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segunda-feira, 13 de maio de 2013

O EX-REVOLUCIONÁRIO DOSTOIEVSKY CONTA TUDO EM "OS DEMÔNIOS"

Dostoievsky publicou "OS DEMÔNIOS" em capítulos, num jornal para todos lerem, mais de 40 anos antes da revolução comunista tornar a Rússia num totalitarismo de esquerda. Mas, assim como Saint Germain, que tentou evitar a carnificina na França e não foi acreditado, parece que Dostoievsky não foi levado a sério. O que lembra muito nossa época...
Seguem excertos da obra:


    Pelo que compreendi — e era impossível não o compreender — o senhor, uma vez, de início, e outra vez mais tarde falou com bastante eloqüência — embora por demais teóricamente — da vasta rede que cobre a Rússia inteira e da qual nosso grupo é uma das malhas. Cada um desses grupos, fazem prosélitos e se ramificando até ao infinito, por meio de uma propaganda sistemática, deve sabotar o poder das autoridades locais, espalhar a desordem pelo campo, provocar escândalo, estimular o cinismo e a incredulidade, suscitar o desejo de um melhor destino, e enfim, recorrer aos incêndios como a um método eminentemente popular para, no momento oportuno, mergulhar o país no desespêro. Serão essas exatamente as suas palavras? Procurei gravá-las todas. Não é esse o programa que nos comunicou como delegado de um tal de Comitê Central que nós ainda não conhecemos e que nos parece quase fantástico? 
    Povo nenhum, disse ele, como se lesse num livro, fixando Stravróguin com olhar ameaçador, povo nenhum pôde jamais se organizar sôbre a terra em bases científicas e racionais; povo nenhum o conseguiu, salvo talvez pela duração dum instante, e por estupidez pura. O socialismo na sua essência é ateu, porque proclamou desde o início que se propõe a edificar a sociedade unicamente na ciência e na razão. Por tôda a parte e sempre, desde o comêço dos tempos, a razão e a ciência só desempenharam na existência dos povos um papel subalterno, a serviço da vida; e assim será sempre, até o fim dos séculos. Os povos se constituem e se desenvolvem movidos por uma fôrça diferente, uma fôrça soberana, cuja origem se mantém desconhecida e inexplicável. Essa fôrça é o desejo inextinguível de atingir um fim e ao mesmo tempo a negação dêsse fim. Essa força é a afirmação persistente e infatigável do ser e a negação da morte. É o espírito da vida, como diz a escritura, "as fontes de águas vivas", como diz a Escritura, com cuja extinção nos ameaça tanto o Apocalipse.
*
Acontecia que ele sabia de muito;  e assim, conseguiu mudar a feição do, caso todo: a tragédia de Chátov e de Kiríllov, o incêndio, a morte irmãos Lebiádkin, —  tudo isso passou para o segundo plano, cedendo  lugar a Piótr Stepánovitch, à sociedade secreta, à organização, à rêde. Quando lhe fizeram esta pergunta: Por que tantos crimes, esses escândalos, essas misérias? —  Liámchin imediatamente retrucou: — Afim de abalar o govêrno nas suas bases, a fim de apressar a decomposição da sociedade, a fim de desanimar todos e inocular nos espíritos a desordem. Depois nos teríamos apoderado, dessa sociedade caótica, doente, abandonada, cínica e cética,  mas que aspira submeter-se a qualquer idéia diretriz; teríamos  brandido o estandarte da revolta, apoiando-nos na rede de grupos de Cinco, que por seu lado agiriam promovendo a propaganda, estudando os pontos fracos do adversário e os meios práticos de o combater.
Declarou ele, afinal, que aquilo que se registrara entre nós não passava duma tentativa inicial de desordem sistemática, de certo modo representava o programa que deveriam seguir os grupos fundados por Piótr Stepánovitch. Pelo menos era essa a sua opinião — dêle, Liámchin. E insistiu em que "fossem levadas em conta as suas palavras, a franqueza, a precisão com que expusera todo o caso, o que bem mostrava quão grandes serviços poderia prestar às autoridades".
Anta a pergunta direta: "Há muitos grupos de Cinco, na Rússia?" respondeu que eram inúmeros esses grupos e cobriam com sua rede a nação inteira. Não apresentou nenhuma prova apoiando suas declarações, mas creio que era sincero quando assim falava. Limitou-se a expor o programa da sociedade, impresso no estrangeiro, e um projeto de desenvolvimento da sua ação, escrito pelo punho de Piótr Stepánovitch. Verificou-se que, falando em "abalar as bases", Liámchin citara textualmente um trecho desse documento, sem omitir um ponto ou uma vírgula — coisa entretanto que não o impedira de reivindicar como sua essa idéia . 
 *
    Hum! se a Babilônia européia ruir, será realmente uma grande catástrofe. (Estou de acôrdo com os senhores, a respeito — embora creia que ela há de durar tanto quanto eu. Enquanto que aqui na Rússia, afinal de contas, que é que pode ruir?... Não assistiremos a um desabar de pedras, porque tudo se há de liquefazer : será um dilúvio de lama. A Santa Rússia é absolutamente incapaz de oferecer qualquer resistência a quem quer que seja. Graças ao deus russo, o povo ainda se mantém mais ou menos sossegado ; mas segundo as últimas notícias, o deus russo não é suficientemente sólido e a libertação dos servos quase o derruba; pelo menos, abalou-o de rijo. E além disso há as estradas de ferro, há os senhores... E quanto ao deus russo, absolutamente não creio nele. 
    E no deus europeu? 
    Não creio em deus nenhum. Fui caluniado perante a mocidade russa. Sempre estive de coração ao seu lado. Mostraram os manifestos que são distribuídos por cá. São documentos que deixam os indivíduos perplexos, porque o seu tom assusta as almas; mas todo o mundo inconscientemente está convencido do poder de ação deles. Já há muito tempo que tudo vai deslizando para o abismo, e já há muito tempo é sabido que ninguém se poderá agarrar a nada. E tenho certeza absoluta do êxito dessa propaganda, porque sei que a Rússia é por excelência o país onde tudo pode acontecer, sem encontrar a mínima resistência. Compreendo muitíssimo bem por que os russos que possuem alguns bens transpõem as fronteiras, em número considerável, cada ano. É simplesmente o instinto que os guia. Quando um navio vai afundar, os ratos são os primeiros que o abandonam. A Santa Rússia é um país de casas de madeira, um país miserável e... e perigoso ... um país de mendigos: mendigos vaidosos nas camadas superiores, mas cuja imensa maioria vive nas isbás, de paredes inseguras. Ficariam satisfeitos com qualquer saída — e bastaria que essa saída fôsse indicada. Só o govêrno ainda quer resistir, mas maneja o gládio a torto e a direito e fere justamente os seus. Aqui tudo é julgado e condenado; a Rússia, tal como é, não tem futuro. Tornei-me alemão, e honro-me com isso. 
    0 senhor começou falando nas proclamações. Diga-me o que pensa a respeito delas. 
    Todo o mundo está com medo; portanto, elas execem grande ação. Descobrem francamente a mentira, e demonstram que, entre nós, nada existe a que nos agarremos, nada em nos amparemos. Esses manifestos falam alto, quando todos se calam. Sua fôrça (não obstante a sua forma) é a audácia inaudita com que encaram de frente a verdade. E essa faculdade de encarar de frente a verdade pertence apenas à atual geração russa. Não, na Europa ainda não são tão atrevidos: o edifício europeu é feito de pedra, e ainda tem onde se arrimar. Pelo que vejo, e tanto quanto posso julgar, a idéia revolucionária russa consiste essencialmente na negação da honra. E agrada-me ver êsse pensamento expresso com tanta coragem, com tanta ousadia. Não, na Europa não se compreenderia ainda tal idéia, e entre nós, porém, é exatamente sôbre ela que todos se hão de se precipitar. Para a Rússia, a honra não passa dum fardo inútil, tem sido assim em todos os tempos, no decorrer de toda a sua história. Será portanto fácil seduzi-la, e arrastá-la proclamando o "direito à desonra". Pertenço à velha geração e confesso que ainda sou partidário da honra; mas isso é apenas um hábito. Aferro-me ainda às velhas fórmulas; admitamos que isso seja uma fraqueza de minha parte: é mister porém morrer com os princípios aos quais nos apegamos a vida inteira...
 * 
    Como foi então que você se arranjou para espalhar ai, os manifestos? 
    Na reunião aonde vamos, não haverá senão quatro filiados. Os outros estão à espera, espionam-se reciprocamente e me relatam tudo. Pode-se contar com êles. É uma matéria bruta que é mister organizar, e depois veremos. Ademais, foi você próprio quem organizou os estatutos ; é pois inútil dar-lhe explicações. 
    E então o trabalho anda? Poucas dificuldades? 
    Se anda! Não poderia andar melhor ! Vou fazê-lo rir : o melhor método de ação é o uniforme. Não há nada mais poderoso que o uniforme. Invento de propósito títulos e funções : instituo secretários, emissários secretos, tesoureiros, presidentes, registradores e adjuntos. Isto agrada muitíssimo aos camaradas que aceitam os cargos, honradíssimos. Depois, é claro, vem ainda o sentimentalismo. Você sabe que o êxito do socialismo é em grande parte devido ao sentimentalismo. A desgraça é que às vezes a gente se vê a braços com um subtenente hidrófobo, que se põe a morder. Em seguida, estão os simples canalhas; bons sujeitos, aliás, que podem vir a ser utilíssimos ; mas perde-se com eles muito tempo, porque é preciso vigiá-los bem. Enfim, a fôrça principal, o cimento que liga tudo, é o temor da opinião. Que fôrça que isso é! Vivo perguntando a mim próprio a quem (devemos nós ser gratos por ter tão habilmente manobrado os espíritos ; ninguém tem mais uma idéia própria, aqui. Eles teriam vergonha de pensar por si próprios. 
    Se é assim, por que você se afadiga tanto? 
    Como deixar de se aproveitar da situação? Como não nos apoderarmos daquele que nos estende os braços? Será que realmente você não acredita na vitória? Tem fé, mas o que lhe faz falta é a vontade de agir. Sim, é justamente com gente dessa espécie que é possível vencer. Sou eu que lhe digo : atiram-se ao fogo, se for necessário ; bastar-me-á, para isso, censurar-lhes a tibieza das suas convicções. Os imbecis me acusam porque enganei todo o mundo com o meu "Comitê Central" e suas "infinitas ramificações" ; você mesmo fez-me um dia essa censura. Pois não enganei ninguém: o Comitê Central somos você e eu; quanto às ramificações, teremos tantas quantas quisermos. 
    Mas só a ralé? 
    É o material. Serve para qualquer coisa.
     
* 
    Como me consagrei inteiramente ao estudo da organização que no futuro deverá substituir a nossa, continuou Chigalióv — cheguei à convicção de que todos os criadores de sistemas sociais, desde os tempos mais recuados até nossos dias, foram sonhadores, visionários, tolos, que se contradiziam a si próprios e nada entendiam de ciências naturais, nem desse estranho animal que se chama o homem. Platão, Rousseau, Fourier, não passam da colunas de alumínio; servem apenas para pardais, e não para homens. E como as formas sociais do futuro devem ser fixadas precisamente agora, e já que afinal estamos decididos a iniciar a ação, sem mais delongas, proponho o meu sistema de organização mundial. Ei-lo — declarou batendo no caderno. Queria expor-lhes o meu livro tão sucintamente quanto fosse possível ; mas vejo que me será preciso acrescentar algumas explicações verbais. Minha exposição exigirá pelo menos dez reuniões, de acôrdo com o número de capítulos do livro. (Houve algumas risadas.) Ademais, devo preveni-los de que o meu sistema ainda não está concluído. (Novos risos.) Embrulhei-me com meus próprios dados e a conclusão está em contradição direta com a idéia fundamental do sistema. Partindo da liberdade ilimitada cheguei ao despotismo ilimitado. Faço notar, entretanto, que para o problema social, não pode haver outra solução senão a minha.
(...)
    O Sr. Chigalióv dedicou-se inteiramente à sua tarefa e ademais é excessivamente modesto. Conheço o seu livro. Para resolver definitivamente a questão social, propõe êle que se divida a sociedade em duas partes desiguais. A um décimo será outorgada liberdade absoluta, e autoridade ilimitada sobre os outros nove décimos que deverão perder a personalidade, convertendo-se num rebanho; mantidos numa submissão sem limites, passando por uma série de transformações, atingirão o estado de inocência primitiva, qualquer coisa como o Éden primitivo — sendo embora obrigados ao trabalho. As medidas preconizadas pelo autor a fim de despojar de sua vontade os nove décimos da humanidade e transformá-los em rebanho, por meio da educação, são notabilíssimas; baseadas nos dados das ciências naturais, são inteiramente lógicas. Pode-se deixar de aceitar certas conclusões, mas é impossível negar a inteligência e os conhecimentos do autor. É lamentável que, em vista das circunstâncias, não lhe possamos conceder os dez serões que ele exige, porque decerto ouviríamos coisas interessantíssimas.
    Será possível que o senhor leve a sério esse homem que, sem saber o que fazer da humanidade, lhe reduz nove décimos à escravidão? perguntou ao coxo a Senhora Virguínskaia, inquieta. Já há muito tempo que ele me parecia suspeito. 
    E além disso, trabalhar para aristocratas e lhes prestar obediência como se fossem deuses, é uma covardia, disse a estudante indignada. 
    O que proponho não é nenhuma covardia — é o para o paraíso terrestre, e não pode haver nenhum outro, concluiu Chigalióv, autoritário. 
    Pois eu, bradou Liámchin, em vez de organizar o paraíso terrestre, se não soubesse o que fazer dos restantes nove décimos da humanidade, dava cabo dêles, e só deixaria viver um punhado de indivíduos instruídos, capazes de viver pacificamente, de acôrdo com os princípios científicos. 
    Só um palhaço é capaz de falar assim! protestou a rapariga.
    Ele é mesmo um palhaço, mas útil, murmurou a Senhora Virguínskaia ao ouvido da estudante.

    Talvez fosse realmente essa a melhor solução do problema interveio Chigalióv, volvendo-se ràpidamente para Liámchí Talvez não saiba que acaba de dizer uma coisa profundíssima senhor palhaço. Mas como sua idéia é quase irrealizável, temos que nos contentar com o paraíso terrestre — já que é mister chamá-lo assim. 
    Quanta asneira! deixou escapar Verkhovénski malgrado seu; não levantara a cabeça e continuava a cortar as unhas, indiferente.
    Asneiras, por quê? retrucou imediatamente o coxo, como se não esperasse senão um momento propício a fim de atacar Piótr Stepánovitch. Asneiras, por quê? O amor do Sr. Chigalióv pela humanidade é um pouco fanático; mas lembre-se de que Fourier, e sobretudo Cabet, e até mesmo Proudhon, mostraram-se partidários de certas soluções extremamente despóticas e à primeira vista, fantasistas. E o Sr. Chigalióv é talvez mais razoável que eles. Garanto aos senhores que depois da leitura do livro de Chigalióv, é quase impossível deixar de admitir algumas das suas idéias. Ele afastou-se do realismo menos talvez que os outros, e o seu paraíso terrestre é quase um paraíso autêntico — o paraíso com que sonham os homens, depois de o perderem — se é que jamais o possuíram.
    Bem que eu previa que iria ouvir uma coisa mais ora menos dêsse gênero, resmungou novamente Verkhovénskii.

    Com licença! gritou o coxo cada vez mais furioso. Atualmente tornou-se quase uma necessidade para os indivíduos que pensam discutir a organização futura da humanidade. Durante a vida inteira, Herzen não cuidou senão disso e sei de fonte e limpa que Bielínskii passava noites inteiras a discutir a questão social com os amigos, resolvendo os mínimos pormenores — os detalhes de "cozinha", por assim dizer, da sociedade futura.
Houve até gente que ficou doida, observou o major. 
— E discutindo, é possível chegar-se a um resultado qualquer, coisa melhor do que ficar calado, fazendo-se de ditador, disse Lipútin em voz sibilante, arriscando-se afinal a atacar. 
— Quando falei que isso tudo eram asneiras, não visava absolutamente Chigalióv, explicou com displicência Verkhovenskii. Escutem, senhores, prosseguiu ele, erguendo um pouco os olhos — na minha opinião, todos esses livros, Fourier, Cabet, "o direito ao trabalho", as idéias de Chigalióv, são idênticos aos milhares de romances que diàriamente aparecem: um passatempo estético! Compreendo que, entediados, nesta cidadezinha, os senhores se distraiam rabiscando papel.
    Com licença! tornou o coxo agitando-se na cadeira. Nós somos apenas uns provincianos, é verdade, e por conseqüência, dignos de dó; mas, não nos consta que haja aparecido no mundo nada de extraordinàriamente sensacional, e portanto não vale a pena lamentar a nossa ignorância. Certos manifestos, de origem estrangeira, convidam-nos a reunir os nossos esforços com o fito de tudo destruir — pois que, faça-se o que se fizer, a fim de curar a sociedade, nada se conseguirá; e cortando-se cem milhões de cabeças, simplifica-se a situação e pode-se transpor o fosso. Idéia excelente, decerto, mas tão irrealizável quanto a de Chigalióv, que o senhor atira fora com tanto desdém !
    Tudo isso está muito bem, mas não vim cá discutir, articulou descuidosamente Piótr Stepánovitch; e aproximou de si a vela, como se não se apercebesse da gafe que cometera. 
    É lamentável, é lamentabilíssimo que o senhor não tenha vindo cá para discutir; e é pena também que esteja tão ocupado agora com a sua toalete.
    Que lhe importa a minha toalete? 
    É tão difícil cortar cem milhões de cabeças quanto modificar o mundo pela propaganda; talvez o seja ainda mais difícil, sobretudo na Rússia, observou Lipútin, novamente se arriscando.
    Todas as esperanças repousam agora na Rússia, disse um dos oficiais.
    Sim, parece que colocam nela grandes esperanças, replicou o coxo. Nós sabemos que um dedo misterioso apontou para a nossa linda pátria como o país mais capaz entre todos de realizar essa grande obra. Mas eis um reparo meu : mesmo que o problema social seja gradualmente resolvido pela propaganda, sempre hei de ganhar qualquer coisa: primeiro a possibilidade de conversar agradavelmente e segundo a recompensa com que o futuro govêrno reconhecerá os serviços que terei prestado à causa social. Mas no caso de uma solução imediata, se se corta um milhão de cabeças, pessoalmente, que hei de ganhar? Põe-se ti gente a fazer propaganda e arrisca-se a que nos cortem a língua.
— A sua será cortada, com toda certeza, disse Verkhovénskii.
    Está vendo, então. E como nas mais favoráveis circunstâncias, os senhores não poderão realizar esse massacre em menos de cinqüenta anos — em trinta, digamos — (pois não se trata de carneiros, e talvez as vítimas não se mostrem dóceis), não seria melhor arrumar a bagagem, e ir viver longe, em alguma ilha sossegada, e acabar a vida em paz? Creia-me! e deu um murro na mesa 
— sua propaganda fará apenas estimular a emigração e mais nada.
Estava triunfante. Era uma das maiores cabeças da província. Lipútin sorria, com ar de acôrdo. Virguínskii parecia bastante, abatido; os outros acompanhavam a discussão com enorme interesse, especialmente as senhoras e os oficiais. Todos compreendiam que o degolado dos cem milhões de cabeças estava encurralado; esperava-se agora o fim.
    Devo dizer que você acaba de enunciar uma idéia bastante justa, falou Verkhovénskii em tom ainda mais indiferente, o até mesmo com certo tédio. Emigrar — é excelente idéia. entretanto, a despeito das desvantagens evidentes que pressente, os soldados que abraçam a nossa causa cada dia são maio numerosos; dispensaremos os senhores. Trata-se de uma nova religião que vem substituir a antiga, trata-se de coisa importante, e é por isso que o número dos soldados cresce. Mas os senhores, podem emigrar. E, sabe, aconselho-o a ir residir não numa ilha sossegada, mas em Dresde. Em primeiro lugar, porque Dresde jamais assistiu a uma epidemia; e, como homem culto, o senhor provavelmente receia a morte ; depois, não fica longe da fronteira russa, de forma que facilmente lhe poderão ser enviados rendimentos da sua pátria adorada ; Dresde é cheia do que se chama tesouros artísticos; e o senhor é um esteta, um ex-professor de Literatura, creio eu. Enfim, terá ao alcance da mão uma verdadeira Suíça em miniatura e isso lhe servirá à inspiração poética, porque decerto faz versos. Em resumo : um tesouro numa tabaqueira.
Houve vários movimentos, os oficiais se agitaram. Mais um instante, e todos se poriam a falar ao mesmo tempo; o coxo entretanto mordeu a isca :
    Não, talvez não abandonemos a Causa Comum! Resta ver...
    Como? Então aceitaria entrar para o nosso grupo, se  lho propusesse? disse de repente Verkhovénskii depondo na mesa a tesoura.
Todos estremeceram. A esfinge bruscamente se desmascarou. Atrevera-se até a falar no "grupo".
    Todo aquêle que se considera um homem de bem, não se pode recusar à sua tarefa, respondeu constrangido o coxo mas...
— Desculpe, agora não se trata de "mas", interrompeu Stepánovitch em tom imperioso. Declaro a todos, senhores, que preciso de uma resposta clara e decisiva. Compreendo perfeitamente que vindo aqui, depois de os reunir, devo aos presentes uma explicação (mais uma revelação inesperada), porém é-me impossível lhes dar essa explicação enquanto ignorar o estado de espírito de cada um. Deixando de lado as palavras inúteis — porque não se pode mais discorrer durante trinta anos, como já há trinta anos se faz — pergunto-lhes o que preferem : o método lento, isto é, os romances sociais e as regras para o destino da humanidade gravadas no papel com mil anos de adiantamento, enquanto o despotismo comerá os bons bocados que nos caem da boca e que recusamos, ou uma solução rápida, qualquer que seja ela, que nos desatará as mãos e permitirá à humanidade organizar-se com toda a liberdade, não no papel, mas de fato? "Cem milhões de cabeças !" gritam. Não é senão uma metáfora, talvez. E mesmo que não fosse metáfora? Enquanto se sonha, enquanto se rabisca papel, não serão cem milhões, mas quinhentos milhões que o despotismo há de devorar. Observem também que quaisquer que sejam as receitas empregadas, não hão de curar o incurável; pelo contrário, ele acabará por nos infeccionar a todos e por contaminar as fôrças jovens com que ainda se poderia contar ; seria a perda de todos nós. Concordo que é agradável emitir palavras liberais e eloqüentes, enquanto a ação apresenta certos riscos... Ademais, não sou ouvidor; vim cá a fim de fazer uma comunicação, de forma que peço ao distinto auditório que declare simplesmente, sem necessidade de votação, que é que prefere : patinhar no pântano, em passo de tartaruga, ou atravessá-lo a todo vapor.
    Eu sou pela travessia a todo vapor ! bradou entusiasmado o ginasiano. 
    Eu também, declarou Liámchin.
    A escolha não apresenta dúvidas, resmungou um dos oficiais, depois outro, depois um terceiro. O que mais impressionava a assistência é que Verkhovénskii tinha uma comunicação a fazer e prometera falar.
- Senhores, vejo que quase todos são partidários da solução preconizada pelos manifestos, constatou Verkhovénskii, percorreu com o olhar a assembléia.
Sim, todos, todos! gritou a maioria de vozes. 
— Confesso que me inclino para uma solução mais humana, interveio o major; mas obedeço à maioria. 
— Pelo que parece, o senhor também não faz oposição? perguntou Verkhovénskii ao coxo. 
— Não, é que eu.. . respondeu o outro, corando. Se me alio à decisão da assembléia é unicamente a fim de não perturbar...

— O projeto dêle é notável, tornou Verkhovénskii. Estabelece como regra a espionagem. Segundo ele, todos os membros da mocidade se espionam mutuamente, e são obrigados a relatar tudo que descobrem. Cada um pertence a todos e todos pertencem a cada um. Todos os homens são escravos e iguais na escravidão; nos casos graves, pode-se recorrer à calúnia e ao homicídio ; enfim, o principal é que todos são iguais. Antes de tudo, rebaixa-se o nível da instrução, das ciências e dos talentos. O nível elevado da ciência e do talento, só se obtém graças a inteligências superiores — portanto nada de inteligências superiores. Os homens de talento apoderam-se sempre do poder e tornam-se déspotas. Não podem agir de outra maneira; sempre fizeram mais mal que bem. É mister bani-los ou matá-los. Cícero terá a língua cortada, Copérnico os olhos furados, Shakespeare será lapidado. Isso é que é o chigaliovismo. Ah, ah, ah ! Está admirado? Eu sou partidário de Chigalióv.
Stavróguin apertava o passo a fim de chegar em casa o mais depressa possível. "Se este homem está bêbedo, pensava ele, onde foi que se embriagou? Com o conhaque que tomou ainda agora?" 
— Escute, Stavróguin, é uma excelente idéia nivelar as montanhas — é idéia que nada tem de ridícula. Sou partidário de Chigalióv. Não há nenhuma necessidade de instrução, chega de ciência! Os materiais de que já dispomos nos bastarão durante mil anos; o que é importante é estabelecer a obediência. A sêde de instrução já é uma sêde aristocrática. Mal é permitida a instalação da família e do amor, imediatamente nasce o desejo de propriedade. Haveremos de matar esse desejo: desenvolveremos a embriaguez, a calúnia, a delação ; mergulharemos o Homem numa devassidão inaudita, destruiremos no ôvo qualquer gênio que se esteja formando. Todos serão reduzidos ao denominador comum: igualdade absoluta. "Conhecemos o nosso ofício, somos homens de bem — e é só do que precisamos." Eis a resposta dada recentemente pelos operários ingleses. "Só o necessário é necessário" — deve ser esta, doravante, a divisão da Humanidade. De tempos em tempos, será preciso conceder-lhe algumas convulsões, mas nós, chefes, é que as forneceremos. Os escravos devem ter senhores. Obediência completa, despersonalização absoluta. De trinta em trinta anos, entretanto, Chigalióv autoriza algumas convulsões ; e então, todos se atirarão uns contra os outros e se hão de devorar, reciprocamente — com certo limite, contudo — apenas para combater o tédio. 0 tédio é um sentimento aristocrático. A sociedade de Chigalióv não conhecerá mais os desejos. Para nós, o desejo e o sofrimento, e para os escravos, o chigaliovismo.
— Escute, começaremos provocando agitação — prosseguiu Verkhovénskii com voz arquejante, precipitada, e puxando a todo momento pela manga do casaco de Stavróguin. — Já lhe disse, penetraremos no âmago do povo. Sabe que já somos terrivelmente fortes. Os nossos não são unicamente aqueles que matam e incendeiam, nem os que manejam o revólver à maneira clássica, ou os furiosos que se põem a morder. Esses só fazem atrapalhar. Não tolero nada sem disciplina. Sou um bandido e não um socialista — ah, ah, ah! Escute, tenho a lista de todos: o mestre-escola que ensina as crianças a zombar de Deus e de seu berço já é um dos nossos. O advogado que defende um assassino instruído, afirmando que o réu tinha mais cultura que suas vítimas e se sentia na obrigação de matar a fim de obter dinheiro, é um dos nossos. Os colegiais que matam um mujique com o fito de experimentarem emoções fortes, são dos nossos. Os jurados que absolvem criminosos, quaisquer que sejam, são dos nossos. 0 promotor que treme de medo ante o pensamento de que não se mostra suficientemente liberal, é dos nossos. Some a esses os funcionários, os escritores; muitos dentre eles estão conosco e nem sequer o desconfiam! Por outro lado, é absoluta a docilidade dos estudantes e dos tolos; quanto aos mestres, vivem cheios de bílis; por toda parte só se vêem vaidade e apetites bestiais inauditos ... Será que você alcança a extensão do auxílio que nos podem trazer as idéias feitas? Quando saí daqui, grassava por toda a Rússia a tese de Littré e pretendia-se que o crime era uma anomalia mental. Volto à pátria e verifico que o crime já não é mais uma anomalia, mas uma prova de bom senso, quase um dever moral, ou pelo menos um generoso protesto. "Como é que um homem culto pode deixar de matar, se tem necessidade de dinheiro?" E isso, contudo, é apenas um comêço. Já o deus russo teve que ceder ante o vodca barato. Bebe o povo, bebem as mães, bebem as crianças, andam desertas as igrejas. E que ouvimos nos nossos tribunais de aldeia? "Uma vasilha de vodca ou duzentos açoites!" Dê apenas a esta geração o tempo de crescer! É pena que tenhamos tanta pressa, pois se pudéssemos esperar, ficariam ainda mais ébrios. É pena também que não haja proletariado! Mas há de haver, há de haver! Caminhamos para isso...
    É pena também que nos tenhamos tornado tão tolos! resmungou Stavróguin voltando a caminhar.
    Escute! Vi um menino de seis anos trazer para casa mãe completamente bêbeda, que o cobria dos mais sórdidos palavrões... Acha que isso me deu prazer? Quando for nosso o poder, talvez possamos curá-los... Se for preciso, recorreremos até ao ascetismo... Mas, por ora, temos necessidade de uma ou duas gerações de libertinos; temos necessidade de uma corrupção inaudita, ignóbil, que transforme o homem num inseto imundo, covarde, cruel e egoísta. Disso é que carecemos. E ao mesmo tempo, dar-lhes-emos um pouco de "sangue fresco", a fim de que tomem gôsto ao sangue. Por que ri? Não me estou contradizendo. Não contradigo senão aos filantropos e a Chigalióv. 
(...)
    Ah, se tivéssemos tempo! Nossa única infelicidade é a falta de tempo. Proclamaríamos a destruição... por que, por que é essa idéia tão fascinante? Sim, é mister às vezes desentorpecer os membros ! Atearemos incêndios ! ... Espalharemos lendas. . . E para esse fim, qualquer grupo ínfimo nos será utilíssimo. Hei de descobrir para você, nesses grupos, entusiastas que premirão o gatilho com alegria e que se considerarão honradíssimos por serem os primeiros. E então começará a confusão. Será um rodamoinho como jamais o mundo assistiu... Uma névoa espessa descerá sôbre a Rússia... A terra há de chorar seus antigos deuses... E então, faremos aparecer — quem?
    Quem?
    O Czaréviche Iván.
    Como?
    O Czaréviche Iván. Você, você!
  


O MUNDO DOSTOIEVSKIANO

ROBERTO ALVIM CORREIA 

ATÉ pouco tempo traduziu-se em vários países o substantivo do título Os Demônios por Possessos — o que não deixa de surpreender. A confusão, contudo, talvez seja possível numa língua em que são sinônimos, segundo dizem, palavras quais criminoso e infeliz, cuja associação repercutia fundo em Dostoiévski, para quem ser criminoso era ser vítima do demônio. O mal tinha para ele realidade na medida em que o demônio faz de uma criatura humana um possesso. Satã entra num homem como ladrões pestíferos entram numa casa. A história de Os Demônios é a história desses ladrões, desses possessos. É o que explica uma das principais personagens, Stepán Trofímovitch, que, na hora da morte, comenta o texto de S. Lucas, citado como epígrafe do romance. Vê o moribundo, no episódio do Evangelho, uma imagem da Rússia da segunda parte do século XIX. Stepán Trofímovitch fala aqui em nome de Dostoiévski que denunciava no Socialismo niilista a ação de possessos...

3. Exprime-se da seguinte maneira: "Minha amiga, disse Stepán Trofímovitch, comovidíssimo, savez-vous, essa passagem admirável e... extraordinária sempre foi para mim uma pedra no meio do caminho... dans ce livre... e por isso a guardei de memória desde a infância. Mas uma idéia me ocorreu, une comparaison. Ocorrem- me muitas idéias agora. Veja, é exatamente como na nossa Rússia. Esses demônios que saem do doente para entrar nos porcos, são todas as chagas, todos os miasmas, todas as imundícies, todos os demônios pequenos e grandes, que no decorrer dos séculos se acumularam na nossa querida e imensa doente, na nossa Rússia! Oui, cette Russie que l'aimais toujours. Mas um pensamento sublime, uma sublime vontade lá de cima descerão sôbre ela como desceram sôbre esse endemoniado. E ela se desembaraçará de todas as impurezas, de todas as podridões — que espontaneamente hão de pedir morada nos porcos. Talvez já nêles hajam entrado. Somos nós — nós e êles — e Petrúcha... et les autres aves lui — e eu talvez em primeiro lugar, eu à frente. Como loucos furiosos, atirar-nos-emos do alto do rochedo até ao mar, e pereceremos todos. Melhor, porque só servimos para isso. O doente, porém, será curado e 'assentar-se-á aos pés de Jesus...' e todos o encararão com espanto... Minha cara, vous comprendrez après... Noas compren- drons ensemble."

O epíteto, que virou nome, é incontestavelmente forte, podendo até parecer excessivo. Acolheram-no gracejos e imprecações, sem que por isso revolucionários e outros suprimissem a significação do vocábulo, que afeta a questão do bem e do mal, de Deus e do demônio.

(...)

E ainda como Pascal ele desconfia da razão unicamente raciocinante, mortal ao pretender substituir uma ordem transcendental por outra só imanente. Os Demônios descrevem a atmosfera de traição, de crime, de vergonha em que vivem conspiradores ateus que renegaram os princípios evangélicos. Já não dispõem mais de si mesmos, viram apenas instrumentos, quase sempre nocivos. Assim a humilhação cristã, uma das chaves do mundo dostoievskiano, transforma-se, quando não livremente aceita, num sentimento que avilta, asfixia, desagrega. E essa humilhação que tudo fere quando não liberta, n'Os Demônios envenena a pureza da fé no messianismo russo, no povo, cuja voz, como no adágio latino, se confunde com a voz de Deus. O povo, para Dostoiévski, tem uma alma, embora  coletiva, assemelha-se a uma alma pessoal, por impunemente desprezada. Quem tenta diminuir-lhe o sentido religioso e salvador comete um crime, precisamente cometido em Os Demônios.



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 FINS E MEIOS, BEM E MAL, CRIME E CASTIGO NA OBRA DO EX-REVOLUCIONÁRIO DOSTOIEVSKY



Desde a primeira vez que li CRIME E CASTIGO, o que mais me impressionou foi o fato de que alguém, como o personagem Raskólnikov, consiga crer que a racionalidade pode prever ou mesmo dar conta de Toda a Realidade. Que, no final das contas, todos os malévolos meios possam ser justificados e santificados se logicamente levarem ao almejado "Bem".

 É chocante que este absurdo, esta loucura, seja tão real e mortal quanto epidêmica na nossa época. Por isso vou postar alguns excertos de Dostoievsky, um ex-socialista, que conheceu por dentro o movimento revolucionário na sua pátria, Rússia. Primeiro colocarei algo sobre a obra acima citada "CRIME E CASTIGO", e depois alguns trechos de "OS DEMÔNIOS"  que enfoca um pouco do inicial movimento revolucionário que levou o comunismo à Rússia.  

Houve um tempo que, em minha ignorância, considerei socialismo e comunismo como regimes políticos e como uma opção a mais para um governo. Mas agora, depois de colher outras informações e ligar alguns pontos, encaro-os como um movimento duradouro, nascido nas classes privilegiadas e intelectuais,  planejado no estrangeiro, em sociedades secretas como a Maçonaria Illuminati, de índole expansionista, globalista, e intrinsecamente TOTALITARISTA, tanto na prática como na teoria. É uma face da revolução da Nova Ordem Mundial.

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domingo, 12 de maio de 2013

UM POUCO SOBRE ABDUÇÃO E IMPLANTES


Acabei de ler o livro "Implantes Alienígenas - Somos Cobaias de ETs?" de Roger K. Leir. Ele é médico cirurgião, e acabou dedicando parte de suas habilidades à extração e pesquisa de implantes alienígenas (descobriu que mantendo-os numa solução extraída do sangue do paciente, eles não desaparecem). Para ele, essa prática de raptos sistemáticos têm como objetivo a modificação genética e comportamental da espécie humana, que pode estar sendo manipulada e conduzida por eles há muitos séculos. No entanto, ele não a encara como conspiração contra a humanidade, mas como um ato de cuidado com a invenção deles: nós. Quero frisar que esta opinião ainda é uma hipótese para o autor, e para outros é um erro crasso. Por ex, para Evelyn Torrence, autora de O LIVRO DAS FADAS, a humanidade foi criada originalmente na Terra, por Deus, através de elementais naturais, e só depois foi mexida, remexida e deturpada por extraterrestres, até o ponto de desumanizá-la em certo grau, chegando alguns a não terem alma (desalmados), o que talvez explique a existência de psicopatas entre nós.  

Bem, abaixo alguns trechos que têm a ver com estas questões:


Patrícia abriu a janela e enfiou a cabeça para fora: "Você acha que essa ponte é segura?" "Meu amigo disse que ela foi feita para durar para sempre". Patrícia pensou: "Quanto será que é para sempre?" Logo estavam do outro lado. À esquerda havia uma clareira e uma pequena trilha que descia o rio. Billy e Michael pulavam animados no banco traseiro. "Calma meninos, estamos chegando", John disse enquanto parava o carro em urre trecho da clareira, logo após a ponte. Era um lugar ideal para acamparem, perto do rio e abaixo do nível da ponte, onde estariam protegidos do vento e da terra seca. A área tinha poucas árvores, muitos arbustos e espaços que há muito tempo deviam ter sido ocupados por mais árvores. Havia galhos e troncos espalhados por toda parte.

 A família desceu do carro. "Vamos descarregar antes de escurecer, ou não veremos o que estamos fazendo", instruiu John. Todos começaram a retirar as coisas do carro. Em apenas uma hora, o acampamento estava armado. John armou a barraca enquanto os garotos desenrolaram os sacos de dormir. Patrícia estava ocupada com as panelas, preparando a primeira refeição ao ar livre. John e os meninos foram procurar lenha, ele tinha muita experiência em fazer fogueiras e sabia o melhor tipo de madeira. A escuridão da noite foi logo encobrindo o acampamento. Algumas estrelas começaram a aparecer.

 Os meninos voltaram ao carro e trouxeram duas lanternas. Encontraram um tronco confortável para sentar e começaram a acender as lanternas na direção do céu. "Mamãe, venha cá! Venha ver uma coisa!", chamou Michael. Patrícia caminhou até onde os filhos estavam. "Olhe aquilo! Que legal!" Michael apontou para uma estrela mais brilhante que as outras, apagou e acendeu a lanterna duas vezes, apontando na direção da estrela. Patrícia e John observaram boquiabertos quando a estrela respondeu, piscando duas vezes também! "Patrícia, você viu aquilo?", John gritou. "Se vi!" John entrou na barraca e apanhou duas lanternas maiores, com focos mais potentes. Deu uma a Patrícia e apontaram para a estrela brilhante, acendendo duas vezes rapidamente e uma vez mais devagar. Dali a poucos segundos, a mesma seqüência foi imitada pela estrela. "Patrícia! Pelo amor de Deus, você viu aquilo?", perguntou agitado. Ela não respondeu, mas apontou sua lanterna para a estrela e acendeu-a uma série de vezes. Novamente, a seqüência foi imitada. Logo, algumas companheiras se juntaram à estrela brilhante.

A família estava se divertindo muito, acendendo suas lanternas e recebendo respostas. O fogo estava ardendo e o ar se enchia do aroma de madeira queimando. Os únicos sons além do crepitar da fogueira eram os típicos ruídos noturnos do campo. Michael e Billy foram colocados confortavelmente em seus sacos de dormir. Patrícia limpou o resto do jantar, e John encontrou um lugar confortável ao lado de um tronco, onde se sentou para tomar uma xícara de café. Enfiou a mão no bolso e tirou seu cachimbo. Encheu o tambor, amassou o conteúdo com o polegar, levou o cachimbo a boca e acendeu um fósforo. Logo, estava dando uma longa baforada. Patrícia se aproximou e sentou-se bem perto do marido. "Como você está, querido?" John pôs o braço em volta da esposa e lhe deu um forte abraço. Olhou-lhe bem fundo nos olhos e perguntou, sério: "O que você acha que foi aquele estranho show de luzes?" Patrícia retribuiu o olhar e disse: "Devem ter sido helicópteros da base aérea. Provavelmente alguns militares jovens passeando, brincando com os cidadãos. Ah, e daí? Nós nos divertimos tanto quanto os garotos!"

A manhã seguinte foi muito excitante e divertida, com as varas de pesca preparadas e os garotos esperando pelos peixes. O clima ajudou, pois a temperatura estava amena. Ao meio-dia, já tinham pegado peixes suficientes. Com aquele Sol escaldante, os meninos foram tirar uma soneca. Era hora de apenas apreciar o panorama, estender-se na sombra, ler um livro e relaxar. John nem pensou em ligar o rádio. No fim da tarde, todos foram dar uma caminhada, e na volta, apanharam lenha para a fogueira da noite. John explicou o tipo de madeira necessária. Ele queria fazer uma fogueira que durasse a noite toda, e precisava de uma madeira que fosse bem úmida. Patrícia sempre achou que uma das coisas mais divertidas de um acampamento com pescaria fosse pegar os peixes e cozinhá-los no próprio local. Portanto, a família teve um verdadeiro banquete naquela noite. Ela preparou a refeição segundo uma receita de sua mãe, acompanhada do biscoitos assados na fogueira e outras guloseimas que tinham um aroma delicioso. Com todas as tarefas já cumpridas, era novamente hora de descansar. Brincaram com alguns jogos e ficaram cantando, até Patrícia levai os meninos para a barraca e prepará-los para dormir. John acendeu o cachimbo e conversou com a esposa sobre o que planejava fazer no dia seguinte: levantar cedo e caminhar rio abaixo até um lugar onde, segundo seu amigo, havia os melhores peixes da região. Por isso, resolveram dormir cedo. John deu uma última olhada na fogueira. Estava bem abastecida e! ainda estaria queimando quando acordassem, pela manhã.

De repente, à 01:00 h da madrugada, Patrícia foi despertada por seu marido, tomado de horror, que se projetava sobre ela como uma silhueta gigantesca parcialmente iluminada pela fogueira. Ele apontava o dedo bem diante de seu nariz, dizendo: "Levante-se já e coloque os meninos no carro!"~ A voz de John soava áspera e autoritária. Patrícia pensou: "O que pode teria acontecido para deixá-lo assim?" Mesmo sem nada entender, ela saiu do saco de dormir e calçou os sapatos, quase que desesperadamente. John já estava fora da barraca e Patrícia não via o que ele estava fazendo. Alguns minutos depois, ele espiou dentro da barraca e gritou: "Depressa! Vamos embora! Vamos!" Patrícia ficou de pé em um pulo e agarrou Billy. Puxou-o para fora do saco de dormir com violência, fazendo-o acordar assustado. Ele começou a chorar, mas Patrícia o acalmou. "Está tudo bem, querido. Só vamos dar uma volta ". Ela saiu correndo da barraca e colocou Billy no banco de trás. "Pode dormir de novo", disse-lhe delicadamente. John apareceu, carregando Michael, ainda meio adormecido. John, me diga o que está acontecendo, por favor!". A resposta de John 1 ao apelo foi imprecisa. "Não importa agora. Entre no carro!" Ela obedeceu, John entrou, ligou o motor, pisou na embreagem e logo começaram 1 1 a descer pela estrada escura e desoladora, deixando o acampamento com' tudo o que levaram.

Enquanto dirigiam pela estrada, Patrícia, quase histérica, exigiu que seu marido lhe dissesse o que estava acontecendo. Ele se virou para ela, ainda aterrorizado. "Vi uma coisa debaixo da ponte!" "Uma coisa? Como assim? Veados? Gente? Algum outro animal?" Ele balançou a cabeça negativamente. John estava concentrado na pista estreita à frente. Só podia ver o trecho iluminado pelos faróis do carro. Estavam voltando por onde tinham passado na ida, em direção à ponte de ferro. De repente, voltou- se para Patrícia e disse: "Olhe atrás de nós! Está vendo uma luz brilhante nos seguindo?" Ela olhou pela janela traseira e respondeu: "Sim, estou vendo ". John olhou-a de relance e disse: "Não se preocupe. Eu protegerei vocês. Talvez seja só um caminhão. Tente ver". Patrícia apertou os olhos para ver o que vinha atrás. "Sim, sim, acho que é um caminhão", gaguejou.

Mas quando olhou de novo, viu que a luz estava ficando cada vez mais brilhante, acompanhando o carro. Patrícia gelou de pavor. Estavam se aproximando da ponte. Ficava cada vez mais evidente que o objeto luminoso não era um caminhão. Na verdade, era tão grande que jamais passaria pela minúscula ponte. Eles já estavam quase no meio da ponte, a pouca distância do outro lado. De repente, a atenção de Patrícia se voltou para a frente do carro. John parecia um zumbi. John! John! ", ela gritava, mexendo em seu braço. "Pare o carro já", ela ordenou. John parou o carro rapidamente. Os dois permaneceram em silêncio por um instante, completamente aturdidos. "O que aconteceu, afinal?", ela perguntou, depois de algum tempo. "Sinceramente, não faço idéia!", disse John. Juntos, os dois olharam através do pára-brisa, atônitos. O carro estava virado na direção contrária a que vinham. O trecho de estrada à frente ia dar no acampamento nova mente! John deu a partida e, mais uma vez, a família passou sobre a velha ponte barulhenta. Aproximando-se do acampamento, Patrícia percebeu que alguma coisa estava errada. O primeiro detalhe que notou foi o fogo apagado. Só restava um pequeno brilho vermelho entre as cinzas. E aquilo era impossível, pois John havia feito uma fogueira para durar a noite toda,: "Só ficamos fora uns poucos minutos. Não dá para entender!" Era como se eles tivessem perdido horas na estrada. Ela olhou para John, tentando ler seus pensamentos. Ele estava extremamente agitado e assustado. Patrícia conhecia a personalidade de seu marido, ele não tinha medo de nada. O que teria acontecido com ele? Aquela era uma pergunta que lhe corroia a própria alma.

Fora do carro, o casal se entreolhou. Pensando a mesma coisa, disseram: "Vamos para casa!" No caminho de volta os meninos dormiam tranqüilamente no banco traseiro do carro. John estava guiando rápido demais para uma estrada naquelas condições. Patrícia ficou preocupada, mas não disse nada. Ela olhou para trás, observando a estrada escura, e notou uma luz esverdeada seguindo-os. Ficou com medo de dizer a John, mas pela expressão em seu rosto, ele provavelmente já a tinha visto pelo espelho retrovisor. O objeto continuou seguindo-os por muitos quilômetros, mantendo sempre a mesma distância. Patrícia olhou para o marido e notou uma lágrima escorrendo por seu rosto. De repente, ele começou a vocalizar seus medos e disse em voz alta: "Por favor, não nos machuque!" Os meninos acordaram e pareciam agitados e inquietos. Patrícia virou para trás e delicadamente os empurrou de volta para o banco. John ainda estava em pânico. Ameaçou parar o carro para que seus perseguidores os alcançassem de uma vez. Patrícia implorou para que ele não fizesse isso. Durante a longa viagem de volta, o medo foi constante companheiro. O tempo se arrastava, enquanto a luz verde permanecia no encalço da família.

Finalmente, John entrou na rodovia principal e começou a dirigir em velocidade máxima. A luz sumiu. Patrícia deitou a cabeça no ombro do marido. Eram quase 07:00 h. Logo, os dois tiveram a mais bem-vinda visão que podiam esperar: sua casa. Assim terminou o estranho acampamento do casal - mas aquela não seria a última experiência ufológica de Patrícia. No dia seguinte à volta da família, ela tinha um check-up marcado com o obstetra. Tudo estava normal e o médico lhe garantiu que teria um bebê saudável. De fato, sua filha, Sonya, nasceu dentro do tempo previsto. Patrícia sempre se preocupou com a saúde e o bem-estar de sua filha por causa da experiência no acampamento. Ela diz que a filha é hoje um ser humano maravilhoso, extremamente intuitiva (costuma ter premonições) e tem uma sabedoria ímpar. Seu Q.I. é alto e ela se tornou uma habilidosa escritora. É despretensiosa e possui outros tipos de habilidades estranhas. Segundo Patrícia, sua filha é muito diferente dos irmãos. Quando lhe perguntei se achava que a experiência no acampamento poderia ter influenciado a filha ainda não nascida, Patrícia disse não saber, estava confusa.




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Como a abordagem ufológica do pesquisador texano envolve, em última análise, o estudo científico das evidências físicas, sua meta final é capturar um ou mais desses seres fugidios que entram em nosso ambiente parece possível para muitos de nossos colegas. Ele acredita que qualquer criatura que opere em nosso espaço tridimensional deve ter hábitos, que podem ser registrados, correlatados, estudados e finalmente utilizados para a captura dos seres. Seu tipo de pesquisa sobre abduções é diferente da abordagem de outros pesquisadores, pois acredita que a interação humana é a chave para compreendermos a natureza do fenômeno. Até agora seu estudo tem mostrado que alguns desses seres podem não ser intelectualmente superiores – talvez até tenham um Q. I. inferior ao nosso. É possível também que operem com um tipo de mente típica de colméias, grupos de insetos ou pássaros, aparentemente controlados por outro tipo de ser. Em 1993, o texano deu uma sugestão pós-hipnótica a uma abduzida para tirar o olho que cobria o rosto de seus raptores. Ela fez o que lhe foi ordenado. Quando "removeu" o olho da criatura, descreveu uma tela (como de tevê) com várias formas em onda percorrendo-a. Isso pode sugerir que alguns desses pequenos grays sejam, na verdade, clones ou andróides. Sabemos também que quando a rotina deles é perturbada, parecem confusos e têm dificuldade para retomar o controle da situação. Esses são alguns dos fatos que nos levam a crer que os extraterrestres são vulneráveis. O progresso de nossa investigação está diretamente relacionado à nossa capacidade de pagar pelos trabalhos necessários. Nossos esforços para angariar fundos têm sido diversos. Entre os vários recursos, ,acreditamos que a indústria do entretenimento pode nos fornecer o capital tão necessário para continuarmos as pesquisas.
 
Temos certeza de que há uma grande quantidade de evidências físicas mantidas em segredo. Muitas das pessoas que as detêm têm um profundo medo de serem pressionadas pelas agências governamentais. Como abordamos o assunto a partir de uma perspectiva científica, fomos capazes de suavizar alguns de seus medos. Além disso, nossa política sempre foi a de acomodar as solicitações de qualquer pessoa que deseje nos entregar evidências físicas. Se alguém quer o anonimato, nós respeitamos.
 
Um dos mais importantes exemplos de evidências secretas diz respeito ao material oriundo da queda de um UFO em Roswell. Conversando com o dono do material, nós lhe demonstramos que respeitaríamos o trato. Não divulgamos qualquer dado sobre ele. Como provamos ser sinceros, ele nos forneceu informações adicionais. Outro objetivo é estender nossa pesquisa num panorama internacional. Ansiamos pelo momento de realizar cirurgias em países como Brasil, Inglaterra, México, Japão, Equador, Austrália e Porto Rico. Gostaríamos de dar assistência gratuita às pessoas desses países. Queremos ajudá-las fisiológica e psicologicamente. Em nossas viagens, começamos a perceber que o fenômeno da abdução é global – embora seus efeitos pareçam variar de acordo com a área geográfica. As conseqüências individuais também variam, talvez devido à falta de comunicação entre as vítimas, seus amigos e familiares. Outros efeitos psicológicos também são evidentes, como lembranças de sonhos estranhos e uma variedade de medos e fobias, como de palhaços ou animais com olhos grandes.
 
Eu mesmo testemunhei um caso assim no Brasil, quando uma jovem abduzida ficou histérica ao ver uma pessoa vestida de palhaço correr por uma rua cheia de gente. Foram necessários vários de nós para acalmá-la. Além do trauma psicológico produzido pelo isolamento, há muitos efeitos físicos que jamais são tratados. Muitos abduzidos apresentam seqüelas dermatológicas, como estranhas marcas na pele ou mudanças de pigmentação. Outras reações inusitadas são intenso desejo de comer sal, sensação de desidratação e, às vezes, sintomas generalizados de gripe, incluindo dores musculares.
 
 
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   O estudioso israelita Zecharia Sitchin, em sua obra de múltiplos volumes intitulada The Earth Chronicles (As Crônicas da Terra), diz que nosso planeta tem sido continuamente visitado por seres de um planeta chamado Nibiru. A primeira visita desses extraterrestres, chamados Annunaki, foi há 435 mil anos. As informações de Sitchin foram obtidas principalmente a partir de artefatos e inscrições dos antigos sumérios. Ele diz também que o planeta Nibiru tem uma órbita de 3.600 anos ao redor de nosso Sol e, cada vez que ele se aproxima da Terra, uma equipe avançada é enviada aqui com um propósito específico. Esse grupo seria formado por grays: clones ou andróides enviados com uma missão específica e responsáveis pelas abduções. Ele afirma ainda que a raça humana foi geneticamente alterada -interferências que continuariam acontecendo até hoje.
 
Outro autor muito conhecido, Alan Alford, em seu mais recente livro, Gods of the New Millenium [Deuses do Novo Milênio), expressa sua crença de que através da divisão de genes os Annunaki induziram a longevidade e são capazes de fazer mais alterações genéticas em suas criações no laboratório Terra. Ele incrementa a obra de Sitchin afirmando ter recentemente descoberto um código na Bíblia que pode prever eventos mundiais simplesmente graças ao fato de nossos criadores continuarem manipulando o destino da humanidade. Que melhor maneira de fazer um livro prever o futuro corretamente que manipular os eventos de acordo com o estipulado no texto? Com base nas descobertas sumérias, Alford também afirma que o homo sapiens surgiu repentinamente do homo erectus, 184 mil anos atrás. Ele observa que nossa espécie deu um salto notável adiante num período de tempo demasiadamente curto. Nesse salto, experimentamos um aumento de 50% nas potencialidades cerebrais e na capacidade de linguagem, além de adquirirmos uma anatomia completamente moderna.
 
Não é de surpreender que Alford tenha recebido o apoio de figuras notáveis como o doutor Johaness Fiebag, de Bad Neustadt, Alemanha, que teria cunhado a expressão "estudos paleo-SETI ". Em recente documento, Fiebag chamou atenção para a descoberta de cientistas que trabalham no Projeto Genoma de que "a maior parte do DNA humano parece não ter função", sendo considerada lixo genético, segundo o biólogo evolucionista Robert Shapiro. Fiebag contesta, afirmando que esse "lixo" pode ser "um conjunto de informações importantes sobre o código estrutural ou uma linguagem genética ainda não reconhecida ". Ele especula que se inteligências extraterrestres se encarregaram da manipulação de nosso DNA no passado distante, as pistas dessa manipulação seriam encontradas justamente lá, nesse suposto lixo. O propósito por trás do atual fenômeno das abduções seria a manipulação do DNA? Estaria nossa consciência sendo expandia a uma velocidade tão extraordinária que agora começamos a nos tornar cientes das próprias abduções?  
 
Em 33 anos de Medicina, tenho observado mudanças assombrosas no desenvolvimento de meus pacientes infantis, sobretudo os nascidos nos últimos 10 anos. Creio que toda mãe que observar seu filho recém-nascido e compará-lo às crianças nascidas há mais de 20 anos concordará que há uma tremenda diferença entre elas. Os bebês de hoje são profundamente perceptivos quanto ao ambiente à sua volta, desde o momento do nascimento. Imediatamente olham tudo ao redor e parecem ter consciência das pessoas presentes, além de reconhecer a mãe prontamente. No entanto, ainda não há – ou é insuficiente – uma discussão médica sobre o que um bebê é capaz de ver na hora em que vem ao mundo. Trinta anos atrás, muito se falava sobre esse assunto dentro da comunidade oftalmológica, por exemplo. Havia várias e diversificadas opiniões. Alguns achavam que os bebês só enxergavam vultos cinzentos, outros que os recém-nascidos viam bem, porém só em preto e branco. Essas teorias estão bem distantes daquilo que sabemos sobre a visão de um recém-nascido hoje em dia. Atualmente, tem-se dado muita atenção à comunicação com o recém-nascido. Além disso, também foi desenvolvido um sistema de linguagem de sinais, o que parece provar que ele pode realmente se comunicar.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

MEIOS E FINS, BEM E MAL, CRIME E CASTIGO NA OBRA DO EX-REVOLUCIONÁRIO DOSTOIEVSKY




Desde a primeira vez que li CRIME E CASTIGO, o que mais me impressionou foi o fato de alguém, como o personagem Raskólnikov, acredite que a racionalidade possa prever ou mesmo dar conta de Toda a Realidade. Que, no final das contas, todos os malévolos meios possam ser justificados e santificados se logicamente levam ao almejado "Bem".

 É chocante que este absurdo, esta loucura, seja tão real e mortal quanto epidêmica na nossa época. Por isso vou postar alguns excertos de Dostoievsky, um ex-socialista, que conheceu por dentro o movimento revolucionário na sua pátria, Rússia. Primeiro colocarei algo sobre a obra acima citada "CRIME E CASTIGO", e depois alguns trechos de "OS DEMÔNIOS"  que enfoca um pouco do inicial movimento revolucionário que levou o comunismo à Rússia.  

Houve um tempo que, em minha ignorância, considerei socialismo e comunismo como regimes políticos, e como uma opção a mais para um governo. Mas agora, depois de colher outras informações e ligar alguns pontos, encaro-os como um movimento duradouro, nascido nas classes privilegiadas e intelectuais,  planejado no estrangeiro, em sociedades secretas como a Maçonaria Illuminati, de índole expansionista, globalista, e intrinsecamente TOTALITARISTA, tanto na prática como na teoria. Está totalmente vinculado com os planos da Nova Ordem Mundial. Para chegar a isso tive que juntar fatos que estavam separados por décadas na minha memória. Mas essa é uma outra história.
 


 
Em 1847 Dostoiévski começa a freqüentar o círculo Petrachévski, nome de um grupo secreto de socialistas utópicos, fundado em 1845, cujos membros se reuniam em casa de M. B. Butachévitch-Petrachévski, a fim de discutir problemas políticos e ler literatura socialista, proibida. De suas ligações com o grupo, resultará, mais tarde, a sua prisão. No Contemporâneo, em artigo intitulado "Visão da Literatura Russa em 1846", escrevia V. G. Bielínskii : "Se voltarmos os olhos para os notáveis trabalhos de ficção em prosa que apareceram em revistas e outros periódicos durante o ano passado, seremos imediatamente atraídos por Pobre Gente, novela que trouxe fama súbita a um nome até então desconhecido em literatura. Em julho, Dostoiévski sofre a primeira crise violenta de epilepsia. Em 1848, interessando-se por suas teorias socialistas, Dostoiévski aproxima-se mais de Petrachévski, e em dezembro assiste, em casa deste, a uma conferência sôbre fourierismo e comunismo. Em 1849, a 23 de abril, Dostoiévski é prêso e recolhido à fortaleza de Pedro e Paulo, em São Petersburgo, acusado de conspirar contra o govêrno juntamente com os membros do círculo Petrachévski. A 16 de novembro Dostoiévski é condenado à morte. A 22 de dezembro, diante do pelotão de fuzilamento, anuncia-se que o Imperador resolvera comutar-lhe a pena de morte em prisão na Sibéria, com trabalhos forçados. A 24, num comboio de prisioneiros, Dostoiévski inicia a longa viagem entre São Petersburgo e Omsk.

1850 — A 23 de janeiro Dostoiévski chega ao seu destino: a cidade de Omsk, onde passará quatro anos completamente isolado do mundo. "Omsk é uma pequena cidade, quase sem árvores; um calor excessivo, vento e poeira no verão e, no inverno, um vento glacial. Não vi o campo." "Manda-me o Corão, Kant (Crítica da Razão Pura), Hegel, sobretudo sua História da Filosofia. Meu futuro depende de todos esses livros. Mas sobretudo mexe-te para obter-me transferência para o Cáucaso. Indaga de pessoas bem informadas onde poderei publicar meus livros e que providências seriam necessárias. De resto, não conto publicar coisa alguma antes de dois ou três anos. Mas daqui até lá ajuda-me a viver, conjuro-te." (Carta a Mikhail, cit.)
 

Em 1866, sob o título Crime e Castigo, começa a aparecer em folhetins no Mensageiro Russo. Decerto, os quatro anos que passara entre criminosos de toda espécie na Sibéria, deviam familiarizar Dostoiévski com um dos grandes problemas humanos: o da culpa e do castigo. Em si mesmo, o romancista tivera ocasião de estudá-lo. Bem se sabe como ele, embora não havendo tomado parte ativa nas confabulações revolucionárias de Petraschévski, julgara-se culpado e acabara por receber a pena com a mais perfeita resignação cristã. Os diversos tipos de condenados com os quais convivera na prisão ter-lhe-iam mostrado o crime sob as mais diversas formas.  

0 grande tema estava a trabalhá-lo, já bastante amadurecido, quando, naqueles dias angustiosos de 1865 o escritor resolveu abordá-lo. Mas esse tema não será apenas o do crime e do castigo, da culpa e da expiação: será, numa transposição metafísica, o problema do Bem e do Mal — o grande assunto da obra dostoièvskiana.  

Raskólnikov, o herói de Crime e Castigo, um estudante pequeno-burguês, com a mente cheia de leituras mal digeridas, sentindo-se com capacidade para realizar grandes coisas, para tornar-se, afinal, um ser útil aos semelhantes, e vendo-se sem cursos, em situação precária, raciocina da seguinte forma: - ali está aquela velha usurária, é uma avarenta sórdida, já decrépita, da qual não pode advir nenhum proveito para o mundo nem para a humanidade. Se ele a matar e apoderar-se do dinheiro que ela tem guardado, continuará os estudos, dispensará o auxílio necessário à mãe e à irmã que estão em bem triste situação e conseguirá os meios para servir à coletividade. Tudo depende de um gesto: matar a velha. Será isso um crime? Para que serve essa velha? É um piolho, um ser inútil. Há um Erro no equilíbrio do mundo: ele o corrigirá, suprimindo aquela coisa miserável que está atrapalhando, embaraçando. Mas aquela coisa miserável é uma vida, uma vida humana. Não importa. Constituirá a vida humana um valor absoluto? De forma alguma. Desde a mais remota antiguidade, os grandes chefes de Estado, os grandes generais, nunca hesitaram em matar milhares de pessoas, quando encontraram pela frente um motivo que os Justificasse. E ninguém os considerou criminosos; pelo contrário, ergueram-lhes estátuas e a posteridade lhes glorifica o nome. Não foi o que aconteceu com Napoleão? Jamais hesitou em verter o sangue de inocentes para atingir os fins a que sei propunha. E, como ele, quantos indivíduos superiores se consagraram benfeitores da humanidade pelo preço de inúmeras vidas? 0 que se torna necessário, acima de tudo, é ser superior, pertencer à raça dos Napoleões, sobrepor-se à estreiteza dos limites humanos. Assim raciocinando, Raskólnikov sente-se arrebatado por uma verdadeira voragem; também pertence à raça dos Napoleões, nada lhe deterá os passos. Pretende atingir um fim, há um obstáculo no caminho; não é êle uma criatura forte e porque forte, livre? Não tem a liberdade de remover o obstáculo? Pois assim o fará. 

Vai e mata a velha; elimina também a companheira desta última; mata e rouba. Estava tudo consumado. Fizera como os fortes, como os conquistadores. Mas agora começa o seu suplício, a sua tortura. 0 remorso? 0 arrependimento? Não. Raskólnikov não se arrepende. Reconhece que a velha era um piolho. O que o aflige é a idéia que dentro dele vai tomando vulto até dominá-lo completamente: a incerteza angustiante do motivo pelo qual agira. Seria mesmo visando o bem que praticara o mal? Não passariam de meros pretextos as razões com que procurara justificar o crime? Então, por que matara, na verdade? Para saber se podia matar, para experimentar a própria força, a própria liberdade? Mas há limites para a liberdade humana. 0 homem não tem o direito de tirar a vida do seu semelhante. Só Deus pode matar. E os conquistadores, os Napoleões, não se valeram legitimamente desse direito? Foi invocando exemplo que Raskólnikov matou e agora sente a ilegitimidade do seu ato. Cometido o crime, o estudante não consegue mais justificar-se perante a própria consciência.  

Teoricamente, estava tudo certo, mas, a teoria logo falhou na prática, quando ele, tendo o propósito de matar somente a velha, foi obrigado a matar também a companheira desta; falharam-lhe os planos, o esquema que havia organizado com todo o rigor lógico para atingir o Bem. Bastava remover um obstáculo — eliminar um piolho — e à última hora surge novo obstáculo, torna-se imprescindível matar outro piolho, todo o sistema se desconcerta e quem se presumia super-homem se transforma em mísero joguete das situações. Porque a vida, no seu curso vertiginoso e inconsciente, escapa a toda lógica: quando se pretende fazer o bem, vem-se a fazer o mal, um crime determina outro, um desencadear incoercível de forças. Não teria acontecido o mesmo com tantos conquistadores, com os tais super-homens? De uma guerra para salvar a França, Napoleão foi levado a outra, a mais outra, impelido pela avalancha que ele próprio provocara. Assim, Raskólnikov parece compreender que, na verdade, não há super-homens, todos são mesquinhas criaturas; escravas da condição humana. Quis valer-se arbitràriamente da liberdade, quis desafiar Deus, fazendo o que só Deus pode fazer, e perdeu a partida. Tudo que há de humano nele protesta contra o crime. Seu suplício prossegue no esforço desesperado para abafar por meio do raciocínio, da lógica, a revolta da consciência... Raskólnikov insiste na certeza de que não cometeu um crime e isso não lhe basta para libertá-lo do sentimento de culpa. Num diálogo terrível, trágico, consigo mesmo, erra ele às tontas pelas ruas de Petersburgo, sempre a remoer a idéia do que fizera, a repisar o assunto, a procurar o convívio de policiais, atraído por uma espécie de ímã irresistível até suscitar a desconfiança do juiz Porfírii que, senhor da situação, prevê matemàticamente o momento em que aquele triste ser humano, acossado pela consciência, confessará o crime.

É quando intervém a figura suave de Sônia, uma prostituta infeliz, que pelo amor e pelo sofrimento se une a Raskólnikov. O estudante conta-lhe tudo, procurando agarrar-se aos seus especiosos argumentos: "Matei um piolho!.. . " Mas a instintividade de Sônia, a humanidade profunda dessa pobre sofredora, acabam,_ por falar-lhe à consciência. O único livro que Dostoiévski lera, outrora, no cárcere, fôra o Evangelho. E esse livro o convencera de que pecara, fazendo-o suportar resignadamente os quatro anos de degrêdo, como uma provação necessária à paz íntima, sem a qual não poderia viver. São os versículos do Evangelho a falar também agora à alma torturada de Raskólnikov, mostrando-lhe a inutilidade de todos os argumentos, quando pecamos contra a lei moral e destruímos assim a nossa própria vida. 

"Foi a mim mesmo que matei, quando matei a velha!" — exclamava, em determinado momento o estudante. É preciso pois sofrer, curvar-se ao castigo. Só a penitência resgata a culpa e pode salvar os que morreram para Deus. Mas mesmo depois de entregar-se à justiça, de ser condenado ao degrêdo na Sibéria, para onde segue ao lado de Sônia, que quis compartilhar com ele da mesma pena, Raskólnikov não se mostra arrependido. No fundo continua ele na certeza de que o seu desastre resultou do fato de não ter conseguido tornar-se um super-homem. O romancista deixa os dois infelizes na volta do caminho, anunciando uma alvorada.

A história dessa alvorada, isto é, do arrependimento de Raskólnikov, Dostoiévski prometeu contá-la, mais tarde, em livro que não chegou a escrever. Há quem julgue haver ele com isso mostrado a impossibilidade de resolver o problema. Porque o arrependimento implicaria a crença em Deus, questão essencial o nunca suficientemente solucionada de toda a obra dostoièvskiana. 

Já se tem comentado o fato do enrêdo de Crime e Castigo resumir-se, no fundo, numa intriga de romance policial. Também de romance policial muito terá Os Demônios, história de uma conspiração fracassada; e as mil páginas densas e apaixonantes de Os Irmãos Karamázov poderiam reduzir-se ainda a este enigma de novela detetivesca: Quem matou o velho Fiódor? Essas aproximações, na realidade, quase nada exprimem. Por tal processo poder-se-ia identificar com os gêneros literários mais inferiores uma infinidade de obras-primas. Fala-se, igualmente, na influência do romance-folhetim, sobretudo Eugène Sue, sôbre Dostoiévski, e o professor francês Pierre Dournes, num livrinho para estudantes, Comment lire Dostoievski, não hesita em apontar sugestões dos Mistérios de Paris — protótipo do roman-feuilleton — no Crime e Castigo. É uma maneira leviana de deformar certos pontos de vista críticos. André Bellessort, em artigo no Candide, que não tenho aqui à mão, por volta de 1935, aludia a um pitoresco episódio ao qual, talvez, se teria reportado Pierre Dournes ao formular o juizo acima. Lia-se, certo dia, num salão parisiense, o trecho do Crime e Castigo — recentemente traduzido para o francês — em que aparece a figura de Sônia, unida pelo sofrimento a Raskólnikov, quando alguém na roda exclamou, num transporte de surprêsa: — Mas é a "Fleur de Marie"!

É a "Fleur de Marie'... A exclamação causou escândalo a todos. Comparar a personagem de Dostoiévski a uma heroína de Eugène Sue!... Em última análise, porém, observava Bellessort, não deixava mesmo de haver semelhança.

 Decerto, o autor do Crime e Castigo sofreu algumas influências do romantismo, cujos padrões ainda subsistiram até os meados do século XIX. Sônia, identificada com a "Fleur de Marie", dos Mistérios de Paris, tem muito do tipo da "boa prostituta", que o romantismo pôs em voga, como o tipo do "bom selvagem". É a criatura infeliz, que vive no pecado e a quem o pecado não corrompe. Mas de que maneira Dostoiévski renovou esse personagem convencional, que novas cores lhe emprestou, quanta humanidade lhe transmitiu! Também em Raskólnikov é possível distinguir os traços do "bom criminoso" ou do "criminoso superior" outro herói essencialmente romântico e byroniano, muito explorado na época e do qual êle já tinha um modêlo mesmo na Rússia no Eugênio Onéguin, de Púchkin. Em 1832, Lord Lytton, o autor de últimos Dias de Pompéia, publicava um romance, Eugène Aran, sustentando a tese de que do crime poderia resultar o bem para a sociedade. E já antes, em 1816, Charles Nodier — um dos iniciadores do romantismo na França — na novela Jean Sbogar pintava o tipo de um salteador de estrada, cavalheiresco e generoso. Numa espécie de mistificação literária, Charles Nodier chegou a publicar pequena coleção de máximas de Jean Sbogar, nas quais pretendia compendiar as bases de um anarquismo político-social. Dostoiévski possivelmente as leu, nela colhendo sugestões para as teorias de Raskólnikov, que no fundo não passa de um anarquista, ou niilista, como se dizia, então, na Rússia.

 


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DOSTOIEVSKY, EX-REVOLUCIONÁRIO CONTA TUDO EM OS DEMÔNIOS

DOSTOIEVSKY, EX-REVOLUCIONÁRIO CONTA TUDO EM OS DEMÔNIOS 
"Pelo que compreendi — e era impossível não o compreender — o senhor, uma vez, de início, e outra vez mais tarde falou com bastante eloqüência — embora por demais teóricamente — da vasta rede que cobre a Rússia inteira e da qual nosso grupo é uma das malhas. Cada um desses grupos, fazem prosélitos e se ramificando até ao infinito, por meio de uma propaganda sistemática, deve sabotar o poder das autoridades locais, espalhar a desordem pelo campo, provocar escândalo, estimular o cinismo e a incredulidade, suscitar o desejo de um melhor destino, e enfim, recorrer aos incêndios como a um método eminentemente popular para, no momento oportuno, mergulhar o país no desespêro. Serão essas exatamente as suas palavras? Procurei gravá-las todas. Não é esse o programa que nos comunicou como delegado de um tal de Comitê Central que nós ainda não conhecemos e que nos parece quase fantástico? "


http://conspiratio3.blogspot.com.br/2013/05/dostoievsky-publicou-os-demonios-em.html

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É evidente que entre a democracia e o socialismo existe uma oposição. Não existe a mínima possibilidade da existência combinada do socialismo e da democracia. Ainda, infelizmente, a democracia permite que o socialismo seja criado de forma indireta.
Assim, não se pode pensar, como já se propôs algumas vezes, em deixar o socialismo tentar suas experiências a fim de por em evidência sua fraqueza. Ele geraria imediatamente o cesarismo, que suprimiria rapidamente todas as instituições democráticas. Não é no futuro, mas hoje, que os democratas devem combater seu temível inimigo, o socialismo. Ele constitui um perigo contra o qual deveriam se unir todos os partidos sem exceção.
Pode-se contestar o valor teórico das instituições que nos regem, pode-se desejar que a marcha das coisas seja outra, mas tais desejos devem permanecer platônicos. Diante do inimigo comum todos deveriam se unir, quaisquer que sejam suas aspirações. (...)
Certamente que as ideias democráticas não têm, sob o ponto de vista teórico, uma base científica mais sólida do que as ideias religiosas. Mas essa lacuna, que não teve outrora nenhuma influência na sorte de uma, não poderia entravar o destino da outra. O gosto pela democracia é universal em todos os povos, qualquer que seja a forma de seu governo. Estamos, aqui, portanto, diante de uma das grandes correntes sociais que seria inútil querer represar. O principal inimigo da democracia atualmente, o único que poderia vencê-la, é o socialismo.

(Psicologia do Socialismo) Gustave Le Bon