mestre da enganação soviética – costumava me dizer, as pessoas são mais propensas a acreditar em sujidade do que em santidade.

CALÚNIAS ENFRAQUECIDAS Em meados da década de 1970, The Deputy começou a perder força. Em 1974, Andropov admitiu para nós que, se soubéssemos antes o que sabíamos então, jamais teríamos ido atrás do Papa Pio XII. Referia-se a informações recentemente liberadas mostrando que Hitler, longe de ser amigo de Pio XII, na verdade tramou contra ele.

Poucos dias antes da admissão de Andropov, o antigo comandante supremo do esquadrão da SS alemã (Schutztaffel) na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, general Friedrich Otto Wolff, havia sido solto da cadeia e confessado que em 1943 Hitler havia lhe ordenado que raptasse o Papa Pio XII do Vaticano. Aquela ordem havia sido tão confidencial que jamais foi trazida à tona após a guerra em nenhum arquivo nazista. Nem surgiu em nenhuma das inúmeras prestações de contas de oficiais da Gestapo e SS conduzidas pelos Aliados vitoriosos. Segundo a sua confissão, Wolff teria replicado a Hitler que a ordem levaria seis semanas para ser cumprida. Hitler, que culpava o Papa pela derrota do ditador italiano Benito Mussolini, queria a ordem cumprida imediatamente. Por fim, Wolff persuadiu Hitler que haveria uma forte reação negativa se o plano fôsse implementado, e o Führer o abandonou.

Também em 1974, o cardeal Mindszenty publicou o seu livro Memoirs, no qual descreve em dolorosos detalhes como foi falsamente incriminado na Hungria comunista. Com provas baseadas em documentos fabricados, ele foi acusado de “traição, mal uso de moeda estrangeira e conspiração”, ofensas “todas passíveis de pena de morte ou prisão perpétua”. Ele também desceve como a sua falsa “confissão” ganhou então vida própria. “Qualquer um, parecia para mim, podia ter reconhecido imediatamente este documento como uma falsificação grosseira, pois era o produto de um trabalho malfeito e de uma mente inculta”, escreveu o cardeal. “Mas quando depois eu li os livros, jornais e revistas estrangeiros que lidaram com o meu caso e comentaram a minha “confissão”, percebi que o público deve ter concluído que a “confissão” havia sido realmente feita por mim, apesar de ter sido feita em estado semiconsciente e sob a influência de lavagem cerebral… o fato de a polícia ter publicado um documento fabricado por ela mesma parecia muito descarado para se acreditar”. Além de tudo isso, Hanna Sulner, a especialista em caligrafia húngara usada incriminar o cardeal, havia escapado para Viena, e confirmou ter forjado a “confissão” de Mindszenty.

Alguns anos depois, o Papa João Paulo II iniciou o processo de beatificação de Pio XII, e testemunhas do mundo inteiro provaram, de modo constrangedor para os adversários, que Pio XII era um inimigo, não um amigo, de Hitler. Israel Zoller, o rabi-chefe de Roma entre 1943-44, quando Hitler tomou a cidade, devotou um capítulo inteiro das suas memórias louvando a liderança de Pio XII. “O Santo Padre enviou uma carta para ser entregue em mãos aos bispos instruindo-os para levantar o claustro de conventos e monastérios, para poderem se tornar refúgio para os judeus. Sei de um convento onde as Irmãs dormiram no porão, emprestando as suas camas para os refugiados judeus”. Em 25 de julho de 1944, Zoller foi recebido pelo Papa Pio XII. Notas tomadas pelo secretário de estado do Vaticano, Giovanni Battista Montini (que se tornaria o Papa Paulo VI) mostram a gratidão do rabi Zoller ao Santo Padre por toda a sua ajuda para salvar a comunidade judaica em Roma – e os seus agradecimentos foram transmitidos pelo rádio. Em 13 de fevereiro de 1945, o rabi Zoller foi batizado pelo bispo auxiliar de Roma, Luigi Traglia, na igreja de Santa Maria degli Angeli. Em agradecimento a Pio XII, Zoller tomou o nome cristão de Eugênio (o nome do Papa). Um ano depois, a esposa e a filha de Zoller também foram batizadas.

David G. Dalin, em The Myth of Hitler´s Pope: How Pope Pius XII Rescued Jews From the Nazis, publicado poucos meses atrás, compilou provas indiscutíveis da amizade entre Eugenio Pacelli e os judeus, iniciada bem antes dele ser papa. No começo da Segunda Guerra Mundial, a primeira encíclica do Papa Pio XII foi tão anti-Hitler que a Real Força Aérea e a força aérea francesa lançaram 88 mil cópias do documento sobre a Alemanha.

Ao longo dos 16 últimos anos, a liberdade de religião foi restaurada na Rússia e uma nova geração vem lutando para desenvolver uma nova identidade nacional. Só podemos esperar que o presidente Vladimir Putin decida abrir os arquivos da KGB e os coloque sobre a mesa para que todos possam ver como os comunistas caluniaram um dos mais importantes Papas do último século.

O general Ion Mihai Pacepa é o oficial de mais alta patente que desertou do Bloco Soviético. O seu livro Red Horizons foi traduzido para 27 idiomas.

Este texto é tradução do artigo Moscow’s Assault on the Vatican, publicado no National Review em 25 de janeiro de 2007.

Tradução: Ricardo R Hashimoto
https://web.archive.org/web/20160411093517/http://www.midiasemmascara.org/artigos/desinformacao/15631-o-ataque-de-moscou-ao-vaticano.html


ATENÇÃO: FRANCISCO ENVOLVIDO EM NOVO GRANDE ESCÂNDALO
https://youtu.be/6FmWKBnZ0l8 

PAPA BENTO XVI, WikiLeaks e o Deep State - Daniel Ferraz
https://conspiratio3.blogspot.com/2019/04/papa-bento-xvi-wikileaks-e-o-deep-state.html


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OLAVO, O HOMEM QUE ME SALVOU DA MENTIRA
Paulo Briguet

"Um só é o vosso mestre, Cristo." (Mt 23, 10)

Há cerca de 20 anos, eu estava mergulhado na mentira, no hedonismo e no desespero. Não acreditava em Deus, não acreditava na verdade, não acreditava em ninguém. Minhas únicas fontes de consolação eram meus pais e uns poucos amigos (Preto, Zé, Marcelo...). Trabalhava apenas por obrigação; não tinha o menor amor por aquilo que fazia. Só acreditava em um deus chamado Revolução. Com a alma absolutamente desordenada, caminhava a passos largos para a loucura ou a morte.

Meu problema não era exatamente a ideologia, nem a descrença; era combinação explosiva das duas coisas, que eu chamo hoje de rebelião metafísica. Não se tratava apenas lutar contra o poder político, o sistema econômico ou a religião: muito mais do que isso, minha revolta e meu ódio tinham como alvo a própria realidade. Eu odiava a existência em si, e queria destruí-la.

Alguns acontecimentos me fizeram despertar desse pesadelo. Hoje falarei sobre um deles. Em julho de 2000, logo após ter pedido demissão do emprego, e bastante deprimido, li numa revista um artigo intitulado "Sem testemunhas", do filósofo Olavo de Carvalho. No texto, Olavo contava uma história sobre a infância do médico, teólogo e filantropo Albert Schweitzer. Aos três anos de idade, o pequeno Albert fora picado por uma abelha, e começou a chorar. Imediatamente, familiares e vizinhos correram para acudir o menino. Em determinado instante, Albert percebeu que a dor havia passado, mas mesmo assim continuava chorando apenas para chamar a atenção dos outros.

Essa minúscula mentira, que um homem septuagenário lembrava com vergonha, e da qual ele próprio havia sido a única testemunha, é utilizada por Olavo de Carvalho, no referido artigo, como poderosa imagem ilustrativa do drama da consciência humana. A verdade mais absoluta vem a ser aquela que o indivíduo conhece na solidão de sua consciência, diante de Deus. Não é por acaso que a própria Verdade acabou sendo pregada e abandonada por todos na cruz.

Naquele momento, descobri que minha vida estava absolutamente dominada pela mentira. Ela, a mentira, era o ar que eu respirava, a bebida que eu bebia, a roupa que eu vestia, a língua que eu falava. A mentira era o meu deus. Toda minha alma se concentrava em uma única atividade: enganar a mim mesmo.

Jamais poderia imaginar que, alguns anos depois, o homem que começou a me tirar do pântano do desespero se tornaria meu amigo e meu professor. Muito menos poderia supor que esse homem começaria a tirar o Brasil do lamaçal da mentira em que estivemos mergulhados por tanto tempo. Ele ajudou a salvar minha vida, e agora ajuda a salvar o País.

Quando vejo Olavo sendo atacado por pessoas que jamais se deram ao trabalho de ler um livro seu, e que pinçam frases soltas e piadas para tentar assassinar a sua reputação, sinto-me pessoalmente ofendido. Mas aí me lembro de outro ensinamento do professor: o de que o perdão é a lei estrutural do universo. Tudo que é nunca deixará de ser - exceto os nossos pecados, apagados com o sangue de Jesus Cristo.

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